A Sociedade Musical Odivelense é uma das bandas filarmónicas mais antigas da região de Lisboa. Ela é uma organização sem fins lucrativos cujo objectivo principal é a promoção da actividade cultural e musical, sendo um dos seus elementos nucleares, a banda.
História
Fundação e Primeiros Anos A Sociedade Philarmónica Odivellense tem a sua certidão de nascimento datada de 28 de Junho de 1863, em Odivelas, na altura Concelho de Belém de acordo com a ata da 1ª reunião de Assembleia de Sócios que aprova “ … por unanimidade .”, os Estatutos que lhe vão dar corpo e personalidade jurídica. A História desta Sociedade estará sempre ligada a uma figura que é incontornável pelo seu messianismo, António Maria Bravo . Apesar do grupo fundador agregar muitos outros que foram também determinantes para a concretização deste sonho.
A sua criação, seria futuramente, pioneira no Concelho de Loures.
O ideário liberal sustentava que a educação popular passava necessariamente pelo contacto com os vários géneros culturais.
A criação da Sociedade Philarmónica Odivellense integra-se nesta dinâmica, verificando-se que no ano da sua criação, em 1863 e no mesmo mês, surgem no futuro Concelho de Loures mais duas Filarmónicas, a da Sociedade Filarmónica de Bucelas e a dos Bombeiros Voluntários do Zambujal.
Pelos muitos testemunhos deixados pelos homens que estiveram na génese desta Sociedade e dos seus seguidores, é possível hoje vislumbrar a emergência da vontade de criar cultura e a perseverança em continuar, alimentando e impulsionando esse legado cultural.
Embora a Banda Musical tenha sido sempre o foco da atividade da organização, esta foi precursora na promoção de outras propostas culturais. Em 1894, começam a ser promovidos espetáculos de Teatro na então Sociedade Philarmónica Odivellense. miniaturadaimagem|267x267px|Banda da Sociedade Musical Odivelense em 1905 Em 1898, é criada a partir da SMO, a Sociedade União 29 de Junho, com sede na atual Rua António Maria Bravo nº14 em Odivelas e em 1903, é criada a Banda dos Bombeiros Voluntários de Odivelas, a partir da Sociedade Musical Odivelense.
Posteriormente, em 1905, passou a ter a designação de Sociedade Musical Odivelense - Banda dos Bombeiros Voluntários.
Quando o actual Instituto de Odivelas passou a utilizar o antigo Convento de Odivelas, a Banda abrilhantava as festas daquela instituição de ensino, às quais assistiram as Rainhas D. Maria Pia, D. Amélia e o Infante D. Afonso de Bragança. Em 1909, a Banda foi convidada a tocar para o Rei D. Manuel II.
A partir da República Depois do advento da República, a Banda continuou a actuar nas festas do Instituto de Odivelas.
Até 1913, os concertos da Banda eram acontecimentos de rua, que tinham lugar em locais privilegiados como o Largo D.Dinis. Nesse mesmo ano, a Sociedade Musical Odivelense, juntamente com populares, constrói o Coreto de Odivelas, no meio do largo do Convento D.Dinis.
Cinema de Odivelas Nos anos 20, a Sociedade Musical Odivelense foi pioneira na região na projeção de películas cinematográficas e iniciou o processo que iria dar origem ao primeiro cinema em Odivelas. As primeiras projecções cinematográficas decorreram numa sala cedida pelo Clube os Passarinhos, com sessões muito pontuais e de iniciativa privada.
Deste período inicial nada ficou registado sobre os filmes que foram exibidos. Porém, destas primeiras experiências cinematográficas resultaram dois fatores: o fascínio pelo Cinema e a consciência de que esta atividade era altamente rentável. Assim, o espaço que o Cinema ocupa dentro das atividades da SMO vai sendo cada vez maior, transformando-o na década de 30 na principal atividade, lugar que vai ocupar até aos anos 70.
Desde o início da sua criação, a SMO não possuía uma sede fixa, usando vários locais temporários como sede. É em 1931, 68 anos depois da sua fundação é que passa a dispor de um espaço próprio na Travessa da Mina, hoje Rua Maria Gomes da Silva Santos, parte integrante do núcleo antigo de Odivelas.
Em 1936 e de acordo com o oficio do Ministério das Obras Públicas e Comunicações, é autorizada a exploração do Salão de Festas como Cinema, ganhando assim consistência o projecto que virá a dar lugar ao Cine – Teatro.
As exibições efetuadas na sede, eram complementadas com as sessões de cinema ao ar livre, durante os meses de verão. Estas sessões inicialmente eram realizadas em espaços cedidos temporariamente para a realização da animação de Verão. Um dos primeiros locais onde foi projetado Cinema ao ar livre, foi no quintal do Sr. Antunes Branco, que no ano de 1938 o disponibiliza à S.M.O.
Primeira Biblioteca de Odivelas A ideia da criação da antiga, e primeira, biblioteca de Odivelas surge nos registos de Actas da Direcção como uma decisão madura e já em fase de concretização.
A sua inauguração foi realizada no 75º aniversário da SMO, a 29 de Junho de 1939, ficando a funcionar numa parte do primeiro andar da Sede da Sociedade. Os livros que passaram a fazer parte do acervo bibliotecário tiveram origem em doações de particulares. Esta biblioteca vai proporcionar à população odivelense o acesso a outras dimensões da cultura. A adesão popular a esta iniciativa da S.M.O. encontra-se, desde logo, patente no apoio transmitido pela população de Odivelas e das populações vizinhas e principalmente pelas “ …pessoas possuidoras dalguma cultura [que] manifestaram a sua satisfação pela criação da Biblioteca que muito deverá contribuir para a purificação do meio odivelense.”.
Embora não tenha sido possível conhecer o número de livros disponíveis, nem a frequência das solicitações, os registos indicam que a afluência era significativa, tendo sido necessário colocar alguém responsável para tratar dos assuntos da Biblioteca, sendo indicada como Bibliotecária a Sr.ª D. Maria Gomes da Silva Santos que tinha ao seu dispor dois colaboradores.
A criação deste espaço de leitura e difusão do conhecimento proporcionou pela primeira vez aos habitantes de Odivelas o contacto com o livro, que passou a ser uma possibilidade ditada pelo gosto e pelo prazer de ler um livro. Este projeto manteve uma estreita ligação com a comunidade escolar odivelense, promovendo ações que envolviam os professores e os alunos, atribuindo prémios para os melhores de cada classe.
A Biblioteca António Maria Bravo assegurou esta função social e cultural por um longo período.
Na sua Sede, em 1947, são efetuadas obras de remodelação do edifício, dotando-o de um 2º piso.
Ano de 1952 e encerramento da Sociedade miniaturadaimagem|241x241px|Sede da Sociedade Musical Odivelense, R. Maria Gomes da Silva Santos 7 O ano de 1952 demonstra-se negro e crucial na história da Sociedade Musical Odivelense. A Sociedade foi encerrada por determinação da Inspecção Geral de Espectáculos, com a alegação de que a mesma não reunia condições legais, vindo a reabrir em finais do ano de 1959. No mesmo ano de 1952,o coreto de Odivelas também altera o seu local, saindo do meio do largo D.Dinis, dando esse lugar para a construção da estátua da Rainha Santa Isabel, para o lado lateral do largo.
Apesar da sociedade ter supostamente "encerrado", existem diversos eventos da promoção da cultura e das atividades de recreio e lazer, criando um sentimento de resistência ao encerramento da sociedade e preparações para uma reabertura o mais rapidamente possível. Em 1956 o Cinema ao ar livre deixa de ter uma envolvência precária, com a negociação de um terreno, no sito na Rua do Souto, em Odivelas. É neste local que se virá a edificar a Cine Esplanada, cuja inauguração se efetua a 29 de Junho de 1956, dotando o Cinema ao ar livre de um espaço e vida própria.
O seu nome nome passa do antigo nome Sociedade Musical Odivelense - Banda dos Bombeiros Voluntários para o nome atual Sociedade Musical Odivelense.
A Banda, que se havia dispersado em consequência da obrigatória paralisação a que tinha sido sujeita, tentou reagrupar-se em 1960, o que se tornou difícil devido ao facto de os antigos executantes terem envelhecido e os poucos que restavam serem insuficientes. Em 1963, por forma a ser possível a sua participação nas comemorações do centenário da SMO, a Banda teve de recorrer a um número considerável de elementos externos contratados para o efeito. Em resultado dos elevados encargos derivados da contratação de músicos externos, a Direcção deliberou suspender a actividade da Banda, o que se traduziu na sua extinção precisamente 100 anos após a sua criação.
Anos 80 e 90 Em 1979, foi criada uma escola de música para crianças a partir dos 5 anos, com o objectivo de ensinar música à população a título gratuito.
Esta iniciativa permitiu que surgisse uma nova Banda em 28 de Junho de 1981, 18 anos depois da antiga Banda ter acabado, constituída por 28 jovens, dos 7 aos 15 anos. Em 1989, a Banda deslocou-se a França, onde deu vários concertos em Vic-le-Comt, Romagnat e na Ópera Municipal de Clermont-Ferrand, este último com uma audiência de 1200 pessoas. No ano de 1992, participou na Embaixada da Juventude à Expo’92 em Sevilha, a convite do Comissariado de Portugal para a Exposição Universal.
No ano de 1992 deixa também de funcionar no edifício da sede da S.M.O. a biblioteca, passando a dispor de um espaço próprio, cedido pela Câmara Municipal de Loures, onde vai continuar a assumir-se como o único espaço público organizador e difusor do saber e da cultura, através dos livros. Só em Novembro de 1997, com a inauguração da Biblioteca Municipal D. Dinis, esta função é assumida por um organismo público, a Câmara Municipal de Loures, levando ao encerramento da Biblioteca da S.M.O.
Entre os anos de 1993 e 1997, salienta-se a participação da Banda nos seguintes eventos: Festivais Ibéricos de Bandas Amadoras, organizados pela Câmara Municipal de Loures - Festas de Verão da cidade de Monção, Minho - Intercâmbio com a Banda Filarmónica Eborense de Évora - Encontro de Bandas nas cidades de Estremoz, Sabóia e Alcácer do Sal - Desfile na Expo’98 - VIII Encontro de Bandas em Aveiras - Comemorações do Mês da Musica na cidade de Loulé, Algarve São ainda de referir as suas exibições no Teatro da Trindade em Lisboa, e no Centro Cultural da Malaposta em Olival Basto, nos quais actuou em conjunto com o Coro Lopes Graça da Academia de Amadores de Música.
Anos 2000 e Atualidade Em 2002, em conjunto com a Banda da Casa do Povo de Lavre e com os Coros de Mafra e da Academia Almadense, participou no concerto de Natal na Basílica do Convento de Mafra. No ano de 2003 destacam-se os concertos para a Federação Portuguesa das Colectividades de Cultura e Recreio no Parque das Nações em Lisboa. Em 2004 a Banda de Música da Sociedade Musical Odivelense realizou um concerto comemorativo dos 30 anos do 25 de Abril no Parlamento Europeu em Bruxelas.
Em 2008, a Banda contava com cerca de 40 músicos.
Em 2009, são feitas obras de requalificação do espaço melhorando o espaço da sua Sede.
Atualmente, a Sociedade Musical Odivelense é uma das sociedades com mais história da região e uma das mais antigas, criando prestígio e fama ao longo da região em contexto de bandas filarmónicas, e a sua ação na freguesia de Odivelas assenta na sua Escola de Música, na Banda de Música e no Grupo Coral ”Maria Gomes”, Teatro e Dança. Estas atividades desenvolvem-se de forma articulada, proporcionando aos alunos da Escola de Música, aos elementos do Grupo Coral e aos praticantes de outras actividades a apresentação de trabalhos aonde as várias actividades interagem proporcionando espetáculos de prestígio.
Ligações Externas
Canal de Youtube da SMO Site da SMO Página do Facebook da Sociedade Musical Odivelense
Referências
Categoria:Bandas filarmónicas Categoria:Odivelas Categoria:Fundações em Portugal em 1863 Categoria:Organizações fundadas em 1863