direita|miniaturadaimagem|Pintura Lalighat; "Mulher batendo em homem com uma vassoura" (1875) A violência doméstica contra homens é a violência doméstica vivida por homens ou meninos em uma relação como o casamento, a coabitação, namoro, ou dentro de uma família. Como ocorre com a violência doméstica contra mulheres, a violência contra homens pode constituir crime, mas as leis variam entre jurisdições. Normas socioculturais sobre o tratamento de homens por mulheres, e de mulheres por homens, diferem dependendo da região geográfica e o comportamento fisicamente abusivo de um cônjuge para com o outro é considerado, desde um crime grave até uma questão mais pessoal.
Considerando que as mulheres que sofrem de violência doméstica são abertamente incentivadas a denunciar o fato às autoridades, argumenta-se que os homens que sofrem violência, muitas vezes são pressionados a não denunciarem, devido ao estigma social em relação à sua percepção de falta de machismo e outros fatores que possam ferir a sua masculinidade. Além disso, a violência conjugal contra homens, geralmente, é menos reconhecida pela sociedade do que a violência conjugal contra mulheres, o que pode ser mais um obstáculo para os homens relatarem a sua situação.
A prevalência e a frequência de violência conjugal contra homens é altamente controversa, com diferentes estudos, que mostram conclusões diferentes para diferentes países, muitos que não dispõem de nenhuma pesquisa sobre o assunto. Alguns pesquisadores acreditam que é provável que o número real de vítimas do sexo masculino seja maior do que as estatísticas sugerem, devido ao elevado número de homens que não relatam o abuso.
Alguns críticos rejeitam esses estudos, por envolverem uma área controversa de pesquisa, que é a teoria reivindicada por alguns movimentos ativistas masculinos de que as mulheres cometem violência conjugal tão frequentemente quanto os homens (a chamada 'simetria entre os sexos'), e isso tem provocando grandes debates,Potok, M; Schlatter S (Spring 2012)Messner, Michael A. (1998)Susan L. Miller; Terry G. Lilley (2008)Flood, Michael (7 July 2004) argumentando que o foco dos militantes por direitos dos homens na violência de mulheres contra homens, vem de uma agenda política para minimizar o problema da violência masculina contra a mulher, e minar os serviços de auxílio a mulheres vítimas de violência.Susan L. Miller; Terry G. Lilley (2008)Kimmel, M. S. (2002)
No Brasil, o Atlas da Violência revela que 39% dos assassinatos femininos foram praticados em domicílio, contra 15,9% dos masculinos. Quanto a esses percentuais, o Atlas afirma, no entanto: "ainda que não seja possível fazer uma conclusão definitiva, os dados indicam que há grandes chances de se relacionarem com casos de feminicídio'"
Frequência Dificuldades com a mensuração Determinar a frequência de violência conjugal contra homens pode ser difícil, como homens geralmente são mais resistentes do que as mulheres para relatar o abuso ou procurar ajuda. Uma das razões para isso é que a violência conjugal contra homens, geralmente, é menos reconhecida pela sociedade do que a violência conjugal contra mulheres. Além disso, heterossexuais vítimas de violência conjugal são, muitas vezes, julgados duramente por "permitirem-se" ser derrotados por uma mulher. Esta visão baseia-se na regra geral de que homens são fisicamente mais fortes do que as mulheres e, portanto, devem ser capazes de impedir qualquer tipo de violência feminina; uma visão que desconsidera que mulheres violentas tendem a usar objetos na violência conjugal, mais frequentemente que homens violentos.
Outra razão pela qual homens muitas vezes resistem em relatar sua vitimização é a preocupação com estereótipos socioculturais de masculinidade; homens vítimas de violência doméstica, muitas vezes, escondem o seu sofrimento, devido ao medo de serem julgados negativamente por outras pessoas, e/ou ter sua masculinidade questionada.Lupri, Eugene; Grandin, Elaine (2004) Para alguns homens, esse comportamento evasivo é baseado no medo de ser ridicularizado por amigos ou colegas de trabalho, por timidez no trato com os colegas e/ou com mulheres (não violentas), e por medo de pessoas dizendo que a mulher é a verdadeira vítima, e deve ter agido em auto-defesa. Para um homem admitir que é vítima de violência conjugal feminina, exige o abandono da faceta de machismo que a sociedade espera dos homens e admitir ser submisso a um parceiro do sexo feminino. Para alguns homens, esta é uma admissão que eles não estão dispostos, ou capazes de fazer.Fontena Vera, Carol; Gatricia Duhart, Andrés Alguns pesquisadores também têm demonstrado uma aceitação sociocultural de mulheres que agridem homens, embora haja uma condenação geral de agressão por homens contra mulheres. Isso pode levar os homens a não se considerarem vítimas, e/ou não perceberem que a violência conjugal que estão enfrentando é um crime.
Além disso, alguns estudos têm mostrado que as mulheres que atacam os seus parceiros do sexo masculino são mais propensas a evitar a prisão que homens que agrediram suas parceiras,Felson, Richard B.; Pare, Paul-Philippe (September 2007) e que as mulheres que cometem violência conjugal são muitas vezes vistas por agências legais e tribunais como vítimas, em vez de criminosas.Kingsnorth, Rodney F.; MacIntosh, Randall C. (September 2007) Como tal, os homens temem que, caso denunciem à polícia, eles vão ser considerados os agressores e presos. O Inquérito Nacional de Violência Familiar dos EUA 1985, realizado por Murray R. Straus e Richard J. Gelles em uma amostra nacionalmente representativa de casais, descobriu que quando uma mulher chamou a polícia para relatar violência conjugal, o homem foi expulso da casa em 41,4% dos casos. No entanto, quando um homem chamou a polícia, a mulher foi mandada para fora de casa em 0% dos casos. Quando uma mulher chamava, o homem foi ameaçado com prisão imediata, em 28,2% dos casos; quando um homem chamava, a mulher foi ameaçada de prisão em 0% dos casos. Quando uma mulher chamava, o homem foi ameaçado de prisão em uma data posterior em 10,7% dos casos; quando um homem chamava, a mulher foi ameaçada de prisão em uma data posterior em 0% dos casos. Quando uma mulher chamava, o homem foi preso em 15,2% dos casos; quando um homem chamava, a mulher foi presa em 0% dos casos. Na verdade, em 12,1% dos casos, quando o homem chamou, o próprio homem foi preso.
As estatísticas indicam que a subnotificação é um problema inerente com a violência conjugal, independentemente do sexo. Por exemplo, na Inglaterra e no país de Gales, a Pesquisa Domiciliar 191 (Home Office Research Study 191), em 1995, realizou um estudo complementar para o Inventário Criminal Britânico, relatando 6,6 milhões de incidentes de violência conjugal nos últimos doze meses, em comparação com os incidentes registrados pelo Inventário Criminal. A diferença nos dois relatórios foi que o Study 191 foi um questionário a uma amostra aleatória e representativa de pessoas, enquanto que o Inventário Criminal só usou os números de criminalidade registrados, ou seja, casos de violência conjugal realmente relatados.Mirrlees-Black, Catriona (1999) Estudos complementares realizados em 2001 e a partir de 2004, tem consistentemente gravado significativamente maiores taxas de violência conjugal (cometidos contra homens e mulheres) do que o Inventário Criminal."Government Statistics on Domestic Violence" (PDF) O relatório 2010-2011 concluiu que, enquanto 27% das mulheres que sofreram violência conjugal relataram para a polícia, apenas 10% dos homens o fizeram e, enquanto 44% das mulheres relataram a alguma organização profissional, apenas 19% dos homens o fizeram. Em 2005 um relatório realizado pelo Conselho Nacional do Crime na República da Irlanda, estimou que 5% dos homens que sofreram violência conjugal denunciaram às autoridades, em comparação com 29% das mulheres.
Estimativas de vitimização masculina Na Inglaterra e no País de Gales, a Pesquisa Domiciliar 191, de 1995, pesquisou pessoas ( mulheres e homens), com idades entre 16 e 59 anos, descobrindo que, para o período de doze meses anteriores à pesquisa, 4,2% dos homens tinham sofrido violência conjugal. Ao longo da vida conjugal, esse número cresceu 14,9% dos homens. Dos 6,6 milhões de incidentes de violência conjugal em 1995, 3,25 milhões envolviam vítimas do sexo masculino, com um milhão de incidentes resultando em ferimentos.Mirrlees-Black, Catriona (1999) Desde 2004, registros anuais mais detalhados foram mantidos como pesquisas complementares aos relatórios anuais de Crime Domiciliar na Inglaterra e País de Gales (Annual Home Office Crime in England and Wales Report). Estes relatórios têm consistentemente registrado taxas significativamente elevadas de ambos os sexos para o padrão de pesquisas criminais, como vítimas de violência conjugal. No caso de vítimas do sexo masculino, os valores variam de uma alta de 4,5% em 2007/2008Roe, Stephen (2009) para uma baixa de 3,1% em 2009/2010.Hall, Philip (2011) Na República da Irlanda, um relatório de 2005, elaborado pelo Conselho Criminal Nacional descobriu que 15% das mulheres e 6% dos homens sofreram violência conjugal grave na vida, correspondendo a cerca de mulheres e homens.Watson, Dorothy; Parsons, Sara (2005) Na Irlanda do Norte, registros policiais de 2012 listaram homens vítimas de violência doméstica, um aumento de 259 casos, a partir de 2011.McNeilly, Claire (October 29, 2013)
Nos Estados Unidos, o Levantamento Nacional sobre Violência Contra Mulheres realizado pelo Departamento de Justiça em 2000, pesquisou pessoas ( homens e mulheres), e descobriu que 7,4% dos homens relataram agressão física por um atual ou ex-cônjuge, companheiro, namorado/namorada, ou a paquera em sua vida. Extrapolados para a população do país como um todo, esse número equivale a homens. Além disso, 0,9% dos homens relataram serem vítimas de violência doméstica em 2013, o equivalente a homens.Tjaden, Patricia; Thoennes, Nancy (2000) Também em 2000, o Inquérito Social Geral Canadense encontrou que cerca de 7% dos homens haviam sofrido violência conjugal, de 1994 a 1999, de um total de homens.Bunge, Valerie Pottie; Locke, Daisy, eds. (2000) O Inquérito Social Geral Canadense, de 2005, revelou que 6% dos homens tinham sofrido violência conjugal entre 2000 e 2005, de um total de homens.Mihorean, Karen (2005) Os dados relativos a pesquisas de estupros em campus, como as do Instituto Nacional de Saúde Mental e da Revista Ms., registraram que um em cada sete homens é agredido sexualmente nas faculdades dos EUA."Rape on College Campus"
Em 2013, o Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA constatou que a partir de uma amostra de adultos dos EUA, 26% dos homens homossexuais, de 37,3% de homens bissexuais, e 29% dos homens heterossexuais foram vítimas de violência conjugal, em comparação com 43,8% do lésbicas, 61,1% das mulheres bissexuais e 35% das mulheres heterossexuais. Embora o estudo mostre que lésbicas são vítimas de violência conjugal mais frequentemente que mulheres heterossexuais, ele afirma que a maioria da violência conjugal cometida contra homens e mulheres foi cometida por homens. O diretor do CDC, Tom Frieden, declarou: "Este relatório sugere que lésbicas, gays e bissexuais neste país são, em grande número, vítimas de violência sexual e perseguição cometida por parceiro íntimo".Heavey, Susan (January 25, 2013)