A onda de frio no Brasil no ano de 2021 foi um evento meteorológico que assolou partes do Brasil, o evento atingiu desde a Região Sul até a Região Sudeste do Brasil. A onda de frio causou efeitos severos em partes do território brasileiro, sendo registradas 13 mortes por conta do frio intenso e diversos focos de neves durante o período.
Tempestade Raoni A tempestade subtropical Raoni, associada a um severo vórtice polar e a um ciclone extratropical causaram neve no Sul do Brasil, geada em áreas do Centro-Oeste e do Sudeste do Brasil e queda de temperatura em quase todos os estados brasileiros a partir do dia 30 de junho de 2021. Este fenômeno raro por dias seguidos não era registrado desde 2000 na região Sul.https://metsul.com/neve-nao-caia-por-tres-dias-seguidos-desde-a-grande-onda-de-frio-de-2000/ Em Itatiaia, no sul do estado do Rio de Janeiro, as temperaturas chegaram a -9,9° C, a menor registrada no Parque Nacional do município desde o início das medições.https://metsul.com/rio-de-janeiro-tem-10c-abaixo-de-zero-em-itatiaia/
Neve Nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, registrou-se, nos dias 28 e 29 de julho de 2021, mais de 37 municípios com focos de neve. Entre eles, cidades turísticas da serra gaúcha, o que trouxe turistas a região em busca de verificar o fenômeno que não ocorria com tamanha intensidade há 8 anos. As cidades atingidas pela neve foram: CidadeEstadoPelotasRio Grande do SulSão Francisco de PaulaRio Grande do SulGramadoRio Grande do SulCanelaRio Grande do SulCarlos BarbosaRio Grande do SulBento GonçalvesRio Grande do SulBagéRio Grande do SulHervalRio Grande do SulPiratiniRio Grande do SulCaxias do SulRio Grande do SulMarau Rio Grande do SulFarroupilhaRio Grande do SulAbdon BatistaSanta CatarinaAnita GaribaldiSanta CatarinaBom Jardim da SerraSanta CatarinaBom RetiroSanta CatarinaBrunópolisSanta CatarinaCampo Belo do SulSanta CatarinaCampos NovosSanta CatarinaCapinzalSanta CatarinaCelso RamosSanta CatarinaCuritibanosSanta CatarinaFraiburgoSanta CatarinaLagesSanta CatarinaPainelSanta CatarinaRancho QueimadoSanta CatarinaRio RufinoSanta CatarinaSão JoaquimSanta CatarinaSão José do CerritoSanta CatarinaTimbé do SulSanta CatarinaUrubiciSanta CatarinaUrupemaSanta CatarinaVargemSanta CatarinaZortéaSanta CatarinaPalmeiraSanta Catarina Além das cidades citadas acima, também houve cidades onde ocorreram fenômenos como a chuva gelada ou chuva congelada, que acabaram por molhar e elevar a sensação de frio nas cidades atingidas. Além de trazerem transtornos no transito deixando estradas escorregadias e causando um fenômeno de lentidão do transito para evitar riscos de acidentes.
Economia
Impactos Positivos miniaturadaimagem|Método utilizado por vinícolas do vale dos vinhedos para evitar congelamento da safra O frio tem seu lado bom para economia do país. Com as ondas de frio e com a confirmação da previsão de neve, diversas famílias resolveram viajar para cidades turísticas do sul do país como Gramado e Canela que são tradicionais por seu estilo europeu e sua recepção aos turistas. Cidades como estas, tiveram uma grande queda no numero de turistas durante a pandemia de COVID-19 e estavam tentando traçar novos planos para restruturação econômica da cidade. Com a neve e com a confirmação de frio, diversas famílias resolveram viajar para serra gaúcha assim também impulsionando a economia nestas regiões.
Cidades como Bento Gonçalves, Garibaldi, Monte Belo do Sul e Pinto Bandeira que são responsáveis pela maior produção de vinhos no Brasil também aproveitaram bastante da onda de frio que assolou a região, com grande parte do público de turistas tendo conhecimento do jargão popular que afirma que "vinho pode aquecer o corpo" a procura pela bebida aumentou, assim alavancando suas vendas nas próprias cidades e região.
Impactos Negativos O frio acabou castigando as plantações do sul e sudeste do Brasil, no vale dos vinhedos no Rio Grande do Sul, vinícolas instalaram diversos barris contendo lenha e gasolina para serem acesos e assim manter as uvas aquecidas e boas para o uso na produção de vinho. Tendo em vista que o processo é feito de forma artesanal, diversas vinícolas utilizam deste método, entre elas a tradicional Vinícola Aurora de Bento Gonçalves.
Porém outras plantas não têm a mesma sorte que as uvas e acabam sofrendo ainda mais com o frio, as plantações de café, cana, milho, soja e banana preocupam agricultores, tendo em vista a dificuldade em manter as plantas que não possuem o costume de lidar com frio extremo. Técnicas estranhas como enterrar o café ou "encasacar" as bananas foram reutilizadas após muitos anos, na esperança de salvar as plantações do frio extremo que assolou o país. Estimou-se a perda de 30% da produtividade das safras devido aos entraves climáticos.
Em um período em que a carne estava com preços elevados, a destruição do milho, soja e pasto foi um péssimo sinal também para pecuária. Menor disponibilidade de ração para os animais e o frio extremo podendo causar hipotermia nos bezerros foram outras preocupações que assolaram os pecuaristas.
Riscos à saúde A onda de frio causou a morte de 17 moradores de rua no estado de São Paulo que, além do frio, também tiveram que se preocupar com as chuvas que atingiram a região. Os riscos a saúde causados pelo frio vão além da hipotermia, em caso de congelamento das extremidades do corpo humano, pode ocorrer a amputação traumática de membros, assim causando graves danos a saúde dos envolvidos.
O risco á saúde também está diretamente ligada á COVID-19, é comum que em épocas de baixas temperaturas, o numero de casos de síndromes gripais causadas por alergias como a rinite cresçam. Porém com o medo instaurado pela pandemia de COVID-19, ambientes hospitalares, já muito cheios, acabaram recebendo alta procura de pessoas sem doenças graves mas com algum tipo de alergia ou sensibilidade ao frio que acabaram expostas ao risco de se contaminar com o vírus da COVID-19.
Ações dos estados
Rio Grande do Sul Em Porto Alegre a prefeitura já estava acostumada com o inverno rigoroso, assim já tendo planos pré-estruturados para lidar com a situação. Estavam sendo recolhidos agasalhos para doações na capital meses antes da onda de frio. Estes agasalhos estavam sendo armazenados no ginásio municipal Tesourinha sob responsabilidade do seu coordenador-diretor professor Cláudio Franzen. Além do público geral, diversas instituições ajudaram na doação de roupas para os moradores de rua e para famílias carentes, entre elas: o Exército Brasileiro, o Sport Club Internacional, o Grêmio Foot-Ball Club, a cooperativa de crédito Unicred, a Empresa Pública de Transportes e Circulação (EPTC) entre outros. As roupas foram entregadas pela guarda municipal e defesa civil do estado em bairros carentes da cidade.
Também na capital do Rio Grande do Sul, tendo em vista o avanço do frio e que o foco logístico da distribuição de roupas estava acontecendo no ginásio Tesourinha, o Sport Club Internacional disponibilizou seu ginásio Gigantinho para abrigar moradores de rua durante o período de frio. Este ginásio se encontra ao lado do estádio Beira Rio e estava equipado para abrigar 187 pessoas e em seu primeiro dia houve 101 abrigados, igrejas da capital também foram equipadas para garantir o conforto dos necessitados.
Em contra partida, ainda existiu uma tensão popular sob o prefeito Sebastião Melo pela liberação de ônibus para transporte dos moradores de rua até o ginásio Gigantinho, tendo em vista que muitos não tem meios de locomoção para ir até o ginásio. Estas operações de ônibus são feitas em outras cidades e já havia sido feita em Porto Alegre na gestão do prefeito Nelson Marchezan Júnior para viagens intermunicipais.
Nas cidades que se encontram nas serras gaúchas, o trabalho foi intenso para o transporte de moradores de rua para igrejas e escolas assim para evitar que os mesmos ficassem na rua principalmente com a neve que está caindo sob estas cidades. Cidades como Caxias do Sul distribuíram cobertores e roupas através da campanha do agasalho desde o inicio do mês e intensificou suas operações no momento de crise. Os bombeiros também ficaram em prontidão para atender possíveis vitimas de hipotermia e incêndios que podem ser causados pela tradição do uso de fogões a lenha.
Santa Catarina Em Santa Catarina a preocupação com moradores de rua cresceu conforme a temperatura começou a cair. Muitos abrigos foram preparados para abrigar mais moradores do que sua capacidade. O governo do estado também providenciou a doação de diversos cobertores e agasalhos aos moradores de rua que não conseguiram se abrigar. Houve relatos de voluntários que enfrentaram dificuldades em convencer os moradores de rua a irem até abrigos.
Outra preocupação no estado, foi o congelamento de água nos canos, este congelamento poderia causar a falta de água em diversas cidades do estado além de estragar a tubulação intermunicipal de água.
Com a preocupação por conta do frio, alguns municípios do estado cancelaram a vacinação contra a COVID-19 por tempo indeterminado até que a onda de frio cessasse e assim permitisse a volta segura da campanha.
São Paulo Em São Paulo, as temperaturas não foram tão baixas como no sul do país; a mínima registrada foi de 4,1 graus Celsius. Porém, mesmo com o frio não sendo tão intenso quanto na região sul, a anormalidade do frio trouxe maiores problemas ao estado, que não está acostumado como os estados do sul a lidar com este problema, desta forma foram registrados 17 óbitos desde o inicio da onda de frio, sendo dois deles na noite de 28 de julho, a mais gelada dos últimos cinco anos no estado.
Para evitar mais mortes pelo frio, o estado disponibilizou abrigos para abrigar os moradores de rua, entre eles estão sendo utilizadas estações de metrô. A corrida por doações está vindo em parte pelo governo do estado e outra parte através de voluntários, no dia 28 de julho a Cruz Vermelha distribuiu em torno de mil kits para ajudar na sobrevivência dos moradores de rua. Nos kits haviam cobertores, agasalhos e materiais de higiene pessoal, inclusive absorvente para as mulheres, visando combater a pobreza menstrual.
O governo do estado emitiu um alerta sobre a piora gradual das temperaturas, tendo em vista a expectativa que até o dia primeiro de agosto a onda de frio se movimente da região sul do brasil para a região sudeste assim podendo gerar frio de -3 graus. Após o alerta a procura por mantimentos e roupas de frio aumentaram no estado, o estado não enfrentava um inverno tão rigoroso a anos.
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