Januário Garcia Filho (Belo Horizonte, 16 de novembro de 1943 – Rio de Janeiro, 30 de junho de 2021) foi um fotógrafo brasileiro.

Com extenso trabalho nas áreas de publicidade, música e documentação de afrodescendentes em âmbitos social, político, cultural e econômico, Januário participava de importantes espaços de memória, arte e cultura do povo negro além do âmbito profissional. Foi autor das fotos de capas de álbuns icônicos de artistas como: Gilberto Gil, Tim Maia, Belchior, Chico Buarque e Leci Brandão. Januário teve seu trabalho exposto em países como Canadá, México, Bélgica, Senegal, Togo (República Togolesa), Nigéria, Estados Unidos, Áustria, Japão e Brasil.

Formado em Comunicação Visual pela International Camaramen School, com estágio no Studio Gamma sob orientação do fotógrafo George Racz, com cursos de extensões de arte visual, história da arte e Videomaker. Atuou como presidente do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras e foi membro do Conselho Memorial Zumbi. Foi autor de mais de 100 mil fotos ao longo da carreira.

Biografia Januário nasceu em Belo Horizonte, em 1943. Era filho de Geralda da Mata Garcia e Januário Garcia. Januário foi um dos quatro filhos de uma família pobre, moradora de periferia da capital mineira. Seu pai, morreu quando ele tinha 4 anos, sendo então criado, até os 12 anos, pela mãe, quando ela faleceu, ainda muito jovem aos 36 anos, por volta de 1955. Com essa perda, Januário fica desnorteado e resolve sair pelo mundo sem destino. Ele então chega ao Rio de Janeiro, com 13 anos e foi morar nas ruas e abrigos públicos da cidade.

Levado ao Serviço de Amparo ao Menor (SAM) aos 16 anos, Januário foi voluntário da Tropa de Paraquedista do Exército aos 17, onde fez curso de Infante Paraquedista e, completou o ensino fundamental e ensino médio. Foi nessa ocasião que comprou sua primeira câmera fotográfica, uma Olympus, e fazia fotos dos colegas no quartel.

Carreira Após sair do quartel e sobreviver de outras atividades, Januário retornou à fotografia na década de 1970, definitivamente, com uma câmera Pentax Spotimac II, iniciando assim sua carreira profissional, com o incentivo  de Ana Maria Felippe, sua esposa, que o alavancou na profissionalização. Fotografou para jornais alternativos da época e, prestou serviços como free lancer para a grande imprensa começando pela Tribuna da Imprensa e, com o tempo para as demais redações: O Globo, Jornal do Brasil, O Dia, A Notícia, Revista JB e algumas publicações da Editora Bloch.

Foi convidado para participar da fundação da Photo Galeria, organização voltada para a venda de fotografia de arte, onde conheceu George Racz que mais tarde o convidou para ser seu assistente. A amizade com Racz foi muito importante, para Januário, pois foi com ele que teve um upgrade de conhecimento e técnica fotográfica que alavancou, definitivamente, sua carreira fotográfica.

Montou um estúdio e foi trabalhar com publicidade, encontrando as tradicionais barreiras que um negro precisa que superar quando não exerce um trabalho em setores que a sociedade reservou para ele. Durante todo tempo que fotografou para publicidade, o único fotógrafo negro que encontrou, nessa área, foi Walter Firmo e, tinha, ainda, uma referência do fotógrafo negro, José Medeiros. Trabalhou por muito tempo atendendo a várias agências no Rio de Janeiro.

Nessa ocasião começou a procurar gravadoras para entrar no mercado de capas de discos, outra batalha, pois era um mercado muito restrito, com um grupo de fotógrafos coesos que dominava o mercado, depois de vários meses visitando as gravadoras, finalmente conseguiu uma capa para fazer, a de um grupo de rock chamado O Peso. Os componentes da banda ficaram emocionados com as fotos para a capa, o diretor de arte da Poligram, na época Sr. Aldo Luiz, o congratulou e a partir dessa capa surgiram muitas outras, dos mais importantes músicos brasileiros com os quais teve a oportunidade de conviver e fazer as fotos de suas capas.

Inspiração Quando ainda estava começando a aprender a ler, um exemplar da revista infantil O Tico-Tico caiu em suas mãos, com seus personagens Reco-Reco, Bolão e Azeitona. Nesse número, na secção ligue-ligue da revista, ensinava a fazer um projetor de imagens com uma pequena caixa de madeira no tamanho 20X15X15. Havia um cinema no bairro que passava filmes às quartas, sábados e domingos, nos dias posteriores de manhã bem cedo ele ia esperar o lixo do cinema para pegar tiras de filmes que jogavam fora, para projetar à noite em sua casa, em uma parede pintada de branco. Dessa maneira começou a sua relação direta com a imagem, toda oportunidade que tinha, lia sobre fotografia e cinema. A imagem sempre despertou uma curiosidade que Januário não sabia explicar a razão.

Movimento Negro Sua chegada ao Movimento Negro se deu na ocasião em que era assistente do Racz, pois ele havia implantado um curso de fotografia no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM) onde o próprio ministrava aulas e, era considerado um dos melhores cursos de fotografia da cidade do Rio de Janeiro. Em um determinado momento, Januário foi convidado a substituir Racz, como professor. Havia um aluno negro no Curso, José Ricardo D´Almeida que viu sobre sua mesa, uma revista negra americana Ebony, que Januário comprava para desenvolver seu Inglês e acompanhar as lutas pelos direitos civis nos Estados Unidos, esse número da revista falava em Malcolm X.

Depois de ver a revista o aluno disse que havia um grupo de negros se reunindo aos sábados, no Centro de Estudos Afro-asiáticos na Universidade Cândido Mendes em Ipanema, combinaram de irem juntos, na reunião seguinte. Quando acabou a reunião, Januário percebeu que ali estava sendo escrita uma nova história na sociedade brasileira, era o ano de 1975. Voltou nas reuniões seguintes e começou a fotografar as reuniões do Movimento Negro. Essa documentação fotográfica passou a ser seu trabalho pessoal e ao mesmo tempo sua ferramenta de participação na luta e na história do Movimento Negro Brasileiro.

Morte Januário estava internado no Hospital São Lucas, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, e morreu na noite de 30 de junho de 2021, em decorrência da COVID-19. Januário Garcia deixa quatro filhos.

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Ligações externas Site oficial Januário Garcia Oficial (Instagram) Instituto Januário Garcia

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