A Rifle Brigade (Prince Consort’s Own) (geralmente chamado simplesmente de "Green Jackets") foi um "regimento de rifle" da infantaria do Exército Britânico que esteve em ação desde a sua criação em janeiro de 1800 até fevereiro de 2007 sob várias designações.
Técnicamente, a Rifle Brigade foi um regimento de infantaria ligeira do Exército Britânico que existiu de 1816 a 1958. Surgiu do regimento "95º Rifles" fundado em 1802 e lutou na Guerra da Crimeia, em várias guerras coloniais britânicas do final do século XIX, na Primeira e na Segunda Guerras Mundiais. Recebeu o sufixo "Prince Consort’s Own" em 1862 de seu Coronel de Honra de 1852, Príncipe Consorte Albert.
Visão geral thumb|right|260px|Membros da Rifle Brigade equipados, no período da Guerra da Crimeia (1854-56).
A Rifle Brigade foi formada em janeiro de 1800 como o "Experimental Corps of Riflemen" com o objetivo de prover "Sharpshooters", batedores e escaramuçadores. Ele foi logo renomeado para "Rifle Corps". Em janeiro de 1803, eles se tornaram um regimento regular estabelecido e foram intitulados "95th (Rifle) Regiment of Foot".
No final das Guerras Napoleônicas, eles foram novamente renomeados, em fevereiro de 1816, desta vez simplesmente como "Rifle Brigade".
A "Rifle Brigade" recebeu o sufixo "Prince Consort’s Own" em 1862, após a morte (em dezembro de 1861) de seu Coronel de Honra desde 1852, o Príncipe Consorte Albert.
A liderança de oficiais ilustres como Henri Bouquet, Francis de Rottenburg, Coote Manningham e Sir John Moore gerou uma sucessão de ideias avançadas que mais tarde foram adotadas como ideais pelo restante do Exército: táticas de formação aberta e mobilidade no lugar de exercícios rígidos e movimentos predefinidos, camuflagem e ocultação no lugar de fileiras rigidamente formadas dos "Red Coats", pontaria individual no lugar do fogo de mosquete em massa e inteligência e autoconfiança no lugar de obediência rígida instilada pelo medo de punição brutal. A Campanha Peninsular foi onde essas novas habilidades e táticas de soldado profissional alcançaram grande sucesso operacional pela primeira vez, e onde os Jaquetas Verdes fizeram seu nome.
O 5º Batalhão do 60º, descendente do Regimento Real Americano, foi o primeiro regimento de infantaria britânico a se vestir de verde e o Corpo de Fuzileiros adotou uniforme semelhante desde sua fundação. O propósito era prático e simbólico, representando a primeira camuflagem exigida para as novas táticas de formação aberta e para o papel tanto de escaramuçadores quanto de atiradores de elite, bem como uma ruptura com os rígidos métodos mecânicos das tropas de "Red Coats".
Além disso, os "Green Jackets" foram equipados com o rifle Baker, que foi o primeiro rifle de fabricação britânica aceito pelo Exército no lugar dos mosquetes de cano liso; o 95º foi o primeiro corpo de infantaria regular do Exército Britânico a estar assim armado.
Eles prestaram serviços de destaque tanto na Primeira quanto na Segunda Guerra Mundial.
No pós-guerra, em 1958, o regimento fazia parte da "Green Jackets Brigade" como o "3rd Green Jackets" e foi unificado com o "1st Green Jackets (43rd and 52nd)" e o 2nd Green Jackets (King's Royal Rifle Corps) para formar os "Royal Green Jackets" em 1 de janeiro de 1966. As evoluções se sucederam até que em 1 de fevereiro de 2007, foram todos unificados criando o "The Rifles".
Histórico thumb|right|260px|Ilustração de 1890, retratando os uniformes do pessoal da Rifle Brigade em 1813 (diferentes patentes). thumb|right|260px|Ilustração do pessoal da Rifle Brigade em ação na Batalha dos Pireneus (1813). Formação Em 1800, o "Experimental Corps of Riflemen" foi criado pelo Coronel Coote Manningham e pelo Tenente-Coronel Exmo. William Stewart, formado por oficiais e outras patentes de vários regimentos britânicos. O Corpo de exército diferia em vários aspectos da infantaria de linha do Exército britânico e, mais significativamente, estava armado com o formidável rifle Baker. O rifle era notavelmente preciso em uma época em que era geralmente considerado impraticável para soldados individuais mirar em alvos específicos. Os fuzileiros usavam jaquetas verde-escuras em vez dos casacos vermelhos brilhantes dos regimentos de infantaria de linha britânicos da época, pantalonas justas em vez de calções, faixas pretas em vez de branco e uma pluma verde em seus "shakos" estilo "chaminé".
Como o "Rifle Corps" Quatro meses após sua formação, o "Rifle Corps" foi considerado pronto para sua primeira operação. Em 25 de agosto de 1800, três companhias, sob o comando do tenente-coronel William Stewart, lideraram um desembarque anfíbio britânico em Ferrol, Espanha, onde os "Rifles" ajudaram a desalojar os defensores espanhóis nas alturas. Apesar disso, a expedição foi derrotada e retirou-se em 26 de agosto de 1800. Em abril de 1801, uma companhia do "Experimental Corps of Riflemen", sob o comando do Capitão Sidney Beckwith, participou da vitória britânica na Batalha de Copenhague, como atiradores a bordo de navios da Marinha Real que estavam sob o comando geral do Vice-Almirante Horatio Nelson. Durante a batalha, o "Rifle Corps" sofreu um tenente morto, seu primeiro oficial também e dois de outras patentes foram mortos e seis feridos, alguns dos quais morreram mais tarde.
Como o "95th Regiment" Em 1802, o "Rifle Corps" foi trazido para a linha de frente do Exército Britânico como o "95th Regiment of Foot". Em 1803, o 95º mudou-se para Shorncliffe Army Camp, Kent, onde passou por treinamento de infantaria leve, junto com o 43º e 52º "Regiments of Foot", sob a tutela do Coronel Coote-Manningham e Sir John Moore; este último, como o 95º, ganharia fama durante a Guerra Peninsular. Em 1805, um 2º Batalhão foi formado em Canterbury, Kent, e mais tarde naquele ano o 1º/95º foi destacado para a Alemanha como parte de uma expedição britânica, sob o comando de Lord Cathcart, destinada a libertar Hanôver da ocupação pela França. O 95º posteriormente formou a guarda avançada a caminho de Bremen. Em fevereiro de 1806, o 95º formou a retaguarda para a retirada para Cuxhaven e posteriormente voltou para casa no Reino Unido.
Expedição à América do Sul
thumb|right|260px|Bandeira do "95th Rifle Regiment"ou "Saint Helena regiment".
Em outubro de 1806, cinco companhias do 1º/95º e três companhias do 2º/95º partiram para a América do Sul, controlada pelos espanhóis, sendo então a Espanha aliada da França. Fazia parte de uma segunda força de invasão projetada como reforço para a primeira invasão contra Buenos Aires, lançada no início de 1806 por Sir Home Popham sem o conhecimento do governo.
O 2º/95º, como parte da força do Brigadeiro-General Sir Samuel Auchmuty, participou do cerco e posterior assalto a Montevidéu, onde hoje é o Uruguai, e que viu Montevidéu ser capturado em 3 de fevereiro de 1807, após limpar os arredores das tropas espanholas em janeiro. O 95º subseqüentemente entrou em ação em Colônia do Sacramento contra uma força espanhola que cruzou de Buenos Aires; os "Rifles" seguraram a força até que ela pudesse ser repelida, com o 95º recebendo muitos elogios de Auchmuty por sua participação na derrota da força espanhola. O 95º subseqüentemente entrou em ação em junho em San Pedro onde eles, o 40º e as companhias leves, lutaram contra as forças espanholas que cruzaram de Buenos Aires e os derrotaram.
O tenente-general John Whitelocke, o comandante geral recém-chegado, posteriormente lançou um ataque mal aconselhado e mal administrado a Buenos Aires no qual as companhias de ambos os batalhões do 95º estavam envolvidas como parte da Brigada Ligeira, comandada por Robert Craufurd. Durante o assalto a Buenos Aires em 5 de julho, o 95º e o resto da força britânica sofreram pesadas baixas na dura luta pela captura da cidade. A Brigada Ligeira sofreu tanto que teve que se refugiar em uma igreja e se rendeu logo em seguida. Whitelocke finalmente rendeu sua força. Depois que Whitelocke negociou a retirada das forças britânicas, os homens foram libertados e voltaram para casa no final daquele ano. O 95º iria lutar por quase toda a Guerra Peninsular na Espanha. No rescaldo da desastrosa expedição, Popham e Whitelocke foram submetidos à corte marcial, com Popham repreendido e Whitelocke demitido do Exército.
O Báltico (1807–1808) As demais companhias do 95º estiveram envolvidas na expedição à Dinamarca naquele ano. Eles participaram da Segunda Batalha de Copenhague em 1807 como parte da brigada de Arthur Wellesley. A expedição, comandada por Lord Cathcart, tinha como objetivo capturar a Frota Dinamarquesa para evitar que caísse nas mãos da França. A expedição provou ser um sucesso absoluto com a captura da Frota Dinamarquesa, momento em que os britânicos se retiraram. Em 1808, o 1º/95º participou de uma expedição a outro país escandinavo, a Suécia, uma expedição que foi comandada por Sir John Moore e projetada para ajudar a Suécia durante a guerra com a Rússia. No entanto, assim que chegaram a Gotemburgo em maio, as tropas permaneceram a bordo dos navios ancorados por dois meses devido a um mal-entendido entre os governos britânico e sueco e retornaram à Grã-Bretanha.
Guerra Peninsular
thumb|right|280px|Atores de recriação histórica em várias situações de tiro encarnando membros do "2nd/95th Rifle Regiment".
Em Agosto de 1808 o 2º/95º fez parte das forças imediatas enviadas na expedição portuguesa inicialmente comandada por Sir Arthur Wellesley e cobriu os desembarques na Baía do Mondego (Figueira da Foz). Em 15 de agosto tiveram a honra de disparar os primeiros tiros da Guerra Peninsular durante uma escaramuça em Óbidos contra os franceses, mas infelizmente também sofreram a morte do primeiro oficial britânico na guerra, o tenente Ralph Bunbury. O 95º, integrando a 6ª Brigada que incluía os fuzileiros 5º/60º a Pé, participou na Batalha da Roliça, a primeira batalha campal da guerra, a 17 de Agosto de 1808. O rifleman Thomas Plunket do 1º Batalhão, 95º Rifles, atirou no general francês Auguste François-Marie de Colbert-Chabanais a uma distância de até 800 jardas (730 m) na Batalha de Cacabelos em 3 de janeiro de 1809.Os tiros foram a uma distância suficientemente longa para impressionar os outros no 95º Rifles, cuja pontaria (com o rifle Baker) era muito melhor do que os soldados britânicos comuns. No entanto, nenhuma testemunha ocular deu o alcance do tiro de Plunket, e as descrições das posições de Plunket e Colbert são muito vagas para permitir qualquer medição. ().
O 1º batalhão fez parte da campanha de John Moore, que terminou com a evacuação após a Batalha da Corunha em 16 de janeiro de 1809. A maioria do 1º batalhão foi descansado e reabilitado no Reino Unido, embora alguns pequenos destacamentos do 95º tenham ficado encalhados, os quais então se formaram com outros destacamentos como parte de uma força de defesa (1º Batalhão de destacamentos) em Portugal. O 1º voltou à península alguns meses depois, em maio de 1809 e em julho foi forçado a marchar na tentativa de chegar com a força principal para a Batalha de Talavera, mas apesar de percorrer uma distância notável chegaram em 29 de julho de 1809, logo após a batalha.
Após o esgotamento sofrido na Corunha, os dois batalhões do 95º com base em Hythe, em Kent, tinham uma força de 1.000 homens cada. No entanto, tantos voluntários se apresentaram para ingressar no regimento que foi concedida permissão para formar um terceiro batalhão em 1809.