Existem muitas pesquisas sobre a nanotoxicologia de fulerenos e nanotubos de carbono.
Fulerenos Uma revisão de trabalhos sobre a toxicidade do fulereno por Lalwani et al. encontrou poucas evidências de que o C 60 seja tóxico.G. Lalwani and B. Sitharaman, Multifunctional fullerene and metallofullerene based nanobiomaterials, NanoLIFE 08/2013; 3:1342003. DOI: 10.1142/S1793984413420038 Full Text PDF A toxicidade dessas nanopartículas de carbono varia de acordo com a dose, a duração, o tipo (por exemplo o C 60, C 70, M @ C 60, M @ C 82 ), os grupos funcionais utilizados na solubilização em água dessas nanopartículas (tal como: OH, COOH), e o método de administração (por exemplo: intravenoso, intraperitoneal). Os autores recomendaram que a farmacologia de cada complexo à base de fulereno ou metalofulereno seja analisada como um composto diferente.
Moussa et al. (1996–97) estudou a toxicidade in vivo do C 60 após a administração intraperitoneal de grandes doses. Nenhuma evidência de toxicidade foi encontrada e os camundongos toleraram uma dose de 5g / kg de seu peso corporal. Mori et al. (2006) não conseguiu encontrar toxicidade em roedores para misturas de C 60 e C 70 após a administração oral de uma dose de 2g / kg de seu peso corporal, e não observaram evidências de potencial genotóxico ou mutagênico in vitro. Outros estudos não conseguiram estabelecer a toxicidade dos fulerenos, contrariamente, o trabalho de Gharbi et al. (2005) sugeriu que as suspensões aquosas de C 60, incapazes de produzirem toxicidade aguda ou subaguda em roedores, também podem proteger seus fígados contra danos dos radicais livres de uma forma dependente da dose oferecida. Em um estudo primário de 2012 de uma suspensão de azeite de oliva / C 60 conduzida em ratos via administração intraperitoneal ou gavagem oral, foi observado um prolongamento da vida útil normal dos ratos para quase o dobro do normal, não se encontrando nenhuma toxicidade significativa. Um investigador deste estudo, o Professor Moussa, compartilhou suas descobertas em uma entrevista em vídeo e afirmou que C 60 puro não é tóxico.
Ao se considerar os dados toxicológicos, o cuidado necessário deve ser tomado na distinção entre o que usualmente é denominado de fulerenos: (C 60, C 70, ...); o que são derivados do fulereno: C 60 ou outros fulerenos com grupos químicos ligados covalentemente; os complexos de fulereno (por exemplo, surfactantes solubilizados em água, como o C 60-PVP, os complexos hospedeiro-hóspede, tal qual os com ciclodextrina), onde o fulereno é uma supermolécula ligada a uma outra molécula; as nanopartículas de C 60, as quais são agregados estendidos de fase sólida de cristalitos C 60; e nanotubos, que geralmente são moléculas muito maiores (em termos de peso e tamanho molecular) e, devido sua forma, divergem-se dos fulerenos esferoidais C 60 e C 70, além de possuírem propriedades químicas e físicas diferentes.
As moléculas acima são todas fulerenos (moléculas de carbono totalmente fechadas), todavia, não é confiável a extrapolação dos resultados do C 60 para os nanotubos ou vice-versa, já que eles variam de materiais insolúveis tanto em meios hidrofílicos quanto lipofílicos, a hidrofílicos, lipofílicos ou mesmo a moléculas anfifílicas e com outras propriedades físicas e químicas variáveis. Um estudo de relacionamento de análise estrutural quantitativa (QSAR), que é capaz analisar o quão semelhantes as moléculas em consideração são em relação a suas propriedades físicas e químicas, pode ajudar.
Nanotubos de carbono miniaturadaimagem| Um nanotubo de paredes múltiplas de carbono perfura uma célula epitelial alveolar. Em 2013, o Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional dos Estados Unidos não tinha ciência de nenhum relato dos efeitos adversos à saúde dos trabalhadores que usam ou produzem nanotubos de carbono ou nanofibras de carbono. No entanto, uma revisão sistemática de 54 estudos em animais de laboratório indicou que esses poderiam causar efeitos pulmonares adversos, incluindo inflamação, granulomas e fibrose pulmonar, os quais eram de similares ou de maior potência quando comparados a outros materiais fibrogênicos conhecidos, tais como sílica, amianto e negro de fumo ultrafino.
Em referência aos nanotubos, um estudo de 2008 sobre nanotubos de carbono introduzidos na cavidade abdominal de camundongos levou os autores a sugerirem comparações quanto a "patogenicidades semelhante ao amianto". Esse não foi um estudo de inalação, embora vários desse tenham sido realizados no passado. Portanto, é prematuro concluir-se que os nanotubos devem ser considerados detentores de um perfil toxicológico equivalente ao do amianto. Por outro lado, talvez conveniente na demonstração de como as diversas classes de moléculas as quais se enquadram no termo geral fulereno cobrem uma ampla gama de propriedades, Sayes et al. descobriu que a inalação in vivo de C 60 (OH) 24 e nano-C 60 em ratos não produziu efeito algum, enquanto, em comparação, as partículas de quartzo produziram uma resposta inflamatória sob iguais condições. Como afirmado acima, os nanotubos são bastante diferentes do C 60 em suas propriedades químicas e físicas, ou seja, peso, forma, tamanho, propriedades físicas moleculares (como solubilidade) são todas muito díspares. Desse modo, de um ponto de vista toxicológico, os resultados diferentes para C 60 e os nanotubos não são sugestivos de qualquer discrepância nas descobertas.
Um estudo de 2016 relatou sobre trabalhadores em uma fábrica de larga escala produtora de MWCNT na Rússia com níveis de exposição ocupacional relativamente altos, descobrindo que a exposição aos MWCNTs causara um aumento significativo em diversas citocinas inflamatórias e outros biomarcadores de doenças pulmonares intersticiais.
Toxicidade A toxicidade dos nanotubos de carbono tem sido uma questão importante na nanotecnologia. Em 2007, tal pesquisa havia apenas começado. Os dados ainda são fragmentários e sujeitos a críticas. Os resultados preliminares destacam as dificuldades em avaliar-se a toxicidade deste material heterogêneo. Parâmetros tais como estrutura, distribuição de tamanho, área da superfície, química da superfície, carga da superfície e estado de aglomeração, assim como a pureza das amostras, possuem um impacto considerável na reatividade dos nanotubos de carbono. Porém, os dados disponíveis mostram claramente que, sob algumas condições, os nanotubos podem atravessar as barreiras membranosas, o que sugere que, se as matérias-primas chegarem aos órgãos, elas podem induzir efeitos nocivos, assim como reações inflamatórias e fibróticas.
Caracterização de efeitos Em 2014, especialistas da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) analisaram a carcinogenicidade dos CNTs, incluindo SWCNTs e MWCNTs. Nenhum dado epidemiológico ou de câncer humano estava disponível para o Grupo de Trabalho da IARC na época, então o exame se concentrou nos resultados de estudos em animais in vivo, avaliando-se a carcinogenicidade de SWCNTs e MWCNTs em roedores.
O Grupo de Trabalho concluiu que havia evidência suficiente para o tipo específico de MWCNT, o "MWCNT-7", evidência limitada para os outros dois tipos de MWCNTs com dimensões similares ao MWCNT-7 e evidência inadequada para SWCNTs. De tal maneira, concordou-se em classificar o MWCNT-7 especificamente como um possível carcinogênico para humanos (Grupo 2B), à medida que as outras formas de CNT, nomeadamente o SWCNT e outros tipos de MWCNT, com exceção do MWCNT-7, foram considerados não classificáveis quanto à sua carcinogenicidade em humanos (Grupo 3) devido à falta de evidências coerentes.
Os resultados dos estudos com roedores coletivamente demonstram que, independentemente do processo pelo qual os CNTs foram sintetizados e seus tipos e quantidades de metais neles contidos, eles eram capazes de produzir inflamação, granulomas epitelióides (nódulos microscópicos), fibrose e alterações bioquímicas/ toxicológicas pulmonares.Zumwalde, Ralph and Laura Hodson (March 2009). "Approaches to Safe Nanotechnology: Managing the Health and Safety Concerns Associated with Engineered Nanomaterials". National Institute for Occupational Safety and Health. NIOSH (DHHS) Publication 2009-125. Estudos comparativos de toxicidade nos quais ratos receberam pesos equivalentes dos materiais de teste mostraram que os SWCNTs acabavam por ser mais tóxicos do que o quartzo, o qual é considerado um risco sério para a saúde ocupacional quando inalado cronicamente. Como controle, o negro de fumo ultrafino demonstrou produzir respostas pulmonares mínimas.
Nanotubos de carbono se depositam nos ductos alveolares, alinhando-se longitudinalmente com as vias aéreas. Os nanotubos frequentemente se combinam com metais. O formato de agulha da fibra dos CNTs é semelhante ao das fibras de amianto, isso traz a ideia de que o uso generalizado de nanotubos de carbono pode levar ao mesotelioma pleural, um câncer do revestimento dos pulmões, ou ao mesotelioma peritoneal, um câncer do revestimento do abdômen (ambos causados pela exposição ao amianto). Um estudo piloto publicado recentemente apoia essa possibilidade. Os cientistas expuseram o revestimento mesotelial da cavidade corporal de camundongos a longos nanotubos de paredes múltiplas de carbono e observaram um comportamento patogênico dependente do comprimento, similar ao do amianto, o qual incluiu inflamação e formação de lesões conhecidas como granulomas. Os autores desse estudo concluem: Isso é de uma importância considerável, pois comunidades de pesquisa e negócios continuam a investir significativamente em nanotubos de carbono em uma ampla gama de produtos, partindo do pressuposto de que eles não são mais perigosos do que o grafite. Nossos resultados sugerem a essencialidade de mais pesquisas e de maior cautela antes de se introduzir esses produtos no mercado se quisermos evitar danos a longo prazo.
Embora mais pesquisas sejam necessárias, os dados disponíveis sugerem que, sob certas condições, especialmente aquelas que envolvem uma exposição crônica, os nanotubos de carbono podem representar um sério risco à saúde humana.
Caracterização de Exposição É de vital importância a consideração dos cenários de exposição ao tentar determinar a toxicidade e os riscos associados a esses materiais diversos e dificultosos de se estudar. Estudos exposicionais têm sido conduzidos nos últimos anos em um empenho para a determinação de onde ocorrerá e qual será a probabilidade da ocorrência de exposição. Uma vez que os CNTs estão sendo incorporados em materiais compostos devido sua capacidade de fortalecê-los sem adicionar um peso significativo, a fabricação de CNTs e compostos, ou híbridos incluindo CNTs, o processamento subsequente dos artigos e equipamentos feitos dos compostos e os processos de fim de vida, tais como a reciclagem ou a incineração, todos representam fontes de exposição em potencial. O potencial de exposição ao usuário final não é tão provável. Embora, com a incorporação dos CNTs em novos produtos, pode se haver a necessidade de mais pesquisas.
Um estudo analisou a amostragem pessoal e de área de sete fábricas diferentes as quais envolviam, principalmente, a fabricação de MWCNTs. Esse estudo descobriu que os processos de trabalho que solicitam nanopartículas, não necessariamente apenas a liberação de CNT, incluem "pulverização, preparação de CNT, dispersão ultrassônica, aquecimento de wafer e abertura da tampa do banho maria." As concentrações exposicionais tanto da amostragem pessoal quanto da área indicaram que a exposição da maioria dos trabalhadores estava bem abaixo da quantidade do negro de fumo definida pela ACGIH.