Livre-arbítrio ou livre-alvedrio são expressões que denotam a vontade livre de escolha, as decisões livres dada por Deus ao homem. Ele é um bem e um dom de Deus. A maioria dos crentes entende que o livre-arbítrio é a faculdade de escolhermos entre o Bem e o Mal. A existência do livre-arbítrio tem sido uma questão central na religião. O conceito de livre-arbítrio tem implicações religiosas. No domínio religioso o livre-arbítrio pode implicar que uma divindade onipotente não imponha seu poder sobre a vontade e as escolhas individuais. Existe debates na ética, psicologia, filosofia e ciência.

Visão teológica

Religião cristã Na visão Teológica Bíblica Doutrinaria, sendo ela na visão do antigo testamento ou novo testamento, nunca se aponta a ideia da Livre Decisão de Escolha, sem que haja uma consequência, portanto há uma decisão a ser tomada mas com a condição de condenação diante de Deus, exemplo escolher estar do lado do mal, vai me trazer consequências, por esse motivo não é uma livre escolha sem haver consequência. Para um melhor entendimento: Um funcionário faltou ao empreso e recebeu uma advertência, faltou novamente e foi desligado da empresa, ele teve seu arbítrio, mas não ficou isento de punição, pois tinha conhecimento das regras.

O problema do livre-arbítrio assumiu um caráter bastante novo com o advento da religião cristã. A doutrina de que Deus criou o homem, ordenou que ele obedecesse à lei moral e prometeu recompensá-lo ou puni-lo por observância ou violação dessa lei, fez da realidade da liberdade moral uma questão de importância transcendente. A menos que o homem seja realmente livre, ele não pode ser responsabilizado por suas ações, assim como ser responsabilizado pela data de seu nascimento ou pela cor de seus olhos. Todos são inexoravelmente predeterminados para ele. Novamente, a dificuldade da questão foi aumentada ainda mais pelo dogma cristão da queda do homem e sua redenção pela graça. São Paulo, especialmente em sua Epístola aos Romanos, é a grande fonte da teologia católica da graça.

A questão do livre-arbítrio foi frequentemente debatido na igreja do Ocidente, assim no século IV, entre Agostinho de Hipona, e Pelágio, no século XVI entre Erasmo de Roterdão e Lutero e no século XVII entre Jansenistas e Jesuítas.QUINSON, Marie-Therese (1999). Dicionário cultural do cristianismo. Edicoes Loyola. p. 184. ISBN 978-85-15-01330-2.

Em teologia frequentemente se alega que a doutrina da onisciência divina está em conflito com o livre-arbítrio. Afinal de contas, se Deus sabe exatamente o que ocorrerá, incluindo cada escolha feita por cada pessoa, o status das escolhas como livres está em questão. Parece que o conhecimento eterno de Deus sobre as escolhas individuais constrange a liberdade individual. Esse problema está relacionado ao problema aristotélico dos futuros contingentes: amanhã ocorrerá ou não ocorrerá uma batalha naval. Se haverá uma batalha naval, então isso é verdade hoje. Então seria necessário que a batalha ocorresse. Se não haverá, então, por um raciocínio similar, necessariamente não haverá. Isso significa que o futuro, qualquer que seja, está completamente fixado por verdades passadas, ou melhor, pelas proposições verdadeiras enunciadas no presente sobre o futuro.

Isso não é necessariamente verdade, visto que a imprevisibilidade está intimamente associada à aleatoriedade. A imprevisibilidade poderia significar indeterminismo e não livre-arbítrio, dessa forma é possível que uma atitude seja livre, mesmo sendo previsível.

Alguns filósofos creem que ter livre-arbítrio é equivalente a ter uma alma. Assim, de acordo com essa alegação, animais não têm livre-arbítrio, para aqueles que acreditam que os animais não têm alma, outros já acreditam que os animais têm tanto livre-arbítrio quanto alma. Com Calvino, a pré-ordenação de Deus é, se possível, ainda mais fatal para o livre arbítrio. O homem não pode realizar nenhum tipo de bom ato, a menos que seja necessário pela graça de Deus à qual é impossível resistir. É absurdo falar da vontade humana "cooperando" com a graça de Deus, pois isso implicaria que o homem poderia resistir à graça de Deus. A vontade de Deus é a própria necessidade das coisas. Objeta-se que, neste caso, Deus às vezes imponha ordens impossíveis. Calvino e Lutero respondem que os mandamentos de Deus não nos mostram o que podemos fazer, mas o que devemos fazer.

Na condenação dessas opiniões, o Concílio de Trento declarou que o livre arbítrio do homem, movido e excitado por Deus, pode, por seu consentimento, cooperar com Deus, que excita e convida sua ação; e que ele pode assim se dispor e se preparar para obter a graça da justificação.

Responsabilidade moral Normalmente a sociedade considera as pessoas responsáveis pelas suas ações. Normalmente as pessoas são elogiadas ou reprovadas pelas suas ações. Contudo, muitos acreditam que a responsabilidade moral requer livre-arbítrio, isto é, a capacidade de agir de outro modo. Assim, outra questão importante é se os indivíduos sempre são moralmente responsáveis, e, se sim, tendem a pensar que o determinismo não combina com a responsabilidade moral. Afinal de contas, parece impossível que se possa considerar alguém responsável por uma ação que poderia ser prevista desde o início dos tempos.

Paulo de Tarso, na "Epístola aos Romanos" 9:21, põe a questão da responsabilidade moral da seguinte maneira: "Porventura não é o oleiro senhor do barro para poder fazer da mesma massa um vaso para uso honroso e outro para uso vil?" Nessa visão os indivíduos podem ser desonrados pelos seus atos mesmo embora esses atos sejam, no final das contas, completamente determinados por Deus. Uma visão similar defende que a culpabilidade moral do indivíduo repousa no seu caráter. Isto é, uma pessoa que Deus lhe deu um caráter de um assassino não tem outra escolha senão assassinar, mas ainda assim pode ser punida porque é certo punir aqueles que tem um mau caráter.Does God Control All Things All the Time?

Reformadores protestantes upright=1|thumb|"...o arbítrio humano tem alguma liberdade para escolher a retidão civil e para realizar coisas sujeitas à razão. Mas é incapaz, sem o Espírito Santo, de realizar a justiça de Deus, ou seja, a retidão espiritual..." - Confissão de Augsburgo, art. 18: Sobre o Livre ArbítrioAugsburg Confession, Article XVIII: Of Free Will. Uma característica importante no ensino dos reformadores do século XVI, especialmente no caso de Lutero e Calvino, foi a negação do livre arbítrio. Escolhendo das Escrituras, e particularmente de São Paulo, os textos que enfatizavam a importância e a eficácia da graça, a providência predominante de Deus, Seus decretos de eleição ou predestinação e a fragilidade do homem, eles chegaram à conclusão de que a vontade humana, em vez de dominar seus próprios atos, é rigidamente predeterminada em todas as suas escolhas ao longo da vida.

Como conseqüência, o homem é predestinado antes de seu nascimento a punição eterna ou recompensa de tal maneira que ele nunca pode ter qualquer poder real sobre seu próprio destino. Em sua controvérsia com Erasmus, que defendia o livre arbítrio, Lutero declarou francamente que o livre arbítrio é uma ficção, um nome que não cobre realidade, pois não está no poder do homem pensar bem ou mal, uma vez que todos os eventos ocorrem por necessidade.

Em resposta ao "De Libero Arbitrio" de Erasmus, ele publicou seu próprio trabalho, "De Servo Arbitrio", que se orgulha de enfatizar o desamparo e a escravidão do homem. A predestinação de todos os futuros atos humanos de Deus é interpretada de modo a excluir qualquer possibilidade de liberdade. Uma necessidade interna inflexível transforma a vontade do homem em qualquer lugar que Deus predeterminar. A vontade pode resistir à graça, se assim o desejar. Não é como uma coisa sem vida, que permanece puramente passiva. Enfraquecido e diminuído pela queda de Adão, o livre arbítrio ainda não é destruído na corrida (Sess. VI, cap. I e v).

Um ponto levantado por Arminius é em relação ao livre arbítrio. A doutrina arminiana faz uma releitura das idéias pelagianas, o semipelagiano. Para os arminianos, após a queda de Adão o homem ficou em completo abandono espiritual. Deus deu ao homem a capacidade de regeneração, para que cada ser humano tenha a possibilidade de salvação, através da fé e do arrependimento. Dessa forma, tem o homem a liberdade entre escolher o bem e o mal. Isso mostra que a natureza de Adão não é de toda escravizada pelo pecado, dando-lhe, assim, a possibilidade de libertar-se por opção. O homem pode, inclusive, resistir a ação do Espírito Santo – o que é inadmissível para os calvinistas. É necessaraia a livre contribuição do homem para se chegar a salvação.

Os calvinistas arrazoam que a natureza pecaminosa do homem impede qualquer aproximação de Deus. Não tem absolutamente nada que lhes fazem aproximarem do Criador, a não ser o irresistível chamado do Espírito Santo. A fé que o pecador tem já é uma dádiva especial de Deus, concedida seletivamente somente para aqueles predestinados desde a fundação dos séculos. Devido sua tradição pentecostal, ser fortemente arminiana, esse ponto é o que a Congregação Cristã mais próximo chega da teoria calvinista. A Graça de Deus é revelada a poucos – a quem ele quer a salvação, da forma que ele quer. A vontade de Deus é soberana na escolha dos salvos, independentemente de qualquer ação da pessoa. Para cada indivíduo selecionado, Deus o instrumentaliza com fé e forças necessárias. Não são as qualidades do ser humano que o faz apreciável a salvação diante dos olhos Divinos. Nesses termos, a salvação é muito mais fruto de uma decisão de Deus pelo pecador do que o inverso.

É muito popular na Congregação Cristã o versículo de que "muitos são chamados, mas pouco são escolhidos". Subentende-se aqui que mais do que a vontade de Deus, é necessário também o homem fazer sua parte. O livre arbítrio do homem pode redundar em negativa ao chamado espiritual. O ato de crer do homem é que possibilita a ação do Espírito Santo. Ao perguntar se alguém aceitava Jesus, dá-se erroneamente ao homem a livre opção para sua salvação.

A Congregação Cristã uma soteriologia muito próxima a arminiana, resumindo-se a: a) salvação adquirida por esforços de Deus (o comando) e do homem (a resposta a priori sem propósito); b) a salvação está disponível a humanidade, precisando para isso Deus dar a fé; c) as escolhas do homem são fundamentais para a salvação dos escolhidos; d) a salvação é disponibilizada somente por Deus e adquirida pelo homem mediante a fé – resultante da ação resistível do Espírito Santo.

Arminiano O Arminianismo, pelo menos em sua forma clássica, nega o livre-arbítrio após a Queda. Tanto para Jacó Armínio como para arminianos como John Wesley, o livre-arbítrio do homem caído está destruído. A menos que seja assistida pela graça divina, a vontade do homem é livre apenas para o mal. Claro que esse tipo de Arminianismo difere-se bastante da forma de Arminianismo mais propagada na atualidade. Livre-arbítrio - Segundo os arminianos, é a condição que Deus dá ao homem para agir e ser livre, com capacidade para fazer as suas próprias escolhas, inclusive aquelas que não estão de acordo com a vontade divina. O Eterno tem poder para impedir que o homem faça o bem e o mal, no entanto deixa o caminho livre, cabendo ao homem decidir, sendo ele responsável por seus próprios atos. (SARP)

Na teologia arminiana Deus é descrito como onisciente e onipotente. Por causa disso muitas pessoas, acreditam não apenas que Deus sabe quais decisões o indivíduo tomará amanhã, mas também que Deus determina tais escolhas. Todavia, proponentes do livre-arbítrio alegam que o conhecimento de um acontecimento é totalmente diferente da causação do acontecimento.

Calvinismo Os calvinistas defendem a ideia que Deus escolhe aqueles que serão salvos antes da criação. Um dos maiores defensores dessa visão teológica é Jonathan Edwards.