O Midilli foi um cruzador rápido operado pela Marinha Otomana e a segunda embarcação da Classe Magdeburg, depois do e seguido pelo e . Sua construção começou em 1910 nos estaleiros da AG Vulcan Stettin e foi lançado ao mar em maio de 1911, sendo comissionado em maio do ano seguinte como o SMS Breslau da Marinha Imperial Alemã. Era armado com uma bateria principal de doze canhões de 105 milímetros, possuía um deslocamento de pouco mais de cinco mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 27 nós.
O Breslau foi designado para servir na Divisão do Mediterrâneo junto com o cruzador de batalha SMS Goeben. Os dois navios atracaram em Messina na Itália logo depois do começo da Primeira Guerra Mundial em 1914. Para que não fossem capturados pelos britânicos, os dois fugiram para o Império Otomano em agosto de 1914, sendo transferidos para o controle otomano com o objetivo de atrair o país para entrar na guerra pelo lado dos Impérios Centrais. O Breslau foi renomeado para Midilli e atacou portos russos em outubro, o que fez com que a Rússia declarasse guerra.
O cruzador realizou várias operações de implantação de minas navais perto do litoral russo, também bombardeando portos e instalações militares. Por uma falta de navios, o Midilli transportou tropas e suprimentos pelo Mar Negro para as tropas otomanas que lutavam na Campanha do Cáucaso. Ele foi levemente danificado em vários confrontos contra forças russas, com o dano mais sério ocorrendo em julho de 1915, quando bateu em uma mina e ficou fora de serviço por meio ano. O Midilli afundou em 20 de janeiro de 1918 perto da ilha de Imbros depois de bater em várias minas navais.
Características thumb|esquerda|240px|O Breslau c. 1912–1914 Os cruzadores rápidos da Classe Magdenburg foram projetados em resposta aos cruzadores de batalha britânicos da Classe Invincible, que era mais rápidos do que os cruzadores rápidos alemães existentes. Para que a velocidade na nova classe fosse aumentada, motores mais potentes foram instalados e seus cascos alongados para terem uma melhor eficiência hidrodinâmica. Além disso, armações longitudinais foram usadas a fim de reduzir peso. A Classe Magdenburg também foi a primeira de cruzadores rápidos alemães com um cinturão de blindagem, necessitado pela adoção de canhões mais potentes de 152 milímetros por parte dos cruzadores rápidos britânicos.
O Breslau tinha 138,7 metros de comprimento de fora a fora, boca de 13,5 metros e calado de 4,4 metros à vante. Seu deslocamento normal era de toneladas e o deslocamento carregado de toneladas. Seu sistema de propulsão tinha dezesseis caldeiras Marine que alimentavam duas turbinas a vapor AEG-Vulcan, cada uma girando duas hélices. As caldeiras queimavam carvão com óleo combustível borrifado para aumentar a taxa de queima. A potência indicada era de 25,8 mil cavalos-vapor (dezenove mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 27,5 nós (50,9 quilômetros por hora), mas durante os testes marítimos produziram cavalos-vapor ( quilowatts). Podia carregar até 1,2 mil toneladas de carvão e outras 106 toneladas de óleo combustível para uma autonomia de milhas náuticas ( quilômetros) a doze nós (22 quilômetros por hora). A tripulação era formada por dezoito oficiais e 336 marinheiros.
Era armado com doze canhões calibre 45 de 105 milímetros em montagens pedestais únicas, duas lado a lado no castelo de proa, duas lado a lado na popa e quatro em cada lateral à meia-nau. Estas armas foram substituídas em 1917 por oito canhões calibre 45 de 149 milímetros, um na proa, um na popa e três em cada lateral. Também tinha dois tubos de torpedo de quinhentos milímetros submersos, um em cada lateral. Podia levar também até 120 minas navais. Seu cinturão de blindagem tinha sessenta milímetros de espessura à meia-nau. O convés era coberto por placas de blindagem de até sessenta milímetros, enquanto a torre de comando era protegida por laterais de cem milímetros.
Carreira Tempos de paz thumb|240px|O Breslau c. 1912–1914 O Breslau foi encomendado com o nome provisório de "Ersatz Falke", sendo um substituto para o antigo e obsoleto cruzador desprotegido SMS Falke. Seu batimento de quilha ocorreu no início de 1910 nos estaleiros da AG Vulcan em Estetino. Foi lançado ao mar em 16 de maio de 1911 e batizado por Georg Bender, prefeito da cidade de Breslávia, a homônima da embarcação. Os trabalhos de equipagem começaram após o lançamento e duraram até meados de 1912. Foi comissionado em 10 de maio para testes marítimos, que foram interrompidos pela necessidade de escoltar o , o iate do imperador Guilherme II, primeiro para as regatas da Semana de Kiel e depois para o cruzeiro anual de verão de Guilherme para a Noruega. O primeiro oficial comandante do Breslau foi o capitão de fragata Lebrecht von Klitzing. Foi apenas em 23 de agosto que o cruzador retomar seus testes marítimos, que foram interrompidos novamente para as manobras anuais de outono da Frota de Alto-Mar, que ocorreu entre 12 e 20 de setembro, durante os quais o Breslau mais uma vez escoltou o imperador. O navio foi designado para a Unidade de Reconhecimento em 26 de setembro.
Seu período com a formação foi curto, pois em 3 de novembro recebeu ordens de se juntar ao cruzador de batalha SMS Goeben a fim de formarem a Divisão do Mediterrâneo, sob o comando do contra-almirante Wilhelm Souchon. A Marinha Imperial Alemã tinha decidido que precisava de uma presença permanente no Mar Mediterrâneo depois do início das Guerras dos Balcãs. O Breslau deixou Wilhelmshaven dois dias depois. Chegou em Alexandria, no Egito, e se encontrou com o cruzador desprotegido SMS Geier e o cruzador protegido . Ele então partiu para uma série de visitas a portos na Grécia e Império Otomano, terminando em Constantinopla. Foi em 25 de março de 1913 para Brindisi, na Itália, onde embarcou o príncipe Ernesto Augusto de Hanôver, genro de Guilherme. De lá seguiu para Corfu, onde também embarcou o príncipe Henrique da Prússia, irmão do imperador. O Breslau então levou os dois príncipes para Pireu, na Grécia, para comparecerem ao funeral do rei Jorge I da Grécia.
As Grandes Potências decidiram em abril implementar um bloqueio de Montenegro com o objetivo de forçar seu governo a encerrar o cerco de Escodra e permitir que a cidade ficasse sob controle da Albânia. O Breslau se juntou a uma força naval internacional no Mar Adriático que incluía navios do Reino Unido, França, Áustria-Hungria, Itália e Rússia. Os montenegrinos recuaram e a força internacional enviou equipes de desembarque para a foz do rio Bojana, seguindo então para Escodra. Essas equipes tomaram o controle temporário junto com um governo provisório internacional. O Breslau contribuiu com cem homens. As potências concordaram em colocar Klitzing no papel de comissário civil sobre o governo interino. Os tripulantes do cruzador ficaram com dificuldades de manter a embarcação operacional com um número reduzido de homens, assim a Alemanha enviou o chamado Destacamento de Escodra para Pola, na Áustria-Hungria, embarcando no Breslau em 30 de junho. Foram levados para a foz do Bojana e trocados em 6 de julho pelos tripulantes da equipe de desembarque. O navio permaneceu no Golfo de Drin até 6 de agosto, quando partiu para Constantinopla, chegando quatro dias depois.
O Breslau permaneceu em Constantinopla até 27 de outubro. Durante este período sua tripulação e aquela do SMS Loreley ajudaram a combater um incêndio na embaixada francesa. O cruzador depois disso navegou pelo Mediterrâneo oriental até o início de janeiro de 1914, quando retornou para a foz do Bojana. Depois foi para Trieste, na Áustria-Hungria, onde ficou sob manutenção até 18 de março. Se juntou então ao Goeben a fim de escoltar o Hohenzollern por um cruzeiro pelo Mediterrâneo, navegando de Veneza para Corfu. O Breslau então partiu para retornar para sua área de patrulha no litoral do Levante. Voltou para o Adriático e ancorou em 20 de junho em Durazzo, na Albânia, em resposta a agitações civis no país e com o objetivo de proteger o príncipe Guilherme, o monarca albanês. A situação se acalmou e os alemães deixaram um destacamento de dez homens para protegerem a embaixada alemã. O cruzador em seguida foi para Corfu, se encontrando com o Goeben em 8 de julho. Souchon passou instruções às duas tripulações para o caso de uma guerra começar em decorrência do assassinato do arquiduque Francisco Fernando da Áustria. A Crise de Julho saiu do controle em 1º de agosto, com o Breslau retornando para Durazzo a fim de embarcar os dez homens que tinha deixado na embaixada. Ele e o Goeben receberam ordens de mobilização na noite do dia 2.
Primeira Guerra Mundial Perseguição
thumb|240px|esquerda|Ilustração de Willy Stöwer do Goeben e Breslau chegando em Constantinopla Com o início da Primeira Guerra Mundial no início de agosto, tanto o Breslau quanto o Goeben deveriam interceptar navios de transporte levando tropas da Argélia para a França. Eles aproximaram-se da Argélia em 3 de agosto e, pouco depois das 6h00min, o Breslau começou a bombardear o porto de Bône enquanto o Goeben atacava Philippeville. Os danos foram mínimos e as embarcações rapidamente seguiram para Messina, na Itália, a fim de reabastecerem. O Reino Unido ainda não estava em guerra contra a Alemanha, mas os cruzadores de batalha e seguiram os alemães enquanto navegavam para Messina. O Goeben foi parcialmente reabastecido no dia 5 e Souchon arranjou para se encontrar com um carvoeiro no Mar Egeu. O Breslau e o Goeben deixaram a Itália na manhã seguinte rumo a Constantinopla, porém foram perseguidos pela Frota do Mediterrâneo britânica. A 1ª Esquadra de Cruzadores, comandada pelo contra-almirante Ernest Troubridge, interceptou os alemães naquela tarde; o Breslau brevemente duelou com com o cruzador rápido antes deste recuar por temer o poder de fogo do Goeben.
Os alemães se encontraram com o carvoeiro em 8 de agosto próximos da ilha grega de Donousa, enquanto dois dias depois finalmente entraram em Dardanelos. A Alemanha transferiu os dois para a Marinha Otomana no dia 16 com a fim de burlar as exigências de neutralidade, porém a suposta venda era apenas uma fachada. Souchon aceitou em 23 de setembro uma oferta para comandar a frota otomana. O Breslau foi renomeado para Midilli e o Goeben para Yavuz Sultan Selim, porém as tripulações alemãs permaneceram usando uniformes otomanos. Os britânicos não aceitaram a venda das embarcações e deixaram uma força bloqueando o lado de fora de Dardanelos com ordens para atacá-los caso aparecessem, independentemente de qual bandeira estivessem hasteado.
Os governos alemão e otomano negociaram pelo mês seguinte os termos de um acordo que traria o Império Otomano para a guerra pelo lado das Potências Centrais. A situação foi resolvida até 22 de outubro e a frota foi mobilizada e preparada para ofensivas contra a Rússia. Entretanto, nenhuma declaração de guerra seria feita.
Serviço otomano 1914 thumb|240px|O Midilli em 1914 O Midilli e o resto da frota otomana deixaram o Bósforo na tarde de 27 de outubro para o Mar Negro, supostamente para realizar manobras. Em vez disso, a frota se dividiu em quatro grupos para atacar bases russas. O Midilli e cruzador torpedeiro Berk-i Satvet foram encarregados de colocar minas no Estreito de Kerch e em seguida atacar o porto de Novorossisk. O navio colocou sessenta minas, que depois afundaram dois navios mercantes russos, e então se juntou ao Berk-i Satvet para bombardear Novorossisk. Eles incendiaram tanques de combustível, danificaram sete embarcações e afundaram o Nikolai. Os danos causados não foram grandes, mas forçaram a Rússia a declarar guerra contra o Império Otomano, colocando este na guerra do lado da Alemanha.