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A Dinastia Sailendra (IAST: , derivado da combinação das palavras sânscritas Śaila e Indra, que significam "Rei da Montanha"; também grafada Shailendra, Syailendra, Selendra, Çailendra e Sjailendra) foi uma importante dinastia indonésia que surgiu no em Java, cujo reinado marcou um renascimento cultural na região. Os Sailendras promoveram ativamente o budismo maaiana e erigiram vários monumentos na planície de Kedu de Java Central, um deles a colossal estupa de Borobudur, classificada como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO.
Os Sailendras são considerados uma talassocracia e dominaram o Sudeste Asiático marítimo, mas grande parte do seu poder económico era proveniente da agricultura intensiva de arroz na planície de Kedu. Aparentemente a dinastia reinou não só no Reino de Matarão (ou de Medangue), em Java Central, mas também no de Serivijaia, em Sumatra.
As inscrições criadas pelos Sailendras usam três línguas: , javanês antigo (kawi) e sânscrito, escritas no alfabeto kavi ou pré-. O uso do malaio antigo gerou especulações sobre uma possível origem sumatrense da família ou a sua ligação com Serivijaia. Por outro lado, o uso de javanês antigo sugere o seu firme estabelecimento em Java. O uso do sânscrito está geralmente associado à natureza oficial e significado religioso do evento descrito na inscrição.
Fontes primárias A , descoberta na regência de , Java Central, menciona os nomes Dapunta Selendra e Selendranamah. Selendra é uma grafia alternativa de Sailendra, pelo que a inscrição pode sugerir que Dapunta Selendra foi o ancestral da família Sailendra em Java Central. O tipo de inscrição é xivaíta, o que sugere que a família era inicialmente hindu antes de se ter convertido ao budismo maaiana.
A inscrição datada mais antiga que menciona claramente o nome dinástico como a (778), que menciona o seu monarca e comemora a criação de um santuário budista, o , dedicado à deusa Tara. O nome também aparece em várias outras inscrições, como a de (782) e a de (824). Fora da Indonésia, o nome Sailendra encontra-se na (775), na península da Malásia, e na (860), no nordeste da Índia. É possível que tenha sido quem criou a Chaiya (inscrição de Ligor) e tomou o controlo dos territórios de Serivijaia no sul da atual Tailândia.
Origens Embora a ascensão dos Sailendras tenha ocorrido na planície de Kedu, no coração de Java, a sua origem tem sido tema de discussão. Além da hipótese de Java, foi sugerido que a pátria original fosse Sumatra ou o Camboja. Os últimos estudos aparentemente favorecem uma origem nativa da dinastia e apesar das suas ligação a Serivijaia em Sumatra e na península malaia-tailandesa, os Sailendras são provavelmente de origem javanesa.
Índia Segundo o historiador indiano Ramesh Chandra Majumdar, a dinastia Sailendra que se estabeleceu no arquipélago indonésio era originária de Calinga, na Índia oriental. Esta opinião é partilhada por e J. L. Moens. Este último relata que os Sailendras são originários da Índia e estabeleceram-se em Palimbão, no sul da Sumatra, antes da chegada do primeiro rei Serivijaia, Em 683, os Sailendras mudaram-se para Java por causa da pressão exercida por Seri Jaianasa e as suas tropas.
Camboja Em 1934, o académico francês propôs a existência de uma relação entre os Sailendras e o reino cambojano de Funan. Cœdès acreditava que os governantes funaneses usam títulos similares de "senhor da montanha", mas vários especialistas de história cambojana contestam esta hipótese, alegando que não há evidências históricas de tais títulos durante o período Funan.
thumb|upright=1.33|Mapa do Império Serivijaia no período da sua maior extensão
Sumatra Outros estudiosos afirmam que a expansão do reino budista de Serivijaia esteve envolvido na ascensão dos Sailendras em Java. Os apoiantes desta hipótese enafatizam a partilha pelo patrocínio do budismo maaiana, os casamentos mistos e a inscrição de Ligor, a que se junta o facto de algumas inscrições dos Sailendras serem escritas em malaio antigo, o que sugere ligações com Serivijaia ou com Sumatra. O nome Selendra foi mencionado pela primeira vez na como Dapunta Selendra, que se tem sugerido ter sido o ancestral dos Sailendras. O título Dapunta é similar aos do reis de Serivijaia Dapunta Hiangue Seri Jaianasa e a inscrição foi escrita em malaio antigo, apesar de ter sido encontrada na costa norte de Java Central, o que sugere a origem sumatrense ou ligações com Serivijaia da dinastia.
Java Outra teoria sugere que os Sailendras erma uma dinastia nativa de Java e que a era de facto um ramo da Sailendra, pois e os seus descendentes pertenciam à família Sailendra, que inicialmente foram os governantes xivaítas do Reino de Matarão. A associação dos Sailendras com o budismo maaiana começou com a conversão de (ou Panangkaran) ao budismo. Esta teoria baseia-se no manuscrito , que conta que o rei moribundo Sanjaia ordenou ao seu filho Rakai Panaraban que se convertesse ao budismo porque a sua fé em Xiva era temida pelo povo, que preferia a fé pacifista budista. A conversão de Panaraban ao budismo tem correspondência na , que contra que um reo chamado Sankhara (identificado como sendo Panangkaran) se converteu ao budismo porque a sua fé em Xiva era temida pelo povo. Infelizmente essa inscrição está desaparecida.
Sailendras em Java thumb|upright|; estátua da bodisatvadevi Prajnaparamita do , Java Oriental
Os governantes Sailendras mantiveram relações cordiais com Serivijaia, que incluíram casamentos entre as duas famílias reais. Por exemplo, o rei casou com Dewi Tara, uma filha do marajá de Serivijaia. A aliança mútua entre os dois reinos assegurava que Serivijaia não tinha que temer a emergência de um rival javanês e dava acesso ao mercado internacional aos Sailendras.
A inscrição de Karangtengah, de 824, menciona o rei , cuja filha, , inaugurou um santuário sagrado budista chamado Jinalaya. A inscrição também menciona outro edifício sagrado chamado Venuvana, destinado a guardar as cinzas do rei Indra. A , de 842, menciona a sima (terras livres de impostos) concedidas por Śrī Kahulunan (outro nome de Pramodhawardhani) para assegurar a manutenção de um kamūlān chamado Bhūmisambhāra. O termo kamūlān, com origem em mula, que significa "local de origem", designa um edifício sagrado dedicado aos culto dos antepassados. Essas menções tanto podem sugerir que os Sailendras sejam originários de Java Central como que eles ali se estabeleceram definitivamente. De Casparis sugere que Bhūmi Sambhāra Bhudhāra, que em sânscrito significa "montanha das virtudes combinadas dos dez estágios do bodisatva", era o nome original de Borobudur.
Segundo historiadores, a dinastia Sailendra existiu ao mesmo tempo que a dinastia Sanjaia estava no poder no vizinho Matarão. Grande parte da vigência da dinastia Sailendra foi caraterizado por uma coexistência pacífica e cooperação, mas cerca de meados do as relações deterioraram-se. Em 852, o monarca , de Sanjaia, tinha derrotado , filho do rei Samaratungga e da princesa Tara. Esta derrota marcou o fim da presença dos Sailendras em Java e Balaputra retirou-se para o reino de Serivijaia, em Sumatra, onde se tornou o governante supremo.
Historiadores anteriores, como N. J. Krom e G. Cœdès, tendem a identificar Samaragrawira e Samaratungga como sendo a mesma pessoa. Porém, historiadores mais recentes como Slamet Muljana identificam Samaratungga com Rakai Garung, mencionado na como sendo o quinto monarca de Matarão, o que significa que Samaratungga era o sucessor de Samaragrawira e Balaputradewa (também filho de Samaragrawira) era o irmão mais novo de Samaratungga e reinava em Suvarnadvipa (Sumatra). Segundo esta versão, Balaputra (Balaputradewa) desafiou a legitimidade de Pikatan-Pramodhawardhani, argumentando que a sua sobrinha e o seu marido tinham menos direitos a governar Java do que ele.
Sailendras em Sumatra Depois de 824, não há quaisquer referências à família Sailendra nos registos epigráficos javaneses. Cerca de 860, o nome reaparece na inscrição de Nalanda, na Índia. Segundo esse texto, o rei de Bengala, (Império Pala) tinha concedido a "Balaputra, o rei de Suvarna-dvipa" (Sumatra), o rendimento de cinco aldeias ligadas a um mosteiro budista perto de Bodh Gaya. Balaputra é apresentado como descendente da dinastia Sailendra e neto do rei de Java.
Em Sumatra, os Sailendras também mantiveram relações marítimas com o Império Chola, do sul da Índia, o que é atestado por várias inscrições sul-indianas. Uma delas, do , menciona a concessão de rendimentos a um santuário budista local, construído em 1005 pelo rei de Serivijaia. Apesar das relações terem sido razoavelmente cordiais no início, em 1025 tinham estalado hostilidades. O imperador Chola conquistou alguns territórios aos Sailendras no . A devastação causada pela invasão de Serivijaia pelos Cholas em 1025 marcou o fim do reinado da dianstia Sailendra em Sumatra. O marajá , último monarca Sailendra, foi preso e tomado como refém. No entanto, as boas relações foram restabelecidas entre os dois estados antes do fim do . A última menção aos Sailendras encontra-se na inscrição, datada de 1090, da renovação do estatuto do antigo santuário budista. Sem sucessores legítimos, aparentemente a dinastia deixou de reinar. A dinastia que lhe sucedeu à frente de Serivijaia, é mencionada numa fonte chinesa, pela qual se sabe que um marajá chamado Seri Deva enviou uma embaixada à corte chinesa em 1028.
Sailendras no Bali O rei do Bali foi supostamente um rei budista da dinastia Sailendra, que teria liderado uma expedição militar aquela ilha para lá estabelecer um governo budista maaiana. Em 914 ele registou a sua façanha no , em Sanur, na costa sul do Bali. Por esta inscrição, pode deduzir-se que possivelmente a do Bali foi um ramo da dinastia Sailendra.
Lista de monarcas Sailendras thumb|
Tradicionalmente considerava-se que o período Sailendra ia do ao IX, desde o reinado de Panangkaran até ao de Samaratungga, e esteve confinado a Java Central. Contudo, as interpretações mais recentes apontam para que a família poderá ter existido durante um período mais longo, desde meados do (édito da inscrição de Sojomerto), até ao início do (queda da dinastia Sailendra de Serivijaia devido à invasão Chola). Durante algum tempo, os Sailendras governaram Java Central e Sumatra. A aliança com a família reinante em Serivijaia resultou na fusão das duas casas reais, tendo os Sailendras emergido como família reinante tanto em Serivijaia como Medangue Matarão (Java Central).
Alguns historiadores tentaram reconstituir a ordem e a lista dos governantes Sailendra, mas há algumas discordâncias acerca dessa lista. Boechari tentou reconstituir a primeira fase da dinastia, baseando-se na inscrição de Sojomerto, enquanto outros historiadores como Slamet Muljana e Poerbatjaraka tentar reconstituir a lista do período médio e final com as suas ligações a (do Reino de Matarão) e Serivijaia, baseando-se noutras inscrições e no manuscrito . Contudo, há alguma confusão, devido a aparentemente os Sailendras terem governado vários reinos: Kalingga, Medangue e, mais tarde, Serivijaia, o que origina que o nome de alguns reis se sobrepõem e aparentemente governaram esses reinos simultaneamente. O ponto de interrogação na lista indica dúvida ou especulação devidas à escassez de fontes válidas.