Gedelti Victalino Teixeira Gueiros (Bom Jesus do Itabapoana, 19 de novembro de 1931 – Vila Velha, 5 de julho de 2025) foi um empresário, pastor protestante, cofundador e Presidente da Igreja Cristã Maranata (2007-2025).
Biografia Gedelti Gueiros nasceu em 19 de novembro de 1931 na cidade fluminense de Bom Jesus do Itabapoana, filho dos pernambucanos Abílio Teixeira Gueiros (filho de Antônio Teixeira Callado e Francisca da Silva Gueiros, sendo esta irmã dos pastores presbiterianos Antônio e Jerônimo de Carvalho Silva Gueiros, o "leão do Norte") e Sarah Victalino Teixeira Gueiros.
Era sobrinho paterno do Pr. Antônio Teixeira Gueiros e, portanto, primo do ex-governador do Pará, Hélio Gueiros.
Na infância, sua família mudou-se novamente, desta vez para Vila Velha, Espírito Santo, município no qual permanece até os presentes dias. A família Gueiros havia se convertido ao protestantismo em 1895 por meio de pregações do médico e missionário Dr. George William Butler, de modo que, assim como os Gueiros de Pernambuco, o Sr. Abílio, sua esposa Sarah e seus filhos Jedaías, Jabes, Sarah, Gedelti, Jerusa e Edna Júnia congregavam na Igreja Presbiteriana do Brasil.
Educação Em março de 1954, Gedelti se graduou no Curso de Odontologia pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Tornou-se especialista em implante dental e metal cerâmica pela Universidade de Mount Vernon e Massachusetts nos Estados Unidos. Completou pós-graduação em Didática do Ensino Superior em 1982.
Carreira Acadêmica Atuou na UFES como monitor da Cadeira de Prótese de 1956 a 1957, auxiliar de ensino superior da Cadeira de Prótese dentária entre 1957 e 1958, assistente de ensino superior da Cadeira de Prótese dentária entre 1958 a 1972, professor assistente responsável pela disciplina de Clínica Protética (professor fundador) no ano de 1974, tornou-se concursado como professor adjunto responsável pela disciplina de Clínica Protética e Coordenador do Concurso Público para provimento do Cargo de Protético. Além de ser membro permanente de Integração Curricular (CPIC) do Curso de Odontologia do Centro Biomético.
Atuou no SENAC como Coordenador do Curso de Protético, Coordenador do Curso de Auxíliar Protético Dentário, Coordenador do Curso Técnico de Prótese e Orientador do Curso de auxiliar do Protético Dentário.
Ainda, Gedelti foi Membro da Academia Brasileira de Prótese, Presidente da CISBIO, Vice Presidente da ABO.
Atuação Profissional Gedelti atuou como Cirurgião Dentista da Associação dos Funcionários Públicos do Espírito Santo de 1959 a 1965 e Cirurgião Dentista da Escola de Aprendizes-Marinheiros do Espírito Santo desde 1969.
Cisão da Igreja Presbiteriana do Brasil Aos 19 de janeiro de 1954, segundo registro da Igreja Presbiteriana do Brasil, no relato do Dr. Joel Ribeiro Brinco, foi eleito diácono, sendo seu irmão, Jedaías, eleito o primeiro pastor da Primeira Igreja Presbiteriana do Brasil em Vila Velha (até dezembro de 1959) - PIPBVV, e seu pai, Abílio, presbítero regente. Casou-se com Jurama Barros Gueiros em 1959, filha do Rev. Eng. Manoel dos Passos Barros, então membro do Presbitério de Vitória - PVTR, futuro organizador, co-fundador e primeiro Presidente da Igreja Cristã Maranata.
Os meados da década de 1960 foram bastantes intensos para a Gedelti e sua família. Naquele tempo, segundo Joel Brinco, seu pai, Abílio Teixeira Gueiros, proprietário da única padaria local, era muito conhecido pela comunidade local e, frequentando ele a PIPBVV, esta era conhecida pela comunidade como "Igreja de Seu Abílio". Não obstante, "a família Gueiros era a mais proeminente na comunidade presbiteriana de Vila Velha", uma vez que a mulher deste, e mãe de Gedelti, Sra. Sarah Victalino Gueiros, fazia parte da Sociedade Auxiliadora Feminina (SAF), sendo, "quase sempre, sua presidenta". Seus pais eram professores na Escola Dominical. Seus irmãos eram Rev. Jedaías (juiz), Jabes (advogado), Sara (educadora e esposa de Edward Hemming Dodd), Jerusa (professora da UFES) e Edna Júnia (pedagoga).
Jedaías Victalino Teixeira Gueiros, como supramencionado, foi o primeiro Pastor Titular da PIPBVV. Gedelti organizou a União da Mocidade Presbiteriana (UMP), da qual foi seu primeiro presidente, além de exercer o cargo de diácono e, posteriormente, presbítero, como seu pai, chegando, também, à superintendência da Escola Dominical. Ainda segundo BRINCO, no "púlpito, quando o Pastor Jedaías não pregava, pregava seu irmão Gedelti ou alguém designado pela família Gueiros". Jabes Gueiros foi diácono. A esposa do Rev. Jedaías, Sra. Nelly Rabelo Gueiros, foi regente do Coral e supervisora da Liga Juvenil. Jurama Barros Gueiros, esposa de Gedelti e filha de Manoel dos Passos Barros, foi presidente da SAF em 1963, sendo substituída em 1964 por sua cunhada, Jerusa Gueiros Samú.
Tudo corria nos conformes, apesar da supremacia dos Gueiros, até que em 28 de novembro de 1965 ocorreu a eleição para Pastor Titular. Concorreram para a dita eleição os Reverendos Sebastião Bitencourt dos Passos, vindo do sul do Estado do Espírito Santo, pouco conhecido em Vila Velha, e Jedaías Victalino Teixeira Gueiros, recém-chegado do Rio de Janeiro, para onde tinha sido transferido após sua renúncia à titularidade da PIPBVV cinco anos antes.
Naquele ínterim, haviam-se juntado à igreja novas famílias e membros, mas os Gueiros continuavam conhecidos e, até certo ponto, influentes. O Rev. Jedaías já era conhecido por muitos, de modo que era impensável outro resultado que não sua vitória na eleição para pastor titular. No entanto, por 62 votos contra 41 votos, o Rev. Sebastião Bitencourt dos Passos é eleito titular.
Fora um duro golpe e, segundo Dr. Joel Brinco, "a família Gueiros, liderada por Gedelti e seu pai, Abílio, inconformada com a eleição do Rev. Sebastião Bitencourt dos Passos (...), fez de tudo para anular a eleição junto ao PVTR - Presbitério de Vitória. Influente naquele presbitério, conseguiu, em parte, seu intento, pois o Presbitério acabou não aprovando a eleição do Rev. Sebastião (...) em virtude de preceitos constitucionais [Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil] indispensáveis.' 'Tais preceitos nunca foram satisfatoriamente explicados pelo Presbitério." No entanto, o Presbitério atendeu o desejo da maioria da PIPBVV e manteve o Rev. Sebastião à frente da igreja, mas como Pastor Evangelista, tendo assumido o cargo aos 3 de maio de 1966 perante Conselho da Igreja.
A PIPBVV contava, em 1966 com oito presbíteros, a saber: Abílio Teixeira Gueiros, Alcary Simões, Amadeu de Oliveira Nascimento, Aníbal Brinco Filho, Gedelti Victalino Teixeira Gueiros, Leôncio Antônio Medeiros (Vice-Presidente do Conselho da Igreja), Manoel Gomes Pereira e Wilson Barbosa dos Santos. Destes oito, três estavam contra o Rev. Sebastião (Abílio, Alcary e Gedelti), enquanto o Rev. Sebastião contava com apoio dos cinco restantes (Amadeu, Aníbal, Leôncio, Manoel e Wilson). Ocorre que, aos 21 de maio de 1966, o Conselho da Igreja se reuniu sem a presença dos presbíteros Abílio, Alcary e Gedelti, uma vez que estavam sem pastor efetivo desde 28 de novembro do ano anterior, quando da suspensão da eleição, a fim de solicitar ao Presbitério de Vitória para que "lhe designasse Pastor-Efetivo pelo período de três anos, tendo seu pedido atendido, sendo o Rev. Sebastião designado para o cargo até a data de 23 de maio de 1969".
Fundação da Igreja Cristã Maranata miniaturadaimagem|240px|Pr. Gedelti Gueiros com seu sogro, Pr. Manoel dos Passos Barros Em 18 de dezembro de 1966, Gedelti elogiou o desempenho do Rev. Sebastião, na reunião do Conselho, além de prestar-lhe "votos de sucesso para o ano de 1967. Tais votos nunca foram marcados pela sinceridade pois a grande oposição ao Pastor Sebastião começou, exatamente, no início daquele ano de 1967, encabeçada por Gedelti".
Em 1º de maio de 1967, a Congregação Presbiteriana de Cruz do Campo, popularmente conhecida como "A Toca", foi organizada e Itamar Médice esteve por responsável dela, até este dividir sua responsabilidade com Alcary Simões, sendo este influenciado, segundo Dr. Joel Brinco, por Gedelti, que financiava a construção da congregação sob a roupagem de "ofertas voluntárias".
Na referida Congregação, Gedelti e Abílio, ainda segundo BRINCO, "comandavam uma rebelião no seio da Igreja Presbiteriana de Vila Velha, contra o Rev. Sebastião, chegando a exercer sua má influência sobre quase metade dos membros. Tentavam introduzir doutrinas alheias ao presbiterianismo, dando ênfases à revelações, profecias e dons de línguas." Tentaram influenciar a Congregação do Bairro da Glória, mas sem sucesso, diferente de Cruz do Campo.
Na Semana Santa de 1967, o Rev. Sebastião foi impedido de pregar naquela Congregação por Alcary Simões e Itamar Médice, a fim de que o Pr. Jonas José Marques, da Igreja Evangélica Congregacional do Brasil, mas simpatizante com o pentecostalismo, pregasse. O reverendo foi impedido por três sábados naquela oportunidade. Conforme relato de Joel Ribeiro Brinco, testemunhado pelo Sr. Valentim Pinto da Vitória, o Sr. Teodolino Vieira disse ao Rev. Sebastião que "a doutrina pregada na Congregação de Cruz do Campo era a 'busca do batismo com o Espírito Santo e os dons espirituais, de acordo com o Movimento de Renovação Carismática' e que a liderança da Congregação convidava pregador e à revelia do Conselho da Igreja. Ao final, chamou o Pastor de 'Editor de Bula Papal' e responsável por todos os problemas da Igreja Presbiteriana de Vila Velha, por ter vetado uma série de pregações de Jonas Marques na sede da Igreja".
O Rev. Sebastião cede à pressão e deixa a Congregação sob o domínio do Gueiros. No entanto, o Rev. Sebastião denunciou tais fatos ao Presbitério, que, prontamente, criou uma Comissão para averiguação, formada pelos reverendos (presbíteros docentes) Francisco da Silva Neto, Wellsse Guida e Rubens Duarte Albuquerque e pelos presbíteros regentes Jaime Cláudio e Manoel dos Passos Barros (sogro de Gedelti). Na denúncia, o Rev. Sebastião solicitou seu afastamento temporário (60 dias) do Conselho da Igreja para evitar confrontos.
Como resposta às acusações, foi redigido o seguinte abaixo-assinado: