O foi um couraçado operado pela Marinha Imperial Japonesa e a segunda e última embarcação da Classe Ise, depois do . Nomeado em homenagem à histórica Província de Hyūga, sua construção começou em maio de 1915 nos estaleiros da Mitsubishi Heavy Industries em Nagasaki e foi lançado ao mar em janeiro de 1917, sendo comissionado na frota japonesa no final de abril do ano seguinte. A embarcação entrou em serviço nos últimos meses da Primeira Guerra Mundial, consequentemente ele e seu irmão não desempenharam nenhum papel no conflito.
No pós-guerra, o navio apoiou forças japonesas na Intervenção na Sibéria em 1920 e depois ajudou a socorrer os sobreviventes do Grande Sismo de Kantō em 1923. O Hyūga passou o restante da década realizando patrulhas perto da costa da China. Depois disso o couraçado passou por uma série de reformas e modernizações, primeiro de 1927 a 1928 e depois entre 1934 e 1936, em que seus maquinários internos foram substituídos, seus armamentos aprimorados e incrementados, sua superestrutura reconstruída, sua blindagem reforçada, entre outras modificações.
O Hyūga pouco fez durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa e também no início da Segunda Guerra Mundial. Entretanto, depois da perda de quatro porta-aviões na Batalha de Midway em 1942, a embarcação foi reconstruída com um convés de voo no lugar de suas duas torres de artilharia de ré. Mesmo assim, nunca chegou a operar aeronaves em combate pela escassez de aviões e pilotos. Participou da Batalha do Cabo Engaño em 1944 e da Operação Norte em 1945, sendo afundado por ataques aéreos norte-americanos em 27 de julho de 1945 e posteriormente desmontado.
Características
Originais O Hyūga tinha 208,18 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 28,65 metros e um calado de 8,93 metros. Tinha um deslocamento padrão de toneladas e um deslocamento carregado de 37,1 mil toneladas. Seu sistema de propulsão era composto por dois conjuntos de turbinas a vapor, cada um girando duas hélices, alimentados por 24 caldeiras de tubos d'água Kampon que queimavam uma mistura de carvão e óleo combustível. Tinha uma potência indicada de 46,2 mil cavalos-vapor (34 mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 23 nós (43 quilômetros por hora), porém o Hyūga alcançou 24 nós (44 quilômetros por hora) a partir de cavalos-vapor ( quilowatts) durante seus testes marítimos. Tinha uma autonomia de milhas náuticas ( quilômetros) a uma velocidade de catorze nós (26 quilômetros por hora). Sua tripulação era composta oficiais e marinheiros.
O armamento principal era composto por doze canhões Tipo 41 calibre 45 de 356 milímetros montados em seis torres de artilharia duplas, duas sobrepostas à vante da superestrutura, duas sobrepostas à meia-nau e duas sobrepostas à ré da superestrutura. O armamento secundário tinha vinte canhões Tipo 3º Ano calibre 50 de 140 milímetros, dezoito dos quais montados em casamatas no castelo de proa e superestrutura e os dois restantes no convés superior protegidos por um escudo. A bateria antiaérea era de quatro canhões Tipo 3º Ano de 76 milímetros em montagens únicas. O navio também foi equipado com seis tubos de torpedo submersos de 533 milímetros, três em cada lateral.
O cinturão principal de blindagem tinha uma espessura máxima de 299 milímetros, abaixo ficando uma camada de proteção de cem milímetros. O convés blindado superior tinha duas camadas de 55 milímetros, enquanto o inferior tinha duas camadas com espessura total de trinta milímetros. A cidadela blindada era fechada por anteparas transversais de 199 a 224 milímetros. As torres de artilharia eram protegidas por frentes de 254 milímetros e tetos de 76 milímetros, ficando em cima de barbetas de 299 milímetros. As casamatas tinha uma blindagem de 149 milímetros.
Modificações thumb|esquerda|240px|Configuração da Classe Ise depois de suas modernizações na década de 1930 O Hyūga passou por modernizações na década de 1930 que ampliaram sua superestrutura de vante com várias plataformas adicionadas ao mastro de tripé, criando um mastro pagode. Foi equipado com protuberâncias antitorpedo para melhorar a proteção subaquática e compensar o peso das modificações. Estas alterações aumentaram seu comprimento de fora a fora para 215,8 metros, a boca para 31,75 metros e o calado para 9,45 metros. O deslocamento carregado passou a ser de toneladas. As caldeiras originais foram removidas em favor de oito novos modelos Kampon a óleo combustível, enquanto as turbinas foram substituídas por quatro novos modelos com uma potência indicada de 81,6 mil cavalos-vapor (sessenta mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 24,5 nós (45,4 quilômetros por hora). O armazenamento de combustível foi aumentado e permitiu uma autonomia de milhas náuticas ( quilômetros) a dezesseis nós (trinta quilômetros por hora). A tripulação passou a ser de oficiais e marinheiros.
A bateria antiaérea original foi removida entre 1931 e 1933 por oito canhões de duplo-propósito Tipo 89 de 127 milímetros em quatro montagens duplas, localizadas ao lado da superestrutura de vante. Quatro canhões licenciados Vickers de 40 milímetros em duas montagens duplas também foram instalados, enquanto os canhões de 140 milímetros do convés superior foram removidos. Os tubos de torpedo também foram removidos na reformas de 1934 a 1936, enquanto as armas de 40 milímetros foram substituídas por vinte canhões licenciados Hotchkiss Tipo 96 de 25 milímetros em dez montagens duplas. Esta era a bateria antiaérea leve padrão japonesa durante a Segunda Guerra Mundial, porém ela sofria de sérios problemas de projeto que a deixavam praticamente ineficiente. Segundo o historiador Mark Stille, a arma tinha muitas falhas: "carecia de velocidade de giro e elevação suficiente; as miras eram incapazes de lidar com alvos em alta velocidade; o canhão apresentava vibração excessiva; o carregador era muito pequeno e, por fim, a arma produzia um choque excessivo ao disparar". Os dois canhões de 140 milímetros mais de vante no castelo de proa foram removidos nessa mesma reconstrução.
História Início de carreira thumb|240px|O Hyūga em seus testes marítimos O batimento de quilha do Hyūga ocorreu em 6 de maio de 1915 nos estaleiros da Mitsubishi Heavy Industries em Nagasaki e foi lançado ao mar em 27 de janeiro de 1917, sendo nomeado em homenagem à histórica Província de Hyūga. O capitão Shigeushi Nakagawa assumiu o comando do navio em 30 de abril de 1918, mesmo dia que foi finalizado e comissionado na frota japonesa, muito tarde para poder participar da Primeira Guerra Mundial. Foi designado para integrar a 1ª Divisão de Couraçados da 1ª Frota. Nakegawa foi substituído no comando pelo capitão Kinzaburo Mimura em 10 de novembro. Uma explosão ocorreu na terceira torre de artilharia em 24 de outubro de 1919 durante exercícios, com onze tripulantes morrendo e outros 25 ficando feridos. Mimura foi substituído em 20 de novembro pelo capitão Genjiro Katsuki. O Hyūga colidiu e afundou a escuna Hiromiya Maru em 21 de julho de 1920, matando dois tripulantes deste. O couraçado iniciou em 29 de agosto sua primeira de muitas patrulhas pelo litoral russo em apoio à Intervenção Japonesa na Sibéria durante a Guerra Civil Russa contra o Exército Vermelho bolchevique. O capitão Hidesaburo Ishikawa assumiu o comando em 20 de novembro de 1920, sendo substituído pelo capitão Genji Ide em 20 de novembro do ano seguinte.
O navio prestou ajuda aos sobreviventes do Grande Sismo de Kantō em setembro de 1923. Fez patrulhas próximas do litoral da China entre as décadas de 1920 e 1930. Há poucas informações detalhadas disponíveis sobre suas atividades nesse período. Passou por uma grande reforma entre 1927 e 1928 em que sua superestrutura foi ampliada e instalações de aviação aprimoradas. Fez mais patrulhas no litoral chinês a partir de 27 de março de 1932 depois do Incidente de Xangai, tendo a companhia de seu irmão e dos cruzadores de batalha e . Realizou treinamentosem 14 de junho junto com um grupo de submarinos próximos de Mishima. Em determinado momento, o submarino I-4 emergiu inesperadamente na frente do Hyūga, que estava navegando em zigue-zague a doze nós (22 quilômetros por hora). O couraçado tomou ações evasivas no último minuto e conseguiu evitar uma colisão direta com o estacionário I-4, mas sofreu pequenos danos nas placas do seu casco quando sua proa raspou no submarino.
O Hyūga foi para uma doca seca do Arsenal Naval de Kure em 24 de outubro de 1934 para passar por uma enorme processo de modernização e reconstrução que durou quase dois anos até 7 de setembro de 1936. A Segunda Guerra Sino-Japonesa começou no ano seguinte e o couraçado transportou em 19 de agosto dois batalhões da 3ª Força de Desembarque Naval Especial de Sasebo até o porto japonês de Ryojun, na China. Iniciou em 15 de setembro patrulhas no litoral sul chinês que duraram até o início de 1941. O Hyūga atuou em 30 de junho de 1940 como capitânia do imperador Kangde de Manchukuo durante sua visita de estado ao Japão. O navio e o Ise foram transferidos em 15 de novembro para a 2ª Divisão de Couraçados da 1ª Frota. O capitão Noboru Ishizaki assumiu o comando da embarcação em 1º de setembro de 1941.
Segunda Guerra Mundial Primeiras ações thumb|240px|esquerda|O Hyūga c. 1940–1941 O Japão entrou na Segunda Guerra Mundial em 8 de dezembro de 1941 e a 2ª Divisão, reforçada com os couraçados e mais o porta-aviões rápido , fizeram uma surtida até as Ilhas Ogasawara como suporte distante para a 1ª Frota Aérea durante o Ataque a Pearl Harbor, retornando seis dias depois. O capitão Chiaki Matsuda substituiu Ishizaki em 20 de fevereiro de 1942. A 2ª Divisão perseguiu sem sucesso os porta-aviões norte-americanos que tinham lançado o Ataque Doolittle em 18 de abril.
O Hyūga estava realizando exercícios de artilharia em 5 de maio de 1942 junto com o Nagato e Mutsu quando a culatra do canhão esquerdo da sua quinta torre de artilharia explodiu, matando 51 tripulantes. Os dois depósitos de munição de ré foram inundados para impedir uma explosão catastrófica e o navio foi para Kure passar por reparos. A torre foi removida porque foi considerado que estava além de qualquer conserto. Uma placa circular de blindagem foi soldada em cima da barbeta e três montagens triplas de canhões antiaéreos de 25 milímetros instaladas no local. Durante os reparos foi equipado com um dos primeiros modelos experimentais de um radar de varredura de superfície Tipo 22, mas foi removido pouco tempo depois.
A 2ª Divisão de Couraçados partiu em 28 de maio como o Grupo de Suporte Aleutiano ao mesmo tempo que a maior parte da Marinha Imperial Japonesa iniciou um ataque contra o Atol Midway. A divisão estava sob o comando do vice-almirante Shirō Takasu e era composta do Hyūga, Ise, os couraçados e , dois cruzadores rápidos, doze contratorpedeiros e dois navios-tanque. Os registros oficiais japoneses não mostram a força como parte da operação de ataque principal contra Midway; sua função era acompanhar a frota sob o comando do almirante Isoroku Yamamoto, prestando apoio para a força de invasão das Ilhas Aleutas apenas se fosse necessário.
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