O SMS Admiral Spaun foi um cruzador de reconhecimento operado pela Marinha Austro-Húngara. Sua construção começou em maio de 1908 no Arsenal Naval de Pola e foi lançado ao mar em outubro de 1909, sendo comissionado na frota austro-húngara em novembro do ano seguinte. Era armado com uma bateria principal composta por sete canhões de 100 milímetros instalados em montagens pedestais individuais, possuía um deslocamento carregado de quatro mil toneladas e conseguia alcançar uma velocidade máxima de 27 nós (cinquenta quilômetros por hora).

O Admiral Spaun foi mobilizado durante a Guerra Ítalo-Turca e Primeira Guerra Balcânica em precaução em caso de conflito contra a Sérvia. Com o início da Primeira Guerra Mundial, o navio inicialmente teve pouco o que fazer. Ele participou em maio de 1915 do Bombardeio de Ancona e depois disso atuou principalmente em vários ataques contra a Barragem de Otranto. Ele participaria de um grande ataque contra a barragem em junho de 1918 junto com boa parte da frota, porém a operação foi cancelada por causa do naufrágio do couraçado .

A Áustria-Hungria, à beira da derrota em outubro de 1918, tentou transferir sua frota para o recém-declarado Estado dos Eslovenos, Croatas e Sérvios, porém essa transferência não foi reconhecida pelo Armistício de Villa Giusti, assinado no início de novembro. O Admiral Spaun foi tomado pelos Aliados e inicialmente transferido para a Itália, que o desfilou como troféu de guerra em Veneza em março de 1919. Sob os termos do Tratado de Saint-Germain-en-Laye de setembro de 1919, o cruzador foi cedido como prêmio de guerra ao Reino Unido e desmontado entre 1920 e 1921.

Antecedentes esquerda|thumb|260px|Mapa da Áustria-Hungria e Itália em 1911, com o Mar Adriático entre os dois A tonelagem total de navios da Marinha Austro-Húngara em 1904 era de 131 mil toneladas. A frota era capaz de defender o litoral da Áustria-Hungria, mas era drasticamente inferior a outras grandes marinhas presente no Mar Mediterrâneo, especialmente a Marinha Real Italiana e Marinha Real Britânica. A Liga Naval Austríaca foi estabelecida em setembro de 1904, enquanto no mês seguinte o vice-almirante conde Rudolf Montecuccoli foi nomeado Comandante da Marinha e Chefe da Seção Naval dentro do Ministério da Guerra. Com isto, a Marinha Austro-Húngara começou um programa de expansão naval que tinha a intenção de igualar o país com as outras grandes potências europeias. Montecuccoli imediatamente foi atrás dos mesmos esforços defendidos pelo almirante barão Hermann von Spaun, seu predecessor, e começou a fazer pressão por uma marinha expandida e modernizada.

A política naval austro-húngara começou a mudar logo no início do século XX para longe da simples defesa litorânea de décadas anteriores em favor da projeção de poderio naval no Mar Adriático e até mesmo no Mediterrâneo. Esta mudança foi motivada tanto por fatores internos quanto por externos. Novas ferrovias tinham sido construídas entre 1906 e 1908 através dos passos alpinos, conectando Trieste e o litoral da Dalmácia com o resto do império. Impostos mais baixos no porto de Trieste ajudaram na expansão da cidade e também no crescimento similar da marinha mercante austro-húngara. Estas mudanças necessitaram o desenvolvimento de novos navios capazes de fazerem mais do que apenas defenderem o litoral da Áustria-Hungria.

Poderio naval, antes da virada do século, não tinha sido uma prioridade da política externa do império e a marinha atraia pouco interesse ou apoio público. Entretanto, a nomeação em setembro de 1902 do arquiduque Francisco Fernando, herdeiro presuntivo do trono austro-húngaro e um grande proponente da expansão naval, para a posição de almirante aumentou muito a importância da marinha nos olhos do público e também dos parlamentos austríaco e húngaro. O interesse de Francisco Fernando vinha principalmente de sua crença de que uma marinha forte seria necessária para competir com a Itália, que ele enxergava como a maior ameaça regional da Áustria-Hungria.

Corrida armamentista O Admiral Spaun foi autorizado quanto a Áustria-Hungria estava em uma corrida armamentista naval contra a Itália, que era, pelo menos nominalmente, sua aliada. A Marinha Real Italiana era considerada a potência naval mais importante da região, com a qual a Áustria-Hungria frequentemente se comparava desfavoravelmente. A disparidade entre as marinhas dos dois países já existia há décadas; no final da década de 1880, a Itália tinha a terceira maior frota naval do mundo, atrás apenas da Marinha Real Britânica e da Marinha Nacional Francesa. Essa disparidade foi um pouco equalizada pelo crescimento da Marinha Imperial Russa e da Marinha Imperial Alemã, que superaram a Marinha Real Italiana em 1893 e 1894, respectivamente, porém o equilíbrio começou a pender de volta em favor da Itália em meados de 1904. Neste ano a Marinha Real Italiana tinha uma tonelagem que era mais do que o dobro daquela da Marinha Austro-Húngara, possuindo também mais do que o dobro do número de cruzadores.

+Poderio naval da Itália e Áustria-Hungria em 1904 Tipo Itália Áustria-Hungria Razão detonelagem Número Tonelagem Número Tonelagem Couraçados 13 166 724 t 10 85 560 t 1,9:1 Cruzadores blindados 6 39 903 t 3 18 810 t 2,1:1 Cruzadores protegidos 14 37 393 t 6 17 454 t 2,1:1 Contratorpedeiros 15 12 848 t 8 5 070 t 2,5:1 Barcos torpedeiros 145 10 477 t 68 4 252 t 2,4:1 Total 195 267 345 t 95 131 246 t 2,3:1

Proposta O Admiral Spaun foi concebido no papel no início de 1905 quando Montecuccoli esboçou sua primeira proposta para uma frota austro-húngara expandida e moderna como parte de seu plano para construir uma marinha grande o bastante para projetar poder no Mar Adriático. Este plano inicialmente consistia em doze couraçados, quatro cruzadores blindados, oito cruzadores de reconhecimento, dezoito contratorpedeiros, 36 torpedeiros de alto-mar e seis submarinos. Específicos do projeto ainda não tinham sido elaborados, mas quatro dos cruzadores de reconhecimento propostos no plano de Montecuccoli se tornariam o Admiral Spaun e a sucessora Classe Novara. Entretanto, a votação do plano foi adiada durante a maior parte de 1905 devido a uma crise política no governo húngaro. Foi apenas no final do ano que as delegações austríaca e húngara para Assuntos Comuns aprovassem o programa proposto por Montecuccoli. Sob os termos do acordo de orçamento, 121 milhões de coroas foram destinados para construção naval por um período de três anos, com parcelas desse crédito especial sendo retroativamente datado de volta para 1904. Esse orçamento não tinha o dinheiro para os outros cruzadores que Montecuccoli queria construir, mas tinha financiamento para os três couraçados que se tornariam a Classe Erzherzog Karl, seis contratorpedeiros e o Admiral Spaun.

Projeto thumb|290px|Desenho do Admiral Spaun O Admiral Spaun foi projetado para missões de reconhecimento, baseado na premissa de que sua área de operação ficaria em sua maior parte confinada ao Mar Adriático. A intenção era que ele atuasse como um cruzador veloz capaz de realizar missões de ataque rápido ao mesmo tempo que ameaçava rotas de comunicação e de comboios. Montecuccoli acreditava que, caso a Áustria-Hungria entrasse em um grande conflito naval englobando o Mediterrâneo, o Admiral Spaun ainda assim seria capaz de desempenhar sua função de forma bem-sucedida e consequentemente uma classe de cruzadores de batalha não seria necessária. O projeto do navio foi tão bem-recebido após sua construção que foi usado de base para a sucessora Classe Novara. As similaridades entre o Admiral Spaun e a Classe Novara eram tantas que publicações tanto contemporâneas quanto modernas ocasionalmente agrupam os quatro navios como membros da mesma classe.

O cruzador tinha 125,2 metros de comprimento entre perpendiculares, 129,7 metros de comprimento da linha de flutuação e 130,6 metros de comprimento de fora a fora. Sua boca era de 12,8 metros e o calado máximo de 5,3 metros. Foi projetado para ter um deslocamento normal de 3,5 mil toneladas e um deslocamento carregado de quatro mil toneladas. O sistema de propulsão consistia em dezesseis caldeiras Yarrow de tubo d'água que alimentavam seis turbinas a vapor Parsons, girando ao todo quatro hélices. Esse sistema foi projetado para uma potência indicada entre 25 130 e 25 254 cavalos-vapor (18,5 e 18,6 mil quilowatts), suficiente para uma velocidade máxima de 27,07 nós (50,13 quilômetros por hora). Sua tripulação era formada por 320 a 327 oficiais e marinheiros.

A bateria principal do Admiral Spaun consistia em sete canhões Škoda K11 calibre 50 de 100 milímetros em montagens pedestais únicas. Duas ficavam na frente da superestrutura no castelo da proa, quatro a meia-nau com duas em cada lateral e a última no tombadilho. Também possuía um canhão Škoda SFK L/44 de 47 milímetros. Um canhão antiaéreo Škoda K10 calibre 50 de 66 milímetros e quatro tubos de torpedo de 533 milímetros em duas montagens duplas foram instalados em 1916. As armas do Admiral Spaun eram menores do que aquelas em cruzadores contemporâneos, o que levou a planos para a remoção dos canhões do castelo da proa e tombadilho e sua substituição por dois canhões de 150 milímetros, porém isto nunca foram realizado antes do fim da Primeira Guerra Mundial. Essas armas pequenas eram parcialmente devido ao desejo da Marinha Austro-Húngara de que o navio fosse mais rápido e mais bem protegido que outros cruzadores da época, consequentemente o armamento precisou ser reduzido.

O cinturão principal de blindagem do Admiral Spaun na linha d'água que tinha sessenta milímetros de espessura a meia-nau. Seu convés tinha uma espessura de vinte milímetros, enquanto a torre de comando tinha sessenta milímetros. As armas de 100 milímetros eram protegidas por escudos de quarenta milímetros de espessura.

Construção thumb|esquerda|240px|O lançamento do Admiral Spaun em Pola no dia 30 de outubro de 1909 O batimento de quilha do Admiral Spaun ocorreu em 30 de maio de 1908 no Arsenal Naval de Pola, em Ístria no Litoral Austríaco. A Stabilimento Tecnico Triestino firmou um acordo com a britânica Parsons Marine Steam Turbine Company para que a construção das turbinas a vapor do cruzador pudesse ocorrer em Trieste com materiais adquiridos na própria Áustria-Hungria. O Admiral Spaun foi o primeiro navio da Marinha Austro-Húngara cujo sistema de propulsão era composto por turbinas a vapor.

Montecuccoli propôs ao Conselho Ministerial Austro-Húngaro em setembro de 1909 um orçamento para o ano seguinte que autorizaria a construção dos três cruzadores de reconhecimento da Classe Novara, mais os quatro dreadnoughts da Classe Tegetthoff e vários barcos torpedeiros e submarinos. Seu desejo de construir os novos cruzadores foi adiado, desta vez devido aos custos da anexação da Bósnia e Herzegovina e mobilização da marinha e exército no auge da Crise Bósnia. A Marinha Austro-Húngara ainda assim recebeu o dinheiro necessário para acelerar a finalização dos pré-dreadnoughts da Classe Radetzky e do Admiral Spaun.

O Admiral Spaun foi lançado ao mar em 30 de outubro de 1909. Seguiu-se o processo de equipagem e então testes marítimos por um período de ano. A embarcação tinha sido projetada para alcançar uma velocidade máxima maior do que cruzadores contemporâneos de outras marinhas. Ele conseguiu alcançar uma velocidade de 27,07 nós durante seus testes de velocidade em setembro de 1910, que era 1,07 nó (1,98 quilômetro por hora) a mais do que a velocidade especificada no contrato de construção. Ele foi comissionado na Marinha Austro-Húngara em 15 de novembro de 1910.

História Pré-guerra