O USS Washington foi um couraçado operado pela Marinha dos Estados Unidos e a segunda e última embarcação da Classe North Carolina, depois do . Sua construção começou em junho de 1938 no Estaleiro Naval da Filadélfia e foi lançado ao mar em junho de 1940, sendo comissionado na frota norte-americana em maio do ano seguinte. Ele foi projetado segundo algumas limitações impostas pelo Tratado Naval de Washington e era armado com uma bateria principal composta por nove canhões de 406 milímetros montados em três torres de artilharia triplas, tinha um deslocamento carregado de 45,5 mil toneladas e conseguia alcançar uma velocidade máxima de 28 nós.

O Washington inicialmente foi enviado para o Reino Unido a fim de reforçar a Frota Doméstica britânica na escolta de comboios para a União Soviética. Ele não enfrentou inimigos nesse período e retornou para os Estados Unidos pouco depois em julho de 1942, passando por manutenções e reformas e então sendo enviado para auxiliar as forças Aliadas na Batalha de Guadalcanal, tornando-se a capitânia do contra-almirante Willis Lee. O navio lutou na Batalha Naval de Guadalcanal na noite de 14 para 15 de novembro junto com o , conseguindo infligir danos fatais no couraçado e no contratorpedeiro Ayanami, o que forçou o recuo das embarcações japonesas restantes.

A embarcação de 1943 em diante se ocupou da escolta de grupos de porta-aviões e bombardeios de posições inimigas em terra. O Washington participou das campanhas das Ilhas Gilbert e Marshall, Ilhas Marianas e Palau e Filipinas, e das Batalhas de Iwo Jima e Okinawa. O navio retornou para os Estados Unidos a fim de passar por manutenção, porém só voltou ao serviço depois do fim da guerra. Ele foi transferido para a costa leste e ajudou a transportar um grupo de mais de 1,6 mil soldados de volta para casa da Europa. O Washington foi descomissionado em 1947 e colocado na Frota de Reserva do Atlântico, onde permaneceu até 1960, quando foi removido do registro naval e então desmontado.

Características

thumb|esquerda|240px|Desenho dos navios da Classe North Carolina em configurações de guerra Os couraçados da Classe North Carolina foram construídos sob o sistema do Tratado Naval de Washington; seu projeto seguiu os termos do Segundo Tratado Naval de Londres, que restringiu a bateria principal para canhões de até 356 milímetros. O Conselho Geral da Marinha dos Estados Unidos avaliou vários projetos que iam desde couraçados padrão de 23 nós (43 quilômetros por hora) até couraçados rápidos, escolhendo um projeto de couraçado rápido com doze canhões de 356 milímetros. Entretanto, depois dos navios terem sido autorizados, os Estados Unidos invocaram a cláusula do escalonamento presente no tratado, que permitia um aumento para canhões de 406 milímetros caso algum país se recusasse a assinar, algo que o Japão tinha feito.

O Washington tinha 222,1 metros de comprimento de fora a fora, boca de 33 metros e calado de dez metros. O navio possuía um deslocamento normal de 36 mil toneladas, porém esse valor podia chegar em até 45,5 mil toneladas quando totalmente carregado com suprimentos de combate. Seu sistema de propulsão era composto oito caldeiras Babcock & Wilcox a óleo combustível que impulsionavam quatro conjuntos de turbinas a vapor General Electric, cada uma girando uma hélice. Este sistema era capaz de gerar 122,4 mil cavalos-vapor (noventa mil quilowatts) de potência, que tinha a intenção de fazer o Washington alcançar uma velocidade máxima de 28 nós (52 quilômetros por hora). Sua autonomia era de milhas náuticas ( quilômetros) a uma velocidade de quinze nós (28 quilômetros por hora). O navio carregava três hidroaviões Vought OS2U Kingfisher para reconhecimento aéreo, que eram lançados de duas catapultas na popa. Sua tripulação em tempos de paz era composta por 1,8 mil oficiais e marinheiros, porém em tempos de guerra crescia e ficava em 99 oficiais e marinheiros.

thumb|240px|Ilustração da bateria principal e barbeta da Classe North Carolina A bateria principal do Washington consistia em nove canhões Marco 6 calibre 45 de 406 milímetros arranjados em três torres de artilharia triplas, duas na proa, com a segunda sobreposta à primeira, e a terceira na popa. A bateria secundária tinha vinte canhões de duplo-propósito calibre 38 de 127 milímetros em dez torres duplas instaladas nas laterais da superestrutura, cinco de cada lado. Como projetado, o couraçado foi equipado com uma bateria antiaérea de dezesseis canhões de 28 milímetros e dezoito metralhadoras M2 Browning de 12,7 milímetros, porém as armas antiaéreas foram muito expandidas durante sua carreira. O cinturão de blindagem principal tinha 305 milímetros de espessura, enquanto o convés tinha até 140 milímetros de espessura. As torres de artilharia principais eram protegidas por frentes de 406 milímetros e ficavam em cima de barbetas de mesma espessura. A torre de comando possuía laterais de 373 milímetros. O esquema de blindagem tinha sido projetado para resistir a disparos de 356 milímetros, porém como o sistema do Tratado Naval de Washington ruiu pouco antes do início da construção, o projeto não pode ser revisado para se defender contra armas maiores. Mesmo assim, a Classe North Carolina mostrou-se ser mais bem sucedida do que a melhor protegida Classe South Dakota.

Modificações O Washington passou por uma série de modificações durante sua carreira, principalmente em adições à sua bateria antiaérea e instalações de vários tipos de radares. O navio recebeu três conjuntos de radares de controle de disparo Marco 3 para sua bateria principal, quatro radares Marco 4 para a bateria secundária, um radar de varredura aérea CXAM e um radar de varredura de superfície SG. Durante sua reforma de 1944, ele recebeu um radar de varredura aérea SK no lugar do CXAM e um segundo radar SG, enquanto os radares Marco 3 foram substituídos por conjuntos mais modernos de radares Marco 8, porém um radar Marco 3 foi mantido como reserva. Seus radares Marco 4 foram depois substituídos por uma combinação de conjuntos Marco 12 e Marco 22. Um radar dianteiro SK, um radar de varredura aérea traseiro SR e um radar SG em ambas as posições foram instalados em sua última reforma em agosto e setembro de 1945. Um gerador de interferência TDY foi instalado no sua torre de controle de disparo dianteira.

Os canhões de 28 milímetros foram substituídos em abril de 1943 por quarenta canhões Bofors de 40 milímetros em dez montagens quádruplas, enquanto em agosto esse número foi aumentado para sessenta. As metralhadoras foram reduzidas de dezoito para doze e vinte canhões Oerlikon de 20 milímetros em montagens únicas foram instalados no início de 1942. O número de metralhadoras foi aumentado em junho para 28, porém em setembro todas foram removidas em favor de uma bateria uniforme de quarenta canhões de 20 milímetros. Este número foi aumentado para 64 depois de abril de 1943. Uma das montagens únicas foi removida em abril de 1944 em favor de uma montagem experimental quádrupla. Foi programado em novembro de 1944 que o Washington tivesse sua bateria de 20 milímetros reduzida para 48 canhões, porém isto nunca ocorreu; em vez disso, oito montagens simples foram substituídas no início de 1945 por oito montagens duplas, com o número final de armas de 20 milímetros ficando em 75.

Carreira thumb|esquerda|230px|A cerimônia do lançamento do Washington em 1º de julho de 1940 O batimento de quilha do Washington ocorreu em 14 de julho de 1938 no Estaleiro Naval da Filadélfia. Seu casco completo foi lançado ao mar em 1º de junho de 1940 e os trabalhos de equipagem começaram logo em seguida, com ele sendo comissionado na frota em 15 de maio de 1941. Seus testes marítimos começaram em 3 de agosto, porém, assim como seu irmão , ele sofreu de vibrações excessivas ao navegar em alta velocidade devido suas hélices originais de três lâminas. Testes no North Carolina produziram uma solução viável: instalar duas hélices quádruplas nos eixos externos e duas hélices quíntuplas nos eixos internos; entretanto, o problema nunca foi totalmente resolvido. Testes continuaram em um cruzeiro preparatório e nos treinamentos iniciais, que foram realizados ao longo da Costa Leste dos Estados Unidos até o Golfo do México. Testes de alta velocidade ocorreram em dezembro, durante os quais a embarcação não conseguiu alcançar sua velocidade projetada devido aos problemas de vibração.

Os Estados Unidos ainda estavam neutros na Segunda Guerra Mundial durante esse período. O Washington treinou com o North Carolina e o porta-aviões , com o couraçado servindo de capitânia do contra-almirante John W. Wilcox, o comandante da Divisão de Couraçados 6, parte da Frota do Atlântico. Seus treinamentos iniciais continuaram até 1942, época em que o país já tinha entrada na guerra como resultado do Ataque a Pearl Harbor. Modificações nas hélices continuaram até fevereiro de 1942.

Operações no Atlântico Com os Estados Unidos em guerra, o Washington foi designado para a Força Tarefa 39, ainda sob o comando de Wilcox, e partiu para o Reino Unido em 26 de março. A unidade tinha a intenção de reforçar a Frota Doméstica britânica em Scapa Flow e também contava com o Wasp e os cruzadores pesados e . A Frota Doméstica tinha se enfraquecido pela necessidade de destacar unidades, particularmente a Força H, para participarem da invasão de Madagáscar e assim o grupo norte-americano era necessário para se opor ao couraçado alemão e outras unidades de superfície baseadas na Noruega ocupada. Wilcox foi varrido para fora do navio no dia seguinte, enquanto cruzavam o Oceano Atlântico. O Tuscaloosa e dois contratorpedeiros procuraram pelo almirante, enquanto o Wasp enviou aeronaves para ajudar na busca; olheiros no contratorpedeiro o avistaram com a cabeça virada para baixo na água, já tendo se afogado. A busca foi encerrada e a força tarefa continuou seguindo em frente. O contra-almirante Robert C. Giffen, a bordo do Wichita, assumiu o comando da unidade, que se encontrou em 3 de abril com o cruzador rápido britânico . As embarcações chegaram em Scapa Flow dois dias depois e ficaram sob o comando do almirante John Tovey, o comandante da Frota Doméstica.

thumb|240px|O Washington em 29 de maio de 1941 O Washington e os outros navios norte-americanos passaram o restante do mês realizando exercícios de batalha e se familiarizando com a Frota Doméstica a fim de preparar as embarcações dos dois países para operações conjuntas. A Força Tarefa 39 foi redesignada Força Tarefa 99 no final do mês, com o couraçado permanecendo como sua capitânia. Os navios partiram em 28 de abril para sua primeira operação, uma varredura em busca de embarcações alemãs antes do Comboio PQ 15 partir em direção da União Soviética. Os navios da Força Tarefa 99 operaram com elementos da Frota Doméstica, incluindo o couraçado e o porta-aviões . O King George V acidentalmente colidiu com e afundou o contratorpedeiro ; o Washington estava seguindo muito próximo para desviar dos destroços e acabou passando por cima da embarcação. As cargas de profundidade do Punjabi detonaram e a onda de choque danificou alguns dos radares e equipamentos de controle de disparo do couraçado e iniciou um pequeno vazamento em um de seus tanques de combustível. O King George V precisou voltar para reparos, porém o Washington e Força Tarefa 99 ficaram no mar até 5 de maio. Os navios pararam em Hvalfjörður, na Islândia, onde foram reabastecidos pelo USS Mizar.