A Classe Scharnhorst foi uma classe de couraçados operada pela Kriegsmarine, composta pelo e . Suas construções começaram em 1935, foram lançados ao mar em 1936 e comissionados na frota alemã em 1938 e 1939. Os navios foram encomendados em resposta aos novos couraçados da Classe Dunkerque da Marinha Nacional Francesa, com os alemães cancelando uma planejada classe de cruzadores pesados em favor dos couraçados da Classe Scharnhorst. Sua construção foi autorizada pelo Acordo Naval Anglo-Germânico de 1935, que removeu as restrições previamente estabelecidas pelo Tratado de Versalhes sobre o poderio naval alemão.

Os dois couraçados da Classe Scharnhorst eram armados com uma bateria principal composta por nove canhões de 283 milímetros montados em três torres de artilharia triplas. Tinham um comprimento de fora a fora de pelo menos 230 metros, boca de trinta metros, calado de dez metros e um deslocamento carregado de mais de 38 mil toneladas. Seus sistemas de propulsão eram compostos por doze caldeiras a óleo combustível que alimentavam três conjuntos de turbinas a vapor, que por sua vez giravam três hélices até uma velocidade máxima de 31 nós (57 quilômetros por hora). Os navios também eram protegidos por um cinturão principal de blindagem de 150 até 350 milímetros de espessura.

O Scharnhorst e Gneisenau operaram juntos no começo da Segunda Guerra Mundial em 1939, realizando surtidas no norte do Oceano Atlântico com o objetivo de atacar navios mercantes britânicos. Participaram em meados de 1940 da invasão da Dinamarca e Noruega, durante a qual enfrentaram brevemente o cruzador de batalha britânico em 9 de abril e o porta-aviões em 8 de junho, afundando este último. Neste confronto, o Scharnhorst realizou um dos mais longos acertos de artilharia naval na história. Depois disso foram alvos de ataques aéreos na França até fevereiro de 1942, quando fizeram uma corrida pelo Canal da Mancha de volta para a Alemanha.

O Gneisenau foi seriamente danificado por um ataque aéreo britânico, assim o Scharnhorst prosseguiu sozinho para a Noruega a fim de realizar ações contra comboios Aliados para a União Soviética. Ele partiu no final de dezembro de 1943 junto com vários contratorpedeiros para interceptar um comboio, porém acabou emboscado na Batalha do Cabo Norte, quando foi afundado pelo couraçado . O Gneisenau enquanto isso estava sendo reparado e no processo de ser rearmado, porém os trabalhos foram abandonados depois do naufrágio do Scharnhorst. Foi afundado como bloqueio naval em Gotenhafen em 1945 e seus destroços desmontados na década de 1950.

Desenvolvimento O Tratado de Versalhes de 1919, que estabeleceu os termos do fim da Primeira Guerra Mundial, restringiu a construção naval da Alemanha para navios de guerra de até 10,1 mil toneladas. Debates sobre o papel e tamanho da marinha ocorreram por toda década de 1920, quando o aumento da construção naval na França e União Soviética fizeram os alemães começarem a elaborarem projetos para grandes navios capitais. O primeiro projeto foi finalizado em 1928 e era para um cruzador de batalha de 17,8 mil toneladas armado com oito canhões de 305 milímetros em quatro torres de artilharia duplas, sendo muito baseado no projeto dos cruzadores de batalha da Classe Ersatz Yorck iniciados mas não finalizados durante a guerra. O ditador Adolf Hitler chegou ao poder em 1933 e ele deixou claro ao comando naval que não tinha interesse em construir uma frota grande para desafiar a supremacia marítima do Reino Unido. Hitler estava preocupado principalmente com uma guerra limitada contra a França, algo que necessitaria da proteção das rotas marítimas alemãs. Para isto ele autorizou dois cruzadores pesados, a Classe D, para complementar os três navios da Classe Deutschland. Esses cruzadores teriam um deslocamento de 19,3 mil toneladas e o mesmo armamento de armas de 283 milímetros da Classe Deutschland, com o peso extra sendo usado para melhorar a proteção. Hitler queria seguir por esse caminho para que assim não fosse visto como violando diretamente o Tratado de Versalhes. Ele não percebeu que navios corsários provocariam o Reino Unido muito mais do que um cruzador de batalha, que seria considerado inferior aos couraçados e cruzadores de batalha em serviço na Marinha Real Britânica.

A Marinha Nacional Francesa construiu os dois couraçados da Classe Dunkerque no início da década de 1930 para fazer frente à Classe Deutschland. Isto por sua vez fez os alemães a começarem a planejar um cruzador de batalha ainda mais poderoso. O almirante Erich Raeder, chefe da Reichsmarine, argumentava desde 1933 um aumento das qualidades defensivas da Classe Deutschland e um aumento do poder ofensivo pela adição de uma terceira torre de artilharia tripla. Isto também era a opinião da Marinha do Império, que considerava o projeto da Classe D como desequilibrado. Hitler concordou com um aumento da blindagem e subdivisão interna, mas proibiu um aumento do armamento. Ele finalmente cedeu em fevereiro de 1934 e permitiu uma torre de artilharia extra. Os novos navios teriam um deslocamento de 26,4 mil toneladas e seriam armados com nove canhões de 283 milímetros. Hitler, a fim de garantir segurança política para a construção dessas embarcações, assinou o Acordo Naval Anglo-Germânico em 1935, que garantia ao Reino Unido uma superioridade numérica de três para um em relação à Alemanha e, mais importante, removeu as limitações do Tratado de Versalhes.

A construção da Classe D foi cancelada para dar espaço para o que se tornaria a Classe Scharnhorst. Os nomes provisórios que tinham sido alocados para os dois membros da Classe D, Ersatz Elsass e Ersatz Hessen, foram repassados para os novos navios e os contratos de construção foram fechados com a Kriegsmarinewerft Wilhelmshaven e a Deutsche Werke em Kiel. O início das obras foi segurado em catorze meses, parcialmente porque Hitler queria garantir o tratado com o Reino Unido antes do início de quaisquer trabalhos, mas parcialmente também por causa de várias alterações de projeto que ocorreram depois dos navios terem sido encomendados.

O maior tamanho de canhão permitido pelo Acordo Naval Anglo-Germânico era de 406 milímetros, assim Hitler logo começou a ter dúvidas sobre as armas que seriam usadas nos novos navios, ordenando que fossem rearmados com canhões de 380 milímetros. As torres de artilharia de 283 milímetros estavam prontamente disponíveis, mas demoraria anos para que torres de 380 milímetros fossem desenvolvidas e Hitler queria navios capitais o mais rápido possível para realizar seus desejos políticos. Ele também foi lembrado que, apesar das permissões do Acordo Naval Anglo-Germânico, o Reino Unido historicamente sempre foi sensível sobre aumentos do tamanho dos canhões de navios capitais alemães. Ele cedeu e as embarcações foram armadas como planejado mas com a condição de que fossem rearmadas com canhões de 380 milímetros quando possível. A torre de 380 milímetros acabou sendo usada na sucessora Classe Bismarck. Um plano para fazer a troca do armamento do Gneisenau foi proposto em 1942 enquanto o navio estava sob reparos, o que também necessitaria do alongamento do casco, fortalecimento das barbetas e reforma do sistema elétrico, mas isto foi abandonado no ano seguinte.

Projeto Características

Os dois couraçados da Classe Scharnhorst tinham 226 metros de comprimento entre perpendiculares; o Schanrhorst tinha 234,9 metros de comprimento de fora a fora, já o Gneisenau era ligeiramente mais curto com 229,8 metros de comprimento de fora a fora. Os dois tinha uma boca de trinta metros e foram projetados para terem um deslocamento de toneladas, o que lhes dava um calado de 9,1 metros. No deslocamento padrão de 32,6 mil toneladas o calado diminuía para 8,3 metros, enquanto no deslocamento carregado de 38,7 mil toneladas o calado chegava a 9,9 metros. Os cascos de ambos foram construídos a partir de armações de aço longitudinais sobre as quais as placas externas do casco foram colocadas e soldadas. Os cascos eram subdivididos em 21 compartimentos estanques e tinham um fundo dublo que abrangia 79 por cento do comprimento total.

A Kriegsmarine considerou que os navios tinham uma navegabilidade ruim, sendo muito pesados na proa quando totalmente equipados e muito "molhados" até a ponte. Este problema foi mitigado até certo ponto pela substituição de suas proas retas por uma "proa atlântica" curvada'; o uso da primeira torre de artilharia mesmo assim permaneceu restrito em mares bravios. Suas popas também ficavam muito "molhadas", as embarcações demoravam para começarem a virar e sempre necessitava da ajuda de rebocadores em águas rasas. Perdiam até cinquenta por cento de suas velocidades com o leme totalmente virado e alteavam em mais de dez graus. Chegaram a altear em até treze graus com o leme todo virado durante seus testes marítimos.

A tripulação consistia de 56 a sessenta oficiais mais a marinheiros. Eram complementadas por mais dez oficiais e 61 marinheiros quando atuavam como capitânias. Também carregavam vários barcos menores, incluindo dois barcos de piquete, duas lanchas, duas barcas, duas pinaças, dois cúteres, dois yawls e dois botes.

Propulsão Propulsão a diesel foi inicialmente planejada, como tinha sido usada nos três cruzadores da Classe Deutschland. Em vez disso foi decidido usar propulsão a vapor superaquecida, pois a potência total necessária para a velocidade máxima desejada era três vezes maior do que dos navios anteriores. No caso de embarcações com três eixos, isto significava mais do que o dobro por hélice do que na Classe Deutschland, enquanto no caso de quatro hélices seria de mais de quarenta mil cavalos-vapor por eixo. Estas exigências estavam muito além da tecnologia a diesel disponível na época e projetar motores que poderiam alcançar essas exigências levaria uma quantidade de tempo imprevisível. Motores a vapor superaquecidos de alta pressão já tinha se mostrado bem sucedidos e foram considerados a escolha mais adequada para maquinários de alta potência.

O Schanrhorst foi equipado com três turbinas a vapor Brown, Boveri & Cie, já o Gneisenau tinha três turbinas Germania. Cada turbina girava uma hélice de três lâminas com 4,8 metros de diâmetro. O vapor vinha de doze caldeiras Vagner de tubos d'água de pressão ultra alta a óleo combustível, funcionando a uma pressão de até 58 atmosferas (5,9 mil quilopascais) e temperaturas de até 450 graus Celsisus. Os motores tinham uma potência indicada de 160 mil cavalos-vapor ( quilowatts) a 265 rotações por minuto, mas durante testes marítimos chegaram a produzir cavalos-vapor ( quilowatts) a 280 rotações por minuto. Navegando de ré a potência indicada era de 57 mil cavalos-vapor ( quilowatts). A velocidade máxima projetada era de 31 nós (57 quilômetros por hora), mas os navios excederam esse valor: o Scharnhrost alcançou 31,5 nós (58,3 quilômetros por hora) e o Gneisenau fez 31,3 nós (58 quilômetros por hora). Foram projetados para carregarem toneladas de óleo combustível, mas áreas adicionais como o espaço entre o cinturão e a antepara antitorpedo também podiam ser usados como tanques, aumentando a capacidade para 6,1 mil toneladas. Na capacidade máxima esperava-se que tivessem uma autonomia de 8,1 mil milhas náuticas (quinze mil quilômetros) a uma velocidade de dezenove nós (35 quilômetros por hora), mas nessas velocidades o Scharnhorst só pode navegar por 7,1 mil milhas náuticas (13,1 mil quilômetros) enquanto Gneisenau alcançou apenas 6,1 mil milhas náuticas (11,5 mil quilômetros).

A energia elétrica provinha de cinco usinas. Cada uma consistia em quatro geradores a diesel e oito turbogeradores. Dois geradores produziam 150 quilowatts cada e dois produziam trezentos quilowatts cada. Seis turbogeradores produziam 460 quilowatts e os restantes 230 quilowatts cada. O total era de quilowatts a 220 volts.

Armamento Principal thumb|250px|As torres de artilharia de vante do Gneisenau; o Scharnhorst está ao fundo