Moisés de Lemos Martins (Portugal, 8 de março de 1953) é Professor Catedrático na Universidade do Minho, no departamento de Ciências da Comunicação. É Diretor do CECS - Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, que fundou em 2001, e do Museu Virtual da Lusofonia, que criou em 2017. É ainda diretor das revistas Comunicação e Sociedade e Revista Lusófona de Estudos Culturais/Lusophone Journal of Cultural Studies, que lançou, a primeira em 1999, a segunda em 2013. É um sociólogo e um teórico da comunicação, assim como um ensaísta e um regular colaborador dos Média.
Biografia Moisés de Lemos Martins nasceu em Vila Cova da Lixa, Felgueiras, a oito de março de 1953. É sociólogo, teórico da Comunicação, ensaísta e um regular colaborador dos média. Professor Catedrático na Universidade do Minho dirige o CECS - Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade. É nesta unidade de investigação o principal responsável pelo seu projeto estratégico, que compreende, hoje, seis plataformas de intervenção, que fundou ou ajudou a fundar: o Museu Virtual da Lusofonia, uma plataforma de cooperação académica, em ciência, ensino e artes, nos países de língua portuguesa; o Observatório de Políticas de Ciência, Comunicação e Cultura (POLObs); a Passeio, uma plataforma de arte e cultura urbana; o Observatório de Média, Informação e Literacia (MILObs); o Think Tank Communitas, uma plataforma que acompanha a agenda e o debate no espaço público, local, regional e nacional; e o CreateLab, que é uma agência criativa, orientada para a inovação e a experimentação, produzindo conteúdos audiovisuais e multimédia, ao serviço da comunicação estratégica. Dirige o Museu Virtual da Lusofonia, assim como as revistas científicas Comunicação e Sociedade e Revista Lusófona de Estudos Culturais/Lusophone Journal of Cultural Studies. Criou e dirige a coleção de livros “Comunicação e Sociedade” do CECS, assim como a comunidade de ciência aberta desta unidade de investigação no RepositóriUM da Universidade do Minho, concorrendo deste modo para confirmar a tese de que a Universidade do Minho é “campeã na afixação digital dos seus trabalhos”, como o defende o físico e professor universitário, Carlos Fiolhais, referindo-se ao trabalho de Moisés de Lemos Martins. É Presidente honorário da Sopcom - Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação. A Intercom - Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação atribuiu-lhe, em 2015, o galardão de distinção académica. E a Universidade do Minho distinguiu-o com o Prémio de Mérito Científico, em 2016.
Estudou Teologia e Filosofia na Universidade Católica Portuguesa (UCP), em Lisboa, e é licenciado em Teologia Católica pela Universidade de Ciências Humanas de Estrasburgo. Nesta Universidade estudou, também, Ciências Sociais, na especialidade de Sociologia, tendo concluído o mestrado, em 1980, e o doutoramento, em 1984. Foi bolseiro do Ministère des Affaires Étrangères do Governo francês (1978/1984). Lecionou sociologia na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, e também na Universidade da Beira Interior (UBI), antes de se transferir para a Universidade do Minho, em 1990, onde é Professor Catedrático, desde 1999.
Foram marcantes na sua formação fr. Bento Domingues, Edgar Morin, Francis Jacques, Friedrich Kittler, Georg Simmel, Gilbert Durand, Gilles Deleuze, Jacques Derrida, Jacques Lacan, Jean-François Lyotard, Jürgen Habermas, Karl-Otto Apel, Karl Marx, Max Weber, Michel de Certeau, Michel Foucault, Michel Maffesoli, Pierre Bourdieu, Roland Barthes e Walter Benjamin, razão pela qual se identifica, preponderantemente, com o método compreensivo das Ciências Sociais e Humanas, fundado no discurso e no pensamento, e apenas secundariamente com o método explicativo, fundado no número e na medida, para glosar uma clássica categorização do filósofo alemão Wilhelm Dilthey. As suas áreas de ensino e investigação são Sociologia da Cultura e da Comunicação, Semiótica Social, Teoria e Análise de Discurso, Estudos Visuais, Média Artes, Política Científica, Estudos Culturais, Comunicação Intercultural, Estudos Lusófonos e Salazarismo.
Foi Professor convidado nas seguintes universidades: Universidade Autónoma de Barcelona; Universidade Autónoma de Madrid; Universidade Católica de Minas Gerais (Belo Horizonte); Universidade Católica de São Paulo; Universidade Católica de Salamanca; Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Porto Alegre); Universidade de Cabo Verde; Universidade de Santiago de Compostela; Universidade Católica de Lovaina; Universidade Federal da Bahia; Universidade Federal de Minas Gerais (Belo Horizonte); Universidade Paris-Descartes (Sorbonne); Universidade Paul Valéry (Montpellier); Universidade Politécnica de Moçambique (Maputo); Universidade Presbiteriana Mackenzie (São Paulo); Universidade Zambeze de Moçambique (Beira).
Em 2002, ao ser entrevistado por Sónia Virgínia Moreira, Presidente da Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação e editora da Revista Brasileira de Ciências da Comunicação, José Manuel Paquete de Oliveira, Presidente da Sopcom - Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação e da Lusocom - Federação Lusófona de Ciências da Comunicação, assinalou que era “de toda a justiça” incluir Moisés de Lemos Martins entre “os pesquisadores portugueses” que mais se distinguiam “no processo de intercâmbio”, não apenas luso-brasileiro, mas, mais extensivamente, lusófono.
Entretanto, em 2016, o Portal Mutirão, da Universidade Metodista de São Paulo, traçou o perfil académico de Moisés de Lemos Martins, insistindo no seu trabalho pedagógico, científico e associativo. O Portal Mutirão foi criado em 2016, por José Marques de Melo, jornalista, professor universitário e pioneiro dos estudos de Ciências da Comunicação no Brasil, para distinguir, não apenas a singularidade do trabalho de investigação realizado neste país nesta área científica, como também os académicos, de todo o mundo, que no Brasil ajudaram a desenvolver e a consolidar a comunidade académica de Ciências da Comunicação.
Em 2013, com os académicos brasileiros Antônio Hohlfeldt e Cicília Peruzzo, da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação – Intercom, Moisés de Lemos Martins ajudou Tomás José Jane, Professor da Escola Superior de Jornalismo, em Maputo, Moçambique, a fundar a Acicom - Associação Moçambicana de Ciências da Informação e da Comunicação. Neste mesmo ano, com Margarita Ledo, Professora da Universidade de Santiago de Compostela, Moisés de Lemos Martins ajudou Silvino Lopes Évora, Professor da Universidade de Cabo Verde, na cidade da Praia, Cabo Verde, a fundar a Mediacom - Associação Cabo-Verdiana de Ciências da Comunicação. Moisés de Lemos Martins é sócio honorário da Mediacom.
Funções de direção
Moisés de Lemos Martins dirigiu o departamento de Ciências Sociais, da Universidade da Beira Interior (1988/1990), tendo criado, em 1989, a licenciatura de Comunicação Social e a revista Anais Universitários, em 1990, de que foi o primeiro diretor. Foi nesta universidade diretor do curso de licenciatura em Sociologia, então nos primeiros anos, entre 1988 e 1990, sendo professor de História da Sociologia. Esteve, com Aníbal Alves, professor emérito da Universidade do Minho, na criação da licenciatura de Comunicação Social desta Universidade, em 1991, sendo professor de Semiótica, Teoria e Análise do Discurso e Sociologia da Comunicação. Nesta universidade, dirigiu, de 1990 a 1993, o Curso de licenciatura em Sociologia das Organizações, fundado por Manuel da Silva Costa em 1989, sendo professor de Sociologia do Poder. Criou, com Albertino Gonçalves, professor de Sociologia da Universidade do Minho, o mestrado de Sociologia da Cultura e dos Estilos de Vida (1996-2011), sendo professor de Sociologia da Cultura, e o mestrado de Comunicação, Arte e Cultura, em 2011, sendo Professor de Sociologia da Comunicação. Dirigiu, durante dez anos, o Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho (1996/2000 e 2004/2010). Foi candidato a Reitor desta mesma Universidade, em 2006.
Foi o primeiro Diretor do curso de doutoramento em Ciências da Comunicação, da Universidade do Minho (2009/2011). É neste curso Professor de Semiótica Social. Foi o promotor do projeto de ensino e investigação em Estudos Culturais, no Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, tendo sido o diretor do Programa Doutoral em Estudos Culturais (2010/2015), num consórcio entre a Universidade do Minho e a Universidade de Aveiro. É no doutoramento de Estudos Culturais professor de Sociologia da Cultura. Foi o promotor e o diretor do Programa de Doutoramento “Estudos de Comunicação: Tecnologia, Cultura e Sociedade” (2013/2015), um programa doutoral financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, que envolveu seis centros de investigação portugueses, de cinco universidades. Foi neste doutoramento professor de Comunicação Intercultural. Em 2018, ajudou a fundar o doutoramento em Língua, Cultura e Sociedade, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Zambeze, na cidade da Beira, Moçambique. É nesse doutoramento professor de Comunicação Intercultural.
Foi cofundador da Sopcom – Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação, e seu Presidente (2005/2015). Presidiu também à Lusocom – Federação Lusófona de Ciências da Comunicação (2011/2015). Foi editor do Anuário Internacional de Comunicação Lusófona, revista científica da Lusocom (2007/2011). Presidiu, ainda, à Confibercom – Confederação Ibero-Americana das Associações Científicas e Académicas de Comunicação (2012/2015). É, desde 2019, Secretário Geral da Assibercom – Associação Ibero-Americana de Investigadores em Comunicação - associação galardoada em setembro de 2021 como "Instituição Paradigmática" pela Intercom com o "Prêmio Luíz Beltrão de Ciências da Comunicação 2021".
Uma teoria social, compreensiva e transcultural
Logo a partir da publicação de A Linguagem, a Verdade e o Poder – Ensaio de Semiótica Social, em 2002, Moisés de Lemos Martins foi considerado por Eduardo Prado Coelho, professor universitário, ensaísta e crítico literário, como “uma pedra angular nos estudos de comunicação em Portugal”. Tal acontece porque esta obra permite “não somente refazer todo um percurso teórico fundamental, como nos coloca no centro das grandes questões de análise da realidade contemporânea (nesse ponto, onde linguística, retórica, teoria crítica, sociologia, antropologia e psicanálise se entrecruzam e confundem, para por vezes mesmo se redistribuírem)”. Também Luís Carmelo, escritor e professor universitário, tendo como pano de fundo a leitura que faz de A Linguagem, a Verdade e o Poder, escreve, em 2003, o seguinte: "Rico, estimulante e produtivo tem sido o papel de Moisés de Lemos Martins, enquanto saudável polemista no seio da comunidade científica e académica. É esse desígnio de disputa e de aprendizagem permanente que melhor definirá, porventura, aquilo que o autor tenta caracterizar, no fim do seu ensaio, como 'a paixão da universidade'".
Techné e Bios