miniaturadaimagem|Sociedade Mexicana de Folclore miniaturadaimagem|Postal de Boas Festas com caricatura de Jaime Lopes Dias miniaturadaimagem|Reunião da Comissão Municipal de Arte e Arqueologia no Paços do Concelho em 4 de Novembro de 1952. À direita, Gustavo de Matos Sequeira e Jaime Lopes Dias miniaturadaimagem|Livro da Capa Verde, usado nas escolas João de Deus miniaturadaimagem|Artigo acerca da defesa do nome de Jaime Lopes Dias para a barragem de Idanha-a-Nova Jaime dos Santos Lopes Dias (Vale do Lobo hoje Vale da Senhora da Póvoa, Penamacor 25 de outubro de 1890 — Santa Catarina, Lisboa, 1977) foi um importante etnógrafo, olisipógrafo, escritor e historiador português, com formação em Direito e vários cargos na Justiça, Política e Função Pública. miniaturadaimagem|Jaime Lopes Dias (ver circulo amarelo) prestando a última homenagem ao grande escritor, resistente antifascista e amigo, Aquilino Ribeiro, em Maio de 1963. miniaturadaimagem|Fundação da Sociedade Portuguesa de Escritores Origem e Vida familiar:
Era o filho mais velho de uma fratria de 5 irmãos de José Lopes Dias, professor primário, e de Angélica Mendes Barreiros Dias. Com a morte precoce da sua mãe, o seu pai vem a casar novamente e a ter os restantes quatro filhos. Em 1914 tornou-se notário, por concurso público, em Idanha-a-Nova, ano e local onde viria a casar com Maria do Carmo de Andrade Pissara (1889-1980)1. Teve quatro filhos, dois rapazes e duas raparigas, que por sua vez deram origem a 10 netas e um neto. Conheceu ainda alguns bisnetos. A família foi sempre uma dimensão importante da sua vida e à qual dedicava grande parte da sua atenção.
Vida Escolar e Universidade:
Frequentou o Liceu de Castelo Branco e, mais tarde, estudou no colégio de São Fiel, mas foi no Liceu de Coimbra que completou o curso complementar de Letras. O curso de direito foi realizado na Universidade de Coimbra entre 1908 e 1912.
Vida Profissional:
Foi Oficial do Registo Civil do concelho de Penamacor, entre 1912 e 1914.
Notário, por concurso público, em Idanha-a-Nova,1914.
Administrador do concelho de Idanha-a-Nova, de 16 de Julho de 1915 a 30 de Outubro de 1916. miniaturadaimagem|Almoço de homenagem ao Prof. C. Vossler no Hotel Aviz. Instituto para a Alta Cultura. 29 de Janeiro de 1944. Aluno da Escola de Oficias Milicianos, de Novembro de 1917 a Junho de 1918.
Membro da Comissão Administrativa Municipal de Idanha-a-Nova (1919);
Foi vereador da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova entre 1915 e 1919. Posteriomente, muda-se para Castelo Branco, onde em 1919 é empossado Juiz presidente do tribunal dos desastres no trabalho tendo sido também secretário-geral do governo civil de Castelo de Branco.Ainda em Castelo Branco, foi professor provisório do 4º grupo do Liceu de Castelo Branco, de Dezembro de 1923 a Julho de 1924 e do 5º grupo do mesmo Liceu desde Dezembro de 1926 a Junho de 1927.
Mais tarde, mudou-se para Lisboa, onde exerceu a função de Director dos Serviços Centrais e Culturais na Câmara Municipal de Lisboa, de 1938 até à sua reforma por idade. Foi à capital que dedicou muito do seu trabalho ao longo do resto da sua vida, embora mantendo sempre uma grande ligação à sua região natal, onde ia frequentemente. Não raramente, ajudava conterrâneos a encontrar trabalho em Lisboa e dedicou-se sempre ao desenvolvimento regional. São exemplos disso o seu esforço para que fosse construída a barragem de Idanha-a-Nova, hoje barragem Carmona, havendo quem tenha escrito6 que poderia chamar-se Jaime Lopes Dias, tal foi a sua implicação no projecto, mas há outros exemplos (ver artigo de 21 de Junho de 1991 no Jornal Reconquista).
Manteve sempre uma relação forte com a imprensa que lia de forma apaixonada e onde escreveu durante vários anos. Fundou e dirigiu o jornal “Povo de Idanha”2. e escreveu no jornal Província, de Castelo Branco, mas também no Diário de Notícias e no jornal O Século. miniaturadaimagem|Nas despedidas dos funcionários superiores da CML. No uso da palavra o Sr. Ten. Cor. Salvação Barreto. 12-03-1959. Uma das suas mais importantes obras é a Etnografia da Beira (1926). Esta obra de fôlego, com 11 volumes, resultou de um intenso e prolongado esforço de recolha de tradições orais sobre a vida, as tradições, os costumes, o folclore e as diversidades culturais da Beira-Baixa.
Em 1933 é autor, com o então professor de direito Marcelo Caetano, do código administrativo. Este facto veio a ser interpretado como um sinal de aproximação ao regime, então no seu início. Na verdade, Jaime Lopes Dias recusou sempre cargos de conotação política, nunca se identificando com o regime de Salazar e Caetano. Ajudou amigos, conhecidos e opositores a escaparem à polícia política, nomeadamente em fugas para Espanha. miniaturadaimagem|Nota do Jornal do Fundão aquando da morte de Jaime Lopes Dias Na nota de pesar pelo falecimento de Jaime Lopes Dias, o Jornal do Fundão reconhece o seu empenho em ajudar aquele jornal a ultrapassar as dificuldades levantadas pelo regime salazarista em receber o escritor brasileiro João Cabral de Melo Neto (ver foto anexa). Nas palavras de testemunhos, era descrito assim: “O Doutor Jaime era, foi, um anti-salazarista convicto, sou testemunha disso!”3 miniaturadaimagem|10-06-1960. 80º Aniversário do Orfeão. Da esquerda para a direita: João Marques Guimarães (S. Pedro do Sul); Jaime Lopes Dias; Fernando Martins (Coimbra); António A. Barbas (Penamacor). A partir de 1938 tornou-se director dos serviços centrais e culturais da Câmara Municipal de Lisboa, tendo dirigido a Revista Municipal, dedicada aos estudos Olisiponenses.
Foi também membro dos Jardim Escola João de Deus (escreveu o livro da Capa Verde com João de Deus Ramos), que ajudou a organizar e difundir ao longo de muitos anos, até 1976, já depois do 25 de Abril. miniaturadaimagem|Ficha de proposta de sócio da SNBA assinada por João de Deus Ramos e Abílio Meireles Foi sócio da Sociedade Nacional de Belas Artes e presidente da assembleia geral de 1952 a 1957.
Durante a sua vida conviveu e foi amigo pessoal de diversas figuras relevantes do seu tempo, desde logo João de Deus Ramos, Aquilino Ribeiro (quem apoiou inúmeras vezes, incluindo quando se manifestou na conferência de imprensa na avenida da Liberdade contra a proibição de uma das obras daquele escritor), Aquilino Ribeiro Machado, João de Deus Ramos, José Leite de Vasconcelos, António Valdemar e tantos, tantos outros.
Foi um leitor fervoroso e dono de uma biblioteca pessoal com mais de quatro mil volumes.
Morreu depois do 25 de Abril de 1974, revolução que encarou com alegria e optimismo, lamentando apenas já não ter idade para poder festejar na rua com os cidadãos de Lisboa (fonte familiar).
Publicações6:
Acção cível — Alegações e resposta à arguição de incompetência em razão da matéria. 1921. 1vol O problema da viação no distrito de Castelo Branco. O que há e o que se precisa. Meios de realização. Coimbra, Tip. Operária, 1922, 1 fol; As aspirações da Beira Baixa e as propostas de um congressista apresentadas ao Congresso Municipalista da Beira Baixa. Coimbra, Tip. Operária, 1923, 1 fol. Etnografia da Beira — Lendas, costumes, tradições, crenças e superstições – 1º vol., 1ªed Vila Nova de Famalicão, Tip. Minerva, 1926, 1 vol. A Junta Geral da vida administrativa portuguesa. Vila Nova de Famalicão, Tip. Minerva, 1927, 1 fol. Etnografia da Beira — O que a nossa gente canta — 2º vol. Vila Nova de Famalicão, Tip Minerva, 1927, 1 fol. A Beira, limites naturais, divisão tradicional. A Beira Baixa na organização administrativa nacional — Tese apresentada ao III Congresso Beirão. C. Branco, Tip. Portella Feijão, 1928, 1 fol. Aspirações e necessidades da Beira — Memorial da Cidade de Castelo Branco ao III Congresso Beirão. C Branco, Tip. Portella Feijão, 1928, 1 fol. Etnografia da Beira — Lendas, costumes, tradições, crenças e superstições — 3º vol. Vila Nova de Famalicão, Tip. Minerva, 1929, 1 vol. O problema económico, alguns males e remédios sob o ponto de vista agrícola — Tese publicada no volume Da Acção Regional ao IV Congresso Beirão. Vila Nova de Famalicão, Tip. Minerva, 1929, 1 fol Em defesa do folclore nacional — discurso de apresentação do Orfeão de Castelo Branco. Famalicão, ed. Do autor, 1930, 1 fol. Castelo Branco. O problema do seu abastecimento de água. Tese apresentada ao V Congresso Beirão. Famalicão, Tip, Minerva, 1932, 1 fol Memorial. Apresentado ao V Congresso Beirão, sobre alguns problemas e aspirações regionais. Famalicão, Tip. Minerva, 1932, 1 fol. IV Congresso e Exposição Regional das Beiras — Relatório, sessões, teses, exposições, imprensa. Famalicão, Tip. Minerva, 1932, 1 vol. Aspirações de Idanha-a-Nova—I— A Barragem do Ponsul. Lisboa, Livraria Ferin, 1933, 1 vol. Monografia sobre o regime e organização do trabalho rural, englobando a questão da higiene e conforto no concelho de Idanha-a-Nova — Premiada em concurso aberto pela DGSA — Boletim do Ministério da Agricultura — Ano II. Nºs 9 e 10. Lisboa, 1933, 1 vol. Receitas e despesas municipais. Famalicão, Tip. Minerva, 1934, 1 fol. Pelourinhos e Forcas no Distrito de Castelo Branco. Famalicão, Tip. Minerva, 1935, 1 vol. A Beira Baixa ao microfone da Emissora Nacional — Reprodução do espectáculo regional de 21 de Novembro de 1935. Lisboa, Livraria Ferin, 1936, 1 vol. Corpos Administrativos, Casas do Povo e Misericórdias ante o problema social. A protecção à propriedade e o cadastro geométrico. A estrada de Castelo Branco-Coimbra (Teses apresentadas ao V congresso Beirão). Lisboa, Livraria Ferin, 1936, 1 vol A Beira Baixa, seu folclore, sua história e suas riquezas — Separata de A Beira Baixa ao microfone da Emissora Nacional Lisboa, Livraria Ferin, 1936, 1 vol. Código Administrativo de 31 de Dezembro de 1936 — Edição revista com notas marginais e reportório. (Lisboa, Editorial Império, 1937, 1 vol) Lei eleitoral (Decreto-lei nº 27993, de 27 de Agosto). Lisboa, 1937, 1 vol Etnografia da Beira — O que a nossa gente canta — 4º vol. Famalicão, 1937, 1 vol. Etnografia da Beira — Lendas, romances. Costumes, tradições, crenças e superstições — 5º volume. Famalicão, Tip. Minerva, 1939, 1 vol. Festas Populares — Ciclo do Natal — Adoração dos pastores — separata de Ocidente — Vol. XI. Lisboa, 1940, 1 fol. Festas e divertimentos da Cidade de Lisboa. Da Indenpendência à Restauração (conferência). Famalicão, Tip. Minerva, 1940, 1 fol. Código Administrativo de 31 de Dezembro de 1940 e Estatuto dos Distritos autónomos das Ilhas adjacentes. Edição revista, com anotações marginais, e reportório alfabético. Lisboa, Editorial Império, 1941, 1 vol. 1º Apêndice de actualização do Código Administrativo e Estatuto das Ilhas Adjacentes. Lisboa. 1941, 1 fol. O Museu da Cidade de Lisboa — Separata da Revista Municipal, Câmara Municipal, 1943, 1 fol. Etnografia da Beira — 1º vol, 2ª ed. Lisboa, Editorial Império, 1944, 1 vol. O problema da terra e dos que a cultivam. Conferência realizada na sede de A Voz do Operário, em 8 de Abril de 1945. Lisboa, 1945, 1 fol. Cortiças da Beira Baixa — Estudo histórico, económico e etnográfico. Lisboa, Liv. Ferin, 1947, 1 vol. Grades de Lisboa — Organização e prefácio. Lisboa. C. Municipal, 1947, 1 vol. Etnografia da Beira — Lendas, contos e romances. Costumes. Indústrias regionais. Tradições, crenças e superstições — 7º volume. Famalicão, Tip. Minerva, 1948, 1 vol O Livro da Capa Verde — Em colaboração com o Dr. João de Deus Ramos. Lisboa. Oficinas gráficas Ramos, Afonso e Moita, 1948, 1 vol. A União dos Municípios Portugueses. Necessidade da sua criação — Separata da I Reunião Olisiponense. Lisboa, 1948, 1 Vol. Cantinas escolares. Estradas e Turismo. A obra de rega da Campina de Idanha-a-Nova — Teses apresentadas ao VIII Congresso Beirão. Lisboa, Soc. Astória, Lda. , 1948, 1 Fol. L’administration muncipale de la ville de Lisbonne — Comunicação ao Congresso das Cidades realizado em Paris. Lisboa, C.M. Lisboa, 1948, 1 fol.