miniaturadaimagem|direita|golfinhos na baia de setúbal miniaturadaimagem|esquerda|lutracanadensis fullres miniaturadaimagem|esquerda|trichechus inunguis (peixe-boi amazônico) por fábia luna icmbiocma miniaturadaimagem|esquerda|humpback stellwagen edit A conservação de mamíferos aquáticos vem sendo uma temática cada vez mais apontada como de grande importância por diversas razões, e nos últimos anos têm-se observado grandes declínios populacionais dentre esses grupos. Além de seu valor intrínseco enquanto seres vivos, os mamíferos aquáticos também desempenham papéis fundamentais nas dinâmicas ecológicas, como transporte de nutrientes nos sistemas, controle de diversidade em cadeias alimentares, entre muitos outros, sem contar que através do estudo de alguns deles, se é possível saber um pouco sobre a saúde dos oceanos pelo nível de substâncias tóxicas encontradas nesses organismos.
Mamíferos Aquáticos Mamíferos são caracterizados pela presença de glândulas mamárias. Ao longo do processo evolutivo, algumas espécies desenvolveram características adaptadas para a sobrevivência no ambiente aquático como mares e rios. Eles podem ser totalmente dependentes desses ambientes, ou podem utilizá-los para atividades específicas como a obtenção de alimento,por exemplo. De toda forma, mesmo sendo chamados de mamíferos aquáticos, são animais que precisam emergir até a superfície para respirar.
As espécies totalmente aquáticas desenvolveram um corpo com formato hidrodinâmico, adaptado à locomoção na água. Os membros anteriores foram transformados em nadadeiras e os posteriores regrediram. Além disso, o pênis dos machos e as glândulas mamárias das fêmeas encontram-se alojados internamente no corpo, evitando que partes protuberantes causem atrito com a água e atrapalhem seu movimento.
O sistema respiratório apresenta alterações que melhoram a eficiência da ventilação durante o intervalo na superfície e na fase de mergulho em apneia; mecanismos estes que evitam a formação de bolhas. Seus pulmões são pequenos em comparação ao volume das vias aéreas e suas traqueias são grandes e reforçadas.
Com relação ao sistema circulatório, durante a imersão ocorre a desaceleração dos batimentos cardíacos, o desvio de sangue das extremidades para o coração, pulmões e cérebro além de uma maior habilidade em carregar, estocar e utilizar O2.
Importância ecológica Os mamíferos aquáticos têm um papel ecológico fundamental na preservação do ecossistema no qual estão inseridos, seja contribuindo em pequena ou grande escala no nível trófico que ocupa, pela interação com outras espécies ou mesmo, beneficiando atividades humanas de forma não intencionalRoman, J., J. Estes, L. Morissette, C. Smith, D. Costa, J. McCarthy, J. B. Nation, S. Nicol, A. Pershing, and V. Smetacek. 2014. “Whales as Marine Ecosystem Engineers” Frontiers in Ecology and the Environment 12 (2): 377–85..
Armazenamento global de carbono Um bom exemplo é o que ocorre quando as baleias morrem. Seus enormes corpos vão para o fundo e suas carcaças armazenam uma quantidade considerável de carbono no mar profundo. Além disso, fornecem abrigo e alimento para uma grande variedade de espécies que vivem apenas nessas carcaçasRoman, J., J. Estes, L. Morissette, C. Smith, D. Costa, J. McCarthy, J. B. Nation, S. Nicol, A. Pershing, and V. Smetacek. 2014. “Whales as Marine Ecosystem Engineers” Frontiers in Ecology and the Environment 12 (2): 377–85...
Sustentabilidade do ecossistema marinho As baleias reciclam nutrientes e aumentam a produtividade primária das regiões onde se alimentam. Elas se alimentam em locais de grande profundidade e liberam plumas fecais perto da superfície, o que favorece o crescimento do plâncton marinho, pois acabam fornecendo ferro e nitrogênio ao ecossistema. Como seu excremento é, em grande parte, líquido, os nutrientes tendem a permanecer em suspensão, contribuindo para processo de manutenção do primeiro nível da cadeia alimentar marinha.
Contribuições à pesca comercial Novas evidências indicam que a recuperação das baleias poderia levar à taxas mais altas de produtividade em locais onde elas se agregam para alimentar e dar à luz, contribuindo para pescarias mais robustas. Como elas se alimentam de uma grande variedade de peixes e invertebrados, suas áreas de alimentação e parto são um grande indicativo da presença maciça de espécies interessantes para pesca comercial. Durante a migração, as baleias são capazes de movimentar nutrientes por milhares de quilômetros das áreas de alimentação (no polo sul) para as áreas de parto (nos trópicos), o que contribui para a manutenção e sustentabilidade da diversidade de peixes.
Atividades antropogênicas e principais ameaças Os ambientes aquáticos são largamente afetados por inúmeras atividades antrópicas como o turismo, o tráfego marítimo e fluvial, atividades de pesca, descarte de resíduos e rejeitos, a ocupação e exploração de ambientes costeiros, atividades do setor de petróleo e gás, entre muitas outras, que acarretam, principalmente, a descaracterização e degradação desses habitats, atingindo, direta e indiretamente, os grupos de mamíferos aquáticosParente, Cristiano & Araújo, Janaína & Monteiro-Neto, Cassiano & Reis, Estefane. (2017). Mamíferos marinhos no Brasil: aspectos gerais, ameaças, pesquisa e conservação. 10.1016/B978-85-352-7661-9.50002-6., e que tem causado reduções drásticas em suas populações, além de já se ter muitas espécies desses grupos já classificadas sob algum grau de ameaça de extinção na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da NaturezaIUCN. 2014. International Union for Conservation of Nature. The IUCN Red List of Threatened Species. Version 2014.1. Disponível em: http://www.iucnredlist.org.
A pesca é tida como uma das principais ameaças a esses mamíferos, que, apesar de na maioria dos casos, não serem o alvo direto dessa atividade, acabam sofrendo pela maior competição por alimento, por emalhamento em redes de pesca, podendo levá-los ao afogamento, bem como, ferimentos de variados graus causados pelos apetrechos de pescaCremer, M. J. 2007. Ecologia e conservação de populações simpátricas de pequenos cetáceos em ambiente estuarino no sul do Brasil. Universidade Federal do Paraná. Curitiba. Disponível em: http://hdl.handle.net/1884/10943.CORDEIRO, A.P. 2008. Análise das interações de cetáceos e a pescaria de emalhar da frota industrial de Santa Catarina. Dissertação de Mestrado, Universidade do Vale do Itajaí..
Já o tráfego das embarcações pelos ambientes aquáticos causam impactos de amplas proporções, tendo relacionadas a isso o turismo, pesca, atividades de petróleo e gás, transporte de cargas, entre outros. E essas embarcações podem afetar esses animais de diversas maneiras, como causando alterações nas atividades de forrageio, repouso e socialização, além do alto risco de abalroamento e significativo aumento da poluição sonora nesses ambientes, o que é um fator importante para alguns desses animais, tendo em vista que muitos fazem uso de vocalizações para comunicação, reprodução e orientaçãoLunardi, D. G., Lucio, P. S., Pereira, A. G. C., de Medeiros, F. M. C., & Ferreira, R. G. CADEIAS DE MARKOV E ASSOCIAÇÃO CRUZADA APLICADAS AO ESTUDO DO EFEITO ANTRÓPICO EM CETÁCEOS.Pires, J. S., Silvano, B. C. 2017. Revisão sobre os efeitos da poluição sonora aos cetáceos: identificação de prioridades para trabalhos futuros no Arquipélago de Santa Catarina. Universidade Federal de Santa Catarina, Santa Catarina. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/177478.
Outro fator de extrema importância é a questão do descarte de resíduos e rejeitos, que é algo que impacta a vida em todas as esferas, e destrói o equilíbrio dos habitats. Em se tratando da fauna aquática, além dos resíduos químicos, os resíduos sólidos, em especial o plástico, tem provocado diversos impactos em todos os níveis tróficos. Além de ferimentos e enroscamentos, muitos animais vêm ingerindo variados materiais sintéticos, o que vem causando doenças, ferimentos e mortes entre esses animais, e de outros que se alimentam delesAraújo, M. C. B., Silva-Cavalcanti, J. S. 2016. Dieta indigesta: milhares de animais marinhos estão consumindo plásticos. Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade Versão on-line ISSN2319-2856 Volume 10, número 5. Curitiba – PR. Jan/maio – 2016. Disponível em: http://dx.doi.org/10.22292/mas.v10i5.511.Miranda, D. A., G. F. Carvalho-Souza. 2011. Presença de pellets plásticos em conteúdos estomacais de peixes desembarcados na costa de salvador, Bahia, Brasil. Proceedings of the XIV Congresso Latino-Americano de Ciências do Mar (COLACMAR)..
Não se pode esquecer também, da ostensiva ocupação das áreas costeiras, que traz uma série de implicações à vida marinha, provocando uma intensa descaracterização dos ambientes, e aumentando ainda mais a problemática do descarte de resíduos e rejeitos.
Diversidade Mamíferos aquáticos (Cetacea, Sirenia, Pinípedes e alguns Mustelídeos) A diversidade de mamíferos aquáticos é bem abrangente, indo desde animais estritamente aquáticos a animais que se utilizam desse ambiente para apenas reprodução e alimentação.
Primeiramente é preciso entender que quando nos referimos a mamíferos aquáticos, as definições acabam sendo bem amplas, variadas e sem consenso definido. Algumas linhas de pesquisa incluem animais que podem caçar, se reproduzir ou mesmo passam uma parte do dia, na água. Sendo assim ursos polares, hipopótamos ou até elefantes estariam inclusos. No caso sendo apresentado, no entanto, foram considerados grupos estritamente aquáticos e grupos semiaquáticos de maior consenso dentre as definições encontradas.
Mamíferos exclusivamente aquáticos temos os sirênios, que são animais herbívoros representados pelos peixes-boi e os manatis, e também os da ordem dos cetáceos, que são divididos em dois grupos: os misticetos e odontocetos. -Odontocetos são aqueles que possuem dentes, geralmente iguais (homodontia) como golfinhos, botos, orcas ou cachalotes. -Já os misticetos apresentam barbatanas no lugar dos dentes, como um tipo de pente, para a filtragem de alimento. Representam este grupo as chamadas baleias ‘verdadeiras’ como a jubarte, a branca e a azul. Os mamíferos semi-aquáticos são representados pelos mustelídeos que são carnívoros, como as lontras, e pelos pinípedes, que mesmo possuindo adaptações ao ambiente aquático também utilizam o ambiente terrestre, como os leões-marinhos.
No Brasil há cerca de 54 espécies de mamíferos aquáticos, abrangendo representantes de cetáceoshttps://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/estado-de-conservacao/2782-mamiferos-aquaticos#:~:text=Os%20mam%C3%ADferos%20marinhos%20que%20ocorrem,do%20planeta%20em%20alguns%20rios.; uma família de Sirenia, Trichechidae, representada pelos peixes-boi marinho e amazônico; e Carnívoros representados pela família Otoriidae.
Algumas espécies de água doce Ariranha (Pteronura brasiliensis) -
Animal social que vive em grupos que pode variar de dois até dezesseis indivíduos. Tem hábitos semi aquáticos e vive, preferencialmente, em ambientes como igarapés, pois fornecem uma enorme abundância de peixes, sua principal fonte de alimento. Típico da América do Sul, é encontrada na maioria dos países, inclusive no Brasil, até a região dos Andes. Atualmente, ameaçada de extinção, está classificada como uma espécie "Vulnerável"http://ampa.org.br/especies/.
Tucuxi (Sotalia fluviatilis) -
É um pequeno golfinho que vive somente em ambientes fluviais, apesar de manter características morfológicas dos seus ancestrais marinhos como a fusão das vértebras cervicais e permitem um nado de maior velocidade. vivem em grupos de no máximo seis indivíduos. Essa espécie tem nas redes de pesca e na construção de hidrelétricas suas principais ameaças. Atualmente, é classificado como espécie "Quase Ameaçada", ao menos n o Brasil, uma vez que não há dados suficientes para classificar o status de conservação.