O Yavuz Sultan Selim foi um cruzador de batalha operado pela Marinha Otomana e depois pelas Forças Navais Turcas, a segunda e última embarcação da Classe Moltke, após o . Sua construção iniciou em agosto de 1909, na Blohm & Voss, sendo lançado ao mar em março de 1911, originalmente como o SMS Goeben da Marinha Imperial Alemã, e comissionado em julho do ano seguinte. Era armado com de dez canhões de 283 milímetros, tinha um deslocamento carregado de mais de 25 mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 25 nós.
O Goeben foi designado para servir na Divisão do Mediterrâneo junto com o SMS Breslau. Depois do início da Primeira Guerra Mundial, os dois escaparam de forças britânicas e chegaram a Constantinopla, onde foram transferidos para o Império Otomano. O Goeben tornou-se a capitânia da Marinha Otomana e foi renomeado para Yavuz Sultan Selim. Ele atuou principalmente contra alvos russos no Mar Negro, atacando outros navios e instalações costeiras. Realizou uma surtida para o Mar Egeu em janeiro de 1918, afundando monitores britânicos, mas batendo em várias minas.
A embarcação permaneceu ancorada em İzmit depois da guerra, lentamente se deteriorando. Passou por uma grande reforma na França, de 1927 a 1930. Foi renomeado para TCG Yavuz, em 1936, e dois anos depois foi responsável por levar o corpo de Mustafa Kemal Atatürk, de Istambul para İzmit. O navio permaneceu como a capitânia das Forças Navais Turcas até ser descomissionado em dezembro de 1950. O governo turco tentou vender a embarcação de volta para a Alemanha Ocidental, porém a oferta foi recusada e ele acabou desmontado de 1973 a 1976.
Características
A Marinha Imperial Alemã estava no início do século XX em uma corrida armamentista contra a Marinha Real Britânica, com o Escritório Naval Imperial considerando, em 1907, planos para um novo cruzador de batalha a ser construído no ano seguinte. Uma elevação no orçamento criou a possibilidade de aumentar o tamanho dos canhões principais dos 283 milímetros usados no para 305 milímetros, porém o almirante Alfred von Tirpitz, o Secretário de Estado da Marinha, preferia adicionar duas armas de 283 milímetros a mais. O Escritório de Construção concordou com ele e assim duas embarcações foram autorizadas para 1908 e 1909, que se tornariam a Classe Moltke.
thumb|240px|esquerda|A torre de artilharia de vante em 1914 O navio tinha 186,6 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 29,4 metros e um calado máximo de 9,19 metros. Seu deslocamento normal era de toneladas e o deslocamento carregado de 25,4 mil toneladas. Seu sistema de propulsão era composto por 24 caldeiras de tubos d'água Thornycroft a carvão que alimentavam quatro turbinas a vapor Parsons. A potência indicada era de 52 mil cavalos-vapor (38,2 mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 25,5 nós (47,2 quilômetros por hora), porém ao navio excedeu esses valores durante seus testes marítimos. Sua autonomia era de milhas náuticas ( quilômetros) a catorze nós (26 quilômetros por hora). Sua tripulação era de 43 oficiais e marinheiros.
Seu armamento principal tinha dez canhões calibre 50 de 283 milímetros montados em cinco torres de artilharia duplas, uma à vante da superestrutura, duas à meia-nau em um arranjo en echelon e as outras duas à ré, com uma sobreposta à outra. O armamento secundário tinha doze canhões calibre 45 de 149 milímetros em casamatas individuais espalhadas pela parte central da embarcação. Também tinha doze canhões calibre 45 de 88 milímetros em montagens individuais na proa, popa e ao redor da torre de comando de vante para defesa contra barcos torpedeiros. Por fim, tinha quatro tubos de torpedo de quinhentos milímetros. Seu cinturão principal de blindagem tinha 280 milímetros de espessura na cidadela blindada, onde protegia os depósitos de munição e salas de máquinas. Sua espessura diminuía para 76 milímetros nas duas extremidades. O convés tinha 25 a 76 milímetros, inclinando-se para baixo nas laterais com o objetivo de se conectar com a extremidade inferior do cinturão. As torres de artilharia tinham frentes de 230 milímetros, ficando em cima de barbetas com a mesma espessura.
Carreira Início de serviço thumb|240px|O Goeben em 1912 A Marinha Imperial encomendou o Goeben, o terceiro cruzador de batalha da Alemanha, em 8 de abril de 1909 sob o nome provisório de "H". Seu contrato de construção foi firmado com os estaleiros da Blohm & Voss em Hamburgo, ocorrendo sob o número de construção 201. Seu batimento de quilha ocorreu em 19 de agosto e seu casco completo foi lançado ao mar em 28 de março de 1911. Seguiram-se os trabalhos de equipagem e a embarcação finalizada foi comissionada na frota alemã em 2 de julho de 1912.
A Primeira Guerra Balcânica começou em outubro de 1912 e o Estado-Maior Geral determinou que uma Divisão Mediterrânea era necessária para projetar poder alemão no Mar Mediterrâneo, assim o Goeben foi enviado para Constantinopla no Império Otomano junto do cruzador rápido SMS Breslau. Os dois deixaram Kiel em 4 de novembro e chegaram no seu destino no dia 15. O Goeben começou a visitar vários portos da região a partir de abril de 1913, incluindo Veneza e Nápoles na Itália, Pola na Áustria-Hungria e então o litoral albanês. Retornou para Pola ao final da viagem e permaneceu em manutenção no local entre 21 de agosto e 16 de outubro.
A Segunda Guerra Balcânica começou em junho de 1913 e foi decidido manter a Divisão Mediterrânea na área. O contra-almirante Wilhelm Souchon assumiu o comando da divisão em 23 de outubro. O Goeben e o Breslau continuaram suas atividades no Mediterrâneo, visitando pelo ano seguinte mais de oitenta portos. A Marinha Imperial planejou substituir o Goeben por seu irmão , porém o assassinato em 28 de junho de 1914 do arquiduque Francisco Fernando da Áustria, o herdeiro presuntivo do trono austro-húngaro, e o subsequente aumento das tensões na Europa entre as grandes potências impossibilitou essa troca. Souchon avaliou logo depois do assassinato que uma guerra era iminente, assim ordenou que seus navios fossem para Pola a fim de passarem por reparos. Engenheiros vieram da Alemanha para trabalharem nas embarcações. O Goeben teve tubos das caldeiras substituídos, dentre outros reparos. Os navios partiram para Messina na Itália quando esses trabalhos foram terminados.
Primeira Guerra Mundial Perseguição
thumb|esquerda|240px|O Goeben no Mediterrâneo em 1914 O imperador Guilherme II da Alemanha tinha ordenado que, em caso de guerra, o Goeben e o Breslau deveriam realizar incursões no oeste do Mediterrâneo para impedir que tropas francesas viajassem do Norte da África de volta para a França, ou que deveriam fugir para o Oceano Atlântico e tentar voltar de alguma forma para a Alemanha de acordo com o discernimento do comandante da divisão. Os dois navios estavam seguindo para a Argélia em 3 de agosto de 1914 quando Souchon foi informado que a Alemanha tinha declarado guerra contra a França. O Goeben assim bombardeou Philippeville na Argélia por dez minutos enquanto o Breslau fazia o mesmo em Bône, seguindo as ordens de Guilherme. Tirpitz e o almirante Hugo von Pohl então transmitiram ordens secretas para Souchon instruindo-o a navegar para Constantinopla, uma violação direta das ordens do imperador e sem seu conhecimento.
O Goeben não poderia chegar em Constantinopla sem reabastecer, assim os navios foram para Messina. Os alemães encontraram no caminho os cruzadores de batalha britânicos e , mas nenhum dos lados abriu fogo já que a Alemanha ainda não estava em guerra contra o Reino Unido. Os britânicos passaram a segui-los, mas os alemães conseguiram despistá-los e chegar em segurança em Messina no dia 5. O reabastecimento no local foi dificultado pela declaração de neutralidade da Itália feita em 2 de agosto. Sob a lei internacional, navios beligerantes podiam permanecer em um porto neutro por apenas 24 horas. Autoridades navais italianas simpáticas aos alemães permitiram que o Goeben e o Breslau permanecessem em Messina por 36 horas enquanto eles reabasteciam de um carvoeiro alemão. Mesmo assim, o suprimento de carvão do Goeben ainda não o bastante para chegar em Constantinopla, então Souchon arranjou para se encontrar com outro carvoeiro no Mar Egeu. A frota francesa permaneceu no oeste do Mediterrâneo, pois o vice-almirante Augustin Boué de Lapeyrère, o comandante das forças navais francesas na região, estava convencido de que os alemães tentariam escapar para o Atlântico ou se juntar aos austro-húngaros em Pola.
thumb|240px|Ilustração de Willy Stöwer do Goeben e Breslau chegando em Constantinopla As duas embarcações deixaram Messina na manhã de 6 de agosto por meio da entrada sul do Estreito de Messina e seguiram para o leste do Mediterrâneo. Os dois cruzadores de batalha britânicos estavam a 185 quilômetros de distância, com um terceiro, o , reabastecendo em Bizerta. A única força naval britânica no caminho era a 1ª Esquadra de Cruzadores, composta pelos cruzadores blindados , , e sob o comando do contra-almirante Ernest Troubridge. Os alemães seguiram inicialmente para o Mar Adriático como despiste, com Troubridge caindo na manobra, levando seus navios para a entrada do Adriático. Ele deu a volta assim que percebeu seu erro e ordenou que o cruzador rápido e dois contratorpedeiros lançassem um ataque de torpedos. Os olheiros do Breslau avistaram os navios, com ele e o Goeben conseguindo escapar sem serem detectados no meio da noite. Troubridge encerrou a perseguição na manhã do dia 7, convencido de que qualquer ataque de seus cruzadores antigos contra o Goeben seria suicídio. O resto da viagem foi tranquilo.
O Goeben reabasteceu no litoral da Donoussa, próximo de Naxos. Os dois navios entraram em Dardanelos durante a tarde de 10 de agosto. Eles foram recebidos por um barco de piquete otomano que os guiou até o Mar de Mármara. O governo otomano, com o objetivo de burlar os requerimentos de neutralidade, propôs que as embarcações fossem transferidas para a Marinha Otomana "por meio de uma venda fictícia". Entretanto, antes dos alemães aprovarem a ideia, os otomanos anunciaram logo no dia 11 que o Goeben e o Breslau tinham sido comprados por oitenta milhões de marcos. Os dois foram comissionados na Marinha Otomana durante uma cerimônia formal em 16 de agosto. Souchon aceitou em 23 de setembro uma oferta para comandar a frota otomana. O Goeben foi renomeado para Yavuz Sultan Selim e o Breslau para Midilli; suas tripulações alemãs permaneceram, mas passaram a usar uniformes e chapéus fez otomanos.
Mar Negro 1914 thumb|esquerda|240px|O Yavuz Sultan Selim atracado em İstinye c. 1914–1915 O Yavuz Sultan Selim bombardeou Sebastopol em 29 de outubro em sua primeira operação contra a Rússia, apesar do Império Otomano na época ainda não ter entrado na guerra. Souchon realizou a operação com o objetivo de forçar a entrada otomana no lado alemão. Um projétil russo de 254 milímetros acertou a segunda chaminé do navio, porém não detonou e causou danos irrelevantes. Outros dois acertos infligiram danos pequenos. A embarcação e suas escoltas passaram por um inativo campo minado russo durante a operação. O Yavuz Sultan Selim encontrou no caminho de volta o lança-minas russo Prut, que deliberadamente se afundou com setecentas minas a bordo depois de um breve confronto. O contratorpedeiro russo Lieutenant Pushkin também foi danificado por dois projéteis de 149 milímetros do cruzador de batalha. A Rússia declarou guerra contra o Império Otomano em 1º de novembro em resposta ao bombardeio, forçando os otomanos para a Primeira Guerra Mundial. A França e o Reino Unido bombardearam fortalezas otomanas em Dardanelos em 3 de novembro e também declararam guerra dois dias depois. Os russos concluíram que sua Frota do Mar Negro teria de permanecer consolidada para que seus navios não fossem derrotados um por um pelo Yavuz Sultan Selim.