O SMS Sankt Georg foi o terceiro e último cruzador blindado operado pela Marinha Austro-Húngara. Sua construção começou em março de 1901 nos estaleiros do Arsenal Naval de Pola e foi lançado ao mar em dezembro de 1903, sendo comissionado na frota austro-húngara em julho de 1905. Era armado com uma bateria principal composta por dois canhões de 240 milímetros montados em duas torres de artilharia únicas, possuía um deslocamento carregado de mais de oito mil toneladas e conseguia alcançar uma velocidade máxima de 22 nós (41 quilômetros por hora).
O Sankt Georg serviu principalmente nas esquadras de reserva e treinamento durante tempos de paz, geralmente alternando com o . Em 1907 viajou aos Estados Unidos para participar da Exposição de Jamestown. Teve muito pouco o que fazer durante a Primeira Guerra Mundial, pois a frota austro-húngara permaneceu a maior parte de seu tempo ancorada em suas bases navais. As exceções foram em maio de 1915, quando participou do Bombardeio de Ancona, e em maio de 1917, quando proporcionou suporte durante a Batalha do Estreito de Otranto.
A tripulação do Sankt Georg e de vários outros navios de guerra austro-húngaros ficaram cansadas da guerra e dos longos períodos de inatividade, o que levou ao Motim de Cátaro em fevereiro de 1918. O motim foi rapidamente subjugado pela chegada de outras unidades leais ao govenro e o Sankt Georg e outras embarcações obsoletas foram descomissionadas, a fim de tentar reduzir o número de navios sem uso. A Áustria-Hungria perdeu a guerra e, sob os termos do Tratado de Saint-Germain-en-Laye de 1919, o cruzador foi entregue para o Reino Unido e desmontado em 1920.
Desenvolvimento A Marinha Austro-Húngara começou a experimentar no final da década de 1880 com as ideias da francesa Jeune École, que sugeria que flotilhas de barcos torpedeiros baratos poderiam defender um litoral eficientemente contra uma frota de couraçados. O vice-almirante barão Maximilian Daublebsky von Sterneck, o comandante da marinha, liderou a decisão de adotar essa estratégia, que envolvia a construção de cruzadores para apoiar as flotilhas de barcos torpedeiros; estes cruzadores foram chamados de "cruzadores abalroadores". Opositores de Sterneck uniram-se em 1891 e o forçaram a adiar a construção de mais cruzadores em favor de novos navios capitais, que tornaram-se os navios de defesa de costa da Classe Monarch. Um novo cruzador só foi autorizado em 1895, tornando-se o .
Planejamento para o próximo cruzador blindado, chamado provisoriamente de "Cruzador Abalroador E", começou em 1899. O projeto inicial foi preparado em julho, representando um pequeno melhoramento em relação ao Kaiser Karl VI, com dois canhões de 149 milímetros a mais na bateria secundária. A equipe de projeto começou em abril de 1900 a considerar a possibilidade de aumentar a bateria secundária para 190 milímetros, porém a maioria dos oficiais mais graduados preferiam a cadência de tiro maior da arma de 149 milímetros. Duas novas propostas foram apresentadas, ambas mantendo os canhões de 149 milímetros. A primeira proposta mantinha o arranjo de duas torres de artilharia individuais para a bateria principal que tinha sido usado nos cruzadores blindados anteriores, mas relocava as armas secundárias para uma bateria central no convés superior, logo atrás da torre de comando, em vez das casamatas tradicionais. A segunda proposta adotava uma única torre de artilharia dupla na proa para a bateria principal, com as armas secundárias ficando mais para a popa.
A construção da italiana Classe Giuseppe Garibaldi, que era armada com canhões de 254 e 203 milímetros, fez os austro-húngaros reconsiderarem sua preferência pelo canhão de 149 milímetros. Outro projeto incorporando as armas de 190 milímetros foi apresentado; como meio-termo, ele mantinha quatro canhões de 149 milímetros, que foram colocados em casamatas no convés principal ao lado das torres de artilharia. Os dois canhões de 240 milímetros foram montados em uma torre de artilharia dupla na proa, enquanto um único canhão de 190 milímetros foi colocado em uma torre na popa. Outros quatro canhões de 190 milímetros foram montados em casamatas a meia-nau. O projeto foi aprovado e se tornou o Sankt Georg. O projeto finalizado representou uma melhoria significativa em relação ao Kaiser Karl VI, tendo um armamento mais pesado, aproximadamente mil toneladas a mais de deslocamento, dois nós (3,7 quilômetros por hora) mais rápido e mais bem protegido com o uso de blindagem Krupp em vez de aço Harvey.
Características Gerais e maquinário thumb|240px|esquerda|Desenho do Sankt Georg O Sankt Georg tinha 123,23 metros de comprimento da linha de flutuação e 124,3 metros de comprimento de fora a fora. Sua boca era de 19,01 metros e seu calado podia chegar a 6,83 metros. Seu deslocamento projetado ficava em 7 406 toneladas, enquanto o deslocamento carregado ficava em até 8,2 mil toneladas. Sua tripulação consistia em 630 oficiais e marinheiros. Ele foi equipado com dois mastros de poste para observação, já a direção da embarcação era controlada por um único leme.
O sistema de propulsão consistia em dois motores a vapor de tripla-expansão com quadro cilindros que giravam duas hélices. O vapor para os motores vinha de doze caldeiras Yarrow de tubos d'água cuja exaustão era evacuada por três chaminés na linha central do navio. Os motores tinham uma potência indicada de quinze mil cavalos-vapor (onze mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 22 nós (40,74 quilômetros por hora). O Sankt Georg conseguiu alcançar 22,01 nós (40,76 quilômetros por hora) a partir de 17 271 cavalos-vapor (11 388 quilowatts). A embarcação podia carregar 610 toneladas de carvão normalmente e até mil toneladas em guerra. Este último valor permitia uma autonomia de 4,5 mil milhas náuticas (8,3 mil quilômetros) a uma velocidade de cruzeiro de dez nós (dezenove quilômetros por hora).
Armamento e blindagem O Sankt Georg era armado com uma bateria principal de dois canhões G. calibre 40 de 240 milímetros montados em uma única torre de artilharia dupla na frente da superestrutura. Estas armas disparavam projéteis de 229 quilogramas a uma velocidade de saída de 725 metros por segundo e a uma distância máxima de dez quilômetros. Cada canhão foi fabricado pela Škoda-Werken e tinha a disposição quarenta projéteis altamente explosivos e quarenta projéteis perfurantes. Os dois canhões ficavam em uma torre girada eletricamente que podia se elevar até vinte graus e abaixar até quatro graus negativos. O armamento de alto calibre era complementado por cinco canhões G. calibre 42 de 190 milímetros e quatro canhões calibre 40 de 149 milímetros, todos montados individualmente em casamatas com exceção de um canhão de 190 milímetros, que ficava em uma torre de artilharia única na popa. O cruzador carregava 120 projéteis para cada arma de 190 milímetros e 180 projéteis para os canhões de 149 milímetros.
Uma bateria de nove canhões calibre 45 de 66 milímetros, seis canhões de disparo rápido calibre 44 de 47 milímetros e dois canhões de disparo rápido calibre 33 de 37 milímetros proporcionavam a defesa de curta distância contra barcos torpedeiros. As armas de 66 milímetros tinham uma cadência de tiro de vinte disparos por minuto, com cada canhão recebendo quatrocentos projéteis. Os canhões de 47 milímetros tinham uma cadência de tiro de 25 disparos por minuto e geralmente tinham a disposição quinhentos projéteis. O navio também levava armas menores, incluindo duas metralhadoras de 8 milímetros e dois canhões de desembarque calibre 18 de 66 milímetros. Um canhão antiaéreo Škoda K10 de 66 milímetros foi instalado em 1916. O Sankt Georg também era equipado com dois tubos de torpedo de 450 milímetros, um em cada lateral.
O cinturão principal de blindagem tinha 210 milímetros de espessura na parte central onde protegia os depósitos de munição e salas de máquinas, reduzindo-se para 165 milímetros nas extremidades. Anteparas transversais de 190 milímetros de espessura fechavam o cinturão em cada extremidade. Tinha um convés blindado entre 36 e cinquenta milímetros de espessura. Suas duas torres de artilharia tinham frentes de 210 milímetros, enquanto a torre de comando tinha laterais de duzentos milímetros.
História Tempos de paz thumb|240px|O Sankt Georg em 1905 O batimento de quilha do Sankt Georg ocorreu em 11 de março de 1901 no Arsenal Naval de Pola, sendo lançado ao mar em 8 de dezembro de 1903 e comissionado na frota austro-húngara em 21 de julho de 1905. Desde sua entrada em serviço a embarcação serviu frequentemente na esquadra de treinamento junto dos três navios de defesa de costa da Classe Monarch, porém ela alternava esses deveres na esquadra com o Kaiser Karl VI. Os navios da esquadra de treinamento eram geralmente desmobilizados ao final da temporada anual de treinamento e colocados na esquadra de reserva, que era mantida em estado de prontidão parcial.
O Sankt Georg e o cruzador protegido foram enviados para os Estados Unidos em abril de 1907 para representarem a Áustria-Hungria na Exposição de Jamestown, um evento especial em comemoração ao aniversário de trezentos anos do estabelecimento da colônia de Jamestown, o primeiro assentamento inglês permanente na América do Norte. Além das celebrações em Jamestown, o Sankt Georg também visitou Annapolis e Nova Iorque. Além dos austro-húngaros, a participação internacional também contou com navios de guerra do Reino Unido, Japão, Alemanha, França, Itália e vários outros países. O evento começou em 26 de abril e pelas duas semanas seguintes as tripulações de muitas das embarcações, incluindo do Sankt Georg, competiram em várias corridas de iatismo e remo. Das dezoito corridas, a tripulação do cruzador venceu duas, ficando na sexta posição geral.
Primeira Guerra O arquiduque Francisco Fernando, herdeiro presuntivo do trono austro-húngaro, foi assassinado em 28 de junho de 1914; isto levou à Crise de Julho e consequentemente ao início da Primeira Guerra Mundial em 28 de julho. O cruzador de batalha alemão SMS Goeben e o cruzador rápido SMS Breslau procuraram a proteção da Marinha Austro-Húngara, assim o vice-almirante Anton Haus enviou sua frota, incluindo o Sankt Georg, para o sul em 7 de agosto com o objetivo de ajudar os alemães. O contra-almirante Wilhelm Souchon, comandante do Goeben, pretendia usar a movimentação austro-húngara para distrair a Frota do Mediterrâneo britânica em perseguição, conseguindo assim levar seus navios para Constantinopla, capital do Império Otomano. As embarcações austro-húngaras retornaram para o porto sem nunca terem enfrentado a força britânica.
A Itália declarou guerra contra os Impérios Centrais em 23 de maio de 1915 e toda a frota austro-húngara partiu para bombardear o litoral italiano. O Sankt Georg atacou a cidade de Rimini com dois barcos torpedeiros. Ele danificou uma ponte ferroviária e nunca foi confrontado por inimigos. Os austro-húngaros rapidamente retornaram para sua estratégia anterior de atuar como uma frota de intimidação, o que prenderia forças navais Aliadas na região. Haus esperava que barcos torpedeiros e minas navais poderiam ser usadas para reduzir a superioridade numérica da frota italiana antes que uma batalha decisiva pudesse ser travada. O Sankt Georg passou a maior parte da guerra na Flotilha de Cruzadores em Cátaro, porém era muito lento para operar junto com os cruzadores de reconhecimento da Classe Novara, que realizavam a maior parte das operações ofensivas.
Estreito de Otranto
thumb|esquerda|240px|O Sankt Georg durante a guerra