O Galil () é uma família de fuzis de assalto israelitas nos calibres 5,56×45mm NATO e 7,62×51mm NATO. A arma foi desenvolvida por Yisrael Galil e Yaacov Lior no final dos anos 60 e produzido pela Israel Military Industries (IMI) (atualmente, pela Israel Weapon Industries (IWI)).

O desenho do fuzil é baseado no fuzil RK 62 finlandês (que é uma versão refinada da Kalashnikov soviética), tendo suas primeiras unidades, inclusive, utilizado armações da arma finlandesa.

Existem quatro configurações básicas do Galil: o fuzil de comprimento padrão (Galil AR), uma variante de carabina (Galil SAR), uma versão compacta (MAR ou Micro Galil) e uma metralhadora leve (Galil ARM).

Uma versão modernizada do Galil está atualmente em produção em múltiplos calibres, chamada Galil ACE.

História Na década de 1950, as Forças de Defesa Israelitas (FDI) haviam adotado o FN FAL, em 7,62x51mm OTAN e em duas configurações - "Aleph", a arma padrão, e "Bet", uma metralhadora de apoio, com o cano mais pesado. O FAL foi utilizado em combate na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Apesar da vitória israelense, o fuzil belga demonstrou que tinha limitações inferiores a da AK-47 e AKM apreendidas de tropas egípcias, principalmente com relação a versatilidade, simplicidade de manutenção e uso de um calibre menor e maior capacidade do carregador (limitado a 20 disparos no FN FAL).

Em 1968, a FDI deu inicio a um processo de adquirir novos fuzis. Os requisitos eram que as armas tivessem uma simplicidade de manutenção similar às dos rifles/espingardas Kalashnikov, mas com a precisão da M-16 norte-americana e do FAL belga. Houve duas equipes israelenses participando do processo: uma liderada por Uziel Gal (o projetista da submetralhadora Uzi) e outra liderada por Yisrael Balashnikov (que depois mudaria seu nome para Yisrael Galil). Além dessas duas equipes, os norte-americanos ofereceram fuzis M16A1 e Stoner 63, e os alemães ofereceram a HK33.

O projeto da Gal, apesar de elogiado, foi considerado muito complexo para a fabricação. O projeto de Galil baseou-se inicialmente em uma AK-47 em 5,56x45mm OTAN e com certas modificações, porém, o design final acabou sendo baseado no Valmet Rk.62 finlandês (uma versão refinada da AK-47 soviética). Os primeiros fuzis foram testados entre o fim dos anos 60 e inicio dos anos 70, mas só começaram a chegar para as tropas após a Guerra do Yom Kippur.

O Galil foi utilizado fuzil de serviço da FDI entre metade da década de 1970 até início da década de 1990. Nunca foi, porém, fuzil principal das forças israelitas, em termo de números. Em 1975, 60.000 fuzis M16A1 foram entregues às FDI, via Military Aid Program (MAP) norte-americano, sendo rapidamente integrados a FDI. De fato, construir fuzis Galil para todas as tropas israelitas era mais caro que adquirir fuzis M16 (e anos depois, carabinas M4), o que acabou limitando o serviço da arma em Israel. As próprias tropas de Israel preferiam o M16 ao Galil, devido a melhor precisão e leveza da arma. Em 2000, as variantes AR e ARM da Galil foram retiradas de serviço da FDI, tendo restado a variante SAR (chamada pelos israelenses de G'lilon) sendo utilizada por tropas de retaguarda como a Guarda do Knesset e o Corpo Blindado da FDI até 2005.

A arma também foi exportada para vários países, como Colômbia (sendo fabricada sobre licença pela Indumil), Estônia e Portugal (sendo utilizado como fuzil principal das Tropas Paraquedistas).

Detalhes do projeto Mecanismo de operação A série de fuzis Galil são armas de fogo seletivo operadas por um sistema padrão Kalashnikov de pistão movido a gás, sem regulador. A arma é travada com um parafuso rotativo com duas alças de bloqueio que se encaixam em recessos fresados na caixa de culatra.

Ao apertar o gatilho, o cão é liberado batendo no percussor. Este deflagra o cartucho, fazendo com que os gases que impelem o projétil entrem em um orifício. Ao passar por ele, os gases são dirigidos a um êmbolo situado acima do cano. Neste êmbolo tem um longo pistão que é ligado diretamente ao transportador do ferrolho. Os gases no êmbolo pressionam o pistão para trás. Ao fazer isso, pela inércia, o ferrolho é rotacionado para o lado esquerdo, fazendo com que os ressaltos estejam alinhados com as saliências do extensor do cano.

O ferrolho é deslocado para trás, ao mesmo tempo em que ejeta a cápsula que estava na câmara do cano e inicia o movimento de recuo até o final. A mola recuperadora empurra o transportador do ferrolho e pistão para frente, colocando um cartucho na câmara do cano. Neste momento, o ferrolho passa pelas saliências da base do cano, virando para o lado direito, travando o ferrolho na base do cano. Neste momento, o percussor está pronto para ser acionado novamente, reiniciando o ciclo.

A ejeção de casos gastos da Galil é às vezes uma ação violenta. Os casos podem ser amassados pelo ejetor e serem jogados até 40 pés (12,19 m) do fuzil em alguns casos, dependendo da posição.Galil Rifle History – Dnmsport.com

Características esquerda|miniatura|Um Soldado da Estônia em patrulha em março de 2005, durante a Guerra do Iraque, com uma Galil SAR compacta em 5,56×45mm.

O Galil tem um mecanismo de gatilho padronizado após o gatilho usado no americano M1 Garand. O selector de fogo do fuzil tem três posições: S-A-R. O seletor de estilo padrão AK-47 é mantido na face direita da caixa de culatra, e um duplo seletor de polegar está presente no rosto esquerdo acima do punho da pistola para facilitar a manipulação. Empurrando o seletor esquerdo para a posição traseira "R" (terminologia britânica para "repetição"), fornece fogo semiautomático. Empurrando para a posição do meio "A" produz disparo totalmente automático. Empurrar a alavanca totalmente para a frente em "S" irá ativar a segurança. Alguns modelos usam um mecanismo R-A-S de ligação reversa que executa a ação oposta; Empurrando para a frente define o fuzil para Repetição ou Automático, e puxar para trás envolve a segurança.

Os primeiros protótipos utilizavam a caixa de culatra da Valmet Rk.62. Mais tarde, receberam uma caixa de culatra estampada e rebitada, construída em Israel, porém, devido a alta pressão exercida pela munição de 5,56x45mm OTAN, os engenheiros israelenses construíram uma caixa de culatra fresada, o que aumentou o peso geral da arma, mas deixou-a mais resistente e livre de quaisquer problemas de rachaduras. Todas as superfícies exteriores são fosfatadas para maior resistência a corrosão e esmaltadas em preto (exceto o cano, embolo de gases e a maça da mira). O embolo de gases, retentores do guarda-mão, mecanismo de rebate da coronha, alça e maça de mira são peças moldadas e finalizadas por fresa. Os únicos componentes fabricados em metal estampado são o retém do ferrolho, o guarda-mato do gatilho, o seletor de segurança/tampa do mecanismo e os carregadores.

A arma recebeu um guarda-mão e punho de plástico de alta resistência (na ARM, o guarda-mão é de madeira) e uma coronha em metal, tubular e rebatível para a direita (similar a do FN FAL). O fuzil pode ser utilizado com um supressor de ruído. A arma, em sua versão ARM, recebeu em seu guarda-mão um abridor de garrafas e um cortador de arames em seu bipé. O abridor de garrafas foi incluído para evitar o uso da trava do retém do carregador e o carregador de si como abridor de garrafas, o que era muito usual entre os reservistas da FDI. O cortador de arames foi incluído para diminuir o tempo necessário para cortar arames de cerca, algo muito útil nas áreas rurais de Israel.

Cano As primeiras versões em produção eram equipadas com um cano com raiamento de 1:12, otimizado para uso da munição M193, porém, as versões mais recentes de produção tem o raiamento de seus canos em 1:7, para estabilização de projeteis SS109/M855, mais pesados. O cano tem um quebra-chamas gaiola, com seis espaços e pode ser utilizado para lançar granadas de bocal ou montar uma baioneta (no caso, a baioneta M7, norte-americana).

Alimentação A Galil é alimentada por um carregador de metal, curvado, com capacidade de 35 disparos (nas versões ARM e SAR), com opção para um carregador similar com capacidade 50 disparos (na versão ARM), ou um carregador especial de 12 disparos para munições de festim, utilizado para lançamento de granadas de bocal. Um adaptador pode também carregar a arma com carregadores STANAG, da M16.

Miras A alça da mira, em L, tem duas opções de distância de tiro, 0-300m e 300-500m, respectivamente, podendo ser somente ajustado a elevação. A maça da mira é ajustável para vento e elevação. Ambas os elementos da mira tem cápsulas de trítio, usadas para iluminação em casos de luz baixa, configuradas para 100m. Algumas variantes contam com um trilho lateral, na caixa de culatra, para a montagem de miras ópticas.

Variantes AR A versão padrão do fuzil, equipada com um protetor de mão e pistola de plástico de alto impacto, um estoque de esqueleto metálico tubular lateral (dobra para o lado direito), conforme instalado em todas as variantes, exceto o Galil Sniper. A versão em 5,56x45mm OTAN utiliza o carregador padrão da Galil, de 35 disparos e um cano de 460mm. Já a versão em 7,62x51mm OTAN usa um carregador de 25 disparos e um cano de 535mm.

SAR A carabina SAR (conhecida como G'ililon no serviço israelense) é configurada com um cano, pistão e tubo de gases menor que o da variante padrão. O embolo de gases também é modificado nessa variante. A versão em 5,56x45mm OTAN utiliza o carregador padrão da Galil, de 35 disparos e um cano de 332mm. Já a versão em 7,62x51mm OTAN usa um carregador de 25 disparos e um cano de 400mm.

ARM miniaturadaimagem|Galil ARM em 5,56x45mm OTAN A metralhadora leve ARM é adicionalmente equipada com uma alça de transporte, bipé dobrável e um guarda-mão maior, em madeira. O protetor de mão de madeira permanece mais frio durante o fogo automático sustentado e tem sulcos para o armazenamento de bipé. Quando dobrados, as pernas do bipé formam uma calha de velocidade para a rápida inserção do carregador; O bipé tem um cortador de arames e a virola do guarda-mão, que retém as pernas do bipé, pode ser usada como abridor de garrafas, evitando que os soldados utilizem a trava do retém do carregador ou o carregador como abridor, os danificando . A versão em 5,56x45mm OTAN utiliza o carregador padrão da Galil, de 35 ou 50 disparos e um cano de 460mm. Já a versão em 7,62x51mm OTAN utiliza um carregador de 25 disparos e um cano de 535mm.

MAR miniaturadaimagem|Elemento da Brigada de Intervenção da MONUSCO com uma Micro Galil, em 5,56x45mm OTAN A adição mais recente à família de armas Galil é a carabina compacta MAR, que retém as características internas do Galil original com uma estrutura completamente nova, mecanismo e cano ainda mais curto. Introduzido no público na 2ª Exposição Internacional da Indústria de Defesa na Polônia em 1994, a arma foi desenvolvida para uso de tripualntes de veículos, pessoal de retaguarda, operações especiais e paraquedistas.