Zhang Zhixin (; 5 de dezembro de 1930 – 4 de abril de 1975) foi uma dissidente que ganhou protagonismo durante a Grande Revolução Cultural Proletária, tendo ficado conhecida por ser crítica em relação à idolatria a Mao Zedong e à ultra-esquerda.R. Randle Edwards, Human Rights in Contemporary China, 193 pp. 1986, 1988: Columbia Univ. Press. () Zhang ficou presa por seis anos (entre 1969 e 1975), sendo torturada e posteriormente executada por sua defesa de posições opostas às definidas pelo Partido Comunista da China, do qual era membro. Um outro membro do partido que havia expressado acordo com Zhang foi condenado a 18 anos de prisão.

Embora muitos entre o povo a considerem uma heroína por sua defesa do partido, sua experiência também é um lembrete da potencial punição por desvios em relação aos princípios estabelecidos pela liderança.

Zhang não se considerava anticomunista, mas sim uma "verdadeira marxista" que acreditava que Mao havia distorcido a causa comunista. Mesmo após a prisão, insistia em seguir no Partido Comunista da China. Muitos de seus pontos de vista eram semelhantes aos dos líderes comunistas que sucederam Mao. Em função disso, foi reabilitada por Hu Yaobang e reconhecida como uma mártir revolucionária e comunista modelo.

Vida Zhang Zhixin nasceu em Tianjin em 1930. Estudou na Universidade do Povo da China entre 1951 e 1952 e posteriormente começou a trabalhar na universidade. Posteriormente, Zhang tornou-se parte do Departamento de Propaganda do Partido Comunista na província de Liaoning.Zheng, Yi. Scarlet Memorial: Tales Of Cannibalism In Modern China. 1997: Westview Press. ()

Zhang expressou sua posição da seguinte forma:

Prisão e tortura Em 1969, Zhang foi presa em uma pequena cela por seus comentários críticos em relação a Mao. Ela guardava 2 yuan por mês para comprar livros para ler na instalação, onde escreveu as anotações de seu estudo em pedaços de papel higiênico, mas os guardas da prisão eventualmente lhe tiraram a caneta impedindo-a de escrever. Zhang afirmou que o partido seria "(...) punido pela história; se não cedo, então mais tarde". Passou aproximadamente um ano e meio sendo constantemente algemada e amarrada com um cinto.

Na prisão, foi forçada a assinar os documentos que a desligava do Partido Comunista. Confinada em uma prisão só para homens, Zhang foi estuprada e torturada. Outros presos foram informados de que poderiam reduzir suas sentenças se estivessem dispostos a torturá-la.

Em uma reunião de reeducação política realizada na prisão para criticar Lin Biao, Zhang defendeu que Mao também deveria ser responsabilizado pelo que Lin fazia. Uma secretária do partido da província de Liaoning solicitou que ela fosse executada o mais rápido possível. Durante a Revolução Cultural, a maioria dos procedimentos legais foram abolidos: sem juízes ou julgamentos, os casos eram decididos em vários níveis dos Comitês Revolucionários e dos Comitês do Partido Comunista.

Morte e reabilitação póstuma Zhang foi exposta e executada em 4 de abril de 1975, próximo ao fim da Revolução Cultural.http://www.chinafile.com/reporting-opinion/caixin-media/zhang-zhixin-woman-who-took-gang-four É relatado que sua laringe foi cortada antes da execução, a fim de impedi-la de falar.https://news.china.com/history/all/11025807/20150331/19451512_all.htmlhttp://news.ifeng.com/history/zhongguoxiandaishi/detail_2012_09/06/17390744_0.shtml

Quatro anos após sua execução, na primavera de 1979, Zhang foi oficialmente proclamada "mártir", e o dia 4 de abril de 1979 foi designado como o dia de seu memorial.Ladany, László. The Communist Party of China and Marxism, 1921-1985: A Self Portrait. 1988: Stanford University, Hoover Institution Press. () Embora uma investigação sobre seu caso tenha sido iniciada, o então líder do partido, Hu Yaobang, a interrompeu.

Memorial No Parque do Povo, no centro de Guangzhou, uma estátua chamada Mengshi ("A Brava") foi erguida em homenagem a Zhang Zhixin. A estátua mostra uma guerreira nua disparando uma flecha a cavalo, e a inscrição em seu pedestal diz "dedicada às pessoas que lutam pela verdade".

Ver também

Censura na República Popular da China Jonathan Chaves, "A Devout Prayer of the Passion of Chang Chih-hsin", Modern Chinese Literature Newsletter, Vol. 6, No. 1 (Primavera de 1980), pp. 8–24.

Notas

Categoria:Dissidentes da China Categoria:Partido Comunista da China Categoria:Revolução Cultural Chinesa Categoria:Comunistas da China Categoria:Pessoas executadas pela China