Théorie du drone (em português: Teoria do drone) é um livro de ciência política publicado originalmente em 24 de abril de 2013 pelo filósofo e pesquisador do Centre National de la Recherche Scientifique, Grégoire Chamayou que aborda criticamente as ações de drones de maneira ética, jurídica e filosófica.
A palavra drone é definida pelo exército norte-americano como “veículo terrestre, naval ou aeronáutico, controlado a distância ou de modo automático”Department of Defense, Dictionary of Military and Associated Terms, Joint Publication, 1-2 ago. 2011, p.109. ou seja, qualquer veículo não tripulado e controlado à distância, seja qual for a sua finalidade. Apesar do nome popular "drone", militares utilizam outros nomes como Unmanned Aerial Vehicle(em português: veículo aéreo não tripulado) ou Unmanned Combat Air Vehicle(em português: veículo aéreo de combate não tripulado).
Teoria do Drone lida com com os drones descritos como “Câmeras de vídeo voadoras, de alta resolução, armadas de mísseis”A expressão é de Mike McConnell, diretor nacional da Inteligência, apud Bob Woodward, in Obama’s Wars. Nova York: Simon and Schuster, 2010, p.6., tornando possível vigiar e matar sem expor o operador.
Ato I - Técnicas e Táticas
1. Metodologias do ambiente hostil O primeiro capítulo aborda a ideia de que graças a drones as guerras tem se tornado unilaterais onde soldados de um lado são substituídos por veículos armados telecomandados à distância, causando mortes a apenas ao outro lado. É comentado também a teoria de que o drone pode ser considerado um alter ego do operador, onde suas consciência é incorporada à máquina e a única distinção seria apenas a ausência da "carne viva do primeiro". Como resultado, há uma divisão no espaço de guerra, criando duas zonas distintas, a zona hostil e a zona segura, nesta última é onde se encontra o operador
2. Genealogia do Predator Historicamente, os primeiros drones eram utilizados como alvos pelos soldados americanos em treinos durante a segunda guerra mundial, e foi então que receberam o nome de "drone" que em inglês significa zangão, fazendo uma alusão não apenas ao barulho produzido pela máquina voadora teleguiada, mas também ao fato dos zangões não possuírem ferrões e serem mortos por abelhas, seu apelido era "target drones"(em português: drones-alvos). Entretanto, os drones só foram para os campos de batalhas muito tempo depois, no Vietnã cujo trabalho era de reconhecimento, seu nome era "Lightning Bugs"Cf. Steven Zaloga, Unmanned Aerial Vehicles: Robotic Air Warfare 1917-2007. Westminster: Osprey Publishing, 2008, p.14. Jacob Van Staaveren, Gradual Failure: The Air War over North Vietnam 1965-1966, Air Force History and Museum Program, Washington, 2002, p.114., logo após o fim da guerra o projeto foi deixado de lado. Também na Guerra do Yom Kippur foram utilizados drones de maneira tática pelo lado de Israel, fazendo com que o Egito gastasse sua munição inutilmente contra veículos teleguiados, permitindo a Israel o controle aéreo. Mais tarde Israel voltaria a utilizar esta mesma tática, mas desta vez contra os sírios. Estes fatos demonstram que na quela época drones eram utilizados apenas para angariar informações e servirem de iscas. Apenas em 2001, pouco antes do fatídico 11 de setembro, que oficiais do exército tiveram a ideia de equipar bombas em um drone como uma experiência, transformando assim o drone Predator em um predador de fato.
3. Princípios teóricos da caça ao homem Em 2004, um homem criou um site onde era possível caçar animais em uma fazenda com um drone armado através um computador. Esta atividade recebeu diversas críticas tanto de grupos ultraconservadores quanto de organizações de proteção aos animais, em defesa, o criador do site, John Lockwood, alegou que a ideia do site era permitir que pessoas deficientes pudessem praticar caça de maneira segura e chegou a citar o caso de um soldado americano no Iraque que graças ao site pode sentir o prazer de caçar a milhares de quilómetros de casa. De maneira similar, o exército americano abate e caça homens no Oriente Médio de maneira fria, onde o inimigo pode apenas tentar fugir e se esconder enquanto é caçado por drones. Sob alegação de defesa pessoal, homens são abatidos numa "lógica de segurança baseada na eliminação preventiva de indivíduos perigosos"
4. Vigiar e aniquilar miniaturadaimagem|Drone Predator disparando um míssil hell-fire Nos céus o drone tenta imitar a ideia do olho de Deus, onde do alto com sua potente câmera se tornaria onipresente, revolucionando assim a maneira de vigiar constantemente o inimigo. no livro o autor agrupa as inovações em 5 grandes princípios: Princípio de olhar persistente ou de vigília permanente. Princípio de totalização das perspectivas ou de vista sinóptica. Princípio de arquivamento total ou do filme de todas as vidas. Princípio de fusão de dados. Princípio de esquematização das formas de vida. O efeito desta constante vigilância é a petrificação da população e um terror constante criado não por barreiras físicas, mas por objetos sobrevoando incessantemente sobre suas cabeças 5. Análise das formas de vida Toda terça feira um grupo de homens, membros da segurança nacional, se reúnem por teleconferência para criarem uma lista cheia de nomes a qual será entregue ao presidente e este autorizará a morte dos homens nomeados na lista, oralmenteJ. Becker & S. Shane, “Secret ‘Kill List’”, op.cit.. Além destes ataques nominativos, existem também ataques baseados apenas em características que supostamente definem se a pessoa pertence ou não à uma "organização terrorista", atacando-a sem ao mesmo saber seu nome. Curiosamente este último método é o mais utilizadoDaniel Klaidman, Kill Or Capture: The War on Terror and the Soul of the Obama Presidency. Boston: Houghton Mifflin Harcourt, 2012, p.41.. Estes padrões são formados de acordo com sua lista de relacionamento e lugares que costuma visitar, ou seja se você se relaciona com alguém que já se inclui em uma lista de suspeitos, isto o torna um suspeito também, ou se você passa a fazer um caminho diferente para o seu trabalho, também pode vir a se tornar um suspeito. Kate Clark, The Takhar Attack, Targeted Killings and the Parallel Worlds of US Intelligence and Afghanistan, Afghanistan Analyst Network Thematic Report, jun. 2011, p. 12, apud D. Gregory. <<http://geographicalimaginations.com>>Entretanto estes métodos são questionáveis uma vez que há inúmeros casos de falhas resultando em mortes de inocentes.Joshua Foust, “Unaccountable Killing Machines: The True Cost of US Drones”. The Atlantic, 30 dez. 2011.
6. Kill Box miniaturadaimagem|Kill BoxCom a crescente ideia de combate ao terror, a permissividade da população mundial em relação à violência armada aumentou drasticamente, tornando a guerra não só indefinida no tempo, mas no espaço tambémD. Gregory, “The Everywhere War”. The Geographical Journal, v.177, n.3, set. 2011 [pp.238-50], p.238.. Logo, sob este pretexto, as zonas de confronto não são mais estabelecidas claramente como outrora, mas sim pode estar em qualquer lugar e com os drones é possível delimitar essas tais áreas, que são chamadas de "kill box"(em português: caixa da morte). As kill boxes nada mais são do que áreas especuladas por drones onde uma vez sinalizadas como tal, são bombardeadas num fogo livreCf. Air Force Scientific Advisory Board (SAB), UAV Technologies and Combat Operations, 3-4 SAF/PA 96-1204, 1996, 3-4, s.p., onde seu tamanho pode variar de acordo com a necessidade do momento. Projetos para o futuro tendem a diminuir o tamanho dos drones até o tamanho de um insetoUS Army, Unmanned Aircraft Systems, Roadmap, 2010-2035, p.65. para que as kill boxes possam ser cada vez mais precisas e cirúrgicas violando cada vez mais assim o princípio de liberdade
7. Contrainsurgência pelo ar Com a alegação de guerra ao terrorismo, o próprio Estado pratica o verdadeiro terrorismo, o qual os combatentes adversários tentam empregar com bombas. Por via aérea, o Estado promove uma situação de terror na população ao passo que cria uma guerra onde não há perdedores ou vencedores, mas sim uma guerra perpétua onde o civis são cada vez mais jogados contra o próprio governo americanoJoint Publication 3-24, Counterinsurgency Operations, 5 out. 2009, p.xv. produzindo um ciclo de vingança. Outra arma utilizada pelo Estado é deslegitimar o movimento de cunho político oposto, marginalizando o inimigo e classificando-os como meros terroristasD. Kilcullen, “Counterinsurgency Redux”, Survival, v.48, n.4, dez. 2006 [pp.111-30], p.117.
8. Vulnerabilidades Os grandes heróis invulneráveis dos mitos, como Aquiles e Siegfried, se mostram na realidade vulneráveis em algum ponto, e com os drones não é diferente. Ao passar dos anos técnicas tem sido desenvolvidas para ludibriar e burlar os sistemas dos drones. Insurgentes se aproveitam da latência da imagem gerada pelo drone para se descolar em zigue-zague para fazer com que os drones errem o alvo.Mark Mazzetti, “The Drone Zone”. The New York Times, 6 jul. 2012.Outros grupos tem hackeado os sinais transmitidos pelos drones para obterem também as imagens geradas pelo mesmo, tendo assim acesso ao mesmo material de espionagem que o inimigoSiobhan Gorman, Yochi J. Dreazen & August Cole, “Insurgents Hack U.S. Drones, $26 Software Is Used to Breach Key Weapons in Iraq; Iranian Backing Suspected”. The Wall Street Journal, 17 dez. 2009.. A baixa no custo para produção de drones tem feito com que o inimigo agora também possua drones, podendo produzi-los em sua própria casa.
Ato II - Éthos e Psiquê
1. Drones e camicases miniaturadaimagem|Pilotos camicases Drones e camicazes são opostos por natureza, enquanto um sacrifica sua própria vida em prol de algo maior, drones são exatamente o oposto, onde há a ausência da carne e a proteção do homem. Ambas as táticas são vistas como algo horrível pelos seus inimigos, de um lado os norte-americanos julgam um ataque suicídio como um desprezo à vida7 Richard Cohen, “Obama Needs More Than Personality to Win in Afghanistan”. The Washington Post, 6 out. 2009., do outro, os Palestinos julgam ataques com drones uma forma covarde de ataque. Entretanto, ambas as formas se distanciam da nossa ideia de punição à quem comete crimes, uma pela morte auto infligida do autor e a outra pela distância do autor.T. Asad, On Suicide Bombing. Nova York: Columbia University Press, 2007 p.90
2. "Que morram os outros" Ao defender os drones, David Bell relembra que embora a tecnologia seja nova, o desejo de se matar inimigos a distância é algo que vem sido pensado há temposDavid Bell, “In Defense of Drones: A Historical Argument”. The New Republic, 27 jan. 2012.. É comparada também o abatimento unilateral em guerras e a explicação encontrada para tal acontecimento é a disparidade econômica entre os lados em guerra, onde o rico sempre tem a vantagem tecnológica, tal qual teorizou VoltaireVoltaire, Essai sur les moeurs, OEuvres complètes. Paris: Garnier, 1878, v.11, p.349..
3. Crise no éthos militar