O Caso Daniel Corrêa refere-se ao assassinato do futebolista Daniel Corrêa Freitas, que foi encontrado morto no dia 27 de outubro de 2018, em um matagal na Colônia Mergulhão, zona rural de São José dos Pinhais, no Paraná. Ele havia sido parcialmente degolado e seu pênis havia sido cortado.esporte.uol.com.br/ Encontrado morto, ex-são-paulino Daniel foi vítima de crime bárbaro no PR O cadáver foi encontrado por um morador da região que viu marcas de sangue no chão de uma estrada rural e seguiu o rastro até o corpo da vítima. O crime foi cometido por Edison Brites após sua esposa, Cristiana Brites, acusar Daniel de tentativa de estupro.

No final do dia 27, a assessoria de imprensa do jogador confirmou a morte em seu Twitter. O IML, mesmo não divulgando a causa oficial da morte, descreveu que se tratava de "vítima de arma branca", provavelmente uma faca.globoesporte.globo.com/ Testemunha diz à polícia que jogador Daniel foi espancado antes de morrer Segundo um laudo realizado pela perícia no corpo do jogador e divulgado dias depois, o jogador apresentava 13,4 decigramas de álcool por litro de sangue, mas não havia usado outras drogas.g1.globo.com/

Devido à crueldade do crime, o caso teve grande repercussão nacional e foi considerado pelo site G1 como um dos 15 crimes que abalaram o Brasil em 2018. Foi, ainda, a matéria mais lida da editoria local do jornal Bem Paraná, em 2018.globoesporte.globo.com/ Imprensa internacional repercute morte do meia Danielg1.globo.com/ Retrospectiva 2018: 15 crimes que abalaram o Brasilbemparana.com.br/ Caso Daniel é a matéria mais lida da editoria local do Bem Paraná em 2018. Veja as dez mais acessadas

O São Paulo Futebol Clube, agremiação com a qual Daniel tinha vínculo de trabalho até o final de 2018, pagou os honorários do atleta à família da vítima até o final do contrato, além de ter ajudado com traslado do corpo e enterro.esportes.r7.com/ São Paulo promete pagar salário de Daniel até fim de contrato

Daniel foi enterrado no Cemitério Nossa Senhora da Conceição, em Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais, cidade na qual passou parte da infância. O velório foi realizado no Ginásio Poliesportivo do Clube Carijós, onde ele deu seus primeiros passos no futebol, ainda na infância.globoesporte.globo.com/ Silêncio de familiares, presença de colegas e busca por respostas: Daniel é enterrado em Minas Gerais

No final de 2021, dos sete réus, apenas Edison Brites continuava preso. O restante aguardava o julgamento em liberdade.

Investigação do assassinato De acordo com a polícia, Daniel viajou até Curitiba para comemorar o aniversário de 18 anos de Allana Brittes na casa noturna sertaneja Shed Bar. O evento aconteceu em 26 de outubro.g1.globo.com/ Vídeo mostra jogador Daniel em festa de suspeitos antes do crime Imagens gravadas pelas câmeras de segurança local confirmam que a festa aconteceu e que Daniel era um dos presentes.jornalcorreiodacidade.com.br/ Polícia Civil do Paraná recebe imagens da casa noturna onde esteve Daniel A comanda da casa noturna também registra que Daniel esteve na boate.pr.ricmais.com.br/ Exclusivo: Veja comanda da Família Brittes em boate antes do crime Segundo a administração do local, o jogador de futebol não se envolveu em nenhuma confusão no local.

Após as comemorações na boate, ele teria seguido com outras pessoas para a residência de empresário Edison Luiz Brittes Jr., pai da aniversariante, onde ocorreria uma extensão da festa.

Já na residência da aniversariante, Daniel enviou mensagens via Whatsapp a um amigo que mostravam que ele estava numa cama ao lado de Cristiana Brittes (mãe da aniversariante), que estava dormindo, e afirmando ter tido relações sexuais com ela.hojeemdia.com.br/ Empresário confessa que matou jogador; leia conversa da vítima com amigo Em depoimento à polícia, este amigo afirmou que, no grupo de WhatsApp, era comum os rapazes tirarem uma foto "no momento que a mulher estava dormindo" e enviar aos amigos.esporte.uol.com.br/ Caso Daniel: Jogador mandava fotos de mulheres no WhatsApp, diz amigo

No dia 27 de outubro, a mãe do jogador entrou em contato com a Allana Brittes para saber sobre seu filho, já que este estava desaparecido. Na conversa, Allana afirmou que nada de anormal havia acontecido em sua festa e que o jogador havia saído com uma de suas amigas.pr.ricmais.com.br/ Allana trocou mensagens por WhatsApp com a mãe de Daniel e mentiu Algumas horas depois, o corpo de uma pessoa, parcialmente degolado e com cortes na região pubiana, foi encontrado no meio de um matagal. Segundo relatos do homem que encontrou o corpo: “vi uma poça de sangue na beira da estrada, o que não é comum, muito sangue. Parei o carro e desci pra ver o que se tratava. Fui entrando, tinha rastro de sangue apagado. Quando cheguei lá, vi que era o corpo de uma pessoa”. Ele então retornou ao carro e foi para casa, de onde acionou a Polícia Militar. Depois, retornou com a Polícia ao local e indicou a localização exata do corpo.

Preocupados com o desaparecimento do atleta, os parentes passaram a procurá-lo em hospitais da região. Um primo foi até o IML e fez o reconhecimento do corpo pelas cicatrizes que o atleta tinha no joelho, por conta das várias lesões que tivera durante a carreira.esportes.r7.com/ Lesões do futebol ajudaram família a identificar corpo de Daniel Corrêa

Tão logo a notícia da morte de Daniel foi divulgada, Edison Luiz Brittes Jr. ligou para a mãe do jogador para dar pêsames e oferecer auxílio.gazetaesportiva.com/ Suspeito ligou para dar pêsames à mãe de Daniel, diz parente da vítima Edison também ligou para um amigo do jogador, ocasião em que disse que Daniel saiu sozinho da casa da família, e lamentou sua morte. Dias depois, a Polícia descobriu que as ligações foram feitas de um celular de um homem assassinado em 2016, também em São José dos Pinhais. O promotor João Milton Sales estranhou o fato, questionando: "quem anda com um celular de um morto?"g1.globo.com/ Caso Daniel: Suspeito de matar jogador deu os pêsames à família usando celular de homem assassinado em 2016, diz MP

No dia 29 de outubro, câmeras de segurança de um shopping flagraram Edison Brittes, sua mulher, Cristiana, e sua filha, Allana, na praça de alimentação. Eles aguardavam mais 3 pessoas, que também estiveram envolvidas com o crime.g1.globo.com/ Câmeras de shopping flagram encontro de suspeitos da morte do jogador Danielesporte.ig.com.br/ Entre sorrisos, família Brittes combina versão da morte de Daniel em shopping Todos foram convidados por Allana, via mensagem de WhatsApp, com os seguintes dizeres: "quero convidar você para a minha festinha. Da semana que vem. Lá no shopping. Ai comeremos algo".terra.com.br/ Caso Daniel: sete pessoas serão indiciadas; versão do crime teria sido combinada em "festinha" Testemunhas afirmaram, dias depois, que Edison marcou esse encontro para montar um álibi e combinar o que deveria ser dito, caso fossem procurados pela Polícia. De acordo com as testemunhas, Edison propôs que eles "fechassem um elo" e que se alguém falasse algo, ele saberia quem era.

No dia 31 de outubro (4 dias após a morte de Daniel), câmeras de segurança de uma loja de assistência técnica de aparelhos celulares flagraram Edison e sua esposa, Cristiana. Eles foram até a loja às 17h50min. Segundo a responsável pelo local, Cristiana estava abatida quando chegou ao estabelecimento e se reservou a falar apenas sobre os problemas do celular. De acordo com a assistência, o celular estava com defeito na placa de áudio, na parte do microfone, e ficou lá para ser consertado. Após descobrir que o casal Brittes tinha envolvimento no caso Daniel, a responsável pela loja entrou em contato com a Polícia Civil e entregou o aparelho aos investigadores no dia 5 de novembro.pr.ricmais.com.br/ EXCLUSIVO: casal queria vender celular de Cristiana Brittes após crimeesporte.uol.com.br/ Cristiana Brittes levou celular para conserto 4 dias após morte de Daniel O aparecimento do aparelho na assistência técnica levanta suspeitas de que o real motivo do conserto seria a formatação do equipamento.tribunapr.com.br/ Celular de Cris Brittes é entregue à polícia

Depoimentos Testemunha Chave No dia 31 de outubro, uma testemunha considerada chave pela Polícia Civil, pois havia estado com Daniel momentos antes da morte, prestou um depoimento no qual afirmou que, após o jogador ter sido flagrado com a esposa do réu, ele teria sido espancado e violentamente assassinado. Ainda segundo esta mesma testemunha, o autor do crime procurou as pessoas que estavam na casa para montar um álibi mudando as versões dos fatos. A testemunha informou também que não sabia afirmar o que havia ocorrido enquanto Daniel estava sozinho no quarto com a mulher.

No dia 19 de novembro, seu advogado, Jacob Filho, foi até à Delegacia de São José dos Pinhais para levar áudios de ameaças recebidas pela mãe de seu cliente através do telefone celular. “Logo depois que a testemunha veio até a delegacia de polícia e relatou tudo o que aconteceu, sua mãe passou a receber mensagens ameaçadoras, dizendo que ‘um bandidão’ procurou um tal de Tico, um amigo em comum dele e de Brites, dizendo que se ele voltar a São José dos Pinhais, será ‘apagado’", contou.esporte.uol.com.br/ Caso Daniel: Áudios mostram relatos de ameaça de morte a testemunha-chaveparanaportal.uol.com.br/ Testemunha do caso Daniel “está jurada de morte”

Edison Luiz Brittes Jr. No dia 1 de novembro, o suspeito, Edison Luiz Brittes Jr., entregou-se à polícia e, de forma informal, confessou o crime, alegando "defender a honra de todas as mulheres, já que Daniel teria estuprado sua esposa". Ele foi detido e indicou o local onde a arma branca teria sido descartada (ele afirmou que a faca usada foi jogada em um lago).esporte.ig.com.br/ Homem confessa que matou Daniel porque jogador tentou estuprar sua mulher No local, o pênis decepado do jogador foi encontrado pendurado em uma árvore, a cerca de 20 metros do local onde onde o corpo de Daniel havia sido encontrado.lance.com.br/ Suspeito diz onde jogou faca usada contra Daniel e pênis decepado é encontrado O advogado de defesa, Cláudio Dalledone Júnior, sustentou que o jogador não era próximo de Allana e foi até a residência, onde foi espancado, sem ser convidado. Ele afirma ainda que, após o jogador entrar no quarto e tentar estuprar a esposa do empresário, Edison espancou o jovem, colocou-o dentro do carro (modelo Hyundai Veloster) e foi até a área rural de São José dos Pinhais com a intenção de abandoná-lo vivo. No trajeto, porém, Edison teria visto as fotos enviadas por Daniel via WhatsApp para o amigo e, com isto, teria perdido o controle e matado o jovem.

No dia 7 de novembro, Edison prestou um depoimento formal à Polícia. Mesmo com a negativa de tentativa de estupro por parte da Polícia Civil, reforçou que sua esposa havia sido violentada por Daniel. Ele confessou novamente que matou o jogador, mas mudou alguns pontos que havia dito anteriormente, sendo um deles o de que não teria arrebentado a porta do quarto, mas que havia entrado pela janela. Ele informou ainda que havia combinado um encontro com testemunhas em um shopping de São José dos Pinhais com o objetivo de "protegê-las”.bemparana.com.br/ Suspeito de participar da morte do jogador Daniel é preso em Foz do Iguaçu

Allana Brittes No dia 1 de novembro, o advogado de defesa de Edison divulgou um vídeo em que Allana Brittes corrobora a tese de seu pai, que afirmou ter socorrido a mulher de uma tentativa de estupro. Também afirmou que jamais manteve relacionamento com Daniel e que não o havia convidado para a festa em sua casa.

Seu depoimento foi prestado à Polícia no dia 05 de novembro. Nele, Allana relatou que o pai recomendou "inventar a história de que Daniel estava na festa da sua casa, mas havia saído pelo portão, tomando rumo ignorado".g1.globo.com/ Mulher de suspeito diz que acordou com jogador em cima dela e que ele falava "Calma, é o Daniel"

Cristiana Brittes