Ana Pi (nascida em 1986, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil) é uma coreógrafa, artista da imagem, dançarina "extemporânea", pedagoga, escritora e criadora de espaços. Trabalhando da França, ela navega pelo mundo através das camadas regenerativas e imaginação radical da Diáspora Africana. Conhecida por sua pesquisa e prática relacionadas a formas ancestrais e periféricas de dança, o trabalho de Ana Pi foca na relação entre trânsito e pertencimento, com temas como regeneração, groove, gestos sagrados, futuridade e imaginação afro-diaspórica. Durante uma década ela ministrou uma conferência sobre danças urbanas, apresentando-se mais de 400 vezes em países da Europa, África e América do Sul. Pi utiliza a dança e a coreografiahttps://www.mouvement.net/ana-pi como ferramenta de criação poético-políticahttps://repositorio.ufba.br/bitstream/ri/36797/3/cidade-e-negritude-miolo.pdf e recodificação cultural, permanentemente expandindo as complexidades do eixo tradição e experimentação. Ela é a diretora artística do NA MATA LAB.

Educação Ana Pi iniciou seus estudos formais de dança no Palácio das Artes em Belo Horizonte, onde praticou balé clássico e dança moderna, técnica Graham. Pi, posteriormente, cursou a graduação em dança na Universidade Federal da Bahia (2005-2009), onde começou a ampliar as interseções entre dança e vídeo, política e tradições artísticas afro-brasileiras, e escreveu Videodançar: um verbo possível. Proposta Metodológica para o Ensino da Videodança. Em 2009, Ana Pi ingressou no programa EX.E.R.CE do Centre Chorégraphique National em Montpellier, França. Lá, ela expandiu sua prática, estudando coreografia contemporânea e sistemas de imagem com artistas como Lisa Nelson e Charles Atlas. Ao longo dos anos estudou técnicas e tradições que vão da Capoeira Angola, ao Sapateado, House Dance, entre muitas outras.

Prêmios e Reconhecimentos O trabalho de Ana Pi foi reconhecido por várias instituições prestigiadas, como: Prêmio Revelação em Dança (2018), Cooperativa Paulista de Dança, São Paulo, Brasilhttps://portalmud.com.br/portal/calendario-da-danca/mud-conquista-o-premio-denilto-gomes-2018/ Melhor Curta-metragem Brasileiro (2018), FestCURTAS BH e Panorama Janela de Cinemahttps://www.cinemaescrito.com/2018/11/xi-janela-2018-anuncia-os-premiados/ Prêmio Ecumênico (2018), Kurzfilmtage Oberhausen 65º Festival, Alemanhahttps://www.kurzfilmtage.de/en/festival/looking-back/more/#t2257 Artista Fellow (2020), Programa América Latina, MoMA e Cisneros Institute, Nova York, EUAhttps://www.moma.org/research/cisneros/fellowships/artists-fellowships#2021-artist-fellow Artista Fellow (2024), AMANT Brooklyn, Nova York, EUAhttps://www.amant.org/residents/177-ana-pi Prática Artística e Materiais As práticas de Ana Pi são entrelaçadas pelo ato de viajar, investigando os gestos e movimentos transmitidos por tradições e transmutados por paisagens e fronteiras distintas, programas de software e políticashttps://www.maculture.fr/ana-pi. Seu trabalho simultaneamente envolve corpos vivos e arquivos, aprendendo as filosofias e o potencial de "futuridade" dessas complexas coreografias. Através deste compromisso, Ana Pi gera novos sistemas de permanência em seu trabalho transdisciplinar, situando-se entre as noções de trânsito, deslocamento, pertencimento, sobreposição, memória, cores e gestos cotidianos.

O trabalho artístico de Pi é movido pelas seguintes matérias principais: Gestos Sagrados e Formas Periféricas de Dançahttps://bdmgcultural.mg.gov.br/artigos/estamos-no-futuro-com-ana-pi/ Futuridade e Imaginação Radicalhttps://www.contemporaryand.com/fr/c-and-magazine/all-editorial/darkness-as-a-non-representational-field-in-ana-pis-noirblue Transmissão Intergeracional e Resistência Epistêmicahttps://35.bienal.org.br/participante/ana-pi-e-taata-kwa-nkisi-muta-ime/ Objetos, Animismo e a Vitalidade da Matériahttps://contemporaryand.com/en/america-latina-magazine/texts/ana-pi-knowledge-does-not-disapear

CORPO FIRME — Danças Periféricas, Gestos Sagrados Desde 2010, Ana Pi partilha e cultiva CORPO FIRMEhttps://www.geledes.org.br/sobre-o-poder-do-movimento/, um projeto de prática e pesquisa de longo prazo que conecta as complexidades das danças afro-diaspóricas e gestos sagrados. Este trabalho foca na fisicalidade vigorosa, noções de groove, recodificação de tradições culturais, a experimentação de conhecimentos ancestrais e invenção de imagens. CORPO FIRME serve como um laboratório de estudo e criação sobre as interseções das formas de dança tradicionais, confluências estéticas e práticas artísticas contemporâneas.

Obras Selecionadas

NoirBLUE (2017) Uma das obras mais aclamadas de Pi é NoirBLUEhttps://www.contemporaryand.com/fr/c-and-magazine/all-editorial/darkness-as-a-non-representational-field-in-ana-pis-noirblue, um espetáculo solo que examina a interseção da negritude, historiografia das cores e regimes de visibilidade. A peça foi apresentada em instituições internacionais de destaque, incluindo o Théâtre de Vanves na França, o The Future is Feminist Festival em Bruxelas e o Festival Circular em Portugal, entre outros.

O BANQUETE (2019) Em O BANQUETEhttps://www.festival-automne.com/en/edition-2021/ana-pi-o-banquete, Pi reflete sobre a construção social brasileira, a comida e as relações íntimas entre feminismo e herança. O espetáculo, comissionado pela Associação Videobrasil, estrutura uma conversa com a tia de Pi, Mylia Mary, e articula noções de amor, luto e nutrição espiritual. A peça foi apresentada em grandes festivais internacionais, incluindo o Festival d'Automne em Paris e o Festival Antigel em Genebra, entre outros.

The Divine Cypher (2021) The Divine Cypher é um espetáculo solo que articula gestos sagrados haitianos e o legado das artistas Katherine Dunham e Maya Deren. Pi se baseia em material de arquivo e realiza pesquisa de campo em Port-au-Prince e Cap Haitien para investigar a relação entre as relações contemporâneas e rituais ancestrais. The Divine Cypher estreou na La Briqueterie CDCN na França e foi apresentado em diversos festivais na Europa.

Antena Ia Mbambe (2023) Antena Ia Mbambe é uma instalação cinética criada em colaboração com Taata Kwa Nkisi Mutá Imê, comissionada pela 35ª Bienal de São Paulohttps://artebrasileiros.com.br/arte/artista/ana-pi/. A obra coreografa estruturas metálicas, cerâmicas, animação, para refletir sobre a herança espiritual afro-brasileira do Candomblé e a tradição cosmológica Bantu. Esta instalação de grande escala articula o princípio vital e a divindade chamada "Tempo" e seus atributos metafísicos.

Algorithm Ocean True Blood Moves (2023) Algorithm Ocean True Blood Moves é uma performance de grande escala dirigida por Julien Creuzet, com coreografia de Ana Pihttps://contemporaryand.com/en/america-latina-magazine/texts/ana-pi-knowledge-does-not-disapear. Esta colaboração reúne 7 jovens dançarinos da Alvin Ailey School, a cantora Malou Beauvoir e o paisagem sonora de shatta do produtor e DJ Natoxie da Martinica. Curada por Charles Aubin, a performance foi comissionada pela Performa Biennial e pela Hartwig Foundation, apresentada em Nova York - Performa Biennial e Providence - Brown University nos Estados Unidos, Amsterdã - National Opera Ballet na Holanda, Dakar - The Wake - Bienal de Arte no Senegal.

ATOMIC JOY (2025) Em 2025, Ana Pi estreia ATOMIC JOYhttps://midianinja.org/ana-pi-e-a-alegria-diante-do-colapso-do-mundo/, um espetáculo para 8 jovens dançarinos, no Festival Rencontres chorégraphiques internationales de Seine-Saint-Denis e na Pinacoteca de São Paulo, inaugurando o programa Brasil-França. Este trabalho concebe a alegria como um poderoso ato de resistência, apresentando um encontro da coreografia e direção de Ana Pi com as disciplinas de dança urbana da região Grande Paris e uma composição musical original do pianista francês Chassol.

Residências Internacionais e Colaborações Ana Pi participou de várias residências internacionais, onde colaborou com artistas, curadores e pesquisadores para expandir sua prática. Residências e projetos notáveis incluem: MoMA Cisneros Fellowship (2020): Pi foi premiada com a prestigiosa Artist Fellowship do MoMA Cisneros Institute para aprofundar sua pesquisa sobre dança afro-diaspórica e o campo do cinema experimental. A bolsa permitiu a Pi investigar gestos sagrados do voudoun haitiano através do legado de Katherine Dunham e Maya Deren, culminando na obra The Divine Cypher.

Dancing Museums (2019–2021): Como parte deste projeto de longo prazohttps://www.macval.fr/Ana-Pi-artiste-associee-de-Dancing-Museums-2, Pi colaborou com museus e coreógrafos em toda a Europa. Ela trabalhou como coreógrafa associada no MAC VALhttps://www.macval.fr/Dancing-Museums-2-The-Democracy-of-Beings, Museu de Arte Contemporânea de Val-de-Marne, e na La Briqueterie, CDCN, articulando como os museus podem ser espaços para coreografia e experimentação de dança contemporânea.

Exposições e Espetáculos Selecionados O trabalho de Ana Pi foi apresentado em diversas instituições culturais e festivais prestigiosos ao redor do mundo: 35ª Bienal de São Paulo (2023) - "Coreografias do Impossível", Brasilhttps://35.bienal.org.br/participante/ana-pi-e-taata-kwa-nkisi-muta-ime/ Centre Pompidou (Paris e Metz, França)https://www.centrepompidou.fr/fr/programme/agenda/evenement/cxn59aB HKW, Berlim, Alemanhahttps://www.hkw.de/en/programme/bwa-kayiman-lakouzemi/quatuor-and-quantum-larmes-marees-de-la-lune Inhotim, Brasilhttps://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2015/09/inhotim-tem-shows-e-exposicoes-para-comemorar-2-milhoes-de-visitantes.html Festival d'Automne (Paris, França)https://www.festival-automne.com/fr/artistes/ana-pi Museu Reina Sofia (Madri, Espanha)https://www.museoreinasofia.es/en/activity/world-tour-urban-dance-ten-cities Bienal Internacional de Dança de Cali (Cali, Colômbia)https://bienaldanzacali.com/programacion-7-bienal-internacional-de-danza-2025/ Fondation Cartier, Paris, Françahttps://medias.fondationcartier.com/fondation/documents/press/DP-DAMIEN-HIRST-FR.pdf Museu de Arte de São Paulo MASP, Brasilhttps://masp.org.br/exposicoes/ana-pi Festival de Cinema de Tiradentes, Brasilhttps://cinefestivais.com.br/ana-pi-fala-sobre-noirblue-deslocamentos-de-uma-danca/ Festival Impulstanz (Viena, Áustria)https://www.impulstanz.com/en/performances/pid1500/ Festival Santarcangelo, Itáliahttps://www.santarcangelofestival.com/wp-content/uploads/2023/11/SANTARCANGELO-FESTIVAL-2023_catalogo.pdf Museu de Arte Contemporânea do Rio de Janeiro (MAR), Brasilhttps://artrio.com/agenda-cultural/museu-de-arte-do-rio-nossa-vida-bantu-coletiva Performa Biennial, Nova Yorkhttps://www.nytimes.com/2023/11/04/arts/design/performa-biennial-new-york-performance.html AMANT Brooklyn, Nova Yorkhttps://www.amant.org/programs/425-choreographing-transmission American Folk Art Museum, Nova Yorkhttps://issuu.com/american_folk_art_museum/docs/anapi_performance_program_issuu RAW Material Company, Dakar, Senegalhttp://www.rawmaterialcompany.org/_4467 P.A.R.T.S, Bruxelas, Bélgicahttps://parts.be/teacher/ana-pi Kaaitheater, Bruxelas, Bélgicahttps://kaaitheater.be/fr/agenda/21-22/divine-cypher LAC Lugano, Suíçahttps://www.luganolac.ch/fr/lac/programma/evento~lac~21-22~s~ldp~divine-cypher~.html Bienal Anozero, Coimbra, Portugalhttps://21-22.anozero-bienaldecoimbra.pt/en/artists/ana-pi

Seleção de entrevistas e artigos

[RTVE Interview on Street Culture and Dance](https://www.rtve.es/play/videos/para-todos-la-2/danzas-cultura-callejera-bailarina-ana-pi/5266238/) [Publico - "Faz a dança que ajuda a adiar a guerra"](https://www.publico.pt/2023/09/21/culturaipsilon/noticia/faz-danca-ajuda-adiar-guerra-2063889) [Official Website of Ana Pi](https://anazpi.com) [MoMA Cisneros Fellowship](https://www.moma.org/research/cisneros/fellowships/artists-fellowships#2021-artist-fellow) [Festival d'Automne Paris](https://www.festival-automne.com/en/edition-2021/ana-pi-o-banquete)