O Deutschland foi o primeiro cruzador pesado operado pela Reichsmarine e depois pela Kriegsmarine e a primeira embarcação da Classe Deutschland, seguido pelo e Admiral Graf Spee. Sua construção começou no início de fevereiro de 1929 nos estaleiros da Deutsche Werke em Kiel e foi lançado ao mar em meados de maio de 1931, sendo comissionado na frota alemã em abril de 1933. Era armado com uma bateria principal composta por seis canhões de 283 milímetros montados em duas torres de artilharia triplas, tinha um deslocamento carregado de mais de catorze mil toneladas e meia e conseguia alcançar uma velocidade máxima de 28 nós (52 quilômetros por hora).

O navio teve uma carreira bem ativa, participando de patrulhas de não-intervenção na Guerra Civil Espanhola, durante o qual foi atacado por bombardeiros republicados. Na Segunda Guerra Mundial, foi colocado para atacar embarcações mercantes no Oceano Atlântico, porém o clima ruim atrapalhou seus esforços e ele afundou ou capturou apenas alguns navios antes de retornar para a Alemanha. Foi renomeado para Lützow em janeiro de 1940 e participou em abril da Operação Weserübung, a invasão da Noruega. O cruzador foi muito danificado na Batalha do Estreito de Drøbak e precisou voltar para casa a fim de passar por reparos. No caminho foi torpedeado por um submarino britânico.

Os reparos terminaram em março de 1941, porém o Lützow foi torpedeado novamente dois meses depois, necessitando de mais um período de consertos. Ele encalhou em 1942 e precisou outra vez retornar para a Alemanha para passar por concertos. Sua missão seguinte foi na Batalha do Mar de Barents, que terminou em fracasso. Problemas de motor culminaram em uma reforma completa no final de 1943, depois do qual o navio permaneceu no Mar Báltico. Foi afundado pela Força Aérea Real em abril de 1945 na Polônia. O Lützow foi capturado pelas forças soviéticas, levantado da água em 1947 e depois afundado no Báltico perto de Świnoujście como navio alvo em testes de armamentos.

Características

thumb|esquerda|240px|Desenho do Lützow O Deutschland tinha 186 metros de comprimento de fora a fora, boca de 20,69 metros e calado máximo de 7,25 metros. Seu deslocamento projetado era de toneladas, enquanto o deslocamento carregado chegava a toneladas, porém a Alemanha afirmou oficialmente que a embarcação estava dentro do limite de toneladas imposto pelo Tratado de Versalhes. Seu sistema de propulsão tinha oito motores a diesel MAN dois tempos de ação dupla com nove cilindros divididos. Eles tinha uma potência indicada de até 54 mil cavalos-vapor (39,7 mil quilowatts), suficiente para uma velocidade máxima de 28 nós (52 quilômetros por hora). A vinte nós (37 quilômetros por hora), a autonomia era de dez mil milhas náuticas (dezenove mil quilômetros). Ao entrar em serviço sua tripulação era composta por 33 oficiais e 586 marinheiros, mas estes números cresceram após 1935 e passaram a ser de trinta oficiais e entre 921 e marinheiros.

O armamento principal do Deutschland consistia em seis canhões SK C/28 de 283 milímetros montados em duas torres de artilharia triplas, uma na frente e outra a ré da superestrutura. A bateria secundária tinha oito canhões SK C/28 de 149 milímetros em torres únicas instaladas a meia-nau, quatro em cada lateral. A bateria antiaérea originalmente tinha três canhões L/45 de 88 milímetros, mas estes foram substituídos em 1935 por seis canhões L/78 de 88 milímetros. Estas armas foram todas removidas em 1940 e substituídas por seis canhões L/65 de 105 milímetros, quatro canhões SK C/30 de 37 milímetros e dez canhões Flak 30 de 20 milímetros. Ao final da guerra a bateria antiaérea tinha novamente sido reorganizada, consistindo em seis canhões Flak 28 de 40 milímetros, dez canhões de 37 milímetros e 28 canhões de 20 milímetros. Por fim, haviam oito tubos de torpedo de 533 milímetros em dois lançadores quádruplos montados na popa. O cinturão principal de blindagem tinha entre sessenta e oitenta milímetros de espessura. O convés superior tinha dezessete milímetros de espessura, enquanto o convés blindado principal ficava entre dezessete e 45 milímetros. As torres de artilharia principais tinham frentes de 140 milímetros e laterais de 85 milímetros. O navio também era equipado com dois hidroaviões Arado Ar 196 para reconhecimento aéreo e uma catapulta de lançamento.

História Início de serviço thumb|240px|A cerimônia de lançamento do Deutschland em 19 de maio de 1931 O Deutschland foi encomendado pela Reichsmarine dos estaleiros da Deutsche Werke em Kiel com o nome provisório Ersatz Preussen, sendo um substituto para o antigo couraçado pré-dreadnought . Seu batimento de quilha ocorreu em 5 de fevereiro de 1929, sob o número de construção 219. Ele foi lançado ao mar durante uma cerimônia ocorrida em 19 de maio de 1931, quando foi batizado por Heinrich Brüning, o Chanceler da Alemanha. O navio acidentalmente começou a deslizar pela rampa de lançamento enquanto Brüning ainda estava realizando o discurso de lançamento. Os testes marítimos começaram em novembro de 1932 logo depois dos trabalhos de equipagem terem sido finalizados. A embarcação foi comissionada na frota em 1º de abril de 1933.

O navio passou a maior parte de 1933 e 1934 realizando manobras de treinamento. Testes de velocidade iniciais em maio de 1933 indicaram que uma velocidade máxima de 25 nós (46 quilômetros por hora) era preferível, mas em testes ocorridos em junho o Deutschland alcançou 28 nós tranquilamente. Os testes terminaram em dezembro e o cruzador ficou pronto para o serviço ativo com a frota. O ditador Adolf Hitler visitou a embarcação em abril de 1934, supostamente passeando sozinho e conversando informalmente com os tripulantes. Ele fez várias visitas diplomáticas, incluindo em Gotemburgo na Suécia e uma visita de estado formal a Edimburgo na Escócia em outubro.

A embarcação realizou uma série de viagens de treinamento de longa-distância pelo Oceano Atlântico no início de 1935. Em março navegou até a região do Caribe e América do Sul. Ao voltar para a Alemanha entrou em uma doca seca para trabalhos normais de manutenção, além da instalação de novos equipamentos. Sua catapulta de aeronaves foi instalada nesta época, inicialmente recebendo dois hidroaviões Heinkel He 60. O Deutschland participou de manobras com a frota em águas alemãs no início de 1936. Em seguida teve a companhia de seu irmão recém-comissionado para um cruzeiro no Atlântico, que incluiu uma parada em Madeira.

Guerra Civil Espanhola A Guerra Civil Espanhola começou em 1936 e o Deutschland e o Admiral Scheer foram enviados para o litoral espanhol em 23 de julho a fim de realizarem patrulhas de não-intervenção próximas das áreas controladas pela facção republicana. Suas torres de artilharia foram pintadas com grandes faixas pretas, brancas e vermelhas a fim de ajudar na identificação aérea e também indicar que era uma embarcação neutra. Seus deveres durante esse período incluíam evacuação de refugiados fugindo das zonas de guerra e proteção de navios alemães carregando suprimentos para a facção nacionalista, além de aquisição de inteligência para os nacionalistas.

thumb|esquerda|240px|O Deutschland em 1938 durante uma patrulha de não-intervenção O Deutschland atracou em Palma de Maiorca nas Ilhas Baleares em maio de 1937 junto com vários outros navios de guerra neutros britânicos e italianos. O porto foi atacado por aeronaves republicanas, porém disparos antiaéreos dos navios afastaram os atacantes. Os barcos torpedeiros Seeadler e Albatros escoltaram o Deutschland para a ilha de Ibiza no dia 24. Ele foi novamente atacado por bombardeiros republicanos enquanto estava atracado no local; dois Tupolev SB-2 de origem soviética, pilotados secretamente por pilotos das Forças Aéreas Soviéticas, realizaram o ataque. O cruzador foi acertado por duas bombas; a primeira penetrou o convés superior próximo da ponte de comando e explodiu acima do convés blindado principal, enquanto a segunda acertou próxima do terceiro canhão de 149 milímetros de estibordo, causando sérios incêndios. O ataque matou 31 marinheiros e feriu outros 74.

O cruzador rapidamente deixou o porto. Ele se encontrou com o Admiral Scheer para embarcar mais médicos antes de seguir para Gibraltar, onde os mortos foram enterrados com honras militares completas. Entretanto, Hitler ordenou dez dias depois que os homens fossem exumados e enterrados na Alemanha. Os feridos também foram evacuados para Gibraltar para tratamento médico. Hitler ficou furioso com o ataque e ordenou que o Admiral Scheer bombardeasse o porto de Almeria em retaliação ao chamado "Incidente do Deutschland". O ditador soviético Josef Stalin posteriormente emitiu ordens de que mais ataques contra navios alemães e italianos estavam proibidos.

O Deutschland passou a maior parte dos anos de 1938 e 1939 realizando manobras de treinamento com o resto da frota e fazendo visitas diplomáticas para diversos portos estrangeiros. Ele fez uma visita oficial à Espanha em 1939 depois da vitória nacionalista na guerra civil. Ele participou de um grande exercício da frota no Atlântico junto com seu irmão Admiral Graf Spee e os cruzadores rápidos , e , mais vários contratorpedeiros, u-boots e embarcações de suporte.

Segunda Guerra Mundial Primeiras ações thumb|240px|O Deutschland c. 1936 O navio deixou Wilhelmshaven em 24 de agosto de 1939, uma semana antes da invasão alemã da Polônia, seguindo para uma posição ao sul da Groenlândia. Ele estaria preparado para atacar embarcações mercantes Aliadas em caso de uma guerra após o ataque contra a Polônia. O navio de suprimentos Westerwald foi designado para apoiar o Deutschland durante a operação. O cruzador recebeu ordens para manter direitos de prêmios, que exigia que o Deutschland parasse e vasculhasse navios por contrabandos antes de afundá-los, além de garantir que as tripulações fossem evacuadas em segurança. A embarcação também recebeu ordens de evitar combates até mesmo contra forças inferiores, pois a interrupção comercial era o objetivo principal. Hitler esperava negociar uma paz com o Reino Unido e a França depois de tomar a Polônia, assim só autorizou o começo da missão de ataque comercial do Deutschland em 26 de setembro. Nesse momento o cruzador já tinha seguido mais para o sul a fim de caçar na rota Bermudas-Açores.

O cruzador encontrou e afundou o navio de transporte britânico HMTS Stonegate em 5 de outubro, porém este antes conseguiu enviar um sinal de socorro informando embarcações na área sobre a presença do Deutschland. Em seguida rumou para o norte até a rota de Halifax, onde encontrou no dia 9 o cargueiro norte-americano SS City of Flint. Os alemães descobriram que o navio estava carregando contrabando e assim foi tomado. Uma tripulação alemã assumiu o controle do navio, levando-o junto com sua tripulação original prisioneira para Murmansk. Entretanto, o City of Flint acabou tomado pela Noruega em Haugesund e seu controle foi restaurado à sua tripulação norte-americana. Enquanto isso, o Deutschland encontrou e afundou o navio de transporte norueguês Lorentz W Hansen em 14 de outubro. No mesmo dia parou o navio dinamarquês Kongsdal; quando ficou claro que este estava seguindo para um porto neutro, os prisioneiros do Lorentz W Hansen foram colocados a bordo e a embarcação pode prosseguir. O Kongsdal depois relatou o encontro para a Marinha Real Britânica e confirmou que o Deutschland era o navio operando no Oceano Atlântico.