Almonty Industries (Almonty) é uma multinacional mineira especializada na produção de produtos de tungsténio assim como no desenvolvimento de novos projectos nessa área. Os seus principais centros de operações mineiras situam-se em: Espanha, Portugal e Coreia do Sul. A empresa está listada na bolsa de valores de Toronto – Canadá (tsx) Toronto Stock Exchange.
Historia A origem do nome da Almonty Industries deve-se á combinação dos nomes dos pais de dois dos fundadores – Al D’Amato, pai de Daniel D’Amato e Monty Black pai de Lewis Black. Teve como objectivo a homenagem aos mesmos. Alguns dos sócios da Almonty tiveram os primeiros contactos com a produção e comercialização de volfrâmio na Tailândia no início da década de 2000. Mais tarde em 2005, adquiriram a Mina da Panasqueira em Portugal através da Primary Metalshttp://www.cmjornal.pt/economia/detalhe/panasqueira-tem-donos-americanos, uma companhia já extinta, mas que na altura era listada na Bolsa de Toronto sob as siglas “PMI.V” e que foi comprada pelo conglomerado de empresas Japonês Sojitz Corporation em 2008http://www.newswire.ca/news-releases/sojitz-corporation-acquires-approximately-95-of-primary-metals-inc-shares-534418611.html .
A empresa foi formada em 2011 com a aquisição da mina de Los Santos. Começou a transaccionar na Bolsa de valores de Toronto (tsx) no dia 28 de Setembro de 2011http://sedar.com/GetFile.do?lang=EN&docClass=8&issuerNo=00029658&issuerType=03&projectNo=01806227&docId=2974587 . Em Março de 2013, a empresa adquiriu a opção de compra de 51% do projeto de Valtreixal no norte de Espanhahttp://sedar.com/GetFile.do?lang=EN&docClass=8&issuerNo=00029658&issuerType=03&projectNo=02030856&docId=3292028. Em 2015 a Almonty comprou a empresa canadiana Woulf Mining Corp e o seu projeto da Mina de Sangdonghttp://sedar.com/GetFile.do?lang=EN&docClass=8&issuerNo=00029658&issuerType=03&projectNo=02360843&docId=3752167. Nos primeiros dias de 2016 adquiriu à Sojitz Corporation a totalidade da Mina da Panasqueirahttp://sedar.com/GetFile.do?lang=EN&docClass=8&issuerNo=00029658&issuerType=03&projectNo=02434572&docId=3850325. No início de 2017 a Almonty recebe as autorizações finais para a construção das infraestruturas mineiras da mina de Sangdong e pouco depois adquiriu a participação restante do projeto de Valtreixal, ficando com a posse total desse projecto http://sedar.com/GetFile.do?lang=EN&docClass=8&issuerNo=00029658&issuerType=03&projectNo=02572167&docId=4038923 .
Projectos mineiros Espanha Los Santoshttp://sedar.com/GetFile.do?lang=EN&docClass=24&issuerNo=00029658&issuerType=03&projectNo=02418758&docId=3829746 A mina de Los Santos é explorada através da empresa espanhola Daytal Resources Spain S.L. (“Daytal”) que é detida a 100% pela Almonty. Localiza-se nos municípios de Los Santos e Fuenterroble de Salvatierra, ambos na província de Salamanca a cerca de 180 Km para oeste de Madrid e a aproximadamente 80 Km da fronteira de Vilar Formoso. O jazigo foi descoberto em 1979-1980 pela Billiton Española durante uma campanha de prospeção e pesquisa regional, com recurso a luz ultra violeta durante a noite para tentar descobrir a scheelite (CaWO4) que brilha intensamente quando submetida a luz UV (ultravioleta). Depois da descoberta o jazigo passou por um período de reconhecimento intenso, que incluiu entre outros métodos de prospeção e pesquisa, uma grande extensão de sondagens carotadas, execução de galerias de reconhecimento e até mesmo trabalhos de engenharia de base. O projecto foi desenvolvido até à fase de ante-projecto, mas em 1985 com os preços do volfrâmio persistentemente na casa dos 80 US $/MTU (metric ton unit = 10 Kg) o projecto foi considerado inviável e abandonado, revertendo para o domínio público. Mais tarde, a área foi requerida pela SIEMCALSA que é uma empresa publico-privada para a promoção dos recursos minerais da comunidade autónoma de Castela e Leão. A SIEMCALSA vendeu os direitos à empresa Australiana Heemskirk Consolidated Limited que arrancou com a mina em junho de 2008. O jazigo de Los Santos é um depósito com uma mineralização bastante típica de um skarn tungstífero. A intrusão de um granito em rochas sedimentares ricas em carbonatos resultou na sua substituição por calcosilicatos, dentro dos quais ocorre a mineralização. Esta mineralização origina-se a partir de carbonatos ricos em ferro e contem piroxenas, anfíbolas, scheelite, plagioclase e localmente magnetite. A scheelite é geralmente de grão fino, tipicamente menor de 1mm embora possam haver zonas de mineralização bastante mais grosseira. A mina explora múltiplas camadas de skarn mineralizadas agrupadas em oito zonas (Cortinas Oeste, Cortinas Este, Capa 4, Sector Central, Capa G, Peña de Hierro, Santos Oeste e Santos Sur) que definem outros tantas cortas (céus abertos) individuais. As cortas são exploradas geralmente em grupos de duas ou três, para se conseguir a racionalização de custos e homogeneização da alimentação à lavaria. A metodologia da exploração é por transferência em que o estéril das cortas activas vai servir para a recuperação ambiental (enchimento do volume) das cortas já exaustas. A lavaria tem uma capacidade anual de 500.000 t por ano e concentra o minério por gravimetria, produzindo concentrados de volfrâmio (scheelite) com 65% de teor em WO3 ([de tungsténio]). A produção mensal varia entre umas 100 a 140 t de concentrado por mês. Desde o início da produção em 2008, Los Santos produziu cerca de 8.500 t de concentrados, o que a torna em termos de produção a maior mina de volfrâmio de Espanha, mesmo considerando outros centros de produção históricos. Os estéreis da lavaria (resíduos dos processos de concentração) que são não contaminantes; são prensados (não há barragens de estéreis) sendo estocados secos em pilha para posterior reprocessamento, uma vez que muita da mineralização não está ainda liberta e no futuro, com alterações na lavaria se poderá recuperar ainda uma parte substancial dessa mineralização útil. O estéril final desse último estágio de recuperação da mineralização servirá para a recuperação ambiental da última corta da exploração a céu aberto.
Valtreixalhttp://sedar.com/GetFile.do?lang=EN&docClass=24&issuerNo=00029658&issuerType=03&projectNo=02418756&docId=3829744
A exploração histórica começou certamente no sec XIX, pois há documentação datada de 1883 que o refere. Na década de 1920 a exploração subterrânea já se operava em vários níveis. A primeira concessão mineira em moldes modernos data de 1932. Nessa altura a mina era chamada de Alto Calabor, para diferenciação de Bajo Calabor (Baixo Calabor) que bem próximo da fronteira Portuguesa é a continuação do jazigo de Montesinho (Portelo). Em 1942 a mina era trabalhada por uma empresa alemã e fechou com o fim da segunda guerra mundial. Seguiram-se várias empresas espanholas, não havendo evidências de trabalhos mineiros depois de 1969. Toda esta exploração mineira histórica foi exclusivamente focada para o estanho contido em feixes de filões de quartzo, sendo o volfrâmio ignorado. Isto é corroborado pelos registos históricos e antigos trabalhadores ainda vivos. O período de 1974 a 1986 foi de prospeção e pesquisa e é deste período a primeira referência ao volfrâmio no jazigo de Valtreixal. Com o colapso do mercado do estanho em 1985, o interesse no jazigo desaparece e em 1994 os direitos mineiros (com a excepção da concessão “Alto de Repilados”) revertem para o estado. Em 2006 foram concedidos os direitos de prospeção e pesquisa à SIEMCALSA (licença P.I. Valtreixal No. 1906) que cobre 83 quadrículas mineiras Espanholas. Esta área foi aumentada em 2007 com a inclusão da concessão mineira ativa Alto de Repilados (C.E. nº 1352) que tem a área de cinco quadrículas mineiras. A Almonty através de um acordo de opção com a SIEMCALSA, foi obtendo parcelas sucessivamente maiores deste projecto entre 2013 e a posse completa em 2017. Durante esse período de tempo executou-se um volume significativo de sondagens e outros trabalho de reconhecimento, assim como estudos técnicos de mais pormenor como estudos metalúrgicos e outros estudo de preparação para a exploração. Todos estes trabalhos foram feitos através de uma empresa totalmente detida pela Amonty e chamada Valtreixal Resources. O jazigo situa-se na Comunidade Autónoma de Castela Leão, a cerca de 8 Km por Estrada da fronteira Portugal-Espanha no município de Peñalba de la Praderia, na estrada que liga a fronteira do Portêlo a Puebla de Sanabria. A mineralização de Valtreixal pode ser classificada como um depósito filoniano complexo em que, a somar a um feixe extenso e possante de filões de quartzo mineralizados essencialmente em cassiterite, com alguma volframite e scheelite; aparece também uma mineralização que parece ser estratigraficamente controlada com abundante scheelite e cassiterite disseminados. Do que se conseguiu compreender até agora, a zona de filões de quartzo estará ligada à zona de cisalhamento da Falha da Vilariça e será de origem semelhante aos jazigos de Portelo, Vale da Formiga e Calabor. A zona de mineralização estratigraficamente controlada é de características bastante específicas e ainda sujeita a muita discussão. Pensa-se que a sua origem deste jazigo misto não estará ligada ao granito regional como os restantes jazigos da região, mas sim a um foco térmico em profundidade na zona do jazigo. Os recursos atuais, pelos critérios do sistema de classificação Canadiano 43-101, são de 2,82 M (milhões) de t com 0,25% WO3 + 0,13% de Sn na categoria de indicados e 15,42 M t com 0.08% WO3 + 0,12% Sn na categoria de recursos inferidos. Pelo mesmo sistema de classificação as reservas são 2,55 M t com 0.25% WO3 + 0.12% Sn. As reservas atuais são suficientes para a corta inicial durante os primeiros 5 anos de exploração, enquanto se definem mais reservas encosta acima. Os estéreis das fases seguintes serão depositadas na fase 1 para recuperação ambiental da corta, um pouco á semelhança com o que se faz na mina de Los Santos. A capacidade de produção da mina será de 500,000 t /ano de minério, de onde se produzirá entre 770 a 1.300 t/ ano de concentrados de volfrâmio e 500 a 620 t/ano de concentrados de estanho.
Portugal
Panasqueirahttp://sedar.com/GetFile.do?lang=EN&docClass=24&issuerNo=00029658&issuerType=03&projectNo=02591308&docId=4064810
A Panasqueira é uma mina de volfrâmio que tem produzido de maneira quase ininterrupta durante os últimos 130 anos. Em termos de produção acumulada é provavelmente a segunda maior mina de volfrâmio do mundo. No período de que se dispõe de registos fidedignos (anos de 1936 a 2016) foram extraídos 40 milhões de toneladas de minério e produzidas 128.110 t de concentrados de volfrâmio, 6.576 t de concentrados de estanho e 32.410 t de concentrados de cobre. Os concentrados de volfrâmio da Panasqueira são desde há décadas a referência no mercado internacional, por serem os de maior teor e maior pureza em termos de impurezas e geralmente recebem um prémio em relação ao valor comercial da generalidade dos concentrados disponíveis no mercado. Para além dos três concentrados referidos anteriormente, são também comercializados inertes para a construção civil e minerais para colecionismo. Os minerais para colecionismo são famosos pelo seu tamanho, perfeição e raridade, incluindo duas espécies que só se encontram na Panasqueira (Panasqueirite e Tadeuite).