thumb|upright=1.3|direita|"Cena da Guerra contra os Turcos" (1857) de Bálint Kiss. Sobre a Guerra contra os Turcos () é um livro escrito por Martinho Lutero em 1528 e publicado em 1529Brecht, p. 364.. Trata-se de um dos vários panfletos e sermões de Lutero sobre o islã e a resistência ao Império Otomano durante o crítico período de expansão muçulmana na Europa, marcado pela captura de Buda em 1526 e o Cerco de Viena em 1529.

Conteúdo Em sua obra "Explicação sobre as Noventa e Cinco Teses" Lutero já havia defendido contra a resistência aos turcos, que ele considerava como sendo um flagelo enviado intencionalmente por Deus para punir os cristãos pecadores, pois resistir seria equivalente a resistir à vontade de DeusCunningham (2000), p. 141.. Esta opinião foi inicialmente compartilhada por Erasmo também, mas foi duramente criticada por autores como Thomas MoreThomas More citado em Cunningham (2000), p. 141.:

Porém, em 1528, com o avanço turco cada vez mais ameaçador, Lutero mudou de opinião e escreveu "Sobre a Guerra contra os Turcos". No ano seguinte pregou o "Sermão contra os Turcos" encorajando os alemães e o imperador Carlos V a resistirem à invasãoMiller (1966), p. 208..

Comparado com sua raiva sobre o que ele percebia como uma teimosia "irritante mas não incurável" em relação ao judaísmo, a posição de Lutero sobre o islã revela uma atitude de desesperança e de aceitação do fracasso de qualquer tentativa de conversão, o que resultou numa condenação mais brandaGoffman (2002), p. 109. Por outro lado, Lutero criticou extensivamente os princípios do islã e afirmou que a não valia a pena lutar contra a prática da fé islâmicaMiller, p. 208.:

Em "Sobre a Guerra contra os Turcos", Lutero é menos crítico em relação aos turcos do que em relação ao papa, a quem ele chama de Anticristo, ou aos judeus, a quem ele descreve como sendo "o diabo encarnado". Ele urge seus contemporâneos a perceberem que alguns turcos, guiados por suas crenças, tinham boas intenções. Ele se refere aos que eram favoráveis ao Império Otomano como "aqueles que de fato querem que os turcos venham e governem pois eles acreditam que o nosso povo alemão é selvagem e incivilizado – de fato eles são meio-demônio e meio-homem"Goffman, p. 110..

Ele também defendeu que a luta contra os turcos não deveria ser uma guerra santa e sim uma guerra secular travada em auto-defesa — e, portanto, não uma guerra para conquista de territórios e sim uma guerra para proteger as vidas e propriedades de seus vizinhos como ensina os Dez MandamentosCatecismo Menor de Lutero — liderada pelas autoridades seculares do imperador e os príncipes"Sobre a Guerra contra os Turcos" citado em Brown (2004), p. 258.:

Ligações externas

Bibliografia

Categoria:Livros de 1528 Categoria:Obras de Martinho Lutero Categoria:História do Império Otomano Categoria:Cristianismo e islã Categoria:Crítica ao islã