A mitigação das mudanças climáticas (ou descarbonização) se dá com ações que limitem a magnitude ou o ritmo do aquecimento global e suas consequências. Envolvem principalmente ações para reduzir os gases de efeito estufa que causam as mudanças climáticas na atmosfera. As ações de mitigação das mudanças climáticas incluem a economia de energia e a substituição de combustíveis fósseis por fontes de energia limpa. As estratégias secundárias de mitigação incluem mudanças no uso do solo e o sequestro de dióxido de carbono (CO2) da atmosfera. As políticas atuais de mitigação das mudanças climáticas têm se mostrado insuficientes, pois ainda resultariam num aquecimento global de cerca de 2,7 °C até 2100, significativamente acima da meta do Acordo de Paris de 2015 de limitar o aquecimento global a menos de 2 °C.

<div class="thumb tmulti tright"><div class="thumbinner multiimageinner" style="width:392px;max-width:392px"><div class="trow"><div class="tsingle" style="width:203px;max-width:203px"><div class="thumbimage" style="height:120px;overflow:hidden">alt=Aerial view of a solar farm with part of a wind farm in the background|201x201px</div></div><div class="tsingle" style="width:185px;max-width:185px"><div class="thumbimage" style="height:120px;overflow:hidden">alt=public transport|183x183px</div></div></div><div class="trow"><div class="tsingle" style="width:213px;max-width:213px"><div class="thumbimage" style="height:120px;overflow:hidden">alt=reforestation|211x211px</div></div><div class="tsingle" style="width:175px;max-width:175px"><div class="thumbimage" style="height:120px;overflow:hidden">alt=Plant-based dishes|173x173px</div></div></div> Vários aspectos da mitigação das mudanças climáticas (em sentido horário): energia renovável (solar e eólica) na Inglaterra, transportes públicos eletrificados na França, um projeto de reflorestamento no Haiti para remover dióxido de carbono da atmosfera e um exemplo de uma refeição à base de plantas.</div></div>

A energia solar e a energia eólica são alternativas energéticas mais econômicas quando comparadas com outras opções de energia renovável. A disponibilidade de luz solar e vento é variável e pode exigir atualizações da rede elétrica, como o uso de transmissão de eletricidade de longa distância para agrupar uma série de fontes de energia.Ram M., Bogdanov D., Aghahosseini A., Gulagi A., Oyewo A.S., Child M., Caldera U., Sadovskaia K., Farfan J., Barbosa LSNS., Fasihi M., Khalili S., Dalheimer B., Gruber G., Traber T., De Caluwe F., Fell H.-J., Breyer C. Global Energy System based on 100% Renewable Energy – Power, Heat, Transport and Desalination Sectors . Study by Lappeenranta University of Technology and Energy Watch Group, Lappeenranta, Berlin, March 2019. O armazenamento de energia também pode ser usado para equilibrar a produção de energia, e o gerenciamento da demanda pode limitar o uso de energia quando a geração de energia for baixa. Certos processos são mais difíceis de descarbonizar, como as viagens aéreas e a produção de cimento. Acaptura e armazenamento de carbono (CAC) pode ser uma opção para reduzir as emissões líquidas nestas circunstâncias, embora as centrais elétricas movidas a combustíveis fósseis com tecnologia CAC sejam atualmente uma estratégia de mitigação das mudanças climáticas de elevado custo.

As mudanças no uso da terra pelo homem, como agricultura e desmatamento, causam cerca de um quarto das mudanças climáticas. Essas mudanças afetam a quantidade de absorvida pela matéria vegetal e a quantidade de matéria orgânica que se decompõe ou queima para liberar . Essas mudanças fazem parte do ciclo rápido do carbono, enquanto os combustíveis fósseis liberam que estava enterrado no subsolo como parte do ciclo lento do carbono. O metano é um gás de efeito estufa de curta duração produzido pela decomposição de matéria orgânica e pela pecuária, bem como pela extração de combustíveis fósseis. Mudanças no uso da terra também podem impactar os padrões de precipitação e a refletividade da superfície da Terra. É possível reduzir as emissões da agricultura reduzindo o desperdício alimentar, adotando uma dieta mais baseada em vegetais (também conhecida como dieta de baixo carbono) e aprimorando os processos agrícolas.

Várias políticas podem incentivar a mitigação das mudanças climáticas, como sistemas de precificação de carbono que tributam as emissões de ou limitam as emissões totais e comercializam créditos de emissão. Os subsídios aos combustíveis fósseis podem ser substituídos por subsídios à energia limpa e podem ser oferecidos incentivos para a instalação de medidas de eficiência energética ou para a adoção de fontes de energia limpa. Outro desafio é superar objeções ambientais ao construir novas fontes de energia limpa e fazer modificações na rede elétrica. Definições e escopo A mitigação das mudanças climáticas visa sustentar os ecossistemas existentes para manter a civilização humana, o que requer cortes drásticos nas emissões de gases com efeito de estufa. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) define mitigação (das mudanças climáticas) como "uma intervenção humana para reduzir as emissões ou aumentar o sequestro de gases do efeito estufa".

É possível abordar diferentes medidas de mitigação em paralelo, visto que não existe um caminho único para limitar o aquecimento global a 1,5 ou 2 °C. Existem pelo menos quatro tipos de medidas:

Energia sustentável e transporte sustentável Conservação de energia, incluindo uso eficiente de energia Agricultura sustentável e política industrial verde Aprimoramento dos escoadouros de carbono e a remoção de carbono, incluindo sequestro de carbono

O IPCC definiu a remoção de dióxido de carbono como "atividades antropogênicas que removem dióxido de carbono () da atmosfera e o armazenam de forma duradoura em reservatórios geológicos, terrestres ou oceânicos, ou em produtos. Inclui o aprimoramento antropogênico existente e potencial de escoadouros biológicos ou geoquímicos de e a captura e armazenamento direto de dióxido de carbono no ar (direct air carbon dioxide capture and storage, DACCS), mas exclui a absorção natural de não causada diretamente por atividades humanas."

Relação com a modificação da radiação solar (SRM) Embora a modificação da radiação solar (solar radiation modification, SRM) possa reduzir as temperaturas da superfície, ela pode mascarar temporariamente as alterações climáticas em vez de abordar a causa primária, que são os gases do efeito estufa. O SRM funcionaria alterando a quantidade de radiação solar que a Terra absorve. Alguns exemplos incluem a redução da quantidade de luz solar que chega à superfície, a redução da espessura óptica e da vida útil das nuvens e a alteração da capacidade da superfície de refletir radiação. O IPCC descreve a SRM como uma estratégia de redução do risco climático ou uma opção suplementar, em vez de uma opção de mitigação climática.

A terminologia nessa área ainda está se desenvolvendo. Os especialistas às vezes usam o termo geoengenharia ou engenharia climática na literatura científica tanto para CDR (Remoção de Dióxido de Carbono) quanto para SRM, se as técnicas forem usadas em escala global. Os relatórios do IPCC já não utilizam os termos geoengenharia ou engenharia climática.

Tendências e compromissos de emissões O governo dos Estados Unidos tem tido atitudes inconstantes ​​em relação às emissões de gases de efeito estufa. O governo George W. Bush optou por não assinar o Protocolo de Quioto, mas o governo Obama entrou no Acordo de Paris. Em junho de 2017, o governo Trump retirou-se do Acordo de Paris enquanto aumentava a exportação de petróleo bruto e gás, tornando os Estados Unidos o maior produtor.

Em 2021, o governo Biden se comprometeu a reduzir as emissões para metade dos níveis de 2005 até 2030. Em 2022, o presidente Biden sancionou a Lei de Redução da Inflação, que deve fornecer cerca de US$ 375 bilhões em 10 anos para combater as mudanças climáticas. Em 2022, o custo social do carbono é de 51 dólares por tonelada, enquanto os acadêmicos dizem que deve ser mais de três vezes maior.

As emissões de gases do efeito estufa provenientes de atividades humanas aumentam o chamado efeito estufa, o que contribui para as mudanças climáticas. Boa parte deses gases é dióxido de carbono proveniente da queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás natural. As emissões causadas pelo homem aumentaram o dióxido de carbono atmosférico em cerca de 50% em relação aos níveis pré-industriais. As emissões na década de 2010 atingiram um recorde médio de 56 bilhões de toneladas por ano. Em 2016, a energia para eletricidade, aquecimento e transporte foi responsável por 73,2% das emissões de gases do efeito estufa. Os processos industriais diretos representaram 5,2%, os resíduos 3,2% e a agricultura, silvicultura e utilização do solo 18,4%

A geração de eletricidade e o transporte são os principais emissores. A maior fonte individual são as centrais elétricas alimentadas a carvão, com 20% das emissões de gases do efeito estufa. O desmatamento e outras mudanças no uso da terra também emitem dióxido de carbono e metano. As maiores fontes de emissões antropogênicas de metano são a agricultura e a liberação de gases e emissões fugitivas da indústria de combustíveis fósseis. A maior fonte agrícola de metano é a pecuária. Os solos agrícolas emitem óxido nitroso, em parte devido aos fertilizantes. O Acordo de Kigali, adotado por diversos países em 2022, busca ser uma solução política para o problema dos gases fluorados dos fluídos refrigerantes.

O dióxido de carbono () é o principal gás de efeito estufa emitido. Emissões de metano (CH4) têm quase o mesmo impacto a curto prazo. O óxido nitroso (N2O) e os gases fluorados (gases F) desempenham um papel menor. O gado e o estrume produzem 5,8% de todas as emissões de gases do efeito estufa. Mas isso depende do período de tempo usado para calcular o potencial de aquecimento global do respectivo gás.

As emissões de gases do efeito estufa (GEE) são medidas em equivalentes em . Os cientistas determinam seus equivalentes em a partir de seu potencial de aquecimento global (PAG). Isso depende do seu tempo de vida na atmosfera. Existem métodos de contabilidade de gases de efeito estufa amplamente utilizados que convertem volumes de metano, óxido nitroso e outros gases de efeito estufa em um valor equivalente em dióxido de carbono. As estimativas dependem em grande parte da capacidade dos oceanos e escoadouros terrestres de absorver esses gases. Poluentes climáticos de vida curta (SLCPs) persistem na atmosfera por um período que varia de dias a 15 anos. O dióxido de carbono pode permanecer na atmosfera por milênios. Poluentes climáticos de curta duração incluem metano, hidrofluorcarbonetos (HFCs), ozônio troposférico e carbono negro.

Satélites são cada vez mais usados pelos cientistas para localizar e medir emissões de gases de efeito estufa e desmatamento. Anteriormente, os cientistas baseavam-se, em grande parte, em estimativas de emissões de gases e em dados fornecidos pelos governos.

Cortes de emissões necessários direita|miniaturadaimagem| Cenários globais de emissão de gases de efeito estufa, com base em políticas e compromissos vigentes em novembro de 2021 Em 2022, o Relatório Anual sobre a Lacuna de Emissões do PNUMA declarou que era necessário reduzir as emissões quase pela metade. "Para sermos capazes de limitar o aquecimento global a 1,5 °C, as emissões globais anuais de GEE devem ser reduzidas em 45%, em comparação com as projeções de emissões debaixo das políticas atualmente em vigor, em apenas oito anos, e devem continuar a diminuir rapidamente após 2030, para evitar esgotar o limitado orçamento de carbono atmosférico restante." O relatório comentou que o mundo deveria concentrar-se em transformações econômicas de base ampla e não em mudanças incrementais.