Adélia Sampaio (Belo Horizonte, 1944) é uma cineasta brasileiraAdélia Sampaio. Mulheres do Cinema Brasileiro do Cinema Novo e foi a primeira mulher negra a dirigir um longa no BrasilAdélia Sampaio, diretora negra que marcou o cinema nacional. Mulher no Cinema, 16 de março de 2016
Carreira
Filha de uma empregada doméstica, Adélia teve um início de vida difícil, sendo afastada de sua mãe durante a infância e criada em um asilo devido à dificuldade financeira da família. Aos 13 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro com sua família para morar com sua irmã, que trabalhava em uma distribuidora de filmes russos. Foi nessa época que teve seu primeiro contato impactante com o cinema ao assistir “Ivan, o Terrível” de Serguei Eisenstein em uma sala de cinema.
A partir dessa experiência, Adélia começou a buscar oportunidades no mundo cinematográfico e, no final da década de 1960, conseguiu um emprego como telefonista na Difilm, uma distribuidora brasileira associada ao Cinema Novo. Ela organizou o cineclube da empresa, onde projetavam filmes em 16 mm, e começou a se envolver na produção cinematográfica, desempenhando diversas funções como continuísta, maquiadora, câmera, montadora e produtora. Sua primeira experiência em um set foi como continuísta em um filme de Pedro Carlos Rovai.
Adélia foi uma pioneira na cinematografia negra brasileira, enfrentando um ambiente predominantemente patriarcal, branco e elitista.
Em 1979, ela estreou como diretora com o curta-metragem “Denúncia Vazia”, marcando o início de uma carreira que desafiaria barreiras e expandiria os horizontes do cinema nacional.A saga de uma mulher negra com o cinema. TPM, 7 de julho de 2017
Em 1984, Adélia lançou seu primeiro longa-metragem, “Amor Maldito”, do qual também foi roteirista em colaboração com José Louzeiro, além de produtora. O filme estreou em algumas salas de cinema de São Paulo, trazendo consigo um alerta de censura para maiores de 18 anos devido ao seu tratamento das temáticas LGBTQIAP+. Apesar da pouca divulgação inicial, o filme se revelou um sucesso e foi posteriormente exibido no Rio de Janeiro, conquistando um público mais amplo e participando de diversos Festivais Internacionais. Em 2018, “Amor Maldito” foi destacado no FIM CINE (Festival Internacional de Mulheres no Cinema) e na Mostra Diretoras Negras no Cinema Brasileiro. Este filme foi pioneiro ao abordar a temática lésbica no cinema brasileiro, contando uma história de amor verídica entre duas mulheres que, em face do desrespeito e homofobia da sociedade, acabam por tragédias pessoais.
A diretora enfrentou grandes obstáculos durante a produção do filme. Na época, a Embrafilme recusou financiamento para o projeto, alegando que não apoiaria tal temática, dizendo que “Jamais financiaria tal aberração”. Em um período dominado pelo movimento Pornochanchada, ela lutou contra o preconceito da indústria cinematográfica e teve que lançar seu longa sob um disfarce de gênero. Sem apoio estatal, a produção do filme se deu por meio de parcerias, tornando-o um dos primeiros longas-metragens cooperativos da época. Isso permitiu que atores e técnicos recebessem ajuda de custo e uma participação nos lucros do filme.
Adélia dirigiu importantes produções ao longo de sua carreira. Em 1987, lançou o documentário “Fugindo do Passado: Um Drink para Tetéia e História Banal”, que aborda a Ditadura Militar no BrasilAdélia Sampaio . Mulheres no Audiovisual. Em 2001, em colaboração com o jornalista Paulo Markun, dirigiu o longa “AI-5 - O Dia Que Não Existiu”, destacando-se pela sua proximidade com a oposição ao regime ditatorial. Em 2018 dirigiu “O Mundo de Dentro”, que estreou no Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo, consolidando ainda mais seu legado no cinema brasileiro.
Família Adélia se casou com o renomado jornalista Pedro Porfírio (1943–2018) e enfrentou desafios significativos, incluindo a prisão política do marido. Durante esse período, cuidou dos filhos de ambos, Vladimir e Geórgia. A casa de Adélia era um espaço potencialmente politizado, onde ela enfrentava diariamente o preconceito por sua cor, seus ideais e sua história. A cineasta também enfrentou uma tragédia pessoal com a perda de seu primeiro filho, durante a gestação, em decorrência de uma abordagem policial violenta durante uma manifestação na Cinelândia, quando tinha apenas 18 anos. Após o término do casamento, Adélia continuou a apoiar Pedro em sua carreira de dramaturgo, mantendo uma parceria profissional duradoura.
Obras
Como Diretora
Amor Maldito (1984) Denúncia Vazia (1979) Fugindo do Passado (1987)
Como Escritora
AI-5 - O Dia Que Não Existiu (2004) Amor Maldito (1984) Denúncia Vazia (1979) O Segredo da Rosa (1974)
Como Produtora
Amor Maldito (1984) Parceiros da Aventura (1980) Ele, Ela, Quem? (1980) O Segredo da Rosa (1974)
Como Diretora de Arte
AI-5 - O Dia Que Não Existiu (2004)
Ligações externas
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