Gaspar Eduardo da Costa Guimarães (Portugal, c. 1850) foi um jornalista, político e literato luso-brasileiro.

Nasceu em Portugal, onde se envolveu na política. Participando do movimento republicano, foi obrigado a exilar-se. Fixou-se em Porto Alegre, onde trabalhou como livreiro, jornalista e contabilista. Foi redator do jornal A Federação, órgão do Partido Republicano Rio-Grandense e um dos principais periódicos do estado.Laytano, Dante de. Mar absoluto de memórias. Martins Livreiro, 1986, p. 207 Em 1885 estava entre os fundadores do Clube Bento Gonçalves, de orientação republicana, do qual foi tesoureiro.Flores, Moacyr. O negro na dramaturgia brasileira: 1838-1888. EDIPUCRS, 1995, p. 96 Moreira, Paulo Roberto Staudt. "Inquéritos disciplinares e fés-de-ofício: fontes documentais para a análise do comportamento estudantil da mocidade militar no final do império (Escola Militar/RS)". In: Métis: história & cultura, 2004; 3 (5):143-172 Em 1892 participou da fundação do Centro Republicano, assumindo a 1ª secretaria."Centro Republicano". A Federação, 07/03/1892 Segundo notícia n'A Federação, o Centro contou com a adesão da elite republicana da capital e sua inauguração teve a presença do presidente da província Júlio de Castilhos."Uma sessão magna". A Federação, 21/03/1892 No mesmo ano foi contratado pelo governo para fornecer alimentação e transporte para os colonos estrangeiros que afluíam à província."Contracto". A Federação, 20/07/1892 Em 1893 assumiu a redação da Folha Nova."Deixou a redacção". A Federação, 23/02/1893 Em 1908 trabalhava para o governo como contabilista do Serviço de Desinfecção da Diretoria de Higiene, e no ano seguinte acumulava o cargo de fiscal da Diretoria."O dr. presidente do estado". A Federação, 26/09/1908"Governo do Estado". A Federação, 22/06/1909 Pouco depois foi transferido para a fiscalização dos fumos de exportação, onde atuou até 1921."Editaes". A Federação, 30/06/1921

Militante da causa operária, foi colaborador do jornal O Trabalho.Marçal, João Batista. A imprensa operária do Rio Grande do Sul (1873-1974). Do Autor, 2004, p. 87 Foi capitão da Guarda Nacional,"Foram nomeados para a Guarda Nacional". Diário Oficial da União, 28/05/1893 membro da loja maçônica Regeneração e 1º secretário de sua associação beneficente,"Extracto dos estatutos da associação beneficente Regeneração". A Federação, 20/02/1907 membro da Irmandade do RosárioNascimento, Maria Regina do. [do Rio Grande do Sul Irmandades leigas em Porto Alegre: práticas funerárias e experiência urbana. Séculos XVIII-XIX]. Doutorado. UFRGS, 2006, p. 167 e 1º secretário da Beneficência Portuguesa."Beneficencia Portugueza". A Federação, 26/01/1885

Segundo Aquiles Porto Alegre, sua livraria foi "uma das mais importantes e seletas do seu tempo".Porto Alegre, Aquiles. História popular de Porto Alegre. Unidade Editorial, p. 19 Mansueto Bernardi disse que era "muito afeiçoado às letras, [...], foi membro do Partenon Literário e em 1872 pertenceu mesmo à sua diretoria, no caráter de bibliotecário-adjunto".Bernardi, Mansueto. Eduardo Guimaraens e Alcêu Wamosy. Escola Superior de Teologia São Lourenço de Brindes, 1980, p. 25 Atuou também como tesoureiro."No Parthenon Litterario". A Federação, 19/02/1885 Embora não tenha publicado nada na revista do grêmio, foi um sócio muito ativo, costumava declamar poesias de sua autoria nos saraus do grupo,Ferreira, Athos Damasceno. Palco, salão e picadeiro em Pôrto Alegre no seculo XIX: contribuição para o estudo do processo cultural do Rio Grande do Sul. Globo, 1956, p. 128 e devido à importância desta sociedade, reunindo os principais literatos, jornalistas, educadores e intelectuais da época, no entendimento da pesquisadora Cássia Macedo da Silveira sua participação "é um indicativo de seu lugar entre a intelectualidade da província".Silveira, Cássia Daiane Macedo da. Tudo é novo sob o sol: modernidade e trocas literárias entre Rio de Janeiro e Porto Alegre nas primeiras décadas daRepública. Doutorado, 2013, p. 284-285

Se na revista do Partenon não deixou traços, publicou em outros periódicos da época, colaborando na revista O TelefoneJung, Roberto Rossi. A gaúcha Maria Josefa: primeira jornalista brasileira. Martins Livreiro, 2004, p. 114 e na revista A Lente, na qual foi epigramista e humorista, "em cujo estilo é bastante patente a verve portuguesa", de acordo com a apreciação de Athos Damasceno.Ferreira, Athos Damasceno. Imprensa caricata do Rio Grande do Sul no século XIX. Globo, 1962, p. 89 Foi um apoiador da carreira literária de seu filho, o importante poeta Eduardo Guimarães, e financiou a publicação do seu livro Caminho da vida em 1908.Guilhen, Ellen. A organicidade musical de Divina Quimera (1916), de Eduardo Guimaraens. Doutorado. Universidade Estadual de Campinas, 2017, p. 16

Ver também História da imprensa no Rio Grande do Sul Literatura do Rio Grande do Sul

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