O Rostislav (Ростислав) foi um couraçado pré-dreadnought operado pela Marinha Imperial Russa. Sua construção começou no final de janeiro de 1894 no Estaleiro do Almirantado Nikolaev e foi lançado ao mar no início de setembro de 1896, entrando em serviço na frota russa em meados de março de 1900. Era armado com uma bateria principal composta por quatro canhões de 254 milímetros montados em duas torres de artilharia duplas, tinha um deslocamento de pouco mais de dez mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de quinze nós (28 quilômetros por hora).
A construção do Rostislav enfrentou diversos problemas, como projeto falho e atraso na entrada de componentes, o que atrasou sua entrada em serviço. Ele atuou no Mar Negro e seus primeiros anos consistiram principalmente em exercícios de treinamento e outras atividades de rotina, com experimentos de artilharia realizados a bordo em 1908 levando a adoção de novos dados balísticos para a Marinha Imperial. Sua tripulação quase se amotinou durante a Revolução de 1905, enquanto em 1913 protegeu a embaixada russa em Constantinopla durante a Primeira Guerra Balcânica.
O navio participou de várias ações na Primeira Guerra Mundial contra o Império Otomano, principalmente ações de bombardeio litorâneo. A Frota do Mar Negro entrou em colapso no início de 1918 durante a Revolução Russa e ele acabou abandonado pelos bolcheviques em Sebastopol. Foi depois capturado pelos britânicos, mas teve seus motores deliberadamente incapacitados. Foi tomado pelas forças do Movimento Branco e usado como bateria de artilharia flutuante até ser deliberadamente afundado em novembro de 1920, sendo parcialmente desmontado anos depois.
Desenvolvimento O Rostislav foi concebido em 1892 como uma plataforma barata e compacta para canhões de 305 milímetros, similar em tamanho a navios de defesa de costa mas com melhor navegabilidade para operações no Mar Negro. O vice-almirante Nikolai Chikhachiov, o Chefe do Ministério da Marinha, imaginou uma esquadra de embarcações desse tipo, cada uma com deslocamento entre 4,1 e 5,1 mil toneladas, para seu objetivo de deslocamento de 24,4 mil toneladas. Sergei Ratnik, o engenheiro chefe do Estaleiro do Almirantado Nikolaev, avaliou as propostas e aconselhou contra a ideia. O Comitê Técnico Naval concordou, afirmando que qualquer combinação significativa de poder de fogo, blindagem, velocidade e estabilidade necessitava de pelo menos 6,1 mil toneladas. O comitê descartou a proposta de Ratnik de construir uma versão aprimorada do couraçado de nove mil toneladas, mas não apresentou uma alternativa definitiva e se recusou a discutir questões técnicas, deixando a escolha de armamento para Chikhachiov.
Chikhachiov instruiu o engenheiro Andrei Toropov a elaborar duas propostas, uma armada com canhões de 254 milímetros e outra com armas de 305 milímetros. Toropov estimou que o navio deveria ter um deslocamento de pelo menos nove mil toneladas. Chikhachiov apresentou as duas proposta ao Comitê Técnico Naval. O próprio e os comandantes de frota da ativa votaram pela versão com canhões de 305 milímetros, que já tinha se tornado o padrão mundial para couraçados, porém o comitê aconselhou contra. O alto escalão da Marinha Imperial Russa passou os meses de abril e maio de 1893 em longos debates. Eles concordaram em aumentar o deslocamento para nove mil toneladas e estavam pendendo em favor da arma de 305 milímetros, porém o general almirante grão-duque Aleixo Alexandrovich resolveu a questão em favor do canhão menor. O casco foi o mesmo do Sissoi Veliki, mas protegido com a nova blindagem Harvey, com energia elétrica sendo usada pela primeira vez em um navio russo para girar as torres de artilharia.
Projeto Características thumb|240px|esquerda|Desenho do Rostislav O Rostislav tinha 105,3 metros de comprimento da linha de flutuação e 107,2 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 20,7 metros e um calado de 7,7 metros. Tinha um deslocamento de toneladas, mais de 1,5 mil toneladas a mais do que seu deslocamento projetado de nove mil toneladas. Este peso extra aumentou seu calado em aproximadamente noventa centímetros, submergindo todo ou a maior parte do cinturão principal de blindagem na linha de flutuação.
O sistema de propulsão tinha dois motores verticais de tripla-expansão, cada um girando uma hélice; eram os mesmos motores do Sissoi Veliki. Tinham uma potência indicada de cavalos-vapor (6,3 mil quilowatts). Eram alimentados por oito caldeiras cilíndricas de tubos de fogo, metade das quais queimavam carvão e a outra metade óleo combustível, fazendo do Rostislav o primeiro navio capital do mundo a usar óleo de combustível. Isto foi feito a fim de substituir o custoso carvão estrangeiro pelo muito mais barato óleo de Bacu. O sistema de propulsão produziu um total de cavalos-vapor ( quilowatts) durante seus testes marítimos para uma velocidade máxima de 15,8 nós (29,3 quilômetros por hora). O navio podia carregar até 830 toneladas de óleo combustível e carvão, o que dava uma autonomia de 3,1 mil milhas náuticas (5,7 mil quilômetros) a oito nós (quinze quilômetros por hora).
Armamento thumb|240px|Tripulantes limpando os canhões principais do Rostislav O armamento principal consistia em quatro canhões Obukhov Modelo 1891 calibre 45 de 254 milímetros montados em duas torres de artilharia duplas na linha central, uma à vante e outra à ré. Cada torre tinha um arco de disparo de 240 graus. Elas podiam elevar até quinze graus e abaixar até cinco graus negativos. Disparavam projéteis de 225,2 quilogramas a uma velocidade de saída de 693 metros por segundo. A uma elevação de seis graus, tinham um alcance de 7,3 quilômetros. A bateria secundária tinha oito canhões Canet Padrão 1891 calibre 45 de 152 milímetros montadas em torres de artilharia duplas no convés principal. Cada torre ficava posicionada nos cantos da superestrutura e tinham um arco de disparo de 110 graus. Disparavam um projétil de 41,46 quilogramas a uma velocidade de saída de 792 metros por segundo. Tinham um alcance de 11,5 quilômetros a uma elevação de vinte graus.
O armamento contra barcos torpedeiros consistia em doze canhões Hotchkiss de 47 milímetros. Oito ficavam montados na superestrutura, porém não se sabe a localização dos quatro restantes. Disparavam projéteis de um quilograma a uma velocidade de saída de 430 metros por segundo. Também tinha dezesseis canhões Hotchkiss de 37 milímetros, oito ficavam na gávea, enquanto a localização dos outros oito também é desconhecida. Disparavam projéteis de quinhentas gramas a uma velocidade de saída de 660 metros por segundo. Por fim, o Rostislav tinha seis tubos de torpedo de 381 milímetros. Quatro ficavam acima da linha de flutuação, um na proa, um na popa e um em cada lateral, enquanto os dois restantes eram submersos, também um cada lateral. A embarcação carregava cinquenta minas navais para proteger seu ancoradouro.
Blindagem O cinturão principal de blindagem do Rostislav tinha uma espessura máxima de 368 milímetros, reduzindo-se para 254 milímetros na área que protegia os depósitos de munição. Ele cobria 69,2 metros do comprimento do casco e tinha 2,1 metros de altura, porém a maior parte ficava abaixo da linha de flutuação. À vante o cinturão terminava em uma antepara transversal de 229 milímetros, enquanto à ré ele terminava uma antepara com 127 milímetros. O cinturão superior tinham 127 milímetros de espessura, 2,3 metros de altura e um comprimento de 48,8 metros. As laterais das torres de artilharia da bateria principal tinham 254 milímetros, já seus tetos tinham 64 milímetros. As laterais das torres da bateria secundária tinham 152 milímetros, a mesma espessura das laterais da torre de comando. A blindagem do convés era reta e ficava localizada na extremidade superior do cinturão principal, tendo 51 milímetros. Abaixo da linha de flutuação, à vante e à ré da cidadela blindada, os conveses tinham 76 milímetros.
História Construção A construção do Rostislav começou em 30 de janeiro de 1894 no Estaleiro do Almirantado Nikolaev em Nikolaev, Kherson, e ele foi oficialmente batizado em 20 de maio. Seguindo a tradição russa, a cerimônia formal de batimento de quilha foi adiada e só correu em 19 de maio de 1895. O contrato para a fabricação dos motores e das caldeiras a óleo combustível foi firmado com o Estaleiro do Báltico. A blindagem foi comprada nos Estados Unidos com a Bethlehem Steel dentro da estrutura de um contrato anterior para um dos couraçados da Classe Petropavlovsk. A Bethlehem Steel acabou enfrentando o escrutínio do Comitê do Senado sobre Assuntos Navais por cobrar da Marinha Imperial um preço "introdutório" incomumente baixo de 250 a trezentos dólares por tonelada, comparado aos seiscentos a 660 dólares cobrados da Marinha dos Estados Unidos. O senador Benjamin Tillman acusou publicamente a Bethlehem Steel e a Carnegie Steel de fixação de preços e roubar do contribuinte norte-americano.
O casco foi lançado em 2 de setembro de 1896. A falta de guindastes apropriados no estaleiro dificultou a instalação dos motores, à ponto de ter sido considerado rebocá-lo para Sebastopol para ser finalizado. Os engenheiros conseguiram resolver o problema e o Rostislav ficou pronto para navegar em julho de 1897. Realizou seus testes de velocidade em 21 de outubro de 1898, ainda sem seus canhões principais. Os motores funcionaram perfeitamente, mas seu peso excedeu o projetado em mais de trezentas toneladas.
A Fábrica Obukhov em São Petersburgo atrasou a entrega dos canhões de 254 milímetros para o Rostislav e também para outros navios em construção, adiando a finalização da embarcação em dois anos. Um dos canhões que seria do navio de defesa de costa Admiral Ushakov explodiu durante testes, fazendo com que toda a remessa fosse sujeita a testes e possivelmente reparos. Quatro armas foram aprovadas e entregues entre julho e agosto de 1899. O Rostislav conseguiu realizar seu primeiro teste de artilharia em 12 de abril de 1900. Os mecanismos de coice da torre de artilharia de vante falharam durante no segundo dia e mais defeitos foram descobertos no porto. O couraçado passou os meses seguintes tendo suas armas concertadas, mas o problema persistiu e a Marinha Imperial decidiu proibir que elas fossem utilizadas. As montagens foram reconstruídas entre 1901 e 1902 no mesmo padrão usado no cruzador blindado Admiral Nakhimov, com o Rostislav passando nos testes de artilharia em junho de 1902. Os controles elétricos das torres tinham 332 conectores e necessitavam de uma tediosa manutenção, algo que mostrou-se muito complexo para a maioria dos marinheiros.
Início de serviço thumb|esquerda|200px|O Rostislav c. 1907–1916 O capitão grão-duque Alexandre Mikhailovich assumiu o comando do Rostislav em 1º de maio de 1899, tornando-se o primeiro membro da Família Imperial Russa a comandar um navio de guerra desde o imperador Pedro I. Outro membro da Família Imperial, o grão-duque Cirilo Vladimirovich, também serviu a bordo do couraçado durante alguns meses em 1900. Alexandre trazia muitos convidados a bordo e realizava várias festas e viagens para Constantinopla, o que regularmente interferia nos deveres da tripulação, mas ele também lidava pessoalmente com os reparos e alterações dos equipamentos do navio. Estaleiros e contratantes tratavam o Rostislav como um cliente de prioridade. Alexandre, a partir de suas experiências no Sissoi Veliki, convenceu o Comitê Técnico Naval a reforçar a estrutura do leme da embarcação e supervisionou a instalação de um posto de controle reserva sob a torre de comando. Alexandre foi promovido a contra-almirante em 1903 e deixou o comando do Rostislav. O couraçado serviu de segunda capitânia da Frota do Mar Negro até setembro de 1912.