TUE Série 3000 foi um trem unidade elétrico pertencente a frota do Trem Metropolitano de São Paulo.
História Projeto e construção
Em 1973 a Fepasa contratou as empresas Engevix e Sofrerail para elaborar um plano de remodelação dos subúrbios. O plano consistia na reconstrução de estações, pátios e aquisição de nova frota. Iniciado em 1977, o plano de remodelação foi sendo atrasado por problemas econômicos, de forma que 20 anos depois, apenas metade do mesmo havia sido realizado. As linhas da FEPASA foram repassadas para a CPTM em 1996. A Linha Sul possuía poucas estações e a frota fabricada para operar nela (5500/5550) se tornou obsoleta após 20 anos de operação.
A CPTM realizou a licitação internacional nº 114/1994. Financiada pelo BID, prevendo a aquisição de uma frota de 10 trens unidade elétricos de 4 carros. O contrato foi vencido pelas empresas Siemens AG/Simmering-Graz-Pauker (SGP) e Mitsui, pelo valor de DM 102.889.234. Por problemas econômicos de governo paulista, o contrato foi congelado. Após os Tumultos na CPTM em 1996, o governo paulista retomou o projeto de remodelação dos subúrbios e contratou as obras faltantes na Linha 9 (ex Linha Sul da Fepasa, incluindo os trens. Assim, o contrato assinado em 1994 só foi efetivado em 4 de julho de 1997, por US$ 70 milhões, prevendo-se a entrega dos trens em 36 meses.
Os trens unidade foram construídos na Alemanha (com peças importadas do Japão) e montados na fábrica da Siemens de Maribor, Eslovênia, sendo a primeira unidade entregue em 10 de novembro de 2000.
O fornecimento dos trens e o contrato terceirizado de manutenção da Série 3000 foram vencidos pela Siemens. A empresa alemã repassou o contrato de manutenção para a empresa MGE. Segundo investigações (que mais tarde resultaram no Escândalo das licitações no transporte público em São Paulo), a aquisição dos trens foi feita por meio de um cartel entre fabricantes de equipamentos ferroviários, enquanto que o contrato de manutenção dessa série foi usado como forma de pagamento de propinas. As investigações de membros do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Ministério Público descobriram que a MGE não realizou os serviços para os quais foi subcontratada. Em julho de 2019, o cade multou 11 empresas e 42 pessoas físicas em R$ 535,1 milhões por conta da formação de cartel.
Operação Os trens da Série 3000 inicialmente operaram em um tipo de serviço da CPTM chamado "Integração Centro", se tratava de um projeto que fazia a união de várias linhas da rede da CPTM, que visava reparar o constante caos das estações do centro da cidade, como Brás, Luz e Barra Funda. https://viatrolebus.com.br/2018/10/futurologia-do-passado-episodio-integracao-centro-2/
Após operar na Linha 9, as 5 unidades foram realocadas na Linha 7, onde prestaram serviços essenciais. Porém, com a chegada dos novos trens séries 8500 e 9500, acabaram sendo retiradas da Linha Rubi.
No fim de outubro de 2016, uma unidade foi vista fazendo testes na Linha 10-Turquesa, fazendo o Expresso Linha 10 em via exclusiva entre as estações Prefeito Celso Daniel - Santo André, São Caetano do Sul - Prefeito Walter Braido e Tamanduateí. Em 2017, os trens começaram a fazer o trecho Mauá até Brás pela Linha Turquesa, e em abril de 2019, uma unidade prestou serviços no expresso semanal Linha 10+.
Em julho de 2019, devido a um remanejamento de alguns trens da série 7000, colocando a série 2100 para reserva técnica, as composições dessa série passaram a fazer o trajeto completo da Linha 10, entre as estações Brás e Rio Grande da Serra.
Em fevereiro de 2021, todas as composições da série foram imobilizadas e encostadas no abrigo Luz, e em outubro de 2024 foram movidas ao pátio da Lapa, devido à obras no Pátio Luz, onde seguem inoperantes até o momento.
Aposentadoria precoce e sucateamento
Durante o processo de aquisição de novos trens, a CPTM estabeleceu que todos deveriam ter vida útil de trinta anos (conforme estudo realizado pela Régie Autonome des Transports Parisiens realizado em 1991).
No entanto, em 2025 com quase 5 anos sem operar, a CPTM viu que seria altamente custoso para poder reativar ou modernizar os 5 trens, de modo que todos (exceto um carro motor) foram incluídos (e posteriormente leiloados) em um leilão de sucata que ocorreu no 12 de dezembro de 2025.
A Série 3000 possuiu vida útil similar a de trens reformados:
Vida útil de trens retirados da frota da CPTMSérieSituação da aquisiçãoEntrada em serviçoRetirada de serviçoVida útil1100Reforma de trens fabricados entre 1956 e 19601997201821 anos2000Aquisição de trens novos2000202424 anos3000Aquisição de trens novos2001202523 anos2100Reforma de trens fabricados entre 1974 e 19851998202426 anos5550Reforma de trens fabricados entre 1978 e 1980200820168 anos
Entrega dos TUE’s NumeraçãoData de operaçãoDestino3001-300225/1/2002Leiloado como sucata no dia 12 de Dezembro de 2025.3003-300428/12/2001Leiloado como sucata no dia 12 de Dezembro de 2025.3005-300627/12/2001Leiloado como sucata no dia 12 de Dezembro de 2025.3007-300825/12/2001Leiloado como sucata no dia 12 de Dezembro de 2025.3009-301024/12/2001Leiloado como sucata no dia 12 de Dezembro de 2025.3011-301224/12/2001Leiloado como sucata no dia 12 de Dezembro de 2025.3013-301406/03/2002Leiloado como sucata no dia 12 de Dezembro de 2025.3015-301627/12/2001Leiloado como sucata no dia 12 de Dezembro de 2025.3017-301824/12/2001Leiloado como sucata no dia 12 de Dezembro de 2025.E019-E020-302024/12/2001 Leiloados como sucata no dia 12 de Dezembro de 2025.Carro 301924/12/2001 Aguarda destinação.
Informações da data de operação retiradas do detalhamento de frota da CPTM.
Manutenção
No início dos anos 2000 a CPTM estudou a realização de manutenção dos novos trens das Séries 2000 e 3000 com mão de obra própria, através da contratação de novos funcionários via concurso público. No entanto, diante da falta de recursos para a realizar as contratações e com base na Lei de Responsabilidade Fiscal, o Conselho de Defesa dos Capitais do Estado da Secretaria da Fazenda de São Paulo proibiu a contratação de novos funcionários pela CPTM sem comprovação de capacidade financeira da estatal para viabilização do processo. Dessa forma, a CPTM realizou a terceirização da manutenção de suas frotas.
Posteriormente esses processos de terceirização de manutenção foram contestados pelo Ministério Público de São Paulo, culminando no Escândalo das licitações no transporte público em São Paulo. Paralelamente o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) abriu processo de investigação de suposto cartel entre as empresas. Através de um acordo de leniência a Siemens colaborou com o CADE, culminando na condenação de onze empresas (incluindo Alstom, Teimoinsa e T'Trans, responsáveis pela manutenção da Série 3000) por formação de cartel no fornecimento de trens e prestação de serviços de manutenção no Brasil.
Após a contratação da Alstom como prestadora de serviços de manutenção da Série 3000 em 2018 por quatro anos, a CPTM rescindiu amigavelmente o contrato de manutenção com a empresa francesa em 28 de maio de 2021. Incapaz de manter os trens em operação por meios próprios, a CPTM decidiu estacionar os trens Série 3000 nas Oficinas da Luz em 2021.
PeríodoContratoEmpresasValor previsto2002-2007836210101300SiemensR$ 33.695.066,782007-2010809573101100SiemensR$ 55.238.147,62012-2018801712301100Consórcio TMT 3000 Teimoinsa Trail T'TransR$ 79.633.142,772018-202184101730110AlstomR$ 103.361.106,3
Na cultura popular
A fábrica de trens elétricos Frateschi lançou em fevereiro de 2002 o Trem Série 3000 em Escala HO.
Um trem da Série 3000 recebeu uma pintura dos grafiteiros Os Gêmeos em 2006, como parte do Projeto Grafitti desenvolvido pela CPTM.
O trem se tornou facilmente reconhecido pelos passageiros por conta do som de tração de seus inversores GTO durante a partida nas estações, com os usuários afirmando que o som lembrava uma gaita, sanfona, violino ou teclado. Devido a essa característica, o TUE 3000 ganhou o apelido de "trem musical".
Ligações externas
Categoria:Trens-unidades elétricos
Categoria:Trens-unidades elétricos pertencentes à Companhia Paulista de Trens Metropolitanos