miniaturadaimagem|371x371px|Pinturas rupestres na caverna de Chauvet datados de cerca de 30 mil anos, demonstrando como os Vertebrados estão presentes na cultura humana desde a antiguidade.Com a grande diversidade de animais na Terra é inevitável que relações interespecíficas surjam. Ao longo da história da existência da humanidade, diversas formas de relações do ser humano com os demais animais foram sendo criadas. A mais comum é o uso dos animais na pecuária para a produção de bens a serem consumidos. No entanto, não apenas tal processo está presente dentro da humanidade. Além do uso para o consumo, muitas culturas possuem relações com valor religioso com os animais e principalmente os vertebrados. Desta forma, tais relações apresentam um papel importante na sociedade atual. Há ainda o fato da preservação e manutenção de espécies que são impactadas negativamente por conta do ser humano.

Ensino de vertebrados na educação básica miniaturadaimagem|327x327px|Cladograma mostrando que o antigo grupo em que os animais considerados como "répteis" é na verdade parafilético. No ensino básico, o conteúdo acadêmico sobre os vertebrados passa por simplificações para o melhor entendimento dos alunos. Dentro das salas de aula e escrito nos livros didáticos, é comum a menção de grupos parafiléticos, como “peixes”, e mesmo polifiléticos, como “protocordados”, que não refletem o paradigma atual da sistemática cladística, em que apenas grupos monofiléticos são reconhecidos. Tais agrupamentos são baseados em padrões de similaridade global, como presença ou ausência de caracteres, e não por séries de transformações. Essa interpretação pode limitar e levar a concepções errôneas sobre os mecanismos de evolução e a falsa impressão de completude do entendimento da biodiversidade. Adicionalmente, a simplificação é capaz de gerar a percepção de linearidade na evolução e da ideia de progresso ou de finalidade no processo evolutivoLOPES, Welinton Ribamar; VASCONCELOS, Simão Dias. REPRESENTAÇÃO E DISTORÇÕES CONCEITUAIS DO CONTEÚDO. Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências (Belo Horizonte), [S.L.], v. 14, n. 3, p. 149-165, dez. 2012. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/1983-21172012140310.. Exemplo disso é o uso dos Anfíbios como um exemplo de elo entre os peixes e os demais tetrapodas, como se fosse um grupo de transição na ocupação do ambiente terrestre. Outra problemática comum é a representação por meio de esquemas que apresentam os Mamíferos no ápice e os demais grupos como estágios intermediários ou “ainda em evolução”, de maneira a sugerir um conceito de evolução como sinônimo de progresso, melhoramento ou aumento da complexidade, novamente um entendimento errado da evolução. Esse raciocínio finalista não reflete a real natureza das modificações na história evolutiva dos seres vivos.A ausência de exemplos de representantes extintos e fósseis, fora os dinossauros, também contribui para a falsa impressão que os grupos atuais seriam fases na transição das espécies viventes. esquerda|miniaturadaimagem|295x295px|Representação que pode levar a ideia errônea de linearidade da evolução. Também é encontrado a ideia de seleção natural como um mecanismos de adaptação finalista e consciente, isto é, de que os seres vivos “evoluem” e/ou “se adaptam para o ambiente” sabendo que deveriam fazê-lo para sobreviver. Tal compreensão do processo evolutivo é um equívoco e incorreto. Outro problema é a de uma simplificação e o entendimento da sistemática como apenas um conjunto de caracteres que devem ser memorizados, sem a compreensão dessas transformações no histórico das linhagens e como influenciaram na própria sobrevivência da mesma.

O não uso da filogenia como um eixo integrador é comum em livros de Ensino Médio, geralmente dando maior ênfase em características de cada grupo de maneira disperso e favorecendo um entendimento não unificados da diversidade da vidaRODRIGUES, Marciel Elio; DELLA JUSTINA, Lourdes Aparecida; MEGLHIORATTI, Fernanda Aparecida. O CONTEÚDO DE SISTEMÁTICA E FILOGENÉTICA EM LIVROS DIDÁTICOS DO ENSINO MÉDIO. Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências (Belo Horizonte), [S.L.], v. 13, n. 2, p. 65-84, ago. 2011. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/1983-21172011130205.

No ensino superior, a ausência de explicações que não por seleção natural nos livros de zoologia mostram uma menor pluralidade de explicações para fenômenos evolutivos, como por exemplo deriva genéticaBITTENCOURT-DOS-SANTOS, Wellington; EL-HANI, Charbel N.. A ABORDAGEM DO PLURALISMO DE PROCESSOS E DA EVO-DEVO EM LIVROS DIDÁTICOS DE BIOLOGIA EVOLUTIVA E ZOOLOGIA DE VERTEBRADOS. Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências (Belo Horizonte), [S.L.], v. 15, n. 3, p. 199-216, dez. 2013. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/1983-21172013150312.

Espaços de educação não-formais miniaturadaimagem|429x429px|Espaço interno do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo A educação não-formal pode ser entendida como aquela que é feita através de espaços culturais fora do ambiente escolar comum mas que possuem um direcionamento e que permitem o aprendizado de conteúdos formais fora da escolaVIEIRA, Valéria; BIANCONI, M. Lucia; DIAS, Monique. Espaços não-formais de ensino e o currículo de ciências. Cienc. Cult., São Paulo , v. 57, n. 4, p. 21-23, Dec. 2005 . Available from <http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0009-67252005000400014&lng=en&nrm=iso>. access on 01 Nov. 2020.. Espaços que propõe esse tipo de aprendizado são por exemplos: museus, zoológicos e centros de ciência. Tais locais permitem a oportunidade de suprir muitas demandas que muitas vezes escolas não são capazes de oferecer, como laboratórios e o contato direto com material vivo ou fixado.

Os zoológicos apresentam papel fundamental e são locais apropriados que permitem a experiência de se observar a fauna da região local e incentivar a curiosidade dos frequentadores. Como auxílio ao ensino formal da sala de aula, zoológicos podem ser uma ferramenta que complementa o aprendizado na sala de aulaRANDLER, Christoph; KUMMER, Barbara; WILHELM, Christian. Adolescent Learning in the Zoo: embedding a non-formal learning environment to teach formal aspects of vertebrate biology. Journal Of Science Education And Technology, [S.L.], v. 21, n. 3, p. 384-391, 9 ago. 2011. Springer Science and Business Media LLC. http://dx.doi.org/10.1007/s10956-011-9331-2..

Ecoturismo e conscientização ambiental esquerda|miniaturadaimagem|241x241px|Palmácia, um dos municípios com potencial para o ecoturismo no Brasil. Além dessas formas de interação entre humanos e animais que acompanham diversas sociedades ao longo da história e proporcionam a convivência com espécies capazes de desenvolver junto dos humanos diferentes relações que foram e continuam sendo importantes para muitas civilizações, o ecoturismo também apresenta um importante papel no entendimento da natureza e principalmente na apreciação do meio ambiente. Com o crescente debate e o aumento na preocupação em relação ao meio ambiente e a sustentabilidade, o ecoturismo vem crescendo em popularidade e no início da década já passava até mesmo a forma de turismo mais tradicionalSouza, R. (2011). Ecoturismo como ferramenta para conservação: um estudo sobre os parques ecológicos do DF. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Departamento de Engenharia elétrica..

O ecoturismo ou turismo de natureza é um segmento de atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações envolvidasBARROS II, S. M., & LA PENHA, D. H. M. D. (1994). Diretrizes para uma política nacional de ecoturismo. Brasília: EMBRATUR/IBAMA-BSB.. No ecoturismo o foco está na interação com a natureza por meio de atividades de baixo impacto que são capazes de proporcionar o desenvolvimento de uma consciência ambiental, possuindo um enorme potencial educativo e promovendo o bem estar das populações envolvidas. Nesse sentido, o ecoturismo é um segmento multidisciplinar de atividade turística, proporcionando o entendimento e a apreciação do meio ambiente e das culturas visitadasNeiman, Z., Saraceni, R. F., & Geerdink, S. (2010). Levantamento quali-quantitativo da produção científica sobre Ecoturismo no Brasil. Revista Brasileira de Ecoturismo (RBEcotur), 3(3)..

Dessa forma, o ecoturismo pode ser geralmente descrito como um turismo interpretativo, de mínimo impacto, discreto, em que se busca a conservação, o entendimento e a apreciação do meio ambiente e das culturas visitadas. Trata-se de uma área especializada do turismo que inclui viagens para áreas naturais, ou áreas onde a presença humana é mínima, em que o ecoturista envolvido na experiência externa a uma motivação explícita de satisfazer sua necessidade por educação e consciência ambiental, social e/ou cultural por meio da visita à área e a vivência nelaWearing, S., & Neil, J. (2001). Ecoturismo: impactos, potencialidades e possibilidades. Manole..

Com diversas atividades consideradas ecoturismo podemos notar uma que se destaca: a observação da fauna. De aves a mamíferos, a observação se destaca por ser uma atividade de baixo impacto, além de fornecer informações valiosas para pesquisas a respeito da ecologia dos animais vertebrados e até mesmo de seus comportamentos. Por isso novas práticas para estudo a respeito dos animais em locais e habitats naturais estão se tornando mais presentes em comunidades híbridas como, por exemplo, os santuáriosRapchan, E. S., & Neves, W. A. (2019). An anthropological analysis about primatology–Reports of a particular human-animal relationship with Capuchin monkeys. Anais da Academia Brasileira de Ciências, 91(4)..

Macrofauna carismática miniaturadaimagem|Leontopithecus rosalia, o mico-leão-dourado, um representante da macrofauna cativante.