thumb|direita|upright=1.4|Gravura da Porta Portuense já com uma das passagens emparedada feita por Giuseppe Vasi em 1743 com base em desenhos mais antigos.

Porta Portuense (), conhecida também como Porta Navalis, era uma das portas meridionais da Muralha Aureliana de Roma e se abria no primeiro trecho da muralha na margem direita do Tibre, no ponto onde começava a antiga Via Portuense, um local que hoje fica entre a moderna Via Portuense e a Via Erigisto Bezzi, no quartiere Portuense

História Construída inicialmente, como muitas outras, com duas passagens, durante a restauração e reestruturação patrocinada pelo imperador Honório entre 401 e 403,. a Porta Portuense manteve essa configuração, assim como a Porta Prenestina-Labicana e ao contrário da tendência geral de reduzir a uma só passagem todas as portas na muralha por motivos defensivos. Esta circunstância é uma prova da importância que esta porta teve por muitos séculos, tanto que ela sobreviveu ao processo de cristianização dos nomes das portas da muralha no século XVI e acabou recebendo o nome de Porta del Porto, confirmando a imutável importância de sua função e localização próxima ao rio. De resto, assim como a Porta Ostiense, que dava início à ligação entre Roma e o porto de Óstia Antiga, a Porta Portuense estava perto do Porto de Cláudio, que ficava perto do Porto de Trajano, ao longo da via seguia o curso do rio passando pelo território do moderno Aeroporto "Leonardo da Vinci" de Fiumicino.

A reforma de Honório se limitou a realçar a porta, as torres e a arquitrave sobre as duas passagens, na qual foi afixada uma lápide comemorativa que, segundo testemunhos da segunda metade do século XV, era provavelmente similar (mas não igual) à recuperada também na Porta Tiburtina e na Porta Maggiore. O grande interesse histórico em relação a esta inscrição é derivado da citação ao general Estilicão, assassinado em 408 depois de ser falsamente acusado de traição e conivência com o visigodo Alarico I, especialmente por que ele foi condenado em um processo de damnatio memoriae, o que fez com que seu nome fosse removido de todas as inscrições e fontes históricas. Contudo, o processo foi parcial, pois, apesar do nome de Estilicão ter sido eliminado da Porta Tiburtina, o mesmo não ocorreu na inscrição, idêntica, instalada na Porta Maggiore. Não se sabe o destino da inscrição na Porta Portuense.

Em 455, os vândalos de Genserico entraram na cidade pela Porta Portuense e deram início ao famoso e chocante saque de Roma de 455, que durou quatorze dias.

Depois de a passagem ocidental permanecer fechada por um certo tempo, a porta inteira acabou demolida pelo papa Urbano VIII por ocasião da demolição de todo o trecho da Muralha Aureliana que saía do Janículo (todo o traçado original da muralha na margem direta do Tibre é duvidoso) e, na metade do século XVII, foi substituída, 453 metros mais ao norte, pela nova Porta Portese, construída pelo papa Inocêncio X. Finalmente, o porto construído pelo imperador Cláudio já estava decadente na Idade Média (e com ele a cidade de Porto, principalmente por causa dos frequentes ataques dos piratas sarracenos em toda a costa do Mediterrâneo) e já não tinha como competir com o fluxo do porto fluvial conhecido como Ripa Grande.

Bibliografia

Categoria:Edifícios demolidos na Itália Categoria:Roma Q. XI Portuense Portuense