Maria Lúcia Alvim (Araxá, Minas Gerais, 1932 - 3 de fevereiro de 2021) foi uma poeta e artista visual brasileira.Freitas, Juliana Veloso Mendes. "Maria Lúcia Alvim e O Romanceiro De Dona Beja." Revista Recorte 14.2 (2017). Vida e obra Maria Lúcia era filha do escultor Fausto Alvim, e irmã dos também poetas Maria Ângela Alvim (1926-1959) e Francisco Alvim (n. 1938), Maria Lúcia Alvim passou a infância em Araxá e fazendas da família em Minas Gerais.

Mudandou-se na juventude para o Rio de Janeiro, dedicou-se à poesia e pintura, estreando em livro com a obra XX sonetos em 1959. A ela seguiram-se, em 1968, os volumes Coração incólume e Pose. Durante a década de 1970, trabalhou no longo e monumental Romanceiro de Dona Beja (1979), no qual retomou figuras históricas e a paisagem de Araxá, obra discutida por Juliana Veloso Mendes de Freitas em sua dissertação de mestrado "A narrativa histórica na poesia de Maria Lúcia Alvim: Romanceiro de Dona Beja", de 2015.Simpson, P. (2017). ARCANOS & EXÍLIO na poesia de Mª L. Alvim e Roberval Pereyr. Revista Légua & Meia, 2(1), 220-228.

Em 1980, publicou A rosa malvada. Deixa então o Rio de Janeiro para viver na Fazenda do Pontal, onde escrevou os livros Batendo pasto e Rabo de olho. Em 1989, Augusto Massi, diretor da coleção de poesia contemporânea Claro Enigma, editou toda a obra da poeta entre XX sonetos e A rosa malvada no volume Vivenda: 1959-1989, que, apesar das datas, não incluía poemas escritos após 1980.

Segue-se a essa publicação um longo hiato, no qual Maria Lúcia Alvim deixa a fazenda do Pontal e instalou-se no Hotel São Luiz em Juiz de Fora, Minas Gerais, onde continuou escrevendo e produzindo colagens. O hiato seria interrompido em 2020 com a publicação de Batendo pasto pela Relicário Edições, que iniciou a um projeto de edições de inéditos e reedições sob coordenação de Guilherme Gontijo Flores e Ricardo Domeneck.

Maria Lúcia Alvim morreu em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 3 de março de 2021, em decorrência da Covid-19.

Publicações

XX sonetos (1959) Coração incólume (Editora Leitura, 1968) Pose (Editora Leitura, 1968) Romanceiro de Dona Bêja (Editora Fontana- INL,1979) A rosa malvada (Editora Clarim, 1980) Vivenda: 1959-1989 (Livraria Duas Cidades, 1990) Batendo pasto (Relicário Edições, 2020)

Recepção crítica Em ensaio publicado na Revista Cult, a ensaísta Patrícia Lavelle definiu Maria Lúcia Alvim como uma "poeta sem geração", argumentando que sua produção não se vinculou diretamente aos principais grupos ou movimentos da poesia brasileira do século XX. Segundo Lavelle, essa posição contribuiu para que sua obra permanecesse relativamente pouco conhecida, apesar do reconhecimento recebido por parte de escritores e críticos.

Ainda de acordo com Lavelle, a obra da autora distingue-se pela variedade de formas poéticas empregadas ao longo de sua trajetória, incluindo sonetos, poemas líricos, poemas narrativos e composições breves. A crítica observa que Maria Lúcia Alvim transitou entre diferentes registros e soluções formais sem aderir de modo permanente a um programa estético específico.

Lavelle também relaciona a retomada editorial da obra de Maria Lúcia Alvim, ocorrida a partir da década de 2020, a um processo de reavaliação crítica de sua produção poética e de seu lugar na literatura brasileira contemporânea.

Referências

Categoria:Poetas brasileiros do século XXI