Jornalismo em quadrinhos (também conhecido pelas siglas JQ e JHQ, ou jornalismo em BD, em Portugal) é uma modalidade de jornalismo realizada a partir da linguagem da arte sequencial. O termo foi cunhado pelo repórter e ilustrador maltês Joe Sacco, que em 1994 publicou o livro Palestina, considerado pioneiro no gênero.https://portalrevistas.ucb.br/index.php/esf/article/download/8062/5339

Embora Joe Sacco costume ser referenciado como o primeiro autor de JHQ, em 1991 o sueco Art Spiegelman lançou o livro Maus, onde retrata a realidade de seu pai em um campo de concentração e que veio a vencer o prêmio Pulitzer, maior premiação jornalística do mundo. Mesmo não sendo propriamente uma obra jornalística, mas sobretudo biográfica, Maus utiliza de recursos como a entrevista e a pesquisa por meio de fontes diretas.

Existem alguns veículos especializados em produção de JHQ, como o site ArchComix, criado pelo HQ-repórter estadunidense Dan Archer, o portal colaborativo Cartoon Movement , a revista francesa La Revue Dessinée, a estadunidense The Nib, o portal espanhol Pictolinehttps://ijnet.org/es/story/el-modelo-de-pictoline-para-viralizar-la-informaci%C3%B3n, a revista chileno-espanhola El Otro Archivo https://www.elotroarchivo.com/ o site indonésio Jurnaliskomik https://ijnet.org/pt-br/story/m%C3%ADdia-na-indon%C3%A9sia-usa-quadrinhos-para-engajar-leitores e a revista brasileira Badaró.

Portugal

O livro Reportagem Especial (2016), de Bruno Pinto, Penim Loureiro e Quico Nogueira, apesar de ser narrado por uma personagem fictícia, é um trabalho jornalístico baseado em pesquisa, entrevista e apuração. A obra trata das mudanças climáticas e seus impactos.

A série Tudo Isto É Fado!, publicada por Nuno Saraiva na revista Tabu, do jornal Sol, entre 2014 e 2015, é outro exemplo de jornalismo desenhado feito em Portugal. Em 2016, o trabalho foi distinguido como Melhor Álbum no Festival da Amadora, principal premiação de quadrinhos (banda desenhada) do país.

Brasil

No Brasil, um dos pioneiros do gênero é Alexandre De Maio, autor do livro Raul (2018) e de diversas matérias em quadrinhos. Em 2014, De Maio realizou junto à Agência Pública a reportagem Meninas em Jogo, onde denuncia o turismo de exploração sexual durante a Copa do Mundo. Em maio de 2021, participou da série Aprisionadas do Jornal da Record, usando a linguagem do jornalismo em quadrinhos.

O primeiro livro-reportagem em quadrinhos de que se tem registro no Brasil é Notas de um tempo silenciado (2015) de Robson Vilalba, que também desenvolveu reportagens para veículos como Le Monde Diplomatique, Folha de S.Paulo, Plural e Gazeta do Povo. A obra resultou da compilação de matérias da série Pátria Armada, Brasil, feita para a Gazeta do Povo e que venceu o Prêmio Vladimir Herzog. Na mesma premiação, em 2017, houve menção honrosa à reportagem A Execução de Ricardo, de Júlio Falas, Bruno Nobru e Ciro Barros para a Agência Pública, veículo que também publicou O Haiti É Aqui (2016), de Adriano Kitani e Enio Lourenço. Em 2021, a entrevista ilustrada LGBTfobia está atrelada ao processo de colonização, publicada pela Revista Badaró, também foi laureada com a menção honrosa na mesma premiação.

Também em 2015 foi lançado o livro Cortabundas: O Maníaco do José Walter de Talles Rodrigues, resultado de seu trabalho de conclusão de curso. Em 2018, Amanda Ribeiro e Luiz Fernando Menezes produziram Socorro! Polícia!, também na modalidade de livro-reportagem em forma de HQ, https://www.saraiva.com.br/socorro-policia-um-quadrinho-sobre-o-que-a-pm-sofre-e-o-que-sofremos-com-ela-10134169/p e em 2021, os mesmos autores lançaram O Time do Vírus, obra vencedora do prêmio HQ Mix na categoria Projeto Especial na Pandemia.

Outras obras de jornalismo em quadrinhos produzidas no Brasil são:

Estilhaço: Uma Jornada pelo Vale do Jequitinhonha (2015), de Carol Ito; Quatro Marias (2016) de Helô D'Angelo e Joyce Gomes; Alvorada em Quadrinhos (2017), de Pablito Aguiar; Diasporados (2018), de Norberto Liberator; Parque das Luzes (2019), de Cecilia Marins, Maria Allice Di Vicentis e Tainá Freitas; Filhas do Campo (2019), de Gabriela Güllich; Conversas em Porto Alegre (2024) de Pablito Aguiar; Vozes Invisíveis: Relatos de Resistência LBT em Campo Grande (MS) (2025), de Marina Duarte;

A revista Badaró, que estreou em 2019, foi o primeiro e se mantém como único veículo brasileiro especializado no jornalismo em quadrinhos. Em sua versão digital, a Badaró publica semanalmente reportagens, matérias curtas (drops), entrevistas e outros formatos jornalísticos utilizando a linguagem das HQs. Desde 2023, também é editada a revista impressa, integralmente na linguagem dos quadrinhos.

Desde março de 2019, o site Aos Fatos tem uma seção de Jornalismo em HQ em seu site. Os quadrinhos explicativos foram finalistas do prêmio Vladimir Herzog em 2020.

O Canal Reload, lançado em 2020, também publica constantemente reportagens em quadrinhos e conta com trabalhos dos ilustradores Fernando Rocha Aguiar e Nathan Albrecht.

A Revista O Grito lançou, em fevereiro de 2024, o selo HQ de Fato, em parceria com a editora Conrad.

Revista Badaró Atualmente em formato digital e impresso, a Badaró é o primeiro veículo da língua portuguesa especializado em produções jornalísticas em quadrinhos. A primeira matéria da revista foi publicada no dia 11 de setembro de 2019.

Desde então, dedica-se a diferentes formatos dentro da proposta do JHQ. Além disso, a Badaró também publica reportagens em quadrinhos e híbridas entre HQ e texto, bem como explora o audiovisual, as colagens, infográficos e podcasts, de acordo com seu próprio manifesto. A primeira versão impressa foi lançada em 2023 e, a partir de 2024, o conteúdo impresso passou a ser exclusivo e com planos de assinatura.

Em 2021, a entrevista em quadrinhos LGBTfobia está atrelada ao processo de colonização, publicada pela revista digital, foi premiada com a Menção Honrosa na categoria Arte, no Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.

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