Chromatica é o sexto álbum de estúdio da artista musical estadunidense Lady Gaga. O seu lançamento ocorreu em 29 de maio de 2020, através das gravadoras Streamline e Interscope Records. A intérprete supervisionou a produção musical com o seu colaborador de longa data BloodPop e uma variedade de outros produtores, como Max Martin, Rami Yacoub, Axwell, Sebastian Ingrosso e Skrillex. Inclui também colaborações vocais de Blackpink, Ariana Grande e Elton John. A maior parte das gravações do projeto ocorreram no Henson Recording Studios e no estúdio da cantora em Hollywood Hills.

Realizado como um álbum conceitual, seu lirismo discorre sobre felicidade inabalável e a busca pela cura. Suas músicas abrangem temas inspirados por romances fracassados ​​e lutas por saúde mental na vida privada de Gaga. Sua produção é formada por sintetizadores densos, percussão, grooves e arranjos orquestrais que mesclam melodias abrangentes. Musicalmente derivado do electropop e dance-pop, a obra contém elementos de vários outros gêneros, como eurodance, house e disco, o que traz Gaga de volta às suas raízes eletrônicas, marcando um afastamento do som de seus antecessores Joanne (2016) e A Star Is Born (2018). A estética visual da obra apresentou a musicista adotando uma personalidade inspirada no cyberpunk.

O projeto foi bem recebido pelos críticos musicais especializados; o artesanato e a sua temática foram elogiados, embora a produção house tenha atraído críticas de alguns. Na 63.ª cerimônia dos Grammy Awards foi indicado para Melhor Álbum Vocal de Pop, e "Rain on Me" rendeu a Gaga a sua segunda vitória na categoria Melhor Performance Pop de Grupo/Dupla. Comercialmente, liderou as paradas de mercados musicais como Austrália, Canadá, França, Itália e Reino Unido, classificando-se nas dez primeiras colocações em diversos países, como Alemanha, Japão, Suécia e Suíça. Nos Estados Unidos, debutou na primeira colocação da Billboard 200 com 274 mil unidades adquiridas em sua semana de estreia.

Quatro singles foram divulgados de Chromatica: "Stupid Love" e "Rain on Me" — os dois primeiros —, constaram nas cinco primeiras posições da parada estadunidense Billboard Hot 100, com o último citado chegando ao topo. Como forma de divulgação do disco, Interscope o anunciou por meio de endossos de produtos e parcerias de TV, embora a campanha de marketing tenha sido afetada negativamente pela pandemia de COVID-19. A cantora também apresentou-se na cerimônia dos MTV Video Music Awards de 2020 e embarcou na The Chromatica Ball (em julho de 2022), a primeira turnê totalmente em estádios de sua carreira, depois de ter sido adiada duas vezes devido à pandemia. O espetáculo foi disponibilizado na HBO/Max como o especial Gaga Chromatica Ball (2024). Um álbum de remixes de Chromatica, intitulado Dawn of Chromatica, com uma série de artistas, foi lançado em 3 de setembro de 2021.

Antecedentes e lançamento

Após o lançamento de Joanne (2016), Gaga embarcou em sua quinta turnê solo, a Joanne World Tour, para promover o álbum ao redor do mundo. Logo após o início da digressão, em agosto de 2017, ela deu uma entrevista à Entertainment Weekly, onde afirmou que já estava trabalhando em seu próximo disco, especificamente no conceito. Ele afirmou que estava escrevendo várias músicas e desenvolvendo ideias, mas queria esperar antes de entrar em detalhes. Pouco depois da conclusão da primeira etapa da turnê, ela revelou que sofria de fibromialgia e isso levou ao cancelamento da etapa europeia de shows, que estava programada para ocorrer entre setembro e outubro daquele ano. Enquanto descansava, a cantora aproveitou para se encontrar em estúdio com o DJ White Shadow, com quem trabalhou em seus álbuns Born This Way (2011) e Artpop (2013). Ao longo de 2018 e início de 2019, ele trabalhou com músicos como SOPHIE, Boys Noize, Justin Tranter e BloodPop.​ Em 1 de outubro de 2019, Gaga anunciou via Twitter que o álbum seria intitulado Adele, embora a imprensa tenha considerado tal declaração uma piada devido à coincidência com o nome da cantora britânica Adele.

Mais tarde, em 2 de março de 2020, ela confirmou que Chromatica seria de fato o título do álbum e que seria lançado oficialmente em 10 de abril, com um total de dezesseis faixas. Em entrevista à rádio francesa NRJ em 13 de março, ela comentou que o disc teria diversas colaborações com outros artistas e a imprensa especulou que algumas delas poderiam ser com Ariana Grande e Blackpink.​ No dia 24 daquele mês, foi anunciado que o lançamento seria remarcado para 29 de maio devido à pandemia de COVID-19. Em 22 de abril, Gaga revelou a lista de faixas de Chromatica, onde ela confirmou que Grande e Blackpink estariam presentes, assim como Elton John.​

Desenvolvimento e gravação Nos primeiros sete meses de 2018, Gaga foi vista em vários estúdios de gravação em Los Angeles e Nova Iorque. As sessões de gravação anteriores foram atribuídas ao trabalho de pós-produção da trilha sonora de A Star Is Born, de Bradley Cooper, um remake do filme de 1937 com o mesmo nome em que ela é a personagem principal. As sessões de gravação posteriores foram atribuídas principalmente à produção adicional para o Chromatica. O produtor BloodPop, que co-produziu todas as músicas da edição padrão do álbum de estúdio anterior da cantora, Joanne (2016), compartilhou em várias plataformas de mídia social que ele e ela estavam gravando na propriedade da cantora em Malibu com o produtor de música eletrônica alemão Boys Noize. O BloodPop continuou a publicar atualizações semelhantes durante todo o período de 2019 e janeiro de 2020, indicando que a produção continuou por quase três anos. Em julho de 2018, a produtora de música eletrônica Sophie confirmou que havia contribuído com o trabalho de produção para o projeto, mas não sabia se sua colaboração faria o corte final.

Em uma entrevista com Zane Lowe, do Beats 1, Gaga afirmou que o álbum seria pop dançante, e que apesar de lidar com temas sombrios, a maioria das músicas tinha uma "vibe positiva", pois ela queria fazer algo que fosse "agradável e dançante", mas ao mesmo tempo com um conceito e significado. Ela também afirmou que grande parte do projeto foi gravado em seu estúdio na Califórnia e que o produtor BloodPop teve que se mudar para a casa dela por alguns meses para poder trabalhar melhor nas ideias. Ela também comentou que, diferente de seus trabalhos anteriores, estava mais aberta em relação aos seus colaboradores, citando como exemplo Max Martin, e com quem Gaga havia se abstido de trabalhar no passado porque queria o controle criativo completo sobre sua música. Ela falou também como sua intuição evoluiu desde a produção de seu último álbum, especialmente seu lado "real" e o "honesto". Gaga também entrou em grandes detalhes sobre como o processo colaborativo de criação do disco a ajudou a superar suas lutas internas:

Em uma entrevista à Rolling Stone, BloodPop discutiu que Chromatica começou a ser trabalhado simultaneamente com a trilha sonora de A Star Is Born no início de 2017. O produtor ficou particularmente atraído pela faixa "Stupid Love", mas sentiu que faltava algo, então enviou a demo para Martin. Mais tarde, em novembro, os dois se encontraram na Cidade de Kansas , em um dos camarins da Joanne World Tour, e Martin propôs algumas ideias para a música. No entanto, eles não conseguiram se concentrar totalmente no disco devido à agenda lotada da cantora nos meses seguintes, e foi somente em janeiro de 2019 que as cinco primeiras músicas do projeto foram finalizadas; "Stupid Love", "Alice", "Enigma", "Rain on Me" e "Free Woman". A partir daí, Gaga percebeu que queria que o álbum fosse dance pop, uma ideia que foi apoiada por BloodPop e Burns , que finalmente concordaram que "era hora de o mundo dançar novamente, com uma música que parecesse clássica e familiar, mas nova e fresca". Depois disso, os três começaram a ouvir várias faixas populares de house dos anos 1990, e Gaga proibiu Tom Norris, o mixador do álbum, de usar técnicas e ferramentas como sidechaining para evitar que os sons se tornassem muito modernos. Seguindo o conceito da cantora, Norris comprou um compresor antigo para dar um efeito vintage em homenagem ao Daft Punk, cujos primeiros trabalhos também foram gravados com compressores de baixo custo.

Quando o álbum já começava a tomar forma, Gaga e BloodPop contataram vários expoentes do EDM como Skrillex, Axwell, Tchami, Madeon, Johannes Klahr e Boys Noize. Especificamente, a cantora e BloodPop pediram a Axwell para retrabalhar "Alice" e "Free Woman", e Axwell, vagando por seus discos, encontrou a demo de "Sine from Above", uma música na qual ele havia trabalhado com Sebastian Ingrosso e Ryan Tedder, que originalmente seria uma colaboração entre Elton John e Daft Punk para o álbum Random Access Memories (2013). Sabendo que Gaga e John são amigos próximos, Axwell enviou a demo para ela e BloodPop, e ambos aprovaram a música, então a cantora contatou John para gravar sua parte; De acordo com Axwell, John gravou seus versos por meio de uma chamada de Skype, pois estava na Austrália para sua turnê de despedida. BloodPop também mencionou à Rolling Stone que "911" foi a última música a ser feita, principalmente porque Gaga insistiu muito em gravá-la. BloodPop trabalhou por três meses na mixagem de Chromatica com Norris e Ben Rice, de janeiro a março de 2020, quando o álbum foi finalmente concluído.

Composição

Musicalmente, Chromatica é um álbum derivado do electropop e dance-pop, com elementos de gêneros como house e disco, além de interpolações de bubblegum pop, eurodance e new wave. O álbum marca o retorno de Gaga à gêneros relacionados a música eletrônica após o soft rock de A Star Is Born (2018) e do country pop de Joanne (2016), bem como do jazz de Cheek to Cheek (2014). Todas as músicas foram escritas por Gaga e BloodPop, com apoio de vários músicos como Axwell, Johannes Klahr, Justin Tranter, Tchami, Ely Rise, Rami Yacoub e Boys Noize, entre outros. Os principais temas do álbum são feminismo, doença mental, empoderamento e celebração, especialmente de experiências ruins na vida, desde rompimentos até rejeição. A edição padrão é dividida em três segmentos e apresenta um total de treze músicas e três interlúdios. Como Gaga buscou recriar o house autêntico dos anos 1990, o álbum renuncia ao R&B contemporâneo e às tendências de crossover no trap populares na música mainstream daquele período. Ela e a devoção dos produtores a essa visão levaram à imersão total na cultura musical, influenciando tanto sua escolha de tecnologia quanto a técnica de estúdio para garantir a fidelidade. E ao fazer isso, argumenta Stephen Thomas Erlewine, da AllMusic, a artista explora sua sensibilidade de popstar veterana, fazendo pouca tentativa de criar um som moderno.

Chromatica abre com a faixa "Chromatica I", uma seção de cordas que a intérprete descreve como "o começo de uma jornada de cura". Começa então a primeira canção, intitulada "Alice", na qual Gaga se refere à personagem Alice no País das Maravilhas (1865), que está em busca do País das Maravilhas, como uma metáfora para não desistir e buscar a felicidade; embora o tópico também enfatize a doença mental. A canção é fortemente influenciada pela música industrial. O álbum continua com "Stupid Love", uma canção dance pop que diz respeito ao amor, tantos nas relações pessoais quanto relacionado aos fãs. Na etapa anterior registra-se a fuga em busca da necessidade de interdição do real em busca do mundo perfeito. No entanto, essa fase marca o encontro entre ego e sombra, que possui