Esperança Garcia (Fazenda Algodões, circa 1751 - ?) foi uma mulher negra escravizada brasileira, considerada a primeira mulher advogada do Brasil. Em 6 de setembro de 1770, Esperança enviou uma petição ao então presidente da Capitania de São José do Piauí, Gonçalo Lourenço Botelho de Castro, onde denuncia maus-tratos e abusos físicos contra ela, seu filho e companheiras de cativeiro, feitos pelo feitor da Fazenda Algodões.
Biografia Esperança nasceu em uma fazenda de propriedade dos jesuítas, onde hoje fica o município de Nazaré do Piauí. Aos 9 anos de idade, quando a ordem foi expulsa do Piauí pelo Marquês de Pombal, ela foi levada como escrava para a casa do capitão Antônio Vieira de Couto. Aos 16 anos, teve seu primeiro filho. Em 6 de setembro de 1770, escreveu uma carta ao governador da Capitania do Piauí, Gonçalo Lourenço Botelho de Castro, denunciando os maus-tratos que sofria. Pedia ainda para retornar à Fazenda Algodões e para ter sua filha batizada.
Fugiu pouco depois, reaparecendo numa relação de trabalhadores escravizados da Fazenda Algodões, datada de 1778, casada com o angolano Ignácio e com sete filhos.
Contexto histórico
No século XVII, o atual estado do Piauí era uma capitania independente, marcado por uma economia agropecuária, baseada na mão de obra escravizada. A Companhia de Jesus (Jesuítas) possuía fazendas e aldeamentos na região, onde mantinham escravizados e indígenas, a fim de evangelizá-los e mantê-los no sistema de produção.
Em 1759, Marquês de Pombal expulsou os jesuítas do Brasil, por conflitos de interesse entre a Companhia de Jesus e a Coroa Portuguesa. Após a expulsão dos jesuítas, essas propriedades foram transferidas ao controle do governo colonial, que impôs condições severas aos escravizados. A Fazendo algodões, foi uma dessas propriedades. Ali viveu Esperança Garcia, em meio a um sistema de exploração agravado pela ausência dos jesuítas e pela transição para a administração civil.
A carta miniaturadaimagem|A carta em que Esperança Maria fundamenta sua situação ao governador da capitania.
A carta de Esperança Garcia é considerada a primeira petição escrita por uma mulher na história do Brasil, o que a torna uma precursora da advocacia no país e no estado do Piauí. Também é um documento importante na origem da literatura afro-brasileira. Na data de envio, 6 de setembro, é comemorado o Dia Estadual da Consciência Negra no Piauí.
Legado miniaturadaimagem|Memorial Esperança Garcia, na avenida Miguel Rosa, em Teresina. Em 2017, o Memorial Zumbi dos Palmares, espaço dedicado à cultura negra em Teresina, foi reformado e reinaugurado com o nome de Memorial Esperança Garcia. No Carnaval de 2019, a Estação Primeira de Mangueira fez uma homenagem a Esperança Garcia em seu samba-enredo "História pra Ninar Gente Grande". Em 2023, a escola de samba Em Cima da Hora homenageou Esperança Garcia em seu enredo, na Série Ouro dos desfiles do Rio de Janeiro.
Desde 2019, está em tramitação no Congresso Nacional do Brasil o Projeto de Lei n.º 3.772, de 2019, que propõe inscrever o nome de Esperança Garcia no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria.PROJETO DE LEI N.º 3.772-A, DE 2019 (Da Sra. Margarete Coelho). Inscreve o nome de Esperança Garcia no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria; tendo parecer da Comissão de Cultura, pela aprovação (relatora: DEP. BENEDITA DA SILVA).
Em 2022, Esperança Garcia foi reconhecida como a primeira advogada brasileira pelo Conselho Pleno da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Bibliografia
Ligações externas Fac-simile da carta de Esperança Garcia A coragem da escrava Esperança Garcia Esperança Garcia: a primeira advogada do Brasil ESPERANÇA: um grito que ecoa do sertão do Piauí para o mundo
Categoria:Advogados do Piauí Categoria:Advogadas afro-brasileiras Categoria:Brasileiros de ascendência africana Categoria:Escravizados do Brasil Categoria:Mulheres do século XVIII Categoria:Naturais do Piauí Categoria:Mulheres do Piauí