Demétrio Panarotto (Chapecó, 1969) é um músico, compositor, pesquisador, professor e literato brasileiro. Paralelamente a uma carreira musical com a Banda Repolho e projetos alternativos, louvados pela sua originalidade e irreverência, desenvolve atividades como acadêmico, palestrante e escritor. Publicou mais de trinta livros de ensaio, poesia e prosa que lhe valeram o reconhecimento como um dos nomes de destaque da nova literatura do estado de Santa Catarina.

Carreira Música Nascido em Chapecó, no interior do estado de Santa Catarina, veio de uma família ligada à cultura. Seu pai era um leitor assíduo e sua mãe era pedagoga.Docentes: Demétrio Panarotto: Músico e escritor. StudioClio - Instituto de Arte & Humanismo

Sua carreira começou de forma independente, e na música. A Banda Repolho, fundada em 1991 por ele, seu irmão Roberto Panarotto e outros músicos, ganhou significativa notoriedade no seu estado.Neumann, Ricardo. A cena musical alternativa norte-nordeste catarinense entre 1990 e 2010: das ruas aos espaços. Universidade Federal de Santa Catarina, 2017, p. 51 A banda seria conhecida em vários outros pontos do Brasil, lançando quatro CDs e três demos. Considerada original, extravagante, irreverente, fazendo uma síntese criativa de uma diversidade de fontes, entre elas o regionalismo e o rock, chegou a adquirir uma aura cult."Banda Repolho, Panarotto e as muitas Artes em Santa Catarina". Aurora de Cinema, 13/02/2012

Segundo Eduardo Ferreira, a banda "contabilizou críticas em revistas e jornais de nomes de peso do cenário musical nacional – entre eles, Hermano Vianna, Kassin, Fernando Rosa (Senhor F), Carlos Eduardo Miranda, Alexandre Matias (Trabalho Sujo), Marcelo Camelo, Tom Zé, e vários outros". Foi considerada pela revista Senhor F como uma das bandas mais importantes e criativas da cena independente nacional."Discos-Cheios 008: Repolho - Vol 4". Senhor F, s/d Para Alexandre Matias, "se há uma banda que colocou Santa Catarina no mapa musical e no cenário pop brasileiro, ela chama-se Repolho".Matias, Alexandre. "Repolho – A última grande banda de rock do Brasil". Trabalho Sujo, 11/05/2011 De acordo com o portal Whiplash, que elogiou o grupo como "um dos mais cultuados e importantes da história do rock independente nacional", o Vol.3 se revelou o trabalho mais maduro e bem acabado até à data:

"Apesar dos grandes clássicos do Repolho — como 'Juvenal', 'Lilico' e 'Paulo Balanço' — estarem nos primeiros trabalhos, as canções de Vol. 3 mantêm um nível elevado do início ao fim. Se pode notar desde influências da poesia concreta & tropicalismo (como em "Ah! É!" com suas referência ao Tom Zé, entre outras), mangue beat (em 'Dotô Paxeco'), punk (com Wander Wildner em 'Os desafinados também amam' e em todo o espírito independente de 'faça você mesmo'), benga music (em 'Benga na Alemanha'), vinhetas comerciais de brinquedos antigos (em 'Lá Lé Li Ló Lú') e, claro, o bom e velho (e velho, e velho, e velho) Róque Em Rou. Um destaque é 'Em Etapu', composição cascavellética exclusiva de Flávio Basso"."Repolho: "Vol.3" é relançado para download". Whiplash, 15/08/2011

Em 2001 iniciou um projeto paralelo com seu irmão Roberto, o Irmãos Panarotto, que lançou três CDs. O lançamento do clipe "Chapecó Texas", dos Irmãos Panarotto, ocorreu no Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina."Lançamento de videoclipe e pocket show Irmãos Panarotto". Fundação Catarinense de Cultura, 03/05/201 O CD 2Violão e 1Balde (2004) teve boa repercussão no centro do paísBritto, Marco. "Aumenta que isso é róque". Zero — Revista do Curso de Jornalismo da UFSC, 2004; XIX (5) e Hermano Vianna falou sobre o som:

"Geralmente não gosto de música engraçada. É igual piada, não funciona na segunda audição. Daí o meu espanto de já ter escutado este 2Violão e 1Balde várias vezes, compulsivamente, e ter chegado, sem mais nem menos, à conclusão seriíssima que é um dos melhores discos da história do pop nacional. Diretamente de Chapecó, oeste profundo de Santa Catarina, os Irmãos Panarotto desconstroem o punk, o iêiêiê, o funk carioca, o folclore gauchesco, tudo sob o comando da produção pós-eletroacústica do meu ídolo Marcelo Birck. O resultado: iluminação estética e eternas gargalhadas".

Os projetos dos Panarotto deixaram uma marca especialmente forte no rock gaúcho, desenvolvendo muitos contatos e parcerias com músicos e bandas como Graforréia Xilarmônica, Aristóteles de Ananias Jr., Leandro Blessmann e Thomas Dreher.Avila, Alisson; Bastos, Cristiano; Müller, Eduardo. Gauleses Irredutíveis: causos e atitudes do rock gaúcho. Buqui Livros Digitais, 2012, s/pp Descendentes de colonos italianos, falando com sotaque típico da região, a estética musical dos Panarotto tem uma forte base de crítica social, exercida principalmente através do humor e do escracho,Spessatto, Marizzet Bortolanza. Marcas da história: características dialetais dos imigrantes italianos na fala Chapecó. Dissertação de mestrado. Universidade Federal de Santa Catarina, 2001, pp. 10-11 e desenvolveu ao longo dos anos o conceito de "colonagem cibernética", incorporando às informações globais e tecnologias digitais as raízes culturais da região. Fernando Rosa, editor da Senhor F, considerou seus discos "uma espécie de crônica de Chapecó", e Demétrio falou sobre isso:

"Vale lembrar que alguns escritores consagrados eternizaram cidades fictícias. Nós não precisamos criar uma ficção, pois a realidade (da nossa cidade) nos dá todos os subsídios! E se engana quem pensa que a 'crônica' é apenas de uma cidade do interior. É muito mais do que isso, ou seja, uma 'crônica' do Brasil através do olhar de uma cidade interiorana. E, é claro que as músicas [...] revelam situações e histórias não apenas locais. Mas deixa no folclore prá não magoar ninguém. [...] Estamos deslocados histórica e geograficamente, mas nem por isso estamos deslocados das coisas que estão acontecendo no mundo. Reafirmamos novamente, é a brincadeira da 'Colonagem Cibernética': independente da onde nós estivermos, procuramos nos conectar com o mundo. E, talvez (de novo) seja por isso que a nossa relação com esses centros citados se estabeleça a partir de um grande respeito. Respeitamos todas as informações (nem por isso aceitamos todas), processamos e as devolvemos a partir desta ótica deslocada em forma daquilo que consideramos música".Rosa, Fernando. "Irmãos Panarotto falam de 'Single 1' e explicam 'colonagem cibernética'". Senhor F, s/d.

Literatura Graduou-se em Letras Português/Inglês em 2001 na Universidade Comunitária de Chapecó, fez mestrado em Literatura (2005) e doutorado em Teoria Literária e Literatura Brasileira (2012) pela Universidade Federal de Santa Catarina.Claudino, Simoni Conceição Rodrigues. "Demétrio Panarotto". Projeto Literatura Infantil e Juvenil produzida em Santa Catarina, Universidade Federal de Santa Catarina. Tem vários artigos de pesquisa publicados. Sua dissertação de mestrado sobre Tom Zé foi usada como referência por vários outros pesquisadores.Fenerick, José Adriano. "Tom Zé: A crítica da canção popular e a canção popular crítica". In: Revista Fênix, 2013; X (2)Nery, Emília Saraiva. "O baiano Tom Zé armando São Paulo, Hiroshima, Nevers, Brasília e Rio de Janeiro na Música Popular Brasileira". In: Anais do XXVI Simpósio Nacional de História. São Paulo, julho de 2011Magalhães, Lilian Costa. Tom Zé: intelectual analfabeto. Universidade Federal de Juiz de Fora, 2010Silveira, Juliano Malinverni da. Vozes dissonantes: discurso da diversidade e diversidade de discursos no manifesto tropicalista. Universidade Federal de Santa Catarina, 2012Carvalho, José Reynaldo de Salles Duas Capitus contemporâneas em teias intersemióticas: uma mostração rizomática da reescritura na pós-modernidade e na cultura remix. Universidade de Brasília, 2012 Foi membro do Conselho Editorial do Suplemento Cultural de Santa Catarina, órgão da Fundação Catarinense de Cultura."Expediente". Suplemento Cultural de Santa Catarina; 2014; 83

Publicou artigos críticos, contos e poemas em diversas revistas especializadas em literatura, como a Cândido, jornal da Biblioteca Pública do Paraná,Panarotto, Demétrio. "Notas recentes sobre a poesia". In: Cândido — Jornal da Biblioteca Pública do Paraná, s/d. a Germina — Revista de Literatura e Arte,Demétrio Panarotto. Germina — Revista de Literatura e Arte a Revista Crítica Cultural, órgão da UNISUL,Panarotto, Demétrio. "De 1968 a 2018, uma odisseia e a falta de espaço". In: Revista Crítica Cultural, 2018; 13 (1) a Subtrópicos — Revista da Editora da UFSCPanarotto, Demétrio. "Um convite à leitura de Os Sertões". In: Subtrópicos — Revista da Editora da UFSC, 2014 (14) e a Nerval — Revista de Poesia."Expediente". Nerval — Revista de Poesia, 2014, 1 (4) Sua literatura tem sido mostrada em diversos eventos, festivais e debates pelo Brasil, oficiais e independentes."Arte da Palavra em Pernambuco". Digestivo Cultural, 21/4/2018 "Ana Elisa Ribeiro e Demétrio Panarotto são convidados do Circuito dos Autores de Pernambuco". Diário de Pernambuco, 23/04/2018"Biblioteca Municipal recebe programação do evento "Circuito de Autores". Prefeitura de Vitória, 07/08/2018"6º Festival do Conto homenageia o escritor João Gilberto Noll". SESC, 08/11/2016 "Feira do Livro de Rio do Sul terá mesa literária e lançamentos de autores regionais". Sintonia FM, 19/08/2016 "Feira do Livro de Pouso Redondo inicia em 16 de agosto". Jornal Alto Vale Online, 02/08/2017 Podem ser destacadas, por exemplo, sua atuação como mediador de debates no Salão do Livro da Serra Catarinense de 2014,"Humberto Gessinger é presença confirmada no Salão do Livro". Prefeitura de Lages, 13/03/2014 e sua participação como um dos dois destaques do Circuito de Autores, atividade do Projeto Arte da Palavra do SESC, cuja edição de 2018 em Caruaru ocorreu em parceria com a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Caruaru."Circuito de Autores será realizado na FAFICA no próximo dia 26 de abril". Segundo a revista Algo Mais de Pernambuco, o projeto é "uma das maiores ações de promoção da literatura em circulação no país"."Sesc promove encontro de autores na Unicap". Algo Mais, 23/04/2018 Sua produção literária tem recebido a atenção de diversos críticos. Sua primeira publicação, a coleção de poemas Borboletas e Abacates (2000), foi prefaciada por Tom Zé, que chamou a atenção para as sonoridades das combinações verbais e o chamou de "jovem poeta que se filia à linhagem dos moços para quem a morte já é tema recorrente. Tal como nossos Alphonsus, ou especialíssimos dos Anjos".Zé, Tom. "Prefácio". In: Panarotto, Demétrio. Borboletas e Abacates. Grifos, 2000 Para Artur Giorgi,

"Demétrio Panarotto parece levar a sério o jogo de montagem e desmontagem desses lugares da linguagem onde prevalecem as próteses de origem e de fim. [...] Na poesia de Panarotto, a irritação nervosa do entrelugar (entre corte e prolongamento, som e sentido, mas sempre, e principalmente, entre cultura e barbárie, progresso e ruína, modernidade e arcaísmo) se mostra em verso e prosa, muitas vezes por meio do escárnio ou da sátira, como se em sintonia anacrónica, poderíamos dizer, com o barroco de Gregório de Mattos, esse alienado do cânone, sequestrado da formação da literatura brasileira. [...] As vozes, os sujeitos, os personagens na poesia de Panarotto assumem frequentemente o lugar dos refugados. Em termos benjaminianos, corresponderiam, nesse sentido, aos vencidos, aos silenciados, às vítimas do cortejo do progresso e sua violência constituinte, por isso reincidente. À sua espera por reparação responderia, segundo o programa de uma filosofia por vir, uma rigorosa leitura a contrapelo da história. Não obstante, mais de acordo com o vocabulário de Panarotto, talvez pudéssemos nomear essas figuras de malditas".