Hesíquio I ou Húsico (; ), dito o Parta (), foi católico de 341/2 a 347/8. Era neto de Gregório, o Iluminador e filho de São Vertanes I e esteve ativo no reinado de . Desposou uma filha de Tigranes e teve dois filhos, Papa e Atenógenes. Foi espancado até a morte sob ordens de Tigranes em 347/8 após um desentendimento numa igreja. Ele é reverenciado como santo.

Nome

Hesíquio (; , Hēsúkhios) ou Húsico () são as formas grega e latina do armênio Iusique (, Yusik) ou Husique (, Husik), que deriva do armênio yoys (armênio moderno huys), "esperança", com o sufixo diminutivo -ik. Seu nome significa, portanto, "pequena esperança". O sufixo -ik deriva do sufixo iraniano *-ika- (de *-yaka-), típico em muitos substantivos de origem iraniana.

Vida

Hesíquio era o filho mais novo de Vertanes com sua esposa de nome desconhecido e irmão de Gregoris. É incerta a data de seu nascimento. De acordo com Fausto, o Bizantino, foi criado na corte junto de Tigranes, filho do rei , que lhe entregou sua filha em casamento. Diz-se que a princesa concebeu na primeira noite do casal e Hesíquio recebeu uma visão divina segundo a qual teria dois filhos que não seriam aptos à vida ministerial. Alega-se que Hesíquio arrependeu-se da união e esbravejou que foi forçado a casar. Por conseguinte, nunca mais se relacionou com sua esposa. Segundo Fausto, em conformidade com a visão, nasceram os gêmeos Papa e Atenógenes. Enquanto vivia na corte, foi tratado com hostilidade, pois negava-se a aceitar os benefícios de ser parente da realeza e por evitar sua esposa. Nesse período, sua esposa faleceu, e Hesíquio foi poupado de calúnias a seu respeito. Fausto relata que Hesíquio permanecia inconformado pelo destino de seus filhos e um anjo desceu do céu e o consolou:

Hesíquio sucedeu seu pai como católico da Armênia pouco após a ascensão de Tigranes como rei. Fausto não explicita exatamente quando Vertanes faleceu. Moisés de Corene alega que a sucessão ocorreu no quarto ano do reinado de Tigranes, que é variadamente datada em 341 ou 342 Em conformidade com o costume, Tigranes ordenou que uma comitiva fosse organizada para conduzir Hesíquio até Cesareia Mázaca, na Capadócia, onde seria ordenado pelo bispo local. Compareceram a essa escolta Vologases de Anzitena, Zariadres de Sofanena, Varazes de Sofena Menor, Guenite Caminacano, Orodes de Vananda, Saíno Anzevaci, Atão de Coltena, Manavazo de Colbafora, Gorute de Zorofora, Manaspe Corcorúnio, Tirose Sarones e Aba Genúnio. Ao retornarem, Zariadres e Varazes foram incumbidos de seguir a frente e informarem o rei do sucesso da missão. Ciente, Tigranes marchou com suas tropas à planície no outro lado do rio, junto à ponte de Taper, onde saudou os recém-chegados. Dali, entraram na cidade de Artaxata, onde entronizaram Hesíquio na igreja local.

Segundo Fausto, durante seu episcopado Hesíquio dedicou-se à repreensão e admoestação das condutas impróprias do rei e dos nobres (nacarares), que cometiam iniquidades, adultérios, sodomia, derramamento de sangue, pilhagem, crueldade com os pobres e muitos outros pecados semelhantes. Durante uma celebração anual na igreja, Hesíquio proibiu que Tigranes entrasse. Em consequência, o rei arrastou-o para dentro da igreja, onde foi açoitado com varas e deixado no chão, quase morto. Segundo Moisés de Corene, esse episódio ocorreu no sexto ano de seu episcopado, em 347/8. As agressões foram feitas com correias de bois e os agressores o chicotearam até a morte. Como justificativa, o cronista afirmou que Hesíquio foi agredido após destruir uma estátua do anacrônico imperador Juliano recebida por Tigranes.

Nina Garsoïan propôs que ambos as versões do destino de Hesíquio são fantasiosas e é mais provável que seu assassinato esteve associado à sua aderência à ortodoxia de sua família, os gregóridas, em detrimento das tendências arianizantes do rei e sua corte. Moisés de Corene se limitou a afirmar que o corpo de Hesíquio foi levado à aldeia de Tordã (atual Doancoi, na Turquia), no distrito de Daranália, onde foi sepultado ao lado de seus antepassados. Fausto dá mais detalhes e afirma que os ministros da igreja palatina da fortaleza real de Babila, no distrito de Sofanena, o levantaram e levaram à aldeia de Tordã, onde morreu após alguns dias e foi sepultado junto de seu avô Gregório, o Iluminador e seu pai. O rei tomou conselho com a nobreza a respeito do sucessor de Hesíquio. Os filhos dele foram desconsiderados à sucessão, pois eram alegadamente ineptos ao cargo, e o rei consentiu com a possível nomeação do corebispo Daniel.

Avaliação

Fausto fez uma longa exaltação das características físicas e de caráter de Hesíquio:

Ver também

Notas

Bibliografia

Categoria:Armênios do século IV Categoria:Católicos de todos os armênios Categoria:Santos da Armênia Categoria:Família gregórida Categoria:Mortes por espancamento Categoria:Dinastia arsácida da Armênia