Carlos I de Bourbon (22 de setembro de 1523 - 9 de maio de 1590), proclamado rei de França como Carlos X pela Liga católica, cardeal de Vendôme, foi um príncipe de sangue francês da Casa de Bourbon. Ao longo da sua carreira eclesiástica, torna-se abade de mais de vinte abadias. A acumulação destes benefícios faz dele um dos mais ricos príncipes da EuropaThe Cardinals of the Holy Roman Church: Consistory of January 9, 1548 (XI).

Dotado de carácter e de inteligência, foi um personagem importante das Guerras religiosas na França. Em 1585, a Liga católica impõe-no ao rei Henrique III de França como herdeiro da coroa de França no lugar do seu sobrinho protestante, o futuro Henrique IV de França. Aquando dos Estados Gerais de 1588-1589, em Blois, ele é detido por ordem do rei. Com a morte deste último, estando ele ainda detido, é reconhecido pelos membros da Liga como o único e legítimo rei de França, sendo proclamado pelo Parlamento de Paris sob o nome de « Carlos X » em 1589.

Morre no ano seguinte com a idade de sessenta anos.

Família Nascido a 22 de setembro de 1523 em La Ferté-sous-Jouarre, era filho de Carlos de Bourbon, Duque de Vendôme e da sua esposa, Francisca de Alençon, Duquesa de Beaumont. O seu irmão mais velho era António de Bourbon, pai de Henrique IV de França. E um dos seus irmãos mais novos foi Luís I, Príncipe de Condé.

Era também sobrinho-neto do Cardeal Carlos II, Duque de Bourbon (1476), sobrinho do Cardeal Luís de Bourbon-Vendôme (1517) e tio do Cardeal Charles II de Bourbon-Vendôme (1583), Outro cardeal da família foi Luís II, Duque de Vendôme (1667).

Teve um filho ilegítimo, Nicolau Poulain.

Biografia Início de carreira Ele inicia a sua carreira como clérigo na Catedral de Meaux. Foi eleito Bispo de Nevers em 5 de julho de 1540, mas resigna ao lugar a 5 de maio de 1546. Transferido para o bispado de Saintes em 23 de janeiro de 1544, resigna também a este último posto a 19 de março de 1550.

Cardinalato É ordenado Cardeal no consistório de 9 de janeiro de 1549 pelo Papa Paulo III, recebe o título de São Sisto em 25 de janeiro de 1549. Participa no conclave de 1549/1550 que elege o Papa Júlio III.

Pela morte de Martín de Saint-André, é designado administrador do bispado de Carcassonne de 9 de março de 1550 a 15 de dezembro de 1553. Retoma essa posição a 4 de outubro de 1565 onde permanece até 1567. A 3 de outubro de 1550, é promovido a Arcebispo de Ruão cargo onde permanece até falecer. Na mesma época é nomeado Abade comendador da Abadia de Saint-Ouen de Ruão.

Em 1551, é nomeado tenante-general do governo de Paris e da Île-de-France.

Participa nos conclaves de 1555, o primeiro que elege Marcelo II, e o segundo que elege Paulo IV.

É nomeado Abade comendador da Abadia de Notre-Dame du Tronchet de 1556 à 1558, da Abadia de Corbie, a partir de 1557 e da Abadia de Saint-Wandrille de Fontenelle de 1569 à 1578, bem como da Abadia de BourgueilRevue de l'Anjou et de Maine et Loire, ..

Não participa no conclave de 1559 que elegeu Pio IV. A 15 de janeiro de 1561, torna-se cardeal de São Crisógono. Em contrapartida, está presente nos Estados Gerais de 1560, em Orleães.

Assiste ao famoso Colóquio de Poissy de 1561, organisado por Michel de L'Hospital. A partir de 1562, torna-se abade comendador de Saint-Germain-des-Prés.

Em 1556, acompanha o rei Carlos IX de França na sua viagem a Baiona. Nesse ano, torna-se legado papal em Avinhão. Volta a não participar no conclave de 1565/1566 que elege Pio V.

A 26 de agosto de 1569, administra a Diocese de Beauvais. A esse título, torna-se Conde e Par de França. Ele resigna a 24 de agosto de 1575 e não participa no conclave de 1572 que elege Gregório XIII.

Em 1573, os laicos pretendiam abolir os privilégios universitários, mas a intervenção do Cardeal de Bourbon, viria a salvaguardar esses direitos. Em 1574, torna-se Abade comendador de Jumièges e, já em 1580, preside à Assembleia geral do Clero de França, em Melun. Não participa no conclave de 1585 que elege Sixto V.

Preside ao Concílio de Ruão de 1581.

As guerras de religião

Durante as guerras de religião, ficou dividido entre a sua fidelidade ao Pape e a defesa da sua família que, em parte, se convertera ao protestantismo. Apoia a luta contra a nova religião e empreendeu, por vezes com sucesso, manter no catolicismo os príncipes da sua família.

No seio da coroa, ele ocupa uma posição frágil dada a adesão dos seus irmãos à Reforma protestante. Apesar de apoiar ativamente a luta contra os protestantes, na corte ele defende sempre os interesses familiares contra as outras casas rivais (Guise e Montmorency). Assim que o seu irmão mais novo, Luís, Príncipe de Condé, é detido por ordem pessoal de Francisco II de França, atira-se em lágrimas aos pés do rei para implorar a sua clemência (1560). Muito ligado à religião tradicional, tem, por muito tempo, a esperança de trazer de volta os membros da sua família ao catolicismo. Embora parcialmente, o seu objetivo é atingido com o seu irmão mais velho, o rei de Navarra, e depois, após o Massacre da noite de São Bartolomeu, com os filhos mais novos do príncipe de Condé.

Assíduo na vida de Corte, e dado o seu estatuto de Príncipe de sangue, ele é sempre colocado em primeiro plano nas grandes cerimónias. A sua presença no seio do Conselho Real est un gage de légitimité pour un gouvernement en manque de reconnaissance. Como os outros Bourbon católicos (La Roche-sur-Yon e Montpensier), ele é um familiar da rainha Catarina de Médici. Homem fraco e reputado como de espírito simples, a rainha-mãe gosta de o utilizar, levando-o frequentemente nas suas viagens, nomeadamente para servir de contacto privilegiado com os príncipes revoltados da sua família.

A 18 de agosto de 1572, é ele que celebra o casamento do seu sobrinho, Henrique, rei de Navarra, com a princesa Margarida de Valois na Catedral de Notre-Dame de Paris.

É o primeiro comendador da Ordem do Espírito Santo, com a primeira promoção de 31 de dezembro de 1578.

A 13 de março de 1580, ele sacra "catholic-hierarchy" como Arcebispo-Duque de Reims Luís II de Lorena, chamado Cardeal de Guise. No mesmo ano oferece aos Jesuítas o Hôtel de La Rochepot, que viria a albergar a sua casa professa a que chamaram "Convento dos Grandes Jesuítas".

O rei Carlos X da Liga

Em 1584, com a morte de Francisco, Duque de Anjou, os membros da Liga consideram o Cardeal como o herdeiro ao trono de França, excluindo da sucessão todos os protestantes.

Em 1588, durante a segunda assembleia dos Estados Gerais de 1588-1589, realizada em Blois, o rei Henrique III de França manda-o prender. Ele é detido primeiro em Tours depois a Fontenay-le-Comte. Após o assassinato de Henrique III em 1589, o duque de Mayenne proclama-o rei de França sob o nome de Carlos X. A 5 de março de 1590, o Parlamento de Paris reconhece-o como legítimo rei de França. Durante esse período em que ele está sempre prisioneiro no castelo de Fontenay, ele envia uma carta ao seu sobrinho, Henrique IV, que o reconhece como rei legítimo.

Morre a 9 de maio de 1590. As suas cinzas reposam no jazigo familiar da igreja de Nossa Senhora da Boa Esperança em Aubevoye, que ele fundara em 1553. O edifício, veio a ser destruído pelo fogo em 1764, e a laje de mármore, que cobria o seu túmulo, foi transferida para a Igreja de São Jorge de Aubevoye, onde se encontra atualmente.

À partir do inicio de 1590, os seus partidários fazer cunhar moeda em seu nome, nomeadamente Écus de ouro, quartos e oitavos de Écus de prata. A divisa latina dessas moedas proclama "Carlos X pela graça de Deus, Rei de França 1595 Salaün, Gildas - Charles X de la Ligue, le Roi oublié, in Monnaie magazine, Março de 2018, issn=1626-6145.

Heráldica e divisa O cardeal usava um brasão de Azure, com três flores de lis de Or, com uma vara em banda de Gules"Bunel archevêques de Rouen" "Armorial Saint Esprit 5"

Como divisa era usado : (« Eu garanto a tua audácia »), fórmula pronunciada (no femenino) pela deusa Juno, na Eneida, de Virgilio (Livro XII, Vol. 159). Pode-se também traduzir mais literalmente por : « Sou o autor daquele que é ousado ».

Ascendência

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Referências

Bibliografia Saulnier, Eugène - Le rôle politique du cardinal de Bourbon Charles X, 1523-1590, Éditions Honoré Champion, Paris, 1912, https://www.persee.fr/doc/bec_0373-6237_1915_num_76_1_460816_t1_0171_0000_002, https://archive.org/stream/lerlepolitique00sauluoft . Baumgartner, Frederic J. - The Case for Charles X - The Sixteenth Century Journal - Vol. 4, N.º 2, Outubro de 1973. Popoff, Michel - Armorial de l'Ordre du Saint-Esprit - d'après l'œuvre du père Anselme et ses continuateurs, Éditeur Le Léopard d'or, Paris, 1996, isbn=2-86377-140-X. Brunel, Arnaud - Armorial illustré des archevêques de Rouen, 2010, Vol. 1.1.

Ver também Príncipe de sangue

Ligações externas The Hierarchy of the Catholic Church, Charles Cardinal Bourbon de Vendôme; The Cardinals of the Holy Roman Church, Bourbon-Vendôme, Charles I de Bourbon 1523-1590.

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