Cristina da Dinamarca (; novembro de 1521 – 10 de dezembro de 1590) foi uma princesa Dinamarquesa, a filha mais nova de Cristiano II da Dinamarca e Noruega e de Isabel de Habsburgo.

Era sobrinha dos imperadores Carlos V e Fernando I, e das rainhas-consorte Leonor da França, Maria da Hungria e Catarina de Portugal.

Por casamento, tornou-se Duquesa de Milão. Após a morte do marido voltou a casar, tornando-se Duquesa da Lorena. Foi regente da Lorena de 1545 a 1552 durante a menoridade do filho.

Foi ainda pretendente às coroas da Dinamarca, Noruega e Suécia de 1561 a 1590. De 1578 a 1584 foi também Senhora soberana de Tortona.

Biografia Cristina nasceu em Nyborg no centro da Dinamarca em 1521. A 20 de janeiro de 1523, os nobres forçaram seu pai a abdicar e ofereceram o trono ao tio, o duque Frederico de Holstein. Cristina e a irmã acompanharam os pais para o exílio em Veere, na Zelândia sendo educadas pelas regentes dos Países Baixos, a sua tia-avó (a arquiduquesa Margarida de Áustria) e a sua tia (Maria da Hungria), uma vez que a mãe morrera em 19 de janeiro de 1526 e o pai, o deposto rei Cristiano II, fora feito prisioneiro, em 1532, ao tentar reconquistar o trono.

Nesse mesmo ano, o seu irmão morreu, fazendo dela a segunda na linha de sucessão ao trono de seu pai, após a irmã mais velha, Doroteia.

A sua tia, a regente dos Países Baixos, deu-lhe uma excelente educação sob a supervisão da governanta, Madame de Fiennes. Cristina era descrita como de grande beleza, inteligente e vivaça, gostando de caçar e montar. Estando sob a tutela do tio, o imperador Carlos V, e como membro da Casa imperial, ela era uma peça importante da política de alianças matrimoniais. Em 1527, Tomás Wolsey, Primaz da Inglaterra, sugeriu que o filho ilegítimo do rei Henrique VIII de Inglaterra, se casasse com Cristina ou com Doroteia, mas os Habsburgos não pretendiam que nenhuma das princesas casasse com um príncipe ilegítimo.

Em 1531, o Duque de Milão Francisco II Sforza propos casar com uma das irmãs, uma vez que ele pretendia uma aliança com a casa imperial. Carlos V recusou-lhe o casamento com Doroteia, mas concordou que ele casasse com Cristina.

Duquesa de Milão A 23 de setembro de 1533, em Bruxelas, Cristina casou por procuração com Francisco II Sforza, através do seu representante o Conde Massimiliano Stampa. A 3 de maio de 1534, Cristina fez a sua entrada oficial em Milão no meio de grandes festividades e, a 4 de maio, a cerimónia de casamento teve lugar no salão da Rocchetta.Julia Cartwright: Christina of Denmark. Duchess of Milan and Lorraine. 1522-1590, Nova York, 1913 A relação de Cristina com Francisco era considerada boa, e ela era bastante popular em Milão, onde era vista como um símbolo de paz e esperança após décadas de guerra, sendo a sua beleza muito admirada. Ela gostava de caçar e o palácio foi redecorado e embelezado para ela. Quando ela teve direito à sua própria corte, a principal dama de honor foi Francisca Paleóloga de Monferrato, esposa de Constantino Comneno, Príncípe titular da Macedónia, que viria a tornar-se uma das suas maiores amigas. Francisco II Sforza já estava bastante fraco e a sua saúde nunca recuperou de uma tentativa de envenenamento ocorrida alguns anos antes, pensando-se que ele nunca mais conseguiria ter filhos e que morreria sem herdeiros. Nesse caso, e de acordo com as disposições testamentárias, o Ducado de Milão tornar-se-ia parte do Império. Ela e Francisco não tiveram descendência.

Francisco II Sforza morreu em outubro de 1535, deixando Cristina viúva apenas com treze anos. Como viúva, ela tinha direito ao senhorio da cidade de Tortona, ao passo que o Ducado de Milão foi incorporado no Império. Contudo, Massimiliano Stampa permaneceu na administração do Ducado enquanto castelão de Milão e Cristina manteve-se na residência ducal. Carlos V apoiou os seus desejos de ficar em Milão, onde ela era muito popular e onde a sua presença era vista como uma proteção para a independência milanesa . Como forma de preservar essa independência, Stampa sugeriu que ela casasse com o herdeiro do trono de Saboia, o príncipe Luís do Piemonte, plano que veio a abortar dada a morte prematura do potencial noivo. O Papa Paulo III sugeriu que ela casasse com o filho da sua sobrinha, Cecília Farnésio que, apesar de poucos anos mais velho que ela, fora criado como seu enteado na corte de Milão, dada a morte da mãe. Quando o rei francês repetiu as suas pretensões sobre Milão em nome do seu filho, o duque de Orleães, foi sugerido o casamento de Cristina com o filho mais novo do monarca francês, o duque de Angoulême, mas o imperador Carlos V recusou a aliança a não ser que o ducado fosse atribuído a Angoulême e não a Orleães. Cristina acolheu a duquesa Beatriz de Sabóia prima da mãe de Cristina e cunhada e prima do imperador Carlos V, quando a Saboia foi ocupada pelos Franceses, estando presente no encontro de Beatriz com o Imperador, ocorrido em Pavia em maio de 1536. Em dezembro desses mesmo ano, Milão foi oficialmente colocado sob o comando de um oficial imperial, e Cristina foi escoltada até Pavia. Ela manteve o título de Senhora de Tortona, e nomeou um governador que gerisse a cidade que recebera em dote.

Em outubro de 1537, Cristina foi viver para a corte da sua tia, a Governadora dos Países-Baixos, a rainha viúva Maria da Hungria, passando por Innsbruck, visitando a sua irmã no Palatinado antes de chegar a Bruxelas em dezembro. Cristina era a sobrinha favorita de Maria.

Primeira viuvês

Após Jane Seymour, a terceira mulher de Henrique VIII, morta em 1537, Cristina chegou a ser considerada como possível noiva para o rei inglês. Foi encomendado ao pintor alemão Hans Holbein, o jovem, quadros de senhoras nobres consideradas como potenciais rainhas inglesas. Em 10 de março de 1538, Holbein chegou a Bruxelas com o diplomata Philip Hoby para encontrar Cristina. Foi combinado um encontro onde Cristina serviu de modelo para o quadro durante três horas vestindo um vestido de luto. Os seus aposentos em Bruxelas estavam forrados com veludo e damasco negros.State Papers Henry VIII, vol. 8, London, (1849), 17-21, 142. Cristina, que na altura tinha apensa dezasseis anos, não fazia segredo da sua oposição em casar com o rei de Inglaterra, que tinha a reputação em toda a Europa de maltratar as suas esposas. Henrique, divorciara-se da primeira mulher, Catarina de Aragãotia avó de Cristina, e mandara decapitar a sua segunda mulher, Ana Bolena. Ela terá afirmado, "Se eu tivesse duas cabeças, uma estaria à disposição do rei inglês". Também era óbvio que Maria da Hungriazsobrinha de Catarina de Aragão não estaria nada entusiasmada com essa aliança, uma vez que não admirava Henrique VIII. Henrique insistiu no casamento até janeiro de 1539, altura em Maria deixou bem claro que essa aliança nunca teria lugar. Thomas Wriothesley, o diplomata inglês em Bruxelas, aconselhou Thomas Cromwell a que o rei Henrique devia esquecer essa possibilidade.

Guilherme, Duque de Cléves, propôs casamento a Cristina. Guilherme fora feito duque de Gueldres por vontade do último duque que morrera sem geração, o que, desde logo, fora contestado pelo imperador que desejava incorporar Gueldres no Império. Foi também contestado pelo Duque da Lorena, que via a Gueldres como sua propriedade por herança de Filipa de Gueldresesposa de Renato II da Lorena, e o fim dessa proposta era assegurar o apoio do imperador à sua sucessão na Gueldres contra as pretensões da Lorena. Outros potenciais noivos incluíam Francisco, herdeiro do Ducado da Lorena, e António, Duque de Vendôme, mais tarde conhecido como António de Navarra. A proposta de Guilherme de Cleves fora recusada por Carlos V por causa da questão de Gueldres.

Por seu lado, Cristina estava apaixonada por Renato de Châlon, Príncipe de Orange em 1539-40. Notava-se na Corte que Renato a cortejava e os sentimentos eram mútuos. Um eventual casamento por amor era apoiado por Doroteia, a irmã de Cristina, e pelo seu cunhado Frederico II, Eleitor Palatino, que afirmava que gostaria que a cunhada casasse por amor caso pudesse. A tia e regente, Maria de Habsburgo, tolerou o namoro de forma não oficial, mas nunca tomou qualquer posição oficial uma vez que ela queria que o seu irmão, o imperador, definisse que tipo de casamento político é que pretendia para Cristina, antes de permitir qualquer casamento por amor. Em outubro de 1540, Carlos V forçou Renato de Orange a casar com Ana da Lorena e depois declarou Cristina noiva do irmão de Ana, Francisco da Lorena, para fortalecer a aliança entre o Império e a Lorena que ficara comprometida com a questão da Gueldres.

Em fevereiro de 1540, Cristina ajudou a irmã Doroteia, que fora enviada ao Imperador pelo marido, o eleitor Frederico, para defender a causa do seu pai, e impedir a renovação das tréguas entre os Países Baixos e o rei Cristiano III da Dinamarca. Após consultar o Arcebispo Carondelet e Nicolas Perrenot de Granvelle (conselheiros do Imperador), Doroteia e Cristina enviaram a seguinte petição ao Imperador: "A minha irmã e eu, vossas humildes e dedicadas filhas, suplicamos-vos, como fonte de toda a justiça, que tenhais compaixão de nós. Abri as portas da prisão, que apenas vós podeis fazer, libertai o meu pai, e aconselhai-me como posso obter o reino que é meu pelas leis de Deus e do Homem." Contudo, o apelo delas não teve qualquer sucesso.

Duquesa da Lorena A 10 de julho de 1541, Cristina casou com Francisco, Duque de Bar (que viria a ser duque da Lorena), em Bruxelas. Francisco fora prometido a Ana de Cleves, que veio a ser a quarta mulher de Henrique VIII. Em agosto, Cristina e Francisco chegaram a Pont-à-Mousson, na Lorena, onde visitaram a duquesa viúva Filipa, continuando para a capital, Nancy escoltados pela família Guise. Em novembro de 1541, Cristina, o marido e o sogro, visitaram a corte Francesa em Fontainebleau, onde foram forçados a ceder o forte de Stenay à França. Cristina impediu que isto causasse uma fratura entre a Lorena e Imperador. Durante a Guerra entre a França e o Imperador em 1542, ela viveu na corte francesa por diversas ocasiões , visitando a sua tia, a rainha Leonor. Em fevereiro de 1544, Cristina e a irmã Doroteia visitaram o imperador em Espira, para lhe implorarem que fizesse a paz com a França, embora sem sucesso.

Em 19 de junho de 1544, Francisco sucedeu ao pai como Duque da Lorena. Em julho, ele e Cristina receberam o Imperador na Lorena, mas não conseguiram convencê-lo a iniciar as negociações de paz. Em agosto, o Imperador ordenou que a residência da família Guise, em Joinville, fosse poupada pelos exércitos Imperiais a pedido de Cristina, favor que ela solicitara por consideração com a sua cunhada, Ana da Lorena. No mesmo mês, Carlos V pediu a Cristina para impedir Francisco de visitar a corte Francesa, uma vez que via isto como a celebração de negociações de paz, mas o duque já havia partido. Quando a guerra finalmente acabou nesse mesmo ano, Cristina esteve presente na celebração da paz em Bruxelas.

Cristina atuou como conselheira política de Francisco.Dansk Kvindebiografisk Leksikon. KVinfo.dk Isto foi notado durante o Concelho de Espira, em 1544. A relação do casal era descrita como feliz: partilhavam um interesse comum por música e arquitetura, e planeavam redecorar o palácio de Nancy. Cristina chegou a referir-se como a mulher mais feliz no mundo.

Regente da Lorena