Edward Robinson de Barros Cavalcanti (Recife, 21 de junho de 1944 — Olinda, 26 de fevereiro de 2012) foi um professor, escritor e bispo deposto da Diocese Anglicana de Recife, região eclesiástica da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, e posteriormente bispo fundador da Igreja Anglicana – Diocese do Recife, que surgiu de um rompimento institucional com a IEAB, por conta das tensões entre o conservadorismo e o liberalismo no Anglicanismo no Brasil. Biografia Edward Robinson de Barros Cavalcanti era filho de Edward Lopes Cavalcanti e Gerusa de Barros Cavalcanti. Aos três anos de idade, se mudou para a cidade de União dos Palmares, onde seu pai era empresário e político; ele cursou o Ginásio, participou da Paróquia de Santa Maria Madalena, do Grêmio do Colégio e da União dos Estudantes Secundaristas de Alagoas (UESA). Nessa época passou, ocasionalmente, a frequentar sessões kardecistas (religião da família do seu genitor) e a ser evangelizado por amigos batistas e adventistas do sétimo dia.

Em 1960 foi para o internato do Colégio Evangélico (presbiteriano) XV de Novembro, em Garanhuns, para o Curso Clássico. Em 21 de abril, se converteu. Em 1961 regressou ao Recife, para viver com seus avós paternos, e continuar o curso clássico no Colégio Nóbrega (dos jesuítas). Integrou a liderança do CESP – Centro dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco. Vida Acadêmica e Profissional No início de 1962 concluiu o Curso Clássico e o Curso de Língua e Cultura Hispânica. De 1963 a 1966 cursou Licenciatura em Ciências Sociais na Universidade Católica de Pernambuco, e Língua Inglesa, na Sociedade Cultural Brasil-EEUU. De 1963 a 1967 cursou, simultaneamente, o Bacharelado em Direito na Universidade Federal de Pernambuco, participou da política estudantil, integrando o Diretório Acadêmico “Demócrito de Souza Filho”, da Faculdade de Direito, e do Teatro Universitário. Ingressou na Aliança Bíblica Universitária (ABU). Fez estágio no Departamento de Ciências Sociais da Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

Iniciou sua vida como advogado, assessor da ABU por dez anos e professor nos Colégios Agnes Erskine (presbiteriano), Americano Batista e Sagrado Coração Eucarístico de Jesus. Seguindo para a carreira universitária, foi professor de Ciência Política, na Faculdade de Filosofia do Recife (FAFIRE, das Irmãs de Santa Dorotéia), no Seminário Presbiteriano do Norte, na Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Em 1974-1975 cursou o Mestrado em Ciência Política no Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ), da Universidade Cândido Mendes, defendendo a tese "Alagoas – a Guarda Nacional e as Origens do Coronelismo”.

Nas Universidades – onde lecionou por 35 anos – integrou quase todos os Colegiados Superiores. Foi coordenador de Graduação, de Pós-Graduação (Especialização), de Mestrado, Chefe de Departamento, e, finalmente, Diretor do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFPE. Foi professor conferencista-visitante na Universidade do Alabama, em Birmingham, lecionando a disciplina “Sistemas Políticos Comparados”. Foi aposentado como Professor Adjunto, IV da UFPE e UFRPE.

Foi membro da Academia Pernambucana de Educação e Cultura, Academia Pernambucana de Ciências Jurídicas e Morais e Cidadão Honorário da Cidade de Olinda. Participou da fundação (1970) da Fraternidade Teológica Latino-americana (FTL), onde integrou, por sete anos, a sua Comissão Executiva. Integrou, também, a Comissão de Convocação do Pacto de Lausana (1974), e a Comissão de Lausanne para a Evangelização Mundial (LCWE), por quatro anos, bem como a Comissão Teológica da Aliança Evangélica Mundial (LCWE), na Unidade “Ética e Sociedade”. Filiou-se aos Gideões Internacionais e ao Rotary Club junto com o missionário Pedro Higino Marques da Silva. Passou a colaborar como articulista na imprensa escrita. Por 10 anos escreveu a coluna dominical “Evangelismo” no Jornal do Commercio, e, por dois anos a coluna “Panorama Evangélico”, do Diário da Noite. Escreveu, por cinco anos, para a revista Kerygma (São Paulo), e foi o mais antigo colaborador da revista Ultimato (Viçosa.) Ao todo, publicou mais de mil artigos sobre Teologia e Ciência Política. Atuou, também, na rádio e na televisão, em programas religiosos e políticos, passando a dar conferências no país e no exterior, principalmente na área de Ética Social. Como convidado do Governo, pregou no Culto Semanal dos Deputados, na Capela do Parlamento da Suécia. Foi candidato a deputado estadual, em 1982, pela oposição ao Regime Militar (e membro do Diretório Municipal do PMDB do Recife, entre 1982 e 1984), e participou das campanhas pela Lei da Anistia e pelas ‘Diretas Já’.Evangélicos progressistas: uma experiência política no período de abertura democrática no Brasil. Fernando Coêlho Costa, disponível na internet. Foi Presidente da OMEB - Ordem dos Ministros Evangélicos do Brasil - Secção de Pernambuco, e um dos idealizadores e membro da primeira diretoria nacional do MEP - Movimento Evangélico Progressista.

Foi assessor do Conselho Regional de Pernambuco do Colégio Notarial do Brasil, da Prefeitura da Cidade do Recife (e membro do Conselho Municipal de Educação) e, do então deputado federal, Humberto Costa. Coordenou, entre as Igrejas evangélicas, a nível nacional, as campanhas presidenciais de Lula, de 1989 e 1994. Militou no Partido dos Trabalhadores, em que foi membro do Diretório Municipal e candidato a vice-prefeito de Olinda (1996). Filiado a duas Seções Sindicais da ANDES – Sindicato Nacional dos Professores Universitários –, foi candidato a uma das vice-presidências da entidade, na chapa encabeçada pela professora e ex-prefeita de Fortaleza, Maria Luiza Fontenelle.

Foi presidente da ASAS, ONG de apoio aos portadores de HIV/AIDS. Participou da campanha do “Parlamentarismo” e da campanha pelo “Fora Collor”. Por cinco anos, integrou o NIES – Núcleo Interdisciplinar de Estudo sobre a Sexualidade da UFPE, participando de debates sobre o tema em várias instituições, inclusive defendendo, como convidado, a posição conservadora da Igreja, na Semana Cultural do “V Congresso Brasileiro de Homossexuais”. Integrou o grupo de pastores evangélicos que subscreveu o manifesto de apoio a Emenda Marta Suplicy (direitos patrimoniais e previdenciários). Vida Religiosa Em 1962 desvinculou-se da Igreja Católica Apostólica Romana e do Espiritismo Kardecista. Em 31 de outubro de 1963 (Dia da Reforma) foi confirmado na Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB). Foi evangelista e candidato ao ministério ordenado luterano.

Depois de anos de estudo e aproximação, filiou-se a então Igreja Episcopal do Brasil (IEB), na Catedral da Santíssima Trindade, pelas mãos do bispo da Diocese Anglicana do Recife, Edmund Knox Sherrill, em 21 de junho de 1976, sendo, sucessivamente, leitor (ministro leigo), membro de Junta Paroquial, postulante e candidato às sagradas ordens, diácono e presbítero, trabalhando na Catedral da Santíssima Trindade, e nas paróquias Bom Samaritano, Emanuel e Redenção (sempre não remunerado). Foi delegado sinodal e membro da JUNET mais de uma vez, tendo ministrado em encontros anglicanos em vários países. Foi membro, por mais de 10 anos, da diretoria internacional da EFAC – Fraternidade dos Evangélicos na Comunhão Anglicana, e membro da Ekklesia.

Em 1997 foi eleito, sagrado e instituído bispo da Diocese do Recife, comparecendo à Conferência de Lambeth de 1998, participando da rede de correntes ortodoxas anglicanas. Como bispo diocesano, ordenou dezenas de diáconos e presbíteros. Nos seus sete anos de governo, foram abertas comunidades, criados projetos sociais, arcediagados, secretarias e comissões, e reformulados os Cânones, estimuladas as vocações, criado o diaconato permanente e o ministério local, bem como a instituição de ministros leigos e evangelistas. Na IEAB foi presidente da Junta Nacional de Educação Teológica – JUNET.

Fez sua formação teológica por extensão no Seminário Concórdia (da IELB), no então Núcleo Anglicano de Estudos Teológicos (futuro Seminário Anglicano de Recife da IEAB), e nos cursos de capacitação de obreiros da ABU (IFES – Comunidade Internacional de Estudantes Evangélicos), no Brasil, Equador, Estados Unidos, Áustria e Inglaterra, tendo estudado com vários teólogos anglicanos, como o reverendo John Stott. Participou de seminários e congressos internacionais. Era defensor da Teologia da Missão Integral. Rompimento com a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil Foi um dos críticos da IEAB por sua postura liberal. Em 25 de janeiro de 2005, Robinson Cavalcanti, então bispo da Diocese Anglicana do Recife, opondo-se à predominância da ala liberal na Igreja, promoveu um cisma na IEAB. A decisão de Cavalcanti ocorreu por oposição à aceitação de fiéis homossexuais não castos pela IEAB. Ele declarou unilateralmente a suspensão do relacionamento da diocese do Recife com a Província do Brasil, proclamando-a como uma "Diocese autônoma da Comunhão Anglicana". Segundo Christina Takatsu Winnischofer, então secretária geral da IEAB, Cavalcanti proclamou uma "guerra santa" entre anglicanos evangélicos e liberais, ao punir "todos os que discordavam dele". Apesar de constituir ato raro e extremo, o bispo foi expulso da IEAB em 10 de junho de 2005 pelo Tribunal Superior Eclesiástico. name="cisma""Cisma"

Expulso da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Robinson Cavalcanti foi substituído interinamente na Diocese Anglicana do Recife por Filadelfo Oliveira Neto, de 2005 a 2006, e por Sebastião Armando Gameleira Soares. Por sua vez, Robinson criou a Diocese do Recife, que tentou filiar na Igreja Anglicana do Cone Sul da América (de tendência evangélica e conservadora). Posteriormente, por questões de ordem judicial e de nome institucional, a Diocese do Recife passou a denominar-se Igreja Anglicana - Diocese do Recife, ligada à GAFCON/FCA, que reúne a maioria dos anglicanos no mundo contrários aos posicionamentos liberais dentro do anglicanismoCOSTA, Rafael Vilaça Epifani. História do Anglicanismo no Nordeste e a Diocese Anglicana do Recife. Porto Alegre: 2022.. Assassinato Robinson Cavalcanti e sua esposa, Miriam Nunes Machado Cotias Cavalcanti, faleceram na cidade de Olinda, em 26 de fevereiro de 2012. Ambos foram esfaqueados pelo filho, Eduardo Cotias Olímpio Cavalcanti, que cometeu tal ato de forma premeditada.

O assassino, filho adotado, residia no estado da Flórida, e regressou ao Brasil dias antes por estar ameaçado de deportação. Relatos apontam que Eduardo foi levado para os EUA aos 16 anos para residir com sua tia, em virtude dos problemas de relacionamento constatados em sua convivência com a família (como rebeldia e momentos violentos), mas que jamais fora abandonado pelos pais. Usuário de drogas, após o crime atentou contra a própria vida, mas sobreviveu.

Informações da investigação policial dão conta que Eduardo considerava-se "abandonado" pelo bispo, e que se sentia rejeitado pela família. Inclusive, durante o depoimento policial, teria afirmado "não se arrepender do crime cometido". A autoridade policial e testemunhas descartam a versão apresentada pelo assassino, ao afirmarem que jamais houve, por parte dos pais, qualquer sentimento de repulsa ou rejeição, sendo tal situação fruto de sua "interpretação equivocada".