O McDonnell F-101 Voodoo foi um caça supersônico que serviu a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) e a Real Força Aérea Canadense (RCAF).

Inicialmente projetado pela McDonnell Aircraft Corporation para ser caça de escolta de longo alcance para a Strategic Air Command (SAC), da USAF, porém, o F-101 acabou sendo desenvolvido para ser um caça-bombardeiro para o Tactical Air Command (TAC) da USAF, e como uma aeronave de reconhecimento, baseada na mesma célula. Um F-101A foi responsável por vários recordes de velocidade para aeronaves à jato, incluindo o de maior velocidade no ar, à 1.943,4 km/h . Estas aeronaves foram utilizadas em operações de reconhecimento até 1979.

Atrasos no projeto WS-201A (conhecido também por 1954 Interceptor) acabaram mostrando a necessidade por um interceptador interino, que foi suprida pelo F-101B. Isso requereu grandes modificações, como a instalação de um radar de controle de tiro mais potente, provisões para um segundo tripulante (servindo como operador do radar), e uma nova baia de armas, capaz de carregar quatro mísseis ar-ar AIM-4 Falcon e dois foguetes ar-ar nucleares AIR-2 Genie dentro da célula até o momento do disparo. O F-101B entrou em serviço no Comando de Defesa Aérea (ADC) da USAF em 1959, que os repassou para a Guarda Aérea Nacional (ANG), que os utilizou até 1982. A RCAF adotou o interceptador em 1961, os operando até 1984.

Projeto e Desenvolvimento

Antecedentes A carreira do Voodoo como caça-bombardeiro foi relativamente curta, porém, as versões de reconhecimento serviram por algum tempo. Em conjunto com os Lockheed U-2 da USAF e os Vought RF-8 Crusader da US Navy, a variante de reconhecimento do Voodoo (designado RF-101) foi essencial durante a Crise dos Mísseis de Cuba e durante a Guerra do Vietnã. Versões de interceptação estiveram em serviço pela Guarda Aérea Nacional (ANG) norte-americana até 1982. Em serviço no Canadá, os interceptadores estiveram na linha de frente da NORAD até sua substituição pelo CF-18 Hornet durante os anos 1980.

O Voodoo teve sucesso moderado, porém, é considerado como uma importante evolução, que possibilitou a tecnologia operada por seus substitutos, como o F-4 Phantom II, uma das aeronaves de combate ocidentais de mais sucesso de sua época. O Phantom manteve características do Voodoo, como os os dois motores, o uso de dois tripulantes (um piloto e um operador de radar), a empenagem montada acima da fuselagem (e, consequentemente, longe das "tubeiras" dos motores).

Design inicial O design inicial do que viria a ser o F-101 Voodoo começou logo após a Segunda Guerra Mundial em resposta à Competição de Caças de Penetração da USAAF em 1946. Essa competição tinha como parâmetros um caça de escolta de longo alcance e alto desempenho, visando escoltar os novos bombardeiros norte-americanos de modo similar ao que era feito pelos North American P-51 Mustang, que escoltaram bombardeiros pesados Boeing B-17 Flying Fortress e Consolidated B-24 Liberator durante a Segunda Guerra Mundial. Várias companhias entraram na competição com seus projetos, sendo desses, alguns chegaram ao estágio de protótipos, com apoio financeiro da USAAF.

A McDonnell Aircraft Corporation entrou na competição com o projeto nomeado XF-88 Voodoo. O primeiro protótipo (matricula 46-6525), decolou pela primeira vez de Muroc em 20 de outubro de 1948, propelido por dois turbojatos Westinghouse XJ34-WE-13, de 3000lbf (13.3 kN) cada . Testes preliminares revelaram que, apesar da manobrabilidade e alcance serem adequados, a velocidade máxima estava bem aquém das necessidades, chegando somente à 1.032 km/h a nível do mar . Após a montagem de pós-combustores no segundo protótipo, o empuxo foi aumentado para 3.600lbf (16.1 kN), provendo assim, melhoras no desempenho em velocidade máxima, taxa de subida inicial e uma diminuição na distância de decolagem, porém, o consumo de combustível aumentou drasticamente com o uso dos pós-combustores, assim, diminuindo o alcance .

Apesar de o XF-88 ter vencido a competição contra projetos como o Lockheed XF-90 e o North American YF-93, a detonação da primeira arma nuclear pela União Soviética resultou que a USAF (criada em 1947) repensasse suas necessidades em relação a aviação de combate, tornando interceptadores mais importantes e reduzindo a necessidade por caças de escolta, encerrando o programa de Caças de Penetração em 1950. Análises resultantes da experiência na Guerra da Coreia mostraram também que os bombardeiros estratégicos da USAF na época eram vulneráveis à interceptadores inimigos. Em 1951, a USAF expediu um novo requerimento para um caça de escolta, pedindo que empresas aeroespaciais norte-americanas submetessem seus projetos. A McDonnell projetou uma versão maior e com motores mais potentes do XF-88 e venceu a competição em maio de 1951. O XF-88 foi renomeado F-101 Voodoo em novembro de 1951.

Mudanças no design para novos motores O novo design era consideravelmente maior, carregando três vezes mais combustível e sendo construído dos novos e mais potentes turbojatos Pratt & Whitney J57 . As maiores dimensões dos motores J57 exigiram modificações nas baias dos motores, e nas tomadas de ar, que tiveram que ser alargadas para possibilitar maior influxo de ar para o motor. As novas tomadas de ar foram projetadas também para serem mais eficientes em velocidades superssônicas. Para melhorar a eficiência aerodinâmica, reduzir o peso da estrutura e reduzir o fenômeno do "pitch-up" (cabragem não comandada), os estabilizadores horizontais foram realocados para o alto do estabilizador vertical, dando aos F-101 sua característica cauda em T. No fim de 1952, a missão do F-101 foi modificada de "caça de penetração" para "caça estratégico", o que dava ênfase tanto na escolta de bombardeiros, quanto no lançamento de armas nucleares. Um mock-up do Voodoo, modificado com tomadas de ar reconfiguradas, superfícies de controle e trem de pouso modificados e uma arma nuclear inerte, foi inspecionado por oficiais da USAF em Março de 1953. O design foi aprovado e uma ordem inicial de 29 caças F-101A foi feita em 28 de maio de 1953. Não foram construídos protótipos, devido a aeronave ser considerada somente um desenvolvimento do XF-88.

Produção Inicial A primeira aeronave produzida foi um F-101A, de matrícula 53-2418, que fez seu primeiro vôo em 29 de setembro de 1954, na Base Aérea de Edwards, onde alcançou 960 km/h (Mach 0.9) à 11.000m (35.000 ft). Porém, com o fim da Guerra da Coreia e o desenvolvimento do Boeing B-52 Stratofortress, o Strategic Air Command (SAC) não via mais a necessidades de caças de escolta, se retirando do programa. Porém, o Tactical Air Command (TAC) se interessou pela aeronave, a reconfigurando como caça-bombardeiro, com a missão de lançar uma única arma nuclear contra alvos táticos, como aeródromos. Com o apoio do TAC, os testes continuaram, identificando vários problemas que não haviam sido resolvidos anteriormente, tendo sido feitas 2300 modificações no design antes da produção ser retomada, em novembro de 1956. Mesmo assim, a aeronave continuou tendo um problema crônico de "pitch-up" quando em alto ângulo de ataque que jamais foi resolvido a contento.

História Operacional miniaturadaimagem|239x239px|McDonnell F-101A (matricula 53-2425), baseado na Base Aérea de Bergstrom, no Texas F-101A / RF-101G O primeiro F-101A foi entregue ao 27th Strategic Fighter Wing do TAC em 2 de maio de 1957 , substituindo aviões F-84F Thunderstreak. O F-101A era propelido por dois turbojatos Pratt & Whitney J57-P-13 , que proviam boa aceleração, desempenho em subida e facilidade para quebrar a barreira do som em vôo nivelado, podendo chegar à 1.876 km/h (Mach 1.52). A grande capacidade de combustível interna do F-101A provia também um alcance de aproximadamente 4.828 km . A aeronave era equipada com um radar de controle de tiro MA-7, útil tanto em situações ar-ar quanto ar-superfície, e um sistema LABS (Low Altitude Bombing System), para lançamento de armas nucleares e havia sido projetado carregar bombas termonucleares Mk.28. Outras armas nucleares que podiam ser carregadas eram as bombas nucleares Mk.7 Thor e Mk.57, além da bomba termonuclear Mk.43. Apesar de teoricamente ser capaz de carregar armamento convencional, como bombas de emprego geral, foguetes e mísseis ar-ar AIM-4 Falcon , o F-101A nunca utilizou essas armas operacionalmente . A aeronave era equipada com quatro canhões Pontiac M39, de 20mm, porém, um deles foi deletado para abrir espaço para um transceptor de TACAN.

No total, 77 unidades do F-101A foram construídas. Elas foram sendo gradativamente retiradas de serviço em 1966 . 29 células do F-101A foram convertidas para o modelo RF-101G, com a remoção dos canhões e do radar, e a instalação de câmeras de reconhecimento no lugar. Essas aeronaves serviram na Guarda Aérea Nacional até 1972 .miniaturadaimagem|237x237px|Um RF-101A (matricula 54-1502), operado pelo 29th Tactical Reconnaissance Squadron da USAF, baseado na Base Aérea de Shaw, na Carolina do Norte, EUA. RF-101A Em outubro de 1953, a USAF requereu que duas aeronaves F-101A fossem reconstruídas como protótipos de aeronaves de reconhecimento tático YRF-101A. Após estes protótipos, foram construídos 35 aeronaves RF-101A . O RF-101A manteve a mesma célula do F-101A, porém, o nariz foi modificado, tendo o radar e canhões removidos e substituídos por seis câmeras de reconhecimento . Como todos os outros modelos do F-101, a aeronave contava com sonda e receptáculo de reabastecimento aéreo, além de capacidade de reabastecer outras aeronaves, pelo sistema Buddy Tank . Esse modelo entrou em serviço em 1957 , substituindo aeronaves de reconhecimento RB-57 Canberra.

Aeronaves RF-101A do 363rd Tactical Reconnaissance Wing da USAF, baseados na Base Aérea de Shaw, na Carolina do Norte, voaram missões de reconhecimento sobre Cuba, durante a Crise dos Mísseis de Cuba .

Em outubro de 1959, oito aeronaves RF-101A foram transferidas para a Força Aérea de Taiwan (ROCAF), que os utilizou em missões de reconhecimento sobre a China continental. Estas aeronaves foram modificadas com estabilizadores horizontais e tomadas de ar no estabilizador vertical similares aos do F-101C. A nova tomada de ar era utilizada também para resfriar o compartimento do paraquedas de frenagem e eliminando o limite de cinco minutos de acionamento dos pós-combustores que existia no F-101A .miniaturadaimagem|237x237px|McDonnell F-101B operado pela Guarda Aérea Nacional do Oregon F-101B / CF-101B / EF-101B No final dos anos 40, a USAAF deu início a um projeto de pesquisa para uma futura aeronave de interceptação, na qual culminou no requerimento avançado conhecido por WS-201A (também conhecido por 1954 Interceptor). Contratos para este requerimento acabaram dando origem ao F-102 Delta Dagger, porém, em 1952, já se tornava claro que nenhum dos subsistemas que complementariam a aeronave estariam prontos até 1954; motores, armas e sistemas eletrônicos ainda demorariam bastante até que estivessem operacionais. Um esforço foi iniciado para começar rapidamente para produzir um interceptador supersônico interino para substituir vários modelos de interceptadores subsônicos em serviço, e a célula do F-101 foi considerado como uma boa base para este interceptador .