A tentativa de golpe de Estado no Paraguai em 1996 ocorreu em abril daquele ano com a finalidade de depor o então Presidente da República Juan Carlos Wasmosy. A intentona golpista, empreendida pelo então general do Exército Lino César Oviedo, que se declarou rebelde perante o presidente por este comunicar seu passe de aposentadoria, causou uma grave crise políticaGeneral paraguaio desafia presidente - Folha de S.Paulo (23 de abril de 1996) que duraria três dias, mas suas consequências se estenderiam pelo menos até o início da década seguinte.

Desenvolvimento Em 22 de abril de 1996, eclodiu no Paraguai uma crise política, a mais relevante poucos anos após a queda da ditadura de Alfredo Stroessner, na qual o então general do Exército Lino Oviedo pretendia encabeçar um golpe de Estado contra o primeiro presidente civil do Paraguai depois da ditadura, Juan Carlos Wasmosy (ANR). O militar, juntamente com o General Andrés Rodríguez Pedotti, teve um papel importante no golpe de 1989 e posteriormente o General Oviedo daria um apoio decisivo para a vitória de Wasmosy nas eleições gerais.

O motivo foi que Wasmosy convocou o general Lino Oviedo para informá-lo sobre sua aposentadoria. No entanto, Oviedo ignorou a ordem, barricou-se no quartel e ameaçou realizar um golpe de Estado a menos que o presidente renunciasse. Isso fez com que milhares de pessoas, principalmente jovens, saíssem às ruas naquele mesmo dia para protestar por considerar o ato um "atropelo a democracia". Wasmosy se entrincheirou na Embaixada dos Estados Unidos e inclusive escreveu sua renúncia, devido ao forte poder militar que Oviedo detinha na época.

A nomeação de Oviedo para Ministro da Defesa em 24 de abril - com o objetivo de neutralizá-lo - exacerbaram as manifestações, que ocuparam as praças em frente ao Congresso (atual Cabildo) e até o Palacio de los López,Wasmosy sela acordo, mas mantém crise - 25/4/1996 - Folha de S.Paulo pedindo prisão para Oviedo e a renúncia de Wasmosy por covardia. Finalmente, por volta do meio-dia de 25 de abril, Wasmosy anulou a designação de Oviedo como Ministro da Defesa, sob forte pressão política, diplomática e popular, do público em geral, dos governos regionais e principalmente do governo dos Estados Unidos.

Por fim, Wasmosy removeu o general Lino Oviedo do exército e do governo sob a acusação de pretender liderar um golpe contra si, mas sem apresentar nenhuma acusação judicial. Porém, em 1997, após a vitória do General Oviedo nas eleições presidenciais internas do Partido Colorado, o processou e o prendeu em um tribunal militar pelo referido crime, o que lhe tirou as chances de concorrer e ganhar a presidência. Este é o principal antecedente do Marzo Paraguayo, que ocorreria três anos depois, em 1999.

Ver também Golpe de Estado no Paraguai em 1989 Março Paraguaio Tentativa de golpe de Estado no Paraguai em 2000

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