Carlos Naconecy é um filósofo brasileiro especializado nos estudos em ética animal e ética da vida (ética ambiental), conhecidoSILVA, Tagore Trajano de Almeida. O ensino do direito animal: um panorama global, Revista de Direito Brasileira, v. 3, n. 6, 2013, p. 260PEREIRA, Fernando Schell (2019). O abolicionismo pragmático como instrumento de libertação animal Dissertação de Mestrado em Filosofia, Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, p. 8. pela crítica que ele faz ao conceito de senciência como um demarcador moral que tende a beneficiar apenas os vertebrados, bem como pelas propostas de superação desse impasse., NACONECY, Carlos. (2007). Ética animal... Ou uma "ética para vertebrados"?: um animalista também pratica especismo?, Revista Brasileira de Direito Animal, v. 2, n. 3, acessado em 07 de junho de 2020.

Biografia Naconecy começou seus estudos universitários no curso de Engenharia Civil na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), tendo concluído em 1985. Após anos atuando na área de engenharia, ele passou a cursar uma graduação em Filosofia na mesma UFRGS, tendo se especializado nas investigações morais envolvendo a ética animal, conforme as pesquisas realizadas no seu mestrado e o seu doutorado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), tendo passado um período na Universidade de Cambridge (Inglaterra), como Visiting Scholar,, Direito dos animais. A Lei Arouca em discussão. Entrevista especial com Róber Bachinski e Martin Sander, Revista IHU Online, publicado em 22 de setembro de 2008, acessado em 07 de junho de 2020., oportunidade em que pode se aprofundar nos estudos do critério da senciência animal com o zoólogo Donald Broom.

Ele é membro do Oxford Centre for Animal Ethics (Centro de Oxford pela Ética Animal), Person-Post: Carlos M. Naconecy, PhD – Fellow, Oxford Center for Animal Ethics, publicado em 25 de junho de 2007, acessado em 07 de junho de 2020. e do corpo editorial do Journal of Animal Ethics (Revista de Ética Animal). Foi coordenador do Departamento de Ética Animal da Sociedade Vegetariana Brasileira e, atualmente, é Conselheiro da União Vegetariana Internacional., Núcleo de Direitos Animais do IPA promove palestra sobre ética no cuidado e defesa animal, Centro Universitário Metodista IPA, acessado em 07 de junho de 2020.

Ética Animal Em sua obra Ética & Animais, ele classificaNACONECY, Carlos M. Ética & Animais: um guia de argumentação filosófica. 2. ed. Porto Alegre: Edipucrs, 2014. as correntes éticas aplicadas na defesa dos animais em: Utilitarismo (Peter Singer); Teoria dos Direitos (Tom Regan); Dorismo (Richard Ryder); Ética do Cuidado (Marti Kheel); Outras correntes (Paulo Taylor, Emmanuel Lévinas)

Esta sistematização realizada por Carlos Naconecy é reconhecida como relevante pelo juiz paulista Rafael Maltez, quando afirma que:

De acordo com o jornalista e escritor paulista Maurício Kanno, o pensamento de Naconecy contribuiu para uma sistematização da argumentação em favor dos direitos animais:

A releitura inovadora das teorias contemporâneas da ética animal por Naconecy, pelo menos na realidade brasileira, é constatada por diversos pensadores dos estudos animalistas, principalmente sua contribuição por meio da introdução no Brasil do conceito de abolicionismo pragmático, inspirada no pensamento do filósofo canadense David Sztybel SZTYBEL, David. (2007). Animal Rights Law: Fundamentalism versus Pragmatism, Journal for Critical Animal Studies, vol. 5, n. 1., para definir uma das correntes do abolicionismo animal. Nesse sentido, os juristas baianos Heron Gordilho, Paulo Pimenta e Raíssa Silva afirmam que:

Sobre as classificações feitas por Naconecy que buscam explicar as diferenças existentes no movimento de libertação animal, afirma o linguista gaúcho Lucas Kirschke da Rocha:

Por outro lado, alguns teóricos dos estudos animalistas, como o biólogo paulista Sérgio Greif, rejeitam as críticas de Carlos Naconecy à Gary Francione, inclusive afirmando que elas "não têm relação com os direitos animais, tampouco ele pode tomar para si, com esse pensamento, qualquer reivindicação de pertencer a um pretenso movimento abolicionista"., Em defesa dos direitos animais: Uma análise crítica da argumentação de um filósofo bem-estarista, Olhar Animal, publicado em 3 de novembro de 2009, acessado em 08 de junho de 2020.

Senciência animal Carlos Naconecy faz uma crítica à maneira como a ética animal costuma compreender o conceito de senciência, em que ele afirma que este conceito tem servido como um demarcador moral que tende a beneficiar apenas os vertebrados. Assim, ele propõe formas de superação desse impasse ao fazer um apelo ao princípio do interesse, oriundo da Ética da Vida., NACONECY, Carlos. (2007). Ética animal... Ou uma "ética para vertebrados"?: um animalista também pratica especismo?, Revista Brasileira de Direito Animal, v. 2, n. 3, acessado em 07 de junho de 2020.

Em razão de dessas limitações apontadas quanto ao critério da senciência, alguns autores dos estudos animalistas vêem no ensaio filosófico de Naconecy "Ética animal... ou uma ética para vertebrados? Um animalista também pratica especismo?" um fundamento teórico para a defesa das espécies animais que, a princípio, estariam fora da senciência, ou cuja capacidade de senciência não seja consensual entre os biólogos.ROCHA, Lucas Kirschke da. (2015). Ética animal e pós-humanismo: uma leitura a partir de Humana festa. In: Rita Terezinha Schmidt; Pedro Mandagará. (Org.). Sustentabilidade: o que pode a literatura?. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, p. 52.

Para algumas pesquisadoras que estudam ética animal, como as biólogas paranaenses Marta Fischer e Juliana Zacarkin, a crítica que Naconecy faz à maneira como diversos teóricos dos direitos animais encaram o conceito (ou critério) da senciência leva a conclusão de que, muitos desses teóricos aparentemente mais radicais, tais como Gary Francione, que é "contrário a qualquer utilização de animais como recur­sos para contemplar uma necessidade huma­na", por não apresentar uma posição clara com relação aos animais invertebrados, estariam sendo também especistas, ao promover uma Ética para vertebrados., FISCHER, Marta Luciane; SANTOS, Juliana Zacarkin. (2018). Bem-estar em Invertebrados: um parâmetro ético de responsabilidade científica e social da pesquisa?., Revista Latinoamericana de Bioética, v. 18, n. 1, acessado em 12 de junho de 2020.

Obras Principais livros Ética & Animais: um guia de argumentação filosófica (2.ed. 2014). (1ª edição: 2006) Animals in Brazil (2019).

Principais artigos e ensaios filosóficos Ética Animal ... ou uma Ética para Vertebrados?: um animalista também pratica especismo? in: Revista Brasileira de Direito Animal (2007). Bem-estar Animal ou Libertação Animal?: uma análise crítica da argumentação antibem-estarista de Gary Francione. in: Revista Brasileira de Direito Animal (2010). As (Des)Analogias entre Racismo e Especismo. in: Revista Brasileira de Direito Animal (2010). South American Perspectives on Animals. in: Andrew Linzey (Org.). The Global Guide to Animal Protection (2013). Os Marcadores Morais do Debate Sobre a Experimentação Animal. in: Revista Brasileira de Direito Animal (2014). A Discriminação Moral contra Animais: o Conceito de Especismo. in: Revista Diversitas - USP (2016).

Ligações externas — entrevista concedida por Carlos Naconecy à ANDA.

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