Jornal Pessoal, também conhecido como JP, é um periódico alternativoVELOSO, Maria do Socorro Furtado Veloso; AZEVEDO Junior, Aryovaldo de Castro; PAVAN, Maria Ângela; LIMA, Maria Érica de Oliveira Lima.. Pessoal: Modelo de imprensa contra-hegemônica na Amazônia brasileira. Lisboa: Observatorio/Scielo, 2011, v.5 n.2.NASCIMENTO, Mirian Alves do.. A Mídia Alternativa Possível no Brasil. In: WOITOWICZ, Karina Janz (org). Recortes da mídia alternativa: histórias e memórias da comunicação no Brasil. Ponta Grossa: Ed. UEPG, 2009. 312 p. editado pelo prestigiadoUm dos heróis de Repórteres Sem Fronteiras - Observatório da Imprensa jornalista Lúcio Flávio Pinto e pelo também jornalista Luiz Pinto, irmão de Lúcio. Em suas categorias, de mídia alternativa e independente, é o mais longevo periódico brasileiro.Sem citar fontes, o Blog "As Charges do Jornal Pessoal", mantido pelos irmãos Lúcio e Luiz Pinto, afirma o seguinte: "O mais antigo jornal independente do Brasil (...)". Disponível em: <2.bp.blogspot.com/-8VMtcB3ZNsE/T9s_emfa1SI/AAAAAAAAAx0/Q7aO834h4_o/s1600/Cabe%25C3%25A7alho.jpg>
Graças ao trabalho desenvolvido no Jornal Pessoal, de defesa da Amazônia brasileiraSILVA, Ruthane Saraiva da. Jornalismo alternativo na Amazônia: o discurso do desmatamento no Jornal Pessoal (1987-2012). 2013. 169 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Pará, Núcleo de Altos Estudos Amazônicos. Belém: Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido, 2013., o jornalista, seu irmão e o seu periódico acumularam diversos prêmios nacionais e internacionais, dentre eles o International Press Freedom Awards (Prêmio Internacional da Liberdade de Imprensa) em 2005, dado pelo Comitê para Proteção dos Jornalistas, sendo a primeira vez que o Brasil ganharia tal honraria.IPFA 2005 - Lucio Flavio Pinto - Committee to Protect Journalists
A primeira edição saiu em 15 de setembro de 1987; sua manchete, sob o título "O caso Fonteles: um crime bem planejado", destacava a cobertura do assassinato do ex-deputado Paulo Fonteles.Arquivo do Jornal Pessoal, 1ª quinzena de 1987. - University of Florida/George A. Smathers Libraries.
Histórico
Antes de editar o "Jornal Pessoal", Lúcio aventurou-se em pelo menos duas outras oportunidades:
Jornal "Bandeira 3", que durou sete edições, todas no ano de 1975; jornal "Informe Amazônico", com 12 edições, entre 1980 e 1981.PINTO, Lúcio Flávio. Primeira edição. Blog As Charges do Jornal Pessoal. 1º de junho de 2012.
O Jornal Pessoal surgiu porém em virtude de falta de espaço para publicar uma grande matéria investigativa. A maioria dos jornais paraenses, inclusive o maior deles, O Liberal, em pleno período democrático pós-ditadura negaram-se a publicar matérias sobre o assassinato do ex-deputado Paulo Fonteles.RABIN, Cláudio. Série Mongabay: Ecologistas ameaçados: A resistência do jornalista da Amazônia, apesar de décadas de ameaças e perseguição. Mongabay: 31 de março de 2016. A principal alegação era o temor de represálias econômicas, visto que dois dos nomes envolvidos no caso como testemunhas, Francisco Joaquim Fonseca, do Grupo Jonasa, e Jair Bernardino de Souza, proprietário da empresa Belauto, eram anunciantes do jornal.VELOSO, Maria do Socorro Furtado. Imprensa, poder e contra-hegemonia na Amazônia: 20 anos do Jornal Pessoal (1987-2007). Tese do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Escola de Comunicações e Artes da USP. São Paulo: ECA/USP, 2008.
Lúcio, a época jornalista do O Liberal e correspondente do Estado de S. Paulo, havia sido o repórter destacado para cobrir o caso, e não teve seu trabalho investigativo publicado pelo jornal O Liberal. Em virtude disso, sentiu-se ainda mais instigado a publicar a matéria.AMORIM, C. R. T. C. Jornal Pessoal: o metajornalismo cidadão. - Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi/Scielo. Ciências Humanas, Belém, v. 3, n. 3, p. 401-408, set.- dez. 2008
Como forma de compensar o grande trabalho que o jornalista havia feito na cobertura do caso, o jornal O Liberal cedeu seu parque gráfico para imprimir o volume 1 do Jornal Pessoal, totalmente de graça, com a única condição de não ser citado como a gráfica responsável.AMORIM, Célia Regina Trindade Chagas. Jornal Pessoal: um exemplo de resistência à censura na Amazônia. In: Universidade Estadual de Ponta Grossa. (Org.). Recortes da mídia alternativa: História & memórias da comunicação no Brasil. Paraná: UEPG, 2009, v. 1, p. 121-134
A matéria de capa do recém-fundado Jornal Pessoal veio com o título "O caso Fonteles: um crime bem planejado"; esta matéria lhe rendeu vários prêmios, inclusive um Prêmio FENAJ, no ano de 1988.VIEIRA, André. A Agonia de Lúcio Flavio: O jornalista Lúcio Flávio precisa sobreviver às ameaças dos políticos e empresários mais poderosos do norte do país. Revista Rolling Stone - Fevereiro de 2007
Características
Se comparada a sua projeção, o Jornal Pessoal conta com uma redação modesta; é composta por Lúcio que é o redator e diretor, e seu irmão Luiz Pinto que trabalha como ilustrador/diagramador e o distribuidor. Ambos produzem as cópias do periódico em uma gráfica própria.MARQUES, R. S.; OLIVEIRA, A. S.. A Revolta Contra a Simetria das Informações: O Caso do Jornal Pessoal no Estado do Pará. In: Universidade Federal de Pernambuco. (org.). VII Seminário de Ciências Políticas e Relações Internacionais: Anais do Grupo de Trabalho "Eleições Comportamento Político". Recife: UFPE, 2013, p. 157-170
Os irmãos Pinto reconhecem que o periódico tem "redação franciscana", em virtude da simplicidade do veículo informativo. O Jornal Pessoal tem aparência de um jornal estudantil; o seu formato é pequeno, equivalente a uma folha de papel ofício. Em 2012, ao comemorar 25 anos de existência, passou a ter edições de 16 páginas, depois de ter circulado por grande parte da sua história com 12. Outras características é que não usa cor, nem foto, exceto em suas seções memorialísticas, que abrigam imagens do passado. Suas ilustrações são charges.PINTO, Luiz. Os 25 anos do JP. Blog As Charges do Jornal Pessoal. 22 de agosto de 2012.
O JP nunca aceitou publicidade nem disponibiliza assinaturas. A renda para que continue editando vem comercialização da sua tiragem, de dois mil exemplares quinzenais, dos quais mil e seiscentos são vendidos em bancas de revista de Belém, capital do Pará. Conta por vezes com doações vindas de anônimos e de campanhas de financiamento coletivo.TAVEIRA, Caroline Gonçalves. Quem coloca a bunda em Caras não coloca a cara em Bundas – Um resgate da Imprensa Alternativa no Brasil. São Paulo: Revista Alterjor, 2014, Vol. 2, Nº 10.
Censura e violência
Por sua característica combatividade em relação às questões Amazônicas, em especial aos grandes grupos econômicos, o Jornal (e o jornalista Lúcio Flávio) respondem atualmente a 33 processos na justiça de Belém, a maioria com base na chamada Lei de Imprensa, de 1967.PINTO, L. F. Jornalismo na Selva. In: POMAR, P. E. R.. Mídia(s) No Brasil: O Poder dos Conglomerados e Múltiplos Contrapoderes. São Paulo: Revista Adusp, jan. 2008, nº42 São frequentemente citados no Jornal Pessoal as famílias Maiorana (e o grupo ORM), Sarney e Barbalho (e o grupo RBA), Lula (e o PT), Simão Jatene (e o PSDB), além da empresa mineradora Vale.PINTO, Luiz. As primeiras charges. Blog As Charges do Jornal Pessoal. 1 de junho de 2012.As chages de 2003-2004 - Blog As Charges do Jornal Pessoal
Dos processos movidos contra o jornalista, 13 são de autoria de membros da família Maiorana, que vêm a ser os proprietários das Organizações Rômulo Maiorana (ORM), ao qual pertencem o jornal e a TV Liberal, esta afiliada à Rede Globo. No dia 21 de janeiro de 2005, o jornalista foi agredido a socos e pontapés, em local público, por Ronaldo Maiorana e por dois policiais militares que trabalham ilegalmente como seguranças do empresário.SEIXAS, Netília Silva dos Anjos; CASTRO Avelina Oliveira de.. Imprensa e poder na Amazônia: a guerra discursiva do paraense O Liberal com seus adversários. Bauru: Revista Comunicação Midiática, Vol. 9, No 1 Os Maiorana foram patrões de Lúcio Flávio.
Lúcio foi condenado a pagar indenização de R$ 8 mil (o que valia em 2012 perto de R$ 22 mil, incluindo custas e honorários advocatícios), referentes a uma ação por danos morais movida por Cecílio do Rego Almeida, fundador da C.R. Almeida, que é uma das maiores construtoras do país. Almeida, falecido em 2008, alegou na ação ter sido ofendido pelo jornalista, que o chamou de "pirata fundiário" em reportagem publicada em 1999 no Jornal Pessoal. O texto descrevia a apropriação ilegal por Almeida de quase 5 milhões de hectares de terras públicas no Vale do Rio Xingu, no Pará. Lúcio afirmou que foi "(...) condenado por falar a verdade." A grilagem das terras herdadas pelos filhos do fundador da empreiteira, foi anulado por uma decisão da Justiça Federal.PEREIRA, J. A. G.. Solidariedade a Lúcio Flávio. São Paulo: Revista Página 22/FGV, março de 2012.
Ligações externas Lúcio Flávio Pinto: A Vale que vale
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