A classe Tamandaré é uma nova classe de futuras fragatas de uso geral para a Marinha do Brasil, baseada na família de navios MEKO. O projeto está sendo desenvolvido pelo Ministério da Defesa e pelo consórcio Águas Azuis, formado pela Thyssenkrupp Marine Systems (TKMS) e pela Embraer Defesa & Segurança. A construção das quatro fragatas planejadas começou em 2021 e está programada para ser entregue entre 2024 e 2028.

História O programa denominado Construção do Núcleo de Poder Naval, plano de modernização da frota de superfície da Marinha do Brasil, foi criado em 2017 com o objetivo principal de substituir as fragatas classe Niterói em operação desde 1975 e as Type 22 adquiridas de segunda mão do Reino Unido na década de 1990.

Várias empresas de dezessete países se inscreveram no concurso aberto pelo Ministério da Defesa, oferecendo diferentes tipos de projetos e pacotes de compensação. Em 16 de maio de 2017, foi divulgada a lista de todas as empresas participantes.

Em 15 de outubro de 2018, após mais de um ano de estudos da Direção de Gestão de Programas da Marinha (DGePM) e da Empresa de Gestão de Projetos Navais (EMGEPRON), foi divulgada a lista dos projetos finalistas, os projetos selecionados foram:

Consórcio Águas Azuis, composto por TKMS, Embraer Defesa e Segurança, Atech e estaleiro Oceana, com proposta de corveta baseado na "MEKO A-100 Light Frigate", estendida e rearmada; Consórcio Damen-Saab Tamandaré composto por Damen Schelde, Saab AB, Consub Defesa e Tecnologia e estaleiro Wilson Sons, com a corveta classe Sigma; Consórcio da FLV com o estaleiro Fincantieri, Leonardo e Vard Promar, propondo uma versão do projeto indígena da EMGEPROM; Consórcio Villegagnon com Naval Group, Mectron e estaleiro Enseada Indústria Naval, com corveta classe Gowind.

Em 28 de março de 2019, foi apresentado o projeto vencedor, o consórcio Águas Azuis liderado pela TKMS com um projeto da corveta classe MEKO A-100 de 3,5 mil toneladas. Em abril do mesmo ano, o projeto foi renomeado de corveta para fragata.

No dia 5 de março de 2020 foi formalizado o contrato no valor de R$ 9,1 bilhões de reais na construção das quatro fragatas. Em 22 de janeiro de 2021 o valor do contrato foi reajustado para R$ 9,56 bilhões. Desde a assinatura do contrato, o mesmo sofreu alterações e foi ajustado para R$ 11,1 bilhões.

Em janeiro de 2021, a TKMS confirmou a aquisição do estaleiro Oceana em Itajaí, tornando-se o primeiro estaleiro da empresa na América Latina, com o objetivo de construir as novas fragatas brasileiras, e futuras vendas para outras marinhas da região.

Construção miniaturadaimagem|A Tamandaré saindo para testes de mar em Agosto de 2025 No dia 4 de setembro de 2022, foi realizado o corte da chapa que foi usada na produção do casco da Fragata Tamandaré (F-200), dando inicio na construção do primeiro, dos quatro navios. O batimento de quilha da primeira fragata da classe ocorreu em 24 de Março de 2023 e foi lançada ao mar em 4 de Agosto de 2024. Atualmente (2026), a F200 Tamandaré esta em fase final de testes, sendo esperado a incorporação na Marinha do Brasil ainda no inicio de 2026.

No dia 1 de novembro de 2023, foi realizado o corte da chapa da futura , marcando o inicio da construção da segunda embarcação da classe, em 6 de Julho de 2024, foi realizado o batimento de quilha da F201, e dia 10 de Agosto de 2025, a F201 foi lançada ao mar em itajai, atualmente (2026) ela se encontra em fase final de construção. esquerda|miniaturadaimagem|259x259px|Batismo da Fragata “Cunha Moreira” pela madrinha Marcella OlsenImagem: Primeiro-Sargento FerreiraAgência Marinha de Notícias No dia 13 de novembro de 2024, foi realizado o corte da chapa da futura , marcando o inicio da construção da terceira embarcação da classe. Em 5 de junho de 2025, foi realizada o batimento de quilha da F202, seu lançamento ao mar ocorreu no dia 27 de Junho 2026, sua incorporação está prevista para 2028.

No dia 9 de Janeiro de 2026, foi realizado o primeiro o corte da chapa que será usada na construção da futura , marcando o inicio da construção da quarta embarcação da classe e a ultima do primeiro lote.

Com o início da construção da F203, a TKMS Estaleiro Brasil Sul atinge o auge da produção prevista inicialmente para o programa, com as quatro primeiras embarcações do programa sendo produzidas simultaneamente, em território brasileiro.

Especificações e projeto Inserida no Programa Fragatas Classe Tamandaré (FCT), a Marinha do Brasil pretende que a fragata Tamandaré seja um dos meios com os quais ampliará e modernizará a sua Esquadra. O objetivo passará por se contrapor a eventuais ameaças, garantir a proteção do tráfego marítimo, bem como controlar as águas jurisdicionais e plataforma continental brasileira, que juntas formam a chamada Amazônia Azul, totalizando mais de 4,5 milhões de km². O Navios-Escolta desempenharão um importante papel em missões de paz e de ajuda humanitária, em contribuição à Diplomacia brasileira.

O plano exige projetos com os seguintes armamentos e especificações: preço unitário entre € 400-500 milhões, canhão principal OTO Melara 76 milímetros , mínimo de oito células de mísseis VLS Sea Ceptor CAMM, uma metralhadora Rheinmetall Sea Snake 30 milímetros, duas metralhadoras de 50 milímietros, dois lançadores de torpedos anti-submarino Mark 46 triplos e dois lançadores de mísseis anti-navio duplos para o míssil MANSUP. Além de um sistema de propulsão para motores diesel e um hangar capaz de operar um SH-60 Seahawk, Super Lynx Mk.21B ou Eurocopter EC725. O consórcio vencedor terá que construir os quatro navios no Brasil, além de transferir 100% da tecnologia do projeto para a Marinha do Brasil.

Projeto Thyssenkrupp O consórcio Águas Azuis, liderado pela Thyssenkrupp Marine Systems apresentou sua proposta de fragata, baseada no projeto original da corveta MEKO A-100, o projeto teve uma tonelagem estendida de 2.000 para 3.500 toneladas, aumento de comprimento, várias novas sistemas de última geração, como o radar Hensoldt TRS-4D AESA, armas e controle de fogo, permitindo que o navio ganhe força para realizar travessias oceânicas no tempestuoso Atlântico Sul. A TKMS também apresentou compensações à Marinha do Brasil, como a remotarização dos submarinos da classe Tupi construídos pela mesma empresa nas décadas de 1980 e 1990.

A Atech, empresa do Grupo Embraer, será a fornecedora do CMS (Combat Management System) e do IPMS (Integrated Platform Management System). Outros aspectos do projeto que levaram à licitação vencedora são as semelhanças com a classe de fragata MEKO A-200 e seu sistema de construção modular, permitindo versatilidade em futuras atualizações.

A Marinha do Brasil também planeja construir destróieres de 7.000 toneladas após a entrega das novas fragatas, e a TKMS apresentou à Marinha seu mais moderno destróier de defesa aérea MEKO A-400 de 7.200 toneladas, uma versão atualizada da classe F-125. As semelhanças entre os projetos e o alto índice de comunalidade entre os requisitos também foram determinantes para a vitória do consórcio.

Unidades miniaturadaimagem|300x300px|Cerimônia de lançamento da Tamandaré em agosto de 2024 Inicialmente, foram contratadas quatro unidades iniciais da classe:

F200 Tamandaré F201 Jerônimo de Albuquerque F202 Cunha Moreira F203 Mariz e Barros

Possivel segundo lote de fragatas da classe Em 20 de abril de 2026, os governos do Brasil e da Alemanha assinaram uma Carta de Intenções (Letter of Intent) voltada ao fortalecimento da cooperação industrial no Programa das Fragatas Classe Tamandaré. O documento representa um importante passo para a continuidade do programa, ao formalizar o apoio político dos dois países às negociações entre as empresas envolvidas para a possível construção de um segundo lote de quatro fragatas, que seria produzido no Brasil pela Sociedade de Propósito Específico Águas Azuis, com significativa participação da empresa alemã Thyssenkrupp Marine Systems (TKMS). esquerda|miniaturadaimagem|Assinatura da carta de intenções entre os governos brasileiro e alemão em Hannover, na Alemanha. A proposta busca expandir a parceria já estabelecida no primeiro lote das Fragatas Classe Tamandaré, promovendo benefícios para as indústrias de defesa brasileira e alemã por meio da fabricação nacional dos navios, fornecimento de sistemas embarcados, armamentos, suporte logístico, treinamento, manutenção e, quando aplicável, transferência de tecnologia. Essa iniciativa também fortalece a Base Industrial de Defesa brasileira, gera empregos especializados e amplia a capacidade tecnológica da indústria naval nacional.

É importante destacar que a Carta de Intenções, também conhecida como Memorando de Entendimento (MoU - Memorandum of Understanding), não constitui um contrato. O documento apenas expressa o interesse político e a intenção de cooperação entre os governos, sem criar obrigações legais para as partes. Dessa forma, a efetivação do segundo lote ainda depende da evolução das negociações comerciais, da definição de recursos orçamentários e da celebração de contratos específicos entre os envolvidos.

Para a Marinha do Brasil, um segundo lote de Fragatas Classe Tamandaré possui grande relevância estratégica. Além de permitir a renovação gradual da esquadra e substituir navios que se aproximam do fim de sua vida útil, a continuidade do programa evita a desmobilização da cadeia produtiva criada com o primeiro lote, preserva empregos altamente qualificados, mantém o domínio das tecnologias adquiridas e reduz custos decorrentes da interrupção da produção. Com isso, a Marinha fortalece sua capacidade operacional, amplia sua presença no Atlântico Sul e assegura maior autonomia para proteger os interesses marítimos e a soberania nacional nas próximas décadas.

Unidades: DesignativoNomeEstaleiroDataLançamentoIncorporaçãoSituação F200https://www.defesaaereanaval.com.br/tag/fragata-tamandare-f200 TamandaréBrasil Sul, Itajaí 2021 4 de agosto de 2024 24 de abril de 2026 Em serviço ativo F201 Jerônimo de Albuquerque 2023 8 de agosto de 2025 2027 Em construção F202 Cunha Moreira 2024 27 de Junho 2026 2028 Em construção F203 Mariz e Barros 2026 2027 2029 Em construção

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