miniatura|320px|direita| Um mapa do mundo mostrando a taxa de assassinatos por cada 100 000 habitantes cometidos contra mulheres (Dados de 2019):A verde: menos de 1,3 vítimas;A amarelo: entre 1,3 e 3 vítimas;A vermelho: mais de 3 vítimas thumb|Delegacia de Defesa da Mulher em Tupã, São Paulo, Brasil. thumb|Um membro da polícia religiosa Talibã batendo em uma mulher afegã em Cabul, em agosto de 2001.

A violência contra a mulher é todo ato que resulte em morte ou lesão física, sexual ou psicológica de mulheres, tanto na esfera pública quanto na privada.Agenor Gonçalves et al. VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER. UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES, Mogi das Cruzes, SP, Maio de 2015 Às vezes considerado um crime de ódio, este tipo de violência visa um grupo específico, com o gênero da vítima sendo o motivo principal. Este tipo de violência é baseada em gênero, o que significa que os atos de violência são cometidos contra as mulheres expressamente porque são mulheres.

A violência contra a mulher pode enquadrar-se em várias categorias amplas, que incluem a violência realizada tanto por "indivíduos", como pelos "Estados". Algumas das formas de violência perpetradas por indivíduos são: estupros, violência doméstica ou familiar, assédio sexual, coerção reprodutiva, infanticídio feminino, queima com ácidos, aborto seletivo e violência obstétrica, bem como costumes ou práticas tradicionais nocivas, como crime de honra, feminicídio relacionado ao dote, mutilação genital feminina, casamento por rapto, casamento forçado e violência no trabalho, que se manifestam através de agressões físicas, psicológicas e sociais.Casique, Leticia C.; Furegato, Antonia Regina F. Violência Contra Mulheres: Reflexões Teóricas. Rev Latino-am Enfermagem 2006 novembro-dezembro; 14(6) PDF Jan. 2011 Algumas formas de violência são perpetradas ou toleradas pelo Estado, como estupros de guerra, violência sexual e escravidão sexual durante conflitos, esterilização forçada, aborto forçado, violência pela polícia e por autoridades, apedrejamento e flagelação. Muitas formas de violência contra a mulher, como o tráfico de mulheres e a prostituição forçada, muitas vezes são perpetradas por organizações criminosas.Prügl, E. (Director) (November 25, 2013). Violence Against Women. Gender and International Affairs Class 2013. Lecture conducted from The Graduate Institute of International and Development Studies (IHEID), Geneva, Switzerland.

Definição Vários instrumentos internacionais com o objetivo de eliminar a violência contra as mulheres e a violência doméstica foram promulgados por diversos organismos internacionais. Em geral, esses instrumentos iniciam com uma definição do que constitui essa violência e apresentam uma proposta para combatê-la. A Convenção de Istambul (Convenção do Conselho da Europa para a prevenção e o combate à violência contra as mulheres e à violência doméstica) do Conselho da Europa descreve a violência contra as mulheres como “uma violação dos direitos humanos e uma forma de discriminação contra as mulheres” e a define como “todos os atos de violência baseada em gênero que resultem ou possam resultar em dano físico, sexual, psicológico ou econômico ou sofrimento às mulheres, incluindo ameaças de tais atos, coerção ou privação arbitrária de liberdade, ocorrendo tanto na esfera pública quanto na privada”.

A Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW) de 1979, da Assembleia Geral das Nações Unidas, faz recomendações relativas à violência contra as mulheres,, General Recommendations 12 and 19 e a Declaração e Programa de Ação de Viena menciona a violência contra as mulheres., paragraph 18 Entretanto, a resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas de 1993 sobre a Declaração sobre a Eliminação da Violência Contra as Mulheres foi o primeiro instrumento internacional a definir explicitamente a violência contra as mulheres e a aprofundar o assunto. Outras definições de violência contra as mulheres estão estabelecidas na Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher (Convenção Interamericana para a Prevenção, Punição e Erradicação da Violência contra as Mulheres) de 1994 e pelo Maputo Protocol de 2003.

Além disso, o termo violência baseada em gênero refere-se a “quaisquer atos ou ameaças de atos destinados a ferir ou fazer com que as mulheres sofram fisicamente, sexualmente ou psicologicamente, e que afetam as mulheres por serem mulheres ou as afetam de forma desproporcional”. Violência baseada em gênero é frequentemente usada de forma intercambiável com violência contra as mulheres, E alguns artigos sobre violência contra as mulheres reiteram essas concepções, afirmando que os homens são os principais perpetradores dessa violência. Ademais, a definição apresentada pela Declaração de 1993 para a Eliminação da Violência contra as Mulheres também sustentou a noção de que a violência tem raízes na desigualdade entre homens e mulheres quando o termo violência é empregado juntamente com o termo baseada em gênero.

Na Recommendation Rec(2002)5 of the Committee of Ministers to member states on the protection of women against violence, o Conselho da Europa estipulou que a violência contra as mulheres “inclui, mas não se limita a, o seguinte”: a. violência ocorrida na família ou na unidade doméstica, incluindo, inter alia, agressões físicas e mentais, abuso emocional e psicológico, estupro e abuso sexual, incesto, estupro entre cônjuges, parceiros regulares ou ocasionais e conviventes, crimes cometidos em nome da honra, mutilação genital e sexual feminina e outras práticas tradicionais prejudiciais às mulheres, como casamentos forçados; b. violência ocorrida na comunidade em geral, incluindo, inter alia, estupro, abuso sexual, assédio sexual e intimidação no trabalho, em instituições ou em outros locais; tráfico de mulheres para fins de exploração sexual, bem como exploração econômica e turismo sexual; c. violência perpetrada ou tolerada pelo Estado ou por seus funcionários; d. violação dos direitos humanos das mulheres em situações de conflito armado, em particular a tomada de reféns, deslocamento forçado, estupro sistemático, escravidão sexual, gravidez forçada e tráfico para fins de exploração sexual e econômica.

Essas definições de violência contra as mulheres como sendo baseada em gênero são consideradas por alguns como insatisfatórias, pois concebem a sociedade como patriarcal, indicando relações desiguais entre homens e mulheres. Críticos dessas definições argumentam que elas desconsideram a violência contra os homens e que o termo gender, conforme empregado em violência baseada em gênero, se refere apenas às mulheres. Outros críticos afirmam que o uso desse termo dessa forma introduz noções de inferioridade e subordinação da feminilidade e de superioridade da masculinidade. Não há uma definição amplamente aceita atualmente que cubra todas as dimensões da violência baseada em gênero. + Comparação das definições em instrumentos de direitos humanos Documento Adotado por Data Definição General Recommendation 19 Comitê CEDAW 1992 'A definição de discriminação inclui a violência baseada em gênero, ou seja, violência que é dirigida contra uma mulher porque ela é mulher ou que afeta as mulheres de forma desproporcional.' DEVAW Nações Unidas 20 de dezembro de 1993 '...o termo "violence against women" significa qualquer ato de violência baseada em gênero que resulte, ou possa resultar, em dano físico, sexual ou psicológico ou sofrimento às mulheres'. Convenção de Belém do Pará Organization of American States 9 de junho de 1994 '...a violência contra as mulheres será entendida como qualquer ato ou conduta, baseada no gênero, que cause morte ou dano físico, sexual ou psicológico ou sofrimento às mulheres, seja na esfera pública ou na privada.' Maputo Protocol African Union 11 de julho de 2003 '"Violência contra as mulheres" significa todos os atos perpetrados contra as mulheres que causam ou podem causar-lhes dano físico, sexual, psicológico ou econômico, incluindo a ameaça de realizar tais atos; ou de impor restrições arbitrárias ou de privar as liberdades fundamentais na vida privada ou pública em tempos de paz e durante situações de conflitos armados ou de guerra...' Istanbul Convention Council of Europe 11 de maio de 2011

Por grupos etários A World Health Organization (OMS) desenvolveu uma tipologia da violência contra as mulheres baseada em seus ciclos culturais. Fase Tipo de violência Pré-natal Aborto seletivo por sexo; efeitos das agressões durante a gravidez nos resultados do nascimento Infância Infanticídio feminino; abuso físico, sexual e psicológico Infância (meninas) Casamento infantil; mutilação genital feminina; abuso físico, sexual e psicológico; incesto; prostituição infantil e pornografia Adolescência e idade adulta Violência em encontros e namoro (por exemplo, ataques com ácido e estupro em encontros); sexo economicamente coagido (por exemplo, meninas escolares tendo relações com "sugar daddies" em troca do pagamento das taxas escolares); incesto; abuso sexual no ambiente de trabalho; estupro; assédio sexual; prostituição e pornografia forçadas; tráfico de mulheres; violência do parceiro; estupro conjugal; abusos e assassinatos relacionados ao dote; homicídio do parceiro; abuso psicológico; violência contra mulheres com deficiência; gravidez forçada Idosos Suicídio "forçado" ou homicídio de viúvas por razões econômicas; abuso sexual, físico e psicológico História thumb|right|Uma ilustração de Jean Ignace Isidore Gérard, Cent Proverbes (1845), intitulado "Qui aime bien châtie bien" ("Quem ama bem, castiga bem"). Um homem espancando uma mulher é mostrado na parte de trás. thumb|Queima de bruxas, com as outras mantidas presas thumb|Cerimônia Sati (uma prática hindu pela qual uma viúva se imola na pira funerária de seu marido). thumb|Raio-X dos pés de lótus, China. A história da violência contra as mulheres permanece vaga na literatura científica. Isto é em parte porque muitos tipos de violência contra as mulheres (especificamente estupro, agressão sexual, e violência doméstica) são subnotificados, muitas vezes devido a normas sociais, tabus, estigmas e a natureza sensível do assunto. É amplamente reconhecido que, até hoje, a falta de dados confiáveis e contínuos é um obstáculo para formar uma imagem clara da violência contra as mulheres.

Embora a história da violência contra as mulheres seja difícil de rastrear, é claro que grande parte da violência foi aceita, tolerada e até legalmente sancionada. Temos exemplos da lei romana, que deu aos homens o direito de castigar suas esposas, até a morte, a queima de bruxas, que foi tolerada tanto pela igreja como pelo estado, e o common law inglês do século XVIII que permitia a um homem punir sua esposa usando uma vara "não mais larga do que o polegar". Esta regra para a punição das esposas prevaleceu na Inglaterra e na América até o final do século XIX.

A história da violência contra as mulheres está intimamente relacionada com a visão histórica das mulheres como propriedade e um papel de subserviência de gênero.Penelope Harvey & Peter Gow Sex and violence : issues in representation and experience (1994) pg 36 Routledge As explicações sobre patriarcado e de um sistema mundial global ou status quo em que as desigualdades de gênero existem e são perpetuadas são citados para explicar o escopo e a história da violência contra as mulheres.