Transmedicalismo (frequentemente abreviado para transmed) ou transfundamentalismo é amplamente definido como a crença de que ser transgênero depende de vivenciar disforia de gênero ou de ser submetido a tratamento médico para transição de gênero. Os transmedicalistas, ou transfundamentalistas, às vezes chamados de "truscum", acreditam que indivíduos que se identificam como transgêneros, mas que não experienciam disforia de gênero ou não passam por uma transição médica — por métodos como cirurgia de redesignação sexual ou terapia de reposição hormonal — não são genuinamente transgêneros, que por alguns são chamados, em forma pejorativa, de transtrenders (trans modinha, em tradução livre).

Há transmedicalistas que se opõem ao uso de transgeneridade e usam apenas transexualidade como um termo válido para se referir a pessoas trans como transexuais, esses são classificados como separatistas. Muitos negam a existência da não-binariedade, tratando-a como não-conformidade de gênero, ao invés de identidade de gênero. Alguns críticos veem o transmedicalismo como semelhante ao modelo médico da deficiência, pois medicaliza um atributo que contém componentes médicos e sociais.

Influenciadores digitais, como Blaire White, ajudaram a difundir o transmedicalismo, muitas vezes fazendo vídeos de reação.

No Brasil, um exemplo bem conhecido de transmedicalismo é a Resolução 2427/2025, do Conselho Federal de Medicina. Publicada em abril de 2025, a Resolução impede que pessoas trans menores de idade tenham acesso a acompanhamento médico especializado, e que pessoas trans com menos de 21 anos realizem cirurgias de afirmação de gênero. Estabelece, ainda, que pessoas trans passem por no mínimo 1 (um) ano de acompanhamento psiquiátrico para que possam iniciar terapia hormonal, caso queiram. O transmedicalismo tem a ver, também, com formas de controle e regulação da saúde, que levam em consideração uma visão cisnormativa. Após a publicação da Resolução, o Ministério Público Federal pediu sua suspensão, e a Associação Nacional de Travestis e Transexuais, juntamente com o Instituto Brasileiro de Transmasculinidades, reforçou esse posicionamento. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entre setembro e outubro de 2025, restabeleceu a vigência da Resolução. Ver também Cisnormatividade Essencialismo de gênero Determinismo psíquico Políticas de respeitabilidade

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